Disco: “Honest”, Future

Future
Hip-Hop/Rap/R&B
http://www.futurefreebandz.com/

Por: Cleber Facchi

Future

Até o lançamento de Pluto, em 2012, Future parecia atuar apenas como um coadjuvante dentro da presente safra do rap estadunidense. Autor de um cardápio bem servido de Mixtapes, singles e faixas em colaboração com nomes de peso do Hip-Hop (Lil Wayne) e até da música pop (Miley Cyrus), o artista de Atlanta, Geórgia transformou o bem recebido debut em algo mais do que um mero cartão de visita. Passagem direta para um lugar de destaque dentro do panorama “alternativo”, ou mesmo além dele, Future usa do disco como uma ponte para Honest (2014, Epic/A1/Free Bandz), segundo registro solo e sua verdadeira obra de apresentação.

Em um exercício explícito de continuação aos inventos lançados há dois anos, porém, em busca de construir um cenário particular, cada segundo do registro se organiza dentro de faixas grandiosas, orquestradas para quase tirar o fôlego do espectador. Ainda que a fluidez ascendente, quase épica por vezes, não esbarre no mesmo ambiente de exageros conceituais de Yeezus (2013), último álbum de Kanye West, seja ao falar de amor (I Be U), ou brincar com as experiências lisérgicas (Move That Dope), Future trilha um cenário de grandezas e pequenas vitórias particulares.

Alavancado pela segurança de Look Ahead, música capaz de resgatar a essência do clássico My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010) – resultado das vozes que emulam Power -, Honest é o passo confesso de Future rumo ao topo. Brincando com tendências que vão do canadense Drake (Covered n Money), ao novato Frank Ocean (na faixa-título), cada instante da obra observa as experiências alheias sem fugir da identidade do rapper – já evidente desde os primeiros singles. Vocais manipulados pelo autotune, batidas densas e versos sujos, tudo aquilo que Pluto, F.B.G. (2013) e qualquer obra anterior do rapper já havia identificado, mas que o presente disco reforça com presença.

Acompanhado de perto por outros artistas em grande parte das canções, Future usa da comunicação com nomes de peso do Hip-Hop em um efeito similar ao trabalho de Pusha T em My Name Is My Name (2013). Também colaborador de uma série de projetos, o integrante do Clipse fez da inclusão de gigantes do gênero um reforço para si próprio ao mergulhar em carreira solo, algo como “ele quem é o cara por trás daquela música que você tanto gosta“. Não por acaso Wiz Khalifa (My Momma), Andre 3000 (Benz Friendz), Kanye West (I Won) e o próprio Pusha T (Move That Dope) atuam de forma secundária no decorrer de Honest. Aqui, todos os holofotes apontam para Future. Continue reading

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Hannah Diamond: “Attachment”

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Morada de um número ainda pequeno de artistas e produtores britânicos, o selo/coletivo londrino PC Music parece amarrar as pontas soltas entre o que há de mais doce e experimental tanto na música pop, como em se tratando da presente safra da eletrônica alternativa. Comandado pela cantora e produtora Hannah Diamond, o projeto acaba de ser apresentado oficialmente por conta de uma única (e assertiva) composição, Attachment, mais recente invento da artista e uma das músicas mais provocantes lançadas nos últimos meses.

Seguindo a trilha de Grimes, Jerome LOL e toda a recente safra de artistas de artistas “estranhos” que ocupam a música estrangeira, Diamond usa de toda a formação da música como um objeto de confissão e experimento. São versos essencialmente amargurados, típicos de qualquer pós-relacionamento, mas que encontram nas batidas fragmentadas e vozes sintéticas um ambiente que transita entre o acolhedor e o excêntrico. Mais de quatro minutos de pura hipnose convertida em música.

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Hannah Diamond – Attachment

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Lucas Santtana: “Partículas De Amor”

Lucas Santtana

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Autor de uma sequência bem sucedida de obras que vão do debut, Eletro Ben Dodô (2000), ao sombrio O deus que devasta, mas também cura (2012), Lucas Santtana quer a ajuda do público para o lançamento do próximo álbum de estúdio. Para a construção do sexto trabalho da carreira, o músico baiano deu vida a um projeto de financiamento coletivo a partir do projeto Embolacha. Faltando 45 dias para o fim do processo de arrecadação, o músico resolveu presentear o público com um verdadeiro “estímulo”.

Inédita e possivelmente separada para o novo disco, Partículas De Amor revela as direções do cantor em nova fase. Trata-se de uma faixa leve, mas nem por isso próxima de uma série de conceitos comerciais, quase uma canção “tema de personagem” para a trilha sonora de uma novela das sete. Romântica em essência, a música deixa de lada o clima triste do disco passado, prova de que o novo disco, quando finalizado, deve apresentar o lado mais “ensolarado” de Santtana.

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Lucas Santtana – Partículas De Amor

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Rafael Castro: “Pra Vender Mais, Agradar Mais, Se Falar Mais”

Rafael castro

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Rafael Castro parece ter tomado gosto pela construção de bons clipes. Depois de surpreender e não poupar nem Jesus Cristo no lançamento de Surdo Mudo – um dos 50 melhores clipes de 2013 -, chega a vez do músico paulistano apresentar seu novo invento: Pra Vender Mais, Agradar Mais, Se Falar Mais. Também retirado do último trabalho em estúdio do cantor, o maduro Lembra? (2012), o vídeo deixa de lado a crítica religiosa para brincar (ou seria perverter?) parte das experiências do sexo.

Com direção dividida entre Filipe Franco e José Menezes, o trabalho traz desde o próprio Castro – em uma estranha versão andrógina -, até pequenas brincadeiras sexuais. São cenas agressivas, ousadas, constrangedoras e deliciosamente fetichistas que crescem de acordo com a métrica quebrada da canção. Sacana, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo. Assista sozinho. Ou não.

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Rafael Castro – Pra Vender Mais, Agradar Mais, Se Falar Mais

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Disco: “Days Of Abandon”, The Pains Of Being Pure At Heart

The Pains Of Being Pure At Heart
Shoegaze/Indie Pop/Dream Pop
http://thepainsofbeingpureatheart.com/

Por: Cleber Facchi

The Pains

Pode uma banda se manter confortável dentro de uma fórmula própria e ainda assim conseguir inovar? Basta ouvir o novo registro em estúdio do grupo nova-iorquino The Pains Of Being Pure At Heart para entender que sim. Em Days Of Abandon (2014, Yabo), todas as experiências ressaltadas pelo grupo desde o autointitulado debut, de 2009, continuam a se repetir sob doce exaltação. Uma construção que não distorce os ruídos inaugurais da banda, potencializa as melodias típicas do Dream Pop e apresenta o terceiro álbum do grupo em um cenário tão característico, quanto desconhecido.

Em um sentido de recolhimento quando próximo do disco anterior, Belong, de 2011, o novo álbum quebra a fluidez crua do shoegaze para reforçar o lado mais “doce” da banda. Lembra de todas as emanações lançadas por Young Adult Friction, A Teenager In Love e demais faixas entregues no debut? Basta a inaugural Art Smock ou mesmo a “sujinha” Simple and Sure para perceber que todas essas experiências estão de volta. Amor, melancolia e as experiências típicas de jovens adultos. Versos confessionais que crescem em cima de massas quase colhedoras de ruídos.

Como se estivesse em busca de novas possibilidades para o projeto, Kip Berman, vocalista, guitarrista e grande nome aos comandos do grupo, apresenta ao público um novo conjunto de referências. Ainda que a veterana The Pastels, grande influência da banda, seja a matéria-prima para o exercício seguido até The Asp In My Chest, cada passado dado ao longo da obra ecoa novas inspirações. Enquanto Kelly é praticamente uma música “clone” dos britânicos do The Smiths, a delicada (e crescente) Coral and Gold flui como uma herança típica da banda Galaxie 500. Mais uma ponte curiosa do grupo para o passado.

Em se tratando do registro de 2011, talvez o que tenha “sobrevivido” são as melodias de vozes aproveitadas agora com maior segurança. Basta a colagem vocal que ocupa todas as esferas de Eurydice ou mesmo Simple and Sure para ver isso, músicas que crescem como uma sequência ao resultado entregue em Heart in you Heartbreak e The Body, alguns dos exemplares mais acessíveis do último álbum. A mesma preferência se revela em outras como Life After Life e Beautiful You, faixas que usam dessa característica, porém, voltam os acordes para o novo catálogo de referências do grupo. Continue reading

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tUnE-yArDs: “Water Fountain”

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Tune-yards

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A percussão tribal, as vocalizações quebradas e guitarras repletas de suingue de Water Fountain não escondem: Nikki Nack (2014) chega como uma extensão do elogiado W h o k i l l (2011). Terceiro registro em estúdio da excêntrica Merrill Garbus à frente do tUnE-yArDs, o trabalho encontra na recém-lançada composição mais do que uma continuação do disco lançado há três anos, mas um ambiente de imposição estética da própria artista.

Praticamente uma faixa irmã de músicas como Bizness e Gangsta, Water Fountain encontra no cruzamento entre voz e percussão um imenso universo de possibilidades para Garbus. São experiências que abraçam a sonoridade africana, encontram a essência do Talking Heads e ainda emulam as mais variadas preferências de um típico achado pop. Com todo esse conjunto de possibilidades, Garbus parece ainda mais distante do cenário apresentado em 2009 com BiRd-BrAiNs, trazendo no disco previsto para seis de maio um ponto de consolidação. Abaixo você encontra o coloridíssimo clipe da canção, trabalho dirigido por Joel Kefali.

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tUnE-yArDs – Water Fountain

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Neneh Cherry: “Everything”

Neneh Cherry

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Desde que alcançou os ouvidos do público com o single Blank Project, no último ano, Neneh Cherry fez do quarto álbum solo uma das obras mais aguardadas de 2014. Produzido ao lado de Kieran Hebden (Four Tet), o trabalho é o primeiro grande invento particular da artista sueca desde Man, de 1996. Ainda atenta ao cruzamento de ritmos – Eletrônica, Hip-Hop, Soul e Trip-Hop -, a cantora faz de Everything mais uma representação de tudo o que se esconde nas emanações do novo álbum. Com mais de sete minutos de duração, a nova faixa segue de perto toda a atmosfera dos canções irmãs.

Um pouco mais “tímida”, mas não menos atraente, a canção dança por entre colagens experimentais, vozes que transitam por diferentes esferas, até aportar em um conjunto de reverberações essencialmente hipnóticas e quentes ao final da música. Agora transformada em clipe, a canção usa das imagens em preto e branco assinadas por Jean-Baptiste Mondino como uma extensão da capa do álbum. Abaixo, o extenso vídeo, que usa das danças de Cherry como um estímulo para as imagens.

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Neneh Cherry – Everything

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Duck Sauce: “NRG”

NRG

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Depois de muita expectativa e alguns (bons) anos de espera, chega ao público o primeiro registro em estúdio da dupla norte-americana Duck Sauce: Quack (2014). Mais conhecidos pelo single/clipe Barbra Streisand, Armand Van Helden e A-Trak conseguiram transformar o registro de estreia em uma obra para além de um Hit específico, condensando em músicas como Radio Stereo, Radio Stereo e Ring Me referências que vão da década de 1970 ao presente cenário da música eletrônica.

Naturalmente atentos ao cruzamento entre som e imagem, a dupla está de volta com mais um clipe tão humorado quanto os registros passados. Não tão escrachado quanto a proposta de Big Bad Wolf, o vídeo de NRG transporta a dupla de produtores para um daqueles irritantes comerciais de produtos milagrosos que você encontra na TV. Dirigido por Dugan O’Neal, o cômico vídeo faz de tudo para vender o líquido energético NRG, produto que usa da música do duo como uma ferramenta de estímulo natural. Já comprou?

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Duck Sauce – NRG

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Doss: “Here Tonight”

Doss

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Ainda é pequeno o catálogo de composições lançadas pelo norte-americano Doss, mas ainda assim já é possível perceber uma série de características e emanações próprias dentro da (curta) obra do artista. Em um exercício de continuação ao trabalho exposto em The Way I Feel, lançada há poucas semanas, Here Tonight, mais novo single do produtor, se acomoda na mesma massa de efeitos futurísticos e ainda assim atuais que gerenciam o caminho para o autointitulado primeiro EP.

Ora tratada como uma trilha sonora para um filme de ficção científica, ora íntima das marcas que conduziram a eletrônica dos anos 1990, Here Tonight é uma música de pequenas referências. De Aphex Twin ao ápice da cena Downtempo, cada minuto da canção se divide entre instantes de pura nostalgia, o que não afasta as comparações com o trabalho de Ryan Hemsworth, um dos amigos próximos do produtor. Com lançamento pelo selo Acéphale, o EP de quatro faixas chega na próxima semana.

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Doss – Here Tonight

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Lykke Li: “No Rest For The Wicked” (Feat. A$AP Rocky)

Lykke Li

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Não faltam cantoras e nomes de peso da música pop ou da cena alternativa que vez ou outra entregam suas canções aos domínios de algum nome de peso do rap, porém, a tímida Lykke Li conseguiu surpreender em seu encontro com A$ap Rocky. Convidado a interferir (mesmo que rapidamente) no interior da melancólica No Rest For The Wicked, o artista nova-iorquino abre e fecha o mais recente single da cantora sueca, ampliando o teor soturno que conduz a atmosfera da música.

Transformada em clipe há poucos dias, a canção abre as portas do terceiro e ainda inédito trabalho em estúdio da artista: I Never Learn. Anunciado para o dia cinco de maio, o trabalho fecha a trilogia iniciada por Youth Novels (2008) e posteriormente acrescida pelo ótimo Wounded Rhymes (2011). Com lançamento pelos selos LL e Atlantic, o novo álbum de Lykke Li é facilmente um dos registros mais esperados do ano.

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Lykke Li – No Rest For The Wicked (Feat. A$AP Rocky)

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