Ellie Herring: “Gem Landing”

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Você já teve a sensação de que conseguiria passar dias ouvindo uma mesma música? Horas e mais horas dentro de uma mesma faixa sem que isso cause algum desconforto? Se a resposta for “não”, Gem Landing talvez seja capaz de despertar esse sentimento. Trabalho recente da produtora norte-americana Ellie Herring, a música escapa com leveza de um possível gênero ou cena específica, picotando referências ao longo de toda sua extensão.

Tão próxima do Cloud Rap de Clams Casino e Ryan Hemsworth, como da Ambient Music dos anos 1990, Herring encontra o próprio caminho ao explorar com sutileza diversos aspectos da música pop. Ainda que doce, a faixa causa “desconforto” ao se esquivar de uma possível letra. Durante todo o percurso a Herring instiga, brinca e até entrega pistas de que uma voz está por vir, finalizando a música em específico ato instrumental.

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Ellie Herring – Gem Landing

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King Tuff: “Black Moon Spell”

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Preparem os ouvidos: King Tuff está de volta. Ainda instalado no ambiente festivo do último álbum de estúdio, lançado em 2012, Kyle Thomas afina as guitarras para anunciar um novo disco: Black Moon Spell (2014). Com lançamento pelo selo Sub Pop, o trabalho reservado para 23 de novembro é mais do que uma sequência do antecessor. Como as guitarras e vozes pegajosas do single homônimobem resumem, Thomas quer seduzir o grande público.

Capaz de grudar nos ouvidos logo na primeira audição, o hit-chiclete carrega nas melodias o principal ingrediente e acerto do compositor. Uma soma de acordes rápidos, sujos e dançantes, mas que em nenhum momento se distanciam da proposta inicial da banda. Pisando no mesmo território de Jack White em Blunderbuss (2012), Thomas desenvolve um som totalmente acessível, difícil de ser ignorado.

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King Tuff – Black Moon Spell

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The War on Drugs: “Under The Pressure”

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Do rico acervo de obras lançadas em 2014, Lost in the Dream parece ser a que mais evolui a cada nova audição. Extenso, o terceiro álbum do The War On Drugs é a presentação sublime de toda a maturidade do líder Adam Granduciel. Entre referências ao trabalho de R.E.M., Bruce Springsteen e Bob Dylan, o músico ainda reforça a natureza da própria obra, bem resumida nas melodias de Under The Pressure.

Ainda que embalada em quase nove minutos de solos e bases sutis, junto de Red Eyes a extensa criação parece refletir o lado mais comercial da obra. Não por acaso ela aparece agora como clipe, mantendo a duração original. Com direção de Houman, o vídeo usa de filtros, cores e cenários à beira da estrada para sustentar a viagem que inicia nos primeiros acordes da canção.

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The War on Drugs – Under The Pressure

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The Drums: “I Can’t Pretend”

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Quem foi surpreendido por Magic Mountain, último lançamento do The Drums, logo vai perceber em I Can’t Pretend que não existem limites para nova sonoridade da banda. Estranha, psicodélica e tomada por diferentes referências, a canção é uma verdadeira fuga do som leve exaltado no registro de estreia, de 2010. Vozes carregados de efeitos e que parecem anunciar a postura remodelada de Jonathan Pierce e Jacob Graham – únicos integrantes do projeto.

Parte do terceiro álbum de estúdio dos nova-iorquinos, Encyclopedia (2014), I Can’t Pretend até consegue reviver alguns traços de Portamento (2011), porém, dentro de um contexto totalmente instável. Com ruídos que emulam o trabalho do Pixies e efeitos à la MGMT, a faixa bagunça a cabeça do ouvinte e, mais uma vez, desperta a curiosidade para o novo disco.

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The Drums – I Can’t Pretend

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Action Bronson: “Easy Rider”

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Desde que abandonou temporariamente a cozinha para se lançar como rapper, com Dr. Lecter (2011), Action Bronson mantém firme a postura cômica e a constante produção. Debochado, o chef de cozinha lançou nos últimos três anos uma sequência de ótimas mixtapes – como Blue Chips (2012) e Rare Chandeliers (2012) -, toda uma variedade de singles, clipes e faixas em colaboração com outros artistas. Em 2014 não seria diferente.

Mesmo sem data de lançamento, Bronson deve aparecer nos próximos meses com o inédito Mr. Wonderful (2014). Apresentado pelo selo Vice, o disco acaba de ter sua primeira canção divulgada: Easy Rider. Produto típico do artista, a canção traduz em referências à cultura pop boa parte da inspiração do rapper, neste caso, o filme homônimo de 1969. Mais do que um estímulo para os versos, a película estrelada por Peter Fonda e Dennis Hopper ainda é a fonte do divertido clipe dirigido por Tom Gould.

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Action Bronson – Easy Rider

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Disco: “Meshes of Voice”, Susanna & Jenny Hval

Susanna / Jenny Hval
Experimental/Baroque Pop/Alternative
http://susannamagical.com/
http://jennyhval.com/

Por: Cleber Facchi

Quem acompanha a obra de Jenny Hval desde a estreia, com To Sing You Apple Trees (2006), ou a partir de Viscera (2011), quando descoberta por grande parte da imprensa internacional, sabe que o “óbvio” nunca fez parte do trabalho da norueguesa. Mesmo que tenha explorado um som muito mais “pop” em Innocence is Kinky, de 2013, o caráter provocativo – lírico ou sonoro - se mantém o mesmo, expandido e reforçado de maneira complexa a cada novo disco.

Imersa em um cenário tão perturbador quanto o exaltado nos primeiros discos, Hval aparece agora acompanhada pela musicista Susanna Wallumrød. Representante da mesma cena experimental que borbulha em solo norueguês, a artista, também integrante do Magical Orchestra, não apenas partilha dos mesmos conceitos estéticos da conterrânea, como parece estimular o som de Hval a encontrar um novo estágio. Um constante diálogo obscuro que dita as regras e distorce as canções de Meshes of Voice (2014, SusannaSonata), o primeiro álbum em parceria da dupla.

Bloco denso de ruídos, pianos e bases instrumentais sempre aproximadas, o registro parece sobreviver da explícita formatação oculta de suas 15 canções. Diferente da parcial abertura iniciada por Hval em Mephisto In The Water ou mesmo na faixa-título do último álbum, nada ecoa de maneira acessível no decorrer do presente trabalho. Mesmo Susanna, responsável por boas melodias em Wild Dog (2012) e The Forester (2013), parece ressaltar apenas a atmosfera fúnebre que recheia todo o álbum.

Ainda que próximas, inclinadas ao desenvolvimento de um mesmo ambiente musical, tanto Hval como Wallumrød assumem direções opostas e bases musicalmente isoladas ao longo de todo o percurso da obra. Enquanto Hval mantém firme a relação com o presente, confessando o próprio apego ao trabalho de Björk – ouça Medusa -, além de nomes como Joanna Newsom e Julia Holter, a parceira estaciona no passado. De formação erudita, Wallumrød explora desde temas barrocos ao uso de pianos soturnos, esbarrando com naturalidade na obra de Leonard Cohen e Nico, algumas de suas influências confessas. Continue reading

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HAIM: “My Song 5″ (ft. A$AP Ferg, Ezra Koenig, Grimes, Kesha e Big Sean)

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Para brincar com os clichês e fórmulas prontas dos programas de auditório, as garotas do Haim não economizaram esforços. Tema escolhido para clipe da nova versão de My Song 5, parceria com o rapper A$AP Ferg, o vídeo cresce como um verdadeiro acervo nostálgico. Em um cenário em que a comediante Vanessa Bayer é a apresentadora do fictício Dallas Murphy, dramas, casos de amor não resolvidos e performances musicais conquistam a atenção do “espectador”, além da própria plateia.

Como um programa dos anos 1990 salvo em fita VHS, o clipe vai além do visual e “quadros” cômicos, conquistando a atenção pelo número de participações especiais. Além da banda, Ezra Koenig (Vampire Weekend), Grimes, Kesha e Big Sean aparecem pelo vídeo, interpretando desde convidados do programa, até membros efusivos da plateia. Até bateu uma saudade da Márcia Goldschmidt.

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HAIM – My Song 5 (ft. A$AP Ferg)

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Kelela: “OICU” (Feat. Le1f)

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Ainda que pareçam atuar em direções opostas, a base para o trabalho de Kelela e Le1f sempre foi a mesma. Dos arranjos e batidas eletrônicas limpos – típicos dos anos 1990 -, ao uso comum de temas fragmentados entre o rap e o R&B, o duo norte-americano se encontra agora para dividir os próprios sentimentos na inédita OICU, um resumo coeso do som projetado pela dupla nos últimos dois anos.

Com produção assinada por P. Morris, a faixa parece movida pelos contrastes. De um lado, a rima lenta e suja do rapper nova-iorquino, no outro, as vocalizações densas, íntimas do som projetado pela cantora em Cut 4 Me (2013). Expressão vocal e lírica do que há de mais coeso no trabalho solo de cada artista, OICU bem poderia servir de passagem para um álbum/EP inteiro de faixas partilhadas entre a dupla.

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Kelela – OICU (Feat. Le1f)

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Katy B: “Little Red Light”

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O lançamento de Little Red (2014) no começo de fevereiro confirmou apenas o óbvio: Katy B está cada vez mais interessada na música pop. Ainda que esse resultado já fosse expressivo na estreia da cantora, On a Mission (2011), ao alcançar o segundo disco, B e os produtores simplificaram ainda mais as batidas e arranjos, reforçando a formação de versos melódicos de forma a projetar músicas essencialmente comerciais – caso de Crying for No Reason.

Tão convincente quanto no primeiro disco, a artista britânica parece preparada para abraçar o grande público, posição que em nenhum momento a afasta da fase inicial. Em Little Red Light, faixa que acabou de fora do novo álbum, todos os elementos do disco de estreia voltam a se repetir. Íntima do pop ressaltado na presente, ao mesmo tempo em que resgata elementos do primeiro disco – como o dancehall -, a nova canção resume com acerto (e versos pegajosos) toda a natureza de B.

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Katy B – Little Red Light

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Les Sins: “Bother”

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Quem acompanha o obra de Chaz Bundick desde o fim da década passada sabe: o produtor é uma verdadeira máquina de fazer música. Mais conhecido pelo trabalho com o Toro Y Moi, o norte-americano está longe de concentrar seus esforços em um único projeto. Além dos três discos recentes lançados pela banda – Causers of This (2010), Underneath the Pine (2011) e Anything in Return (2013) -, Bundick ainda se envolveu na produção de diversos singles/álbuns, assinou remixes e ainda tira um tempo para o Les Sins, o principal projeto paralelo do músico.

Depois de despertar a curiosidade do público com algumas faixas avulsas, chega a hora de Bundick apresentar o primeiro álbum do projeto: Michael (2014). Previsto para o começo de dezembro, o trabalho carrega nas batidas e samples de Bother uma continuação dos últimos singles e espécie de preparativo para o material lançado em breve pela Carpark. Acima, a capa do disco, tradicional representação do “movimento artístico” paintshop e peça que já ocupa um lugar de destaque na nossa lista das piores artes de 2014.

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Les Sins – Bother

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