Davis: “Repique EP”

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São Paulo vive uma onda forte de produtores de diversos estilos, sempre criativos e abusados, mas devemos destacar o pessoal que vem produzindo sons com batidas 4X4, principalmente a união desses produtores como os coletivos e festas: Brazilian Disco Club, Gop Tun, Selvagem, Dusk entre outros. Mas existe um produtor que vem já algum tempo mostrando faixas energéticas e extravagantes, com um toque próprio dentro da cena, o nome a ser lembrado é Davis Genuino.

Dj e produtor paulistano, Davis é residente na noite Freak Chic do clube D-Edge em São Paulo, do Warung Club em Itajaí e da festa multidisciplinar Laço. Ele também é integrante do projeto The Drone Lovers ao lado de Pedro Zopelar e da vocalista Érica Alves, no qual lançou recentemente um ep pelo selo Ganzá, da plataforma Skol Music, e em breve lançaram seu disco de estreia. Mas em sua carreira solo o cara já lançou muita coisa boa, por diversos selos renomados, agora acaba de lançar seu novo trabalho, trata-se do Repique EP.

O pequeno disco trata de formal natural e hibrida, musicas que passeiam pelo universo da house e disco music. O trabalho tenta transmitir momentos de Introspecção e escapismo, assim como uma excelente energia, conseguindo o resultado no ponto certo. Repique sai as ruas pelo selo paulistano Paunchy Cat Records, contendo quatro faixas que estão disponíveis no soundcloud do selo.

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Golden Kong leva o Tiga para dançar no ritmo do jersey club

 

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O jovem produtor paulistano Fernando Martin Simões, mais conhecido como Golden Kong ataca novamente. Depois de lançar seu ep de estreia pelo selo Braza Music, ele soltou em sua pagina do soundcloud diversos remixes excêntricos. Após experimentar sons que misturam samples de vídeo game, MC Livinho e Jersey club, o rapaz volta com um remix avassalador do hit Bugatti do produtor canadense Tiga.

A faixa leva os vocais de Tiga para o mundo do global bass, mais precisamente pras pistas com batidas de Jersey club, além de toda energia presente com frequência em suas musicas. Podemos notar grande evolução desde seu primeiro lançamento, muito mais que qualidade, pode se ver muita ousadia e criatividade. Golden Kong faz parte da nova safra de djs e produtores tupiniquins, que estão indo além do padrão e prometem muita coisa boa para as pistas.

 

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Disco: “Trovões a Me Atingir”, Jair Naves

Jair Naves
Indie/Alternative/Brazilian
http://www.jairnaves.com.br/

Descrença, solidão, medo e morte; temas corriqueiros dentro do acervo poético de Jair Naves enquanto vocalista da extinta Ludovic, porém, um catálogo de experiências cada vez menos significativas no universo autoral que define a carreira solo do cantor. Se em 2006, quando apresentou o derradeiro Idioma Morto, Naves gritava a plenos pulmões, exaltando sentimentos e toda sua raiva em relação ao mês de janeiro – “o pior dos meses” -, curioso perceber no mesmo mês, data escolhida para o lançamento do segundo disco solo do músico, Trovões a Me Atingir (2015, Independente), uma completa oposição desse resultado.

Da capa iluminada aos arranjos suavizados, dos versos marcados pela esperança ao refrão vívido da faixa-título – “meu corpo volta a ter pulsação” -, difícil ignorar a transformação que define a presente obra do paulistano. Ainda que a melancolia tome conta de boa parte do trabalho, marca explícita nos instantes finais e respiros breves do registro, seria um erro não observar o conceito “sorridente” que sustenta a atual fase de Naves. As angústias e trovões – como indicado no título da obra -, ainda atingem o compositor, por todos os lados, entretanto o nítido senso de superação parece maior, raro quando voltamos os ouvidos para o contexto macambúzio do ainda recente E Você Se Sente Numa Cela Escura… (2012).

Diferente de outros registros individuais, ou mesmo da postura melancólica assumida desde a estreia com Servil (2004), quando atuava como vocalista/líder da Ludovic, durante todo o percurso, Naves se concentra na exaltação ao amor, crença e aspectos positivos da vida adulta. Doses amargas de sobriedade ainda são evidentes, contudo, ao buscar apoio em versos como “Minha solidão tem fim para mim, isso basta” e “Desejo assim eu nunca, nunca vi“, logo no começo do álbum, a direção assumida pelo artista passa a ser outra. Não seria um erro interpretar o novo trabalho de Naves como a obra mais esperançosa e feliz do cantor.

Tamanha alteração – lírica e principalmente instrumental – reforça um natural aspecto de renovação (ou ineditismo) quando comparado ao curto acervo do paulistano. Se em 2012 parecia fácil encaixar o primeiro registro solo de Naves em uma estrutura próxima ao trabalho de Joni Mitchell, The Walkmen e The Smiths, hoje, o senso de identidade e reforço criativo preenche toda a obra do músico. Ao lado de Renato Ribeiro (violão e guitarra), Thiago Babalu (bateria), Felipe Faraco (teclados) e Rafael Findans (baixo), Naves brinca com as possibilidades, conquistando um território musicalmente amplo, passagem livre para a interferência de convidados como Beto Mejía (Móveis Coloniais de Acaju), Camila Zamith (Sexy Fi) e Guizado. Continue reading

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Passion Pit: “Lifted Up (1985)”

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“Contraste” parece ser a palavra que melhor define o trabalho do Passion Pit. Desde a entrega do primeiro EP, Chunk of Change, lançado em setembro de 2008, Michael Angelakos, vocalista e líder da banda, explora de maneira assertiva a essência melancólica dos próprios versos, posicionando sintetizadores festivos e arranjos voltados ao pop de forma a construir a base de cada composição. Um som de natureza doce, reforçado com delicadeza nos dois últimos trabalhos do grupo, Manners (2009) e Gossamer (2012).

Longe de parecer uma surpresa, com a entrega de Lifted Up (1985), primeiro single de Kindred (2015), terceiro álbum da carreira do grupo, todos os “ingredientes” que caracterizam a obra do Passion Pit são mais uma vez resgatados (e expostos) por Angelakos. Enquanto acomoda confissões e versos nostálgicos – “1985 was a good year / The sky broke apart then you walked in” – ao longo da música, uma frente de sintetizadores e vozes carregadas de efeito explodem com entusiasmo, transportando o ouvinte para o mesmo cenário de It’s Not My Fault, I’m Happy, Cry Like A Ghost e outras faixas mezzo apaixonadas, mezzo sofredoras do último disco.

Com um total de 10 faixas e lançamento pelo selo Columbia, Kindred estreia no dia 21 de abril.

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Passion Pit – Lifted Up (1985)

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Sufjan Stevens: “No Shade In The Shadow Of The Cross”

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O explícito reforço no uso de sintetizadores, batidas e arranjos eletrônicos incorporados em The Age of Adz (2010) pareciam afastar Sufjan Stevens do mesmo ambiente compacto, acústico, dos primeiros trabalhos de estúdio. A julgar pelo continuo reforço e maior aproveitamento de novas sonoridades a cada novo registro, a expectativa para o sétimo álbum do músico norte-americano seria a de um projeto ainda mais focado em elementos sintéticos, completamente livre da ambientação “orgânica” lançada em 2003 com Michigan.

Entretanto, com o anúncio do sétimo registro oficial do cantor, Carrie & Lowell (2015), a promessa de uma obra acústica, voltada aos primeiros anos de Stevens, serviu de estímulo para atrair a atenção do público. Prova dessa “visita” ao passado do músico está em No Shade In The Shadow Of The Cross, o primeiro single do novo álbum. Em uma estrutura econômica, inspirada pela história da própria mãe e padrasto – personagens centrais do disco -, Stevens lentamente transporta o ouvinte para o mesmo cenário criado pelo compositor no começo dos anos 2000.

Previsto para o dia 31 de março, Carrie & Lowell conta com distribuição pelo selo Asthmatic Kitty.

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Sufjan Stevens – No Shade In The Shadow Of The Cross

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Twin Shadow: “I’m Ready”

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Contrário ao resultado imediatamente previsto, a passagem de George Lewis Jr. para uma grande gravadora – neste caso, a gigante Warner Bros. – em nada prejudicou o rendimento do músico à frente do Twin Shadow. Ao menos por enquanto. Assim como no último single do músico norte-americano, Turn Me Up, referências típicas da década de 1980 servem de base para o trabalho de Lewis, mais uma vez livre da ambientação “caseira” explorada no álbum de 2010, e ainda focado na estrutura limpa do sucessor Confess (2012).

Em I’m Ready, mais novo fragmento de Eclipse (2015), terceiro registro em estúdio do Twin Shadow, o explícito reforço nas guitarras mostra a direção assumida por Lewis Jr. Ao mesmo tempo em que parece íntimo dos últimos discos, os versos parcialmente declamados da canções logo aproximam o músico do mesmo universo de Depeche Mode, U2 e outros artistas próximos, como um diálogo breve com a música eletrônica/pop no começo dos anos 1990.

Eclipse conta com lançamento previsto para o dia 17 de março pela Warner Bros.

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Twin Shadow – I’m Ready

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Modest Mouse: “The Ground Walks, with Time in a Box”

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A expectativa em relação a Strangers To Ourselves (2015), novo trabalho do Modest Mouse, cresce e diminui a cada single inédito apresentado pelo grupo norte-americano. Em um exercício proposital – ou não -, Isaac Brock e colegas de banda se concentram na projeção de faixas tão melódicas e “cantaroláveis”, por vezes íntimas dos dois últimos álbuns de estúdio, como em peças arrastadas e musicalmente densas, evidência reforçada nos versos e temas “políticos” da extensa The Best Room.

Mudança brusca em relação ao último single da banda – talvez, correndo atrás do prejuízo -, com a chegada de The Ground Walks, With Time In A Box o coletivo de Issaquah, Washington entrega ao público seu exemplar menos complexo mais até “pop” do novo disco. Soando como uma possível “sobra” de We Were Dead Before the Ship Even Sank (2007), a composição de seis minutos equilibra boas guitarras e versos cantados/narrados por Brock, marca desde os projetos iniciais em estúdio.

Agendado para o dia 17 de março e distribuição pelo selo Epic, Strangers to Ourselves é primeiro trabalho de inéditas do grupo depois de um hiato de oito anos.

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Modest Mouse – The Ground Walks, with Time in a Box

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Cozinhando Discografias: Deerhunter

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Formado em meados de 2001 pelos amigos Bradford Cox e Moses Archuleta, e hoje completo com Lockett Pundt, Frankie Broyles e Josh McKay, o Deerhunter talvez seja o projeto mais representativo do Shoegaze/Dream Pop atual. Influenciada por veteranos como My Bloody Valentine, David Bowie, Sonic Youth e Stereolab, a banda de Atlanta, Geórgia acumula seis trabalhos de estúdio, entre eles, clássicos recentes como Microcastles (2008) e Halcyon Digest (2010). Continue reading

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Earl Sweatshirt: “Quest/Power” (Feat. Budgie & Samiyam)

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A ambientação soturna e versos pessimistas testados por Earl Sweatshirt no interior de Doris (2013) ainda servem de base para o trabalho do jovem rapper. Com algumas composições inéditas apresentadas desde o último ano, além dos boatos de que estaria com um novo registro em mãos, aos poucos o artista norte-americano e seus parceiros – do Odd Future ou além dele – continuam a explorar o mesmo universo obscuro reforçado há dois anos.

Em Quest/Power, mais recente e bem sucedido trabalho de Sweatshirt, o coro de vozes cíclico e ritmo quebrado das batidas dos produtores Budgie & Samiyam apresentam o ambiente perfeito para que as rimas do rapper resgatem a mesma estrutura lançada em 2013. Uma boa forma de passar o tempo antes que algum registro oficial seja de fato apresentado.

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Earl Sweatshirt – Quest/Power (Feat. Budgie & Samiyam)

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Disco: “Viet Cong”, Viet Cong

Viet Cong
Post-Punk/Art Rock/Indie Rock
http://vietcong.bandcamp.com/

Vozes parcialmente ocultas pela ambientação caseira das gravações; guitarras sujas, talvez extraídas de algum registro esquecido do pós-punk nova-iorquino. No interior das canções, o aproveitamento “matemático” das palavras, como se a sobreposição cacofônica dos versos servisse de estímulo para a tsunami de distorções que chega em ondas, corroendo a mente do ouvinte ao longo do registro. Descrição de alguma obra (clássica) do Swans, Suicide ou mesmo Sonic Youth no início de 1980? Não, apenas a estrutura caótica que alimenta o primeiro álbum de estúdio da banda canadense Viet Cong.

Nascido da separação do Women, em 2012, de onde vieram Matt Flegel (vocal/guitarra) e Mike Wallace (baterista), a banda completa por Soctt Munro (guitarra) e Daniel Christiansen (baixo) ecoa como natural surpresa mesmo para aqueles que acompanharam o trabalho do extinto coletivo de Calgary. Acomodado em um território (musical) amplo, tão íntimo da presente cena norte-americana como do rock sujo do final dos anos 1970, o quarteto brinca com as possibilidades em cada peça do autointitulado debut, transformando arranjos tão autorais em criações íntimas de gigantes do Art Rock.

Da estrutura lançada pelo grupo em “Cassette” EP, de 2014, todo um novo universo parece adaptado no decorrer do presente álbum. Se há um ano a fórmula “guitarra+baixo+bateria” parecia trabalhada em uma métrica simples, crua, como um passeio rápido pela cena punk de 1977, basta um mergulho na base “avant-garde” de Newspapper Spoons, faixa de abertura do disco, para perceber a ruptura e completa exposição de maturidade do quarteto canadense. Não apenas os instrumentos assumem um enquadramento reformulado, “adulto”, como vocais, versos e fórmulas instrumentais refletem maior refinamento.

Dentro desse jogo de pequenas adaptações e novos direcionamentos estéticos, Viet Cong (o disco) logo revela dois caminhos bem definidos. O primeiro se concentra no natural experimento da banda, uma possível continuação do mesmo ambiente desbravado por Flegel e Wallace nos anos finais do Women. Dos ruídos drone que imperam em March Of Progress ao detalhismo rústico da própria faixa de abertura, tudo flui como uma interpretação particular da obra de veteranos como This Heat, The Pop Group e outros nomes (quase) esquecidos do pós-punk inglês. Referências (ou adaptações) que em nada ocultam o caráter autoral do grupo. Continue reading

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