Resenha: “Teens of Denial”, Car Seat Headrest

Artista: Car Seat Headrest
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: https://carseatheadrest.bandcamp.com/

 

Guitarras sujas que atravessam a discografia do Guided By Voices e tropeçam na obra do Yo La Tengo. Versos irônicos, tão íntimos de Stephen Malkmus quanto das canções do Belle and Sebastian. O canto melódico The New Pornographers em contraste ao grito seco de Ted Leo and the Pharmacists. Delírios de um registro assinado por diferentes nomes da cena independente norte-americana? Longe disso. Em Teens of Denial (2016, Matador), novo álbum Car Seat Headrest, fragmentos criativos vindos de diferentes décadas e cenários servem como estímulo para a construção de uma obra tão intensa e versátil quanto trabalhos produzidos na década de 1990 e começo dos anos 2000.

Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Teens of Style (2015), obra que apresentou oficialmente o trabalho do grupo comandado por Will Toledo, o registro de 12 composições extensas mostra a capacidade da banda em brincar com as referências sem necessariamente perder a própria essência musical. Canções que poderiam se encontradas em obras de artistas como Beck (Drunk Drivers / Killer Whales) e Pixies (Just What I Needed / Not Just What I Needed), mas que acabam encantando pela poesia descompromissada e guitarras sempre vivas de Toledo.

Musicalmente desafiador, Teens of Denial, diferente do trabalho entregue em 2015, revela ao público todo seu potencial logo na sequência de abertura. São três composições – Fill in the Blank, Vincent e Destroyed by Hippie Powers – em que Toledo e os parceiros Ethan Ives, Andrew Katz e Seth Dalby parecem arremessar o ouvinte para todas as direções. Recortes, batidas crescentes, mudanças bruscas de ritmo, ruídos, gritos e instantes de pura sutileza melódica. A mesma esquizofrenia (controlada) de clássicos como Crooked Rain, Crooked Rain (1994) e Alien Lanes (1995).

Movido pela mesma urgência de grupos como Fucked Up e Titus Andronicus, Toledo finaliza uma obra que mantém a atenção do ouvinte em alta mesmo em canções arrastadas, caso da extensa The Ballad of the Costa Concordia, com mais de 11 minutos de duração. Um permanente ziguezaguear de ideias e arranjos flexíveis, como se grande parte do material produzido de forma caseira pelo músico nos últimos fosse adaptado e polido para o presente disco. Cuidado evidente em cada nota ou ruído sujo de guitarra, mas que acaba seduzindo o ouvinte na criativa composição dos versos. Continue reading

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Cass McCombs: “Opposite House”

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Com 12 faixas inéditas, Mangy Love (2016) é o novo álbum de estúdio de Cass McCombs. Sucessor de Big Wheel and Others (2013), último registro de inéditas antes da compilação A Folk Set Apart: Rarities, B-Sides & Space Junk, ETC., de 2015, o registro parece seguir a linha dos últimos inventos do cantor e compositor Californiano. Um jogo de rimas apaixonadas, sempre dolorosas, estímulo para a fina tapeçaria acústica que cobre grande parte dos trabalhos do músico.

Mergulhada nesse mesmo universo de reverberações acolhedoras, Opposite House, canção escolhida para apresentar o disco, mostra uma nova faceta do trabalho de McCombs. São movimentos tímidos de guitarra, arranjos de cordas sempre contidos e a voz sussurrada de Angel Olsen, convidada a ocupar os espaços entre o canto triste do músico. Uma completa fuga do desespero inicialmente explorado em obras como Catacombs (2009) e Wit’s End (2011).

Mangy Love (2016) será lançado no dia 26/08 pelo selo ANTI-.

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Cass McCombs – Oposite House

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Metá Metá: “Corpo Vão” / “Mano Légua”

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Quatro anos após o lançamento de Metal Metal (2012), a colisão de ideias continua sendo a base do material produzido por Thiago França, Kiko Dinucci e Juçara Marçal. Das apresentações ao vivo, sempre intensas, aos desdobramentos em carreira solo e projetos paralelos de cada integrante da banda – como Encarnado (2014), Passo Torto (2015) e a Charanga do França (2016) –, referências, vozes e sonoridades costuram cada movimento do trio paulistano.

Primeiro exemplares do novo álbum de estúdio do grupo, MM3 (2016) – obra prevista para o segundo semestre –, Corpo Vão e Mano Légua carregam na leveza dos arranjos um mundo de novas possibilidades para o trabalho da banda. A bateria de Sergio Machado, o baixo pontual de Marcelo Cabral, instrumentos sempre complementares ao embate gerado entre a voz, saxofone e guitarras do trio. Em entrevista ao site da Red Bull, onde as canções foram lançadas, França conta alguns “segredos” sobre a gravação do novo álbum.

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Metá Metá – Corpo Vão

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Metá Metá – Mano Légua

 

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Wild Beasts: “Get My Bang” (VÍDEO)

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Poucos artistas do atual catálogo de bandas britânicas parecem donas de um som tão maduro quanto o Wild Beasts. Com dois trabalhos de peso lançados nos últimos cinco anos – Smother (2011) e Present Tense (2014) –, o grupo de Kendal, Inglaterra coleciona referências e ritmos, indo da literatura brasileira à música minimalista dos anos 1970, conceito que parece ampliado em Get My Bang, primeira faixa do novo álbum de inéditas da banda: Boy King (2016).

Inaugurada pelo uso de batidas e arranjos tímidos, a composição parece crescer lentamente, sem pressa, detalhando um universo de ruídos eletrônicos, samples e elementos que revelam o lado mais “dançante” do quarteto britânico. Quarta faixa do disco, Get My Bang é apenas a primeira das 10 canções inéditas que o grupo reserva para o trabalho. A produção do álbum ficou por conta do concorrido John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como Franz Ferdinand, St. Vincent e Swans.

Boy King (2016) será lançado no dia 05/08 pelo selo Domino.

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Wild Beasts – Get My Bang

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Whitney: “No Matter Where We Go” (VÍDEO)

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Aos poucos o coletivo Whitney se transforma em um dos projetos mais graciosos e interessantes da presente cena dos Estados Unidos. Comandada por Max Kakacek (ex-integrante do Smith Westerns) e Julien Ehrlich (baterista do Unknown Mortal Orchestra), a banda que nos últimos meses presenteou o público com as delicadas Golden Days e No Woman, acaba de revelar uma de suas canções mais pegajosas até aqui: No Matter Where We Go.

Trata-se de uma encantadora declaração de amor que se estende do primeiro ao último verso. Um jogo seguro de guitarras íntimas dos anos 1970, vozes marcadas pela sutileza e sentimentos sempre confessos. Uma típica composição do UMO, porém, livre da base psicodélica que orienta o trabalho do grupo neo-zelandês. Junto da canção, o grupo aproveita para lançar o clipe da faixa, trabalho dirigido por Alan Del Rio Oritz.

Light Upon The Lake (2016) será lançado no dia 03/06 pelo selo Secretly Canadian.

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Whitney – No Matter Where We Go

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Resenha: “Strangers”, Marissa Nadler

Artista: Marissa Nadler
Gênero: Folk, Dream Pop, Alternative
Acesse: http://www.marissanadler.com/

 

Com mais de uma década de carreira, Marissa Nadler continua a produzir o mesmo tipo de som doloroso e intimista que foi apresentado no inaugural Ballads of Living and Dying (2004). Versos que passeiam pelo universo romântico/doloroso da musicista, sempre disposta a confessar os próprios tormentos e desilusões a cada novo registros de inéditas. Um delicado exercício de exposição sentimental que se reforça com a chegada de Strangers (2016, Sacred Bones / Bella Union), sétimo e mais recente álbum de estúdio da cantora norte-americana.

Sucessor do delicado July (2014), um dos trabalhos mais coesos de toda a discografia de Nadler, Strangers sustenta na temática da separação um assertivo componente para amarrar as diferentes fases e composições que se relacionam diretamente com elementos da vida pessoal da cantora. Um espaço onde personagens metafóricos (Katie I Know, Janie In Love) e relatos pessoais (Hungry Is The Ghost, All The Colors of The Dark) dançam de forma lenta e melancólica.

Inaugurado pela densa Divers of The Dust, o registro de 11 faixas lentas parece pensado para sufocar o ouvinte em poucos segundos. Pianos e vozes sempre profundas, tocantes, como se cada nota de Nadler fosse encarada como a última, a mais dolorosa. Arranjos e versos explorados como parte de um único componente orquestrado pela dor. Lamentos que não apenas se relacionam com o que há de mais triste na vida de qualquer indivíduo apaixonado, como perturbam de maneira propositada.

Assim como no álbum apresentado há dois anos, Nadler flutua com naturalidade entre a timidez da música folk, marca dos primeiros registros de estúdio, e o som enevoado, gótico, que tanto caracteriza a sequência de obras pós-Little Hells (2009). Uma extensão menos “raivosa” e polida do mesmo material entregue pela conterrânea Chelsea Wolfe em Abyss, de 2015. Duas frentes distintas de canções, mas que se abraçam em uma ambientação homogênea, por vezes claustrofóbica como Nothing Feels The Same e demais faixas no encerramento do disco indicam. Continue reading

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Cymbals Eat Guitars: “Wish”

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Com o lançamento do melódico Lose, em 2014, ficou claro o interesse do Cymbals Eat Guitarrs pela produção de um som cada vez mais acessível, talvez pop. Curioso encontrar na recém-lançada Wish um completo oposto do material apresentado ao público há dois anos. Da voz descontrolada (e suja) de Joseph D’Agostino, passando pelo uso de saxofones e sintetizadores pouco usuais dentro da discografia da banda, todos os elementos se orientam de forma torta, apontando a direção seguida em Pretty Years (2016), novo álbum de inéditas do quarteto.

Inspirado por diferentes cenas dos anos 1970 e 1980, além de obras específicas produzidas por nomes como The Cure, The Smiths, Bruce Springsteen, Neil Young e principalmente David Bowie, Pretty Years concentra grande parte das referências que abasteceram o trabalho da banda. John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como St. Vincent, Modest Mouse, Franz Ferdinand e Swans é quem assina a produção do trabalho.

Pretty Years (2016) será lançado no dia 02/10 pelo selo Sinderlyn.

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Cymbals Eat Guitars – Wish

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NAO: “Girlfriend”

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Responsável por algumas das composições mais poderosas, sensíveis e românticas apresentadas nos últimos meses, a cantora e produtora NAO anuncia a chegada do primeiro álbum de inéditas. Intitulado For All We Know (2016), o sucessor do ótimo February 15 EP, de 2015, conta com 18 composições – como Bad Blood e Fool To Love –, além de uma sequência de colaborações com produtores britânicos – caso de A. K. Paul e da dupla Abhi Dijon.

Mais recente composição inédita de NAO, Girlfriend mostra a importância da voz forte da artista dentro de uma “simples” canção de amor. Uma base essencialmente tímida, atmosférica, mas que se dobra para atender as pequenas explosões vocais da artista, sedutora e melancólica até o último instante da música. Há poucos dias, a cantora apresentou ao público o clipe de Fool To Love, outro assertivo registro visual relacionado ao novo disco.

For All We Know (2016) será lançado no dia 22/07 pelo selo Little Tokyo/RCA.

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NAO – Girlfriend

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Fernando Temporão: “Paraíso”

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Paraíso (2016), esse é o nome do segundo e mais recente álbum do cantor e compositor Fernando Temporão. Sucessor do ótimo De dentro da gaveta da alma da gente – um dos 50 melhores discos nacionais de 2013 –, o registro que conta com 11 faixas inéditas e ilustrações de Elisa Arruda apresenta ao público uma série de colaborações com nomes de peso da música nacional, caso da cantora Ava Rocha, o cantor e compositor César Lacerda, além de Filipe Catto.

Com produção de Kassin, parceiro de Temporão desde o último álbum, Paraíso ainda conta com a presença de músicos como Marcelo Jeneci, Domenico Lancellotti e um time de instrumentistas que acompanham o cantor até os últimos instantes da obra. Disponível para download gratuito pela página de Temporão, o trabalho também pode ser apreciado em diferentes serviços como Spotify, Youtube ou pelo Soundcloud. Ouça:

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Fernando Temporão – Paraíso

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Mitski: “Happy” (VÍDEO)

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Com o lançamento de Your Best American Girl, há poucas semanas, a cantora e compositor nova-iorquina Mitski Miyawaki parecia indicar a mudança de direção dentro do próprio trabalho. Ao mesmo tempo em que parece seguir a trilha deixada em obras como Lush (2012) e Bury Me At Makeout Creek (2014), vozes, versos e principalmente os arranjos apontam para um cenário completamente novo, estranho, mudança talvez percebida com maior naturalidade na recém-lançada Happy.

Uma das canções que abastecem o novo registro de inéditas da musicista, o aguardado Puberty 2(2016), Happy transporta a mesma poesia descritiva e pessimista da cantora para um cenário musicalmente transformado. Da batida eletrônica que cresce ao fundo da canção, passando pela lenta inserção das guitarras, sempre acolhedoras e quentes, Miyawaki mais uma vez perverte a própria obra, esbarrando em aspectos curiosos da recente fase de artistas como St. Vincent e Tune-Yards. Para o clipe da canção – um dos melhores de 2016 – uma perturbadora história de traição dirigida por Maegan Houang.

Puberty 2 (2016) será lançado no dia 17/06 pelo selo Dead Oceans.

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Mitski – Happy

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