Artista: O Terno
Gênero: Rock, Indie, Alternativo
Acesse:  http://www.oterno.com.br/

 

O peso das guitarras, a clara evolução na construção dos versos e a busca declarada por novas sonoridades. Com o lançamento do segundo álbum de estúdio, em agosto de 2014, os integrantes d’O Terno deram um verdadeiro salto criativo em relação ao elogiado debut 66 (2012). Nada que se compare ao amadurecimento expresso nas canções de Melhor do Que Parece (2016, Independente), terceiro registro de inéditas da banda paulistana e um delicado conjunto de versos, referências extraídas de diferentes épocas e possibilidades que crescem do primeiro ao último instante do disco.

Descomplicada e leve, como um típico produto radiofônico dos anos 1960/1970, a poesia de Tim Bernardes chega até o ouvinte desprovida de possíveis bloqueios. São músicas que detalham uma variedade de sentimentos essencialmente complexos (Depois que a dor passa), discorrem de forma cômica sobre os principais tormentos na vida de um jovem adulto (), e ainda visitam diferentes cenários de forma nostálgica, marca da sensível Minas Gerais, oitava faixa do disco e uma das mais belas homenagens já escritas para o estado que carrega o nome da canção.

Em Culpa, música de abertura do disco, um perfeito resumo da poesia bem-humorada que abastece a obra. Enquanto guitarras melódicas e vozes em coro apontam para o final da década de 1960, esbarrando de forma respeitosa em clássicos como Pet Sounds (1966), nos versos, Bernardes discute as diferentes manifestações da culpa que bagunçam a mente das pessoas— “Culpa de fazer sucesso / Culpa de ser um fracasso / Culpa sua / Culpa de cristão”. Um mero ponto de partida para o rico catálogo de temas que a banda detalha de forma segura com o passar do trabalho.

Além do fino toque de humor, o romantismo acaba se revelando outra importante peça para a construção do álbum. “Vem, volta / Que eu estou te esperando desde que eu nasci …  E o amor que eu guardava, eu guardei pra você / E a pessoa que eu sonhava eu vi aparecer”, canta Bernardes em Volta, uma apaixonada reflexão sobre os encontros e desencontros de qualquer casal, conceito também incorporado na tragicômica O Orgulho e o Perdão (“Me desculpe, meu amor / Mas não posso te perdoar”) e Não Espero Mais (“Inventei caminhos, me perdi / Me encontrei quando te conheci”).

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Vozes sussurradas, batidas e sintetizadores minimalistas, arranjos sempre contidos, tímidos. Em Saturday Night, mais recente lançamento do cantor e compositor Devendra Banhart, todos os elementos da canção chegam até o ouvinte com extrema delicadeza. O olhar melancólico do cantor sobre o isolamento de um personagem – talvez ele mesmo – em um sábado à noite. Versos que flutuam em uma atmosfera simples, porém, essencialmente acolhedora.

Íntima da essência “oitentista” de nomes como Ariel Pink e Twin Shadow – principalmente no álbum Forget (2010) –, Saturday Night dá um passo além em relação ao material apresentado há poucos meses durante o lançamento da também delicada Middle Names. As duas canções fazem parte do novo álbum de inéditas do cantor, Ape In Pink Marble (2016), primeiro trabalho de estúdio de Banhart desde o ótimo Mala, de 2013.

Ape In Pink Marble (2016) será lançado no dia 23/09 pelo selo Nonesuch.

 

Devendra Banhart – Saturday Night

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Um mundo de texturas eletrônicas, batidas e vozes se revela ao público tão logo Escape tem início. Mais recente invento do produtor Gustavo Teixeira como parte do projeto Nuven – assim mesmo, com “n” –, a canção marcada pelo uso de vozes cíclicas e sintetizadores detalhistas mostra a evolução do artista em relação ao material apresentado no ótimo Choice of a Fiction, um EP de cinco faixas apresentado ao público em meados de 2015.

Organizada em dois blocos específicos de vozes e colagens eletrônicas, Escape abre serena, cresce, cria instantes que buscam por um som atmosférico e, por fim, acaba na construção de um material pronto para as pistas. Sobram ainda instantes breves de puro experimentalismo, proposta que aproxima o trabalho produzido por Teixeira do som assinado por gigantes como Kieran Hebden (Four Tete) e, principalmente, Dan Snaith (Caribou/Daphni).

 

Nuven – Escape

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Primeiro veio a crescente A 1000 Times, composição escolhida para anunciar a parceria entre os músicos Hamilton Leithauser (The Walkmen) e Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend) para o álbum I Had A Dream That You Were Mine (2016). Dias depois, foi a vez da sutil In a Black Out, uma típica canção da década de 1970 e, ao mesmo tempo, uma ponte para o trabalho de outros coletivos nova-iorquinos, principalmente o Dirty Projectors.

Em When The Truth Is…, mais recente criação da dupla, a busca declarada por novas sonoridades. Claramente inspirada no pop dos anos 1960, a canção dominada pelo uso de guitarras pegajosas e pianos se abre para a voz versátil de Leithauser, tão intenso e confessional quanto nas canções produzidas para o primeiro álbum em carreira solo, Black Hours, trabalho lançado em 2014 e que contou com a presença de Batmanglij como produtor em diversas canções.

I Had A Dream That You Were Mine (2016) será lançado no dia 23/09 via Glassnote.

Hamilton Leithauser + Rostam – When The Truth Is…

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A leveza dos arranjos e expressiva sensibilidade dos versos parece dizer muito sobre o som produzido pelo Wilco em Schmilco (2016). Décimo registro de inéditas da banda norte-americana, o álbum anunciado de surpresa em meados de julho nasce como uma extensão do material apresentado há poucos meses durante o lançamento de Star Wars (2015). Previsto para setembro, o disco que conta com capa produzida pelo cartunista espanhol Joan Cornellà acaba de ter mais uma de suas canções liberada: Someone to Lose.

Entre guitarras crescentes e a voz característica de Jeff Tweedy, a banda finaliza uma composição dominada pelos sentimentos e boas melodias. De forma explícita, uma versão menos comercial do mesmo material entregue pelo grupo no último ano. Além da presente faixa, nas últimas semanas o Wilco apresentou ao público a delicada If I Ever Was a Child e Locator, duas das 12 faixas que recheiam o novo disco de inéditas.

Schmilco (2016) será lançado no dia 09/09 pelo selo dBpm.

 

Wilco – Someone to Lose

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Antonia Morais, que há um pouco mais de um ano mergulhou no universo da música e lançou seu primeiro EP, Milagros – com sete músicas produzidas, escritas e cantadas por ela -, anuncia o lançamento da inédita A Santa Maquina, como uma das grandes novidades deste ano como cantora. A nova música fortalece a linha experimental e a criação orgânica e intuitiva de Antonia.

A relação de Morais com a música sempre foi intensa, tanto por ser filha de pai cantor e compositor, quanto por ter estudado piano por um curto período e sempre ter gostado de cantar. Segundo a artista, procura não pensar muito em estilo ou gênero quando está criando; prefere se guiar pelos sentimentos e questionamentos do momento, que estão relacionados com lugares e experiências vividas ou não, mas que foram intensamente sentidas. Contudo, entre as suas influências musicais, estão presentes elementos do trip hop, dupstep e future R&B.



Antonia Morais – A Santa Máquina

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Artista: Crystal Castles
Gênero: Electronic, Experimental, Synthpop
Acesse:  http://www.crystalcastles.com/

 

Depois de oito anos como vocalista do Crystal Castles, conflitos com Ethan Kath fizeram com que Alice Glass deixasse o projeto em medos de 2014. Enquanto a cantora deu início a um novo trabalho em carreira solo, apresentando em setembro de 2015 a caótica Stillbirth, Kath decidiu seguir em frente com a banda. Em julho do mesmo ano, o produtor lançou a curiosa Deicide, um esboço para o material que seria entregue um ano mais tarde em Concrete, primeira canção em parceria com Edith Frances e a ponte para o quarto álbum de inéditas da (nova) dupla: Amnesty (I) (2016, Fiction / Casablanca).

Tal qual o primeiro registro do Crystal Castles, obra lançada em março de 2008, o presente álbum mostra a tentativa de Kath em organizar em estúdio. São composições que flertam com diferentes gêneros – vide a EDM na inaugural Femen –, músicas que dialogam de forma explícita com os primeiros inventos da banda – como em Concrete –, além de faixas que surgem como verdadeiras sobras do último registro de inéditas dos canadenses – semelhança explícita na derradeira Their Kindness Is Charade.

Com Frances nos vocais, Kath se concentra em brincar com os contrastes. Um bom exemplo disso está na construção de Sadist. Quinta faixa do disco, a canção dominada pelo uso de bases minimalistas, vozes brandas e ruídos sintéticos flutua entre a serenidade e a explosão. Em Fleece, segunda música do trabalho, uma reciclagem do mesmo conceito. Respiros breves que antecedem o caos, como se o casal desse voltas em torno de uma redundante fórmula instrumental.

Observado de forma atenta, a principal diferença entre Amnesty (I) e os três primeiros discos do Crystal Castles está na arquitetura simplista que sustenta o presente álbum. Pare por alguns minutos para ouvir músicas como Suffocation, Baptism, Crimewave ou Vanished e perceba como as texturas eletrônicas, vozes e constantes alterações nas batidas crescem com delicadeza ao fundo de cada canção. Ainda que músicas como Enth e Sadist encantem pelo detalhismo, em nenhum momento do disco é possível perceber o mesmo cuidado por parte de Kath.

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Quem esperava que Justin Vernon presenteasse o público um material tão delicado e acessível quanto as canções do homônimo disco de 2011 acabou se assustando com a chegada de 22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠. Canções escolhidas para apresentar o novo álbum de inéditas do cantor e compositor norte-americano em cinco anos, 22, A Million (2016), as duas canções acabaram mergulhando em um oceano de temas eletrônicos e colagens experimentais. Uma fuga do som melancólico e doce anteriormente testado pelo músico e a base da recém-lançada 33 “GOD”.

Inaugurada pelo uso de pianos e vozes limpas, a nova faixa pode até indicar a passagem para um cenário musicalmente seguro, íntimo dos primeiros trabalhos do cantor, entretanto, pouco a pouco se perde em meio ao uso de vocalizações e ruídos eletrônicos. Marcada pelo uso de referências religiosas, a canção aos poucos mergulha na mente atormentada de Vernon, detalhando sentimentos que se perdem dentro do ambiente montado pela colagem de ritmos.

22, A Million (2016) será lançado no dia 30/09 via Jagjaguwar.

Bon Iver – 33 “GOD”

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VEMK, esse é a nova festa do Alberta #3! No comando, Cleber Facchi (Miojo Indie/Funhouse) e Marcelo Andregueti. Para a próxima edição da festa, um time de meninas toma conta da pista. Na discotecagem, Aline Morettini, Sofia Bittencourt e Isadora Oliveira. Saia do Tinder e venha beijar gostoso na pista! Prepare-se para dançar o puro creme do indie-rock, indie-pop, hip-hop e R&B. De Arcade Fire a Kendrick Lamar, de Beyoncé a Grimes! VEMK!

Ouça a playlist de aquecimento da festa só com mulheres nos vocais:

Quem vai tocar?

Aline Morettini
Sofia Bittencourt
Isadora Oliveira

Cleber Facchi
Marcelo Andregueti

O que vai tocar?

Vampire Weekend, Kanye West, Grimes, Savages, Carly Rae Jepsen, Arcade Fire, Taylor Swift, David Bowie, Kendrick Lamar, Disclosure, Chairlift, Drake, Hinds, Crystal Castles, Phoenix, Queens Of The Stone Age, Daft Punk, Arctic Monkeys, Chromatics, Icona Pop, Hot Chip, Young Galaxy, The Strokes, Charli XCX, Tame Impala, Friendly Fires, Silva, Pixies, The XX, Silva, Jessie Ware, Animal Collective, Talking Heads, Radiohead, Björk, The Rapture, Interpol, Deerhunter, Alt-J, Baths, Amy Winehouse, Yeah Yeah Yeahs, Janelle Monáe, !!!, Purity Ring, Real Estate, Toro Y Moi, The Killers, The Kinfe, Tyler The Creator, Best Coast, Foals, Everything Everything, Frank Ocean, Holy Ghost!, Justin Timberlake, Mac DeMarco, La Roux, Kendrick Lamar, MGMT, Lily Allen, Twin Shadow, Solange, Passion Pit, Wavves, Chloe Howl, Ducktails, Unknown Mortal Orchestra, Franz Ferdinand, Azealia Banks, Japandroids, Two Door Cinema Club, e mais

Quanto?

Até as 22h a entrada é free!
Depois das 22h: envie nomes para a lista de desconto: miojoindie@gmail.com

Aniversários

Você e dois amigos entram VIP. Com lista de 30 convidados, você ganha uma garrafa de vodka Smirnoff. Ninguém pega fila! =) Os seus convidados entram na lista de desconto do Alberta #3. Você pode enviar a sua lista até as 18h de sexta-feira. Reserve uma mesa e ganhe uma garrafa de destilado ou espumante. Mais infos: clubealberta@gmail.com.

VEMK @Alberta #3
Sexta-feira, 05 de agosto.
Horário de abertura da casa: 18h.
GRÁTIS – das 18h às 22h.
Depois das 22h:
Com lista: R$ 25 entrada ou R$ 50 consumação
Sem lista: R$ 35 entrada ou R$ 80 consumação
Envie nomes para a lista de desconto: miojoindie@gmail.com
Horário de abertura da pista: a partir das 00h.
Endereço: Avenida São Luís, 272, República.
Bem perto da estação de metro República.
Mais informações: clubealberta@gmail.com

Entrada a partir de 18 anos com documento com foto.

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Sem pressa, os integrantes do Local Natives passaram os últimos meses apresentando ao público pequenas doses do terceiro álbum de inéditas do grupo: Sunlit Youth (2016). Primeiro veio a delicada Past Lives, uma típica canção do grupo californiano e a ponte para o som pegajoso que seria aprimorado na dobradinha formada por Villainy e Fountain of Youth. Em Coins, quarto e mais recente single do grupo, uma extensão da mesma sonoridade leve que a banda vem produzindo para o novo disco.

Ao mesmo tempo em que as vozes e sentimentos detalhados no interior da canção apontam material apresentado nos primeiros discos da banda, Gorilla Manor (2009) e Hummingbird (2013), em se tratando dos arranjos, todos os elementos se agrupam de forma a revelar um som acessível, pop. Uma proposta que muito se assemelha ao som produzido por Danger Mouse para bandas como Broken Bells e Portugal. The Men.

Sunlit Youth (2016) será lançado no dia 09/09 via Loma Vista.

 

Local Natives – Coins

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