Artista: Hamilton Leithauser + Rostam
Gênero: Indie Pop, Alternative, Pop
Acesse: http://www.hamiltonrostam.com/

 

Depois de uma década como vocalista do grupo nova-iorquino The Walkmen, em 2014, Hamilton Leithauser apresentou ao público o primeiro trabalho em carreira solo: Black Hours. Gravado em Los Angeles, Califórnia, o registro que contou com a presença de nomes como Amber Coffman (Dirty Projectors), Richard Swift (The Shins) e Morgan Henderson (Fleet Foxes) trouxe na produção assumida por Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend) o início de uma bem-sucedida parceria.

Dois anos após o lançamento do álbum — obra que apresentou ao público músicas como as pegajosas Alexandra e 11 O’Clock Friday Night —, Leithauser e Batmanglij mais uma vez se encontram em estúdio para a produção do primeiro trabalho colaborativo: I Had a Dream That You Were Mine (2016, Glassnote). Uma delicada seleção de temas românticos em que a dupla vai de encontro ao passado, resgatando melodias, fórmulas e conceitos típicos do pop produzido entre as décadas de 1950 e 1960.

Nostálgico e atual em uma medida exata, o trabalho de apenas dez faixas inicialmente resgata os mesmos arranjos e experimentos delicadamente tecidos por Brian Wilson no clássico Pet Sounds (1967), referência explícita na forma como batidas, vozes e órgãos crescem em A 1000 Times. Canção escolhida para a abertura do disco, a música tomada pelo uso de versos essencialmente românticos – “Eu tive um sonho que você era minha / Eu tive esse sonho mil vezes” – parece apontar a direção seguida pela dupla no restante da obra.

Como uma verdadeira coletânea de músicas empoeiradas e clássicos resgatados de obras esquecidas do pop-rock, I Had a Dream That You Were Mine faz de cada composição uma verdadeira homenagem ao passado. Difícil não lembrar dos trabalhos de Simon & Garfunkel nas melodias acústicas de In a Black Out, uma das músicas mais sensíveis do disco, ou mesmo Bob Dylan na semi-descritiva The Bride’s Dad, composição que parece saída dos primeiros discos do veteranos do folk norte-americano.

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Cada nova composição apresentada pelo Chromatics traz de volta a expectativa para o chegada do aguardado Dear Tommy. Quinto álbum de estúdio do grupo norte-americano comandado por Johnny Jewel, o registro originalmente previsto para 2015 teve parte de suas canções apresentadas ao público – como In Films e I Can Never Be Myself When You’re Around –, porém, segue livre de uma possível data de lançamento.

Enquanto o disco – que conta com 17 composições – não chega, o jeito é correr atrás dos pequenos lançamentos do grupo. É o caso de Magazine, mais recente criação do Chromatics e uma das poucas canções assumidas pela voz de Jewel. Feita sob encomenda, a canção é parte do novo filme da diretora belga Fien Troch, Home (2016), trabalho que ainda conta com canções do outro projeto do músico, o Symmetry.

 

Chromatics – Magazine

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Japão (2016), esse é o título do primeiro trabalho de Ale Sater (Terno Rei) em carreira solo. Com lançamento pelo selo paulistano Balaclava Records, o registro de apenas seis faixas sustenta na melancolia, memórias extraídas da infância e arranjos contidos a base para cada uma das canções produzidas pelo músico. Composições como a minimalista Seca, faixa escolhida para apresentar o álbum, e Pipa, música escolhida para se transformar no mais novo clipe de Sater.

Enquanto os versos da composição resgatam uma seleção de memórias nostálgicas – “Piratininga às oito horas da manhã / Café-com-leite e futebol / Naquele dia eu não sumi foi por querer” –, nos arranjos, a guitarra de Sater cresce lentamente, cercada pelo uso de palmas sampleadas e o uso atmosférico de pequenos ruídos. Um melancólico pano de fundo para a delicada animação produzida e dirigida por Beatriz Pacheco Gavião.

 

Ale Sater – Pipa

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Danny Brown passou as últimas semanas presenteando o público com pequenos fragmentos do aguardado Atrocity Exhibition (2016). Primeiro veio a caótica When It Rain, depois foi a vez de Pneumonia, música produzida por Evian Christ, deixando para Really Doe, parceria com os rappers Kendrick Lamar, Earl Sweatshirt e Ab-Soul a última peça antes do lançamento definitivo do disco. Uma seleção de 15 faixas originalmente previstas para o dia 30/09, porém, entregues ao público um pouco mais cedo.

Disponível para audição desde o último dia 27, Atrocity Exhibition é o quarto álbum de estúdio do rapper original da cidade de Detroit, Michigan. O trabalho – que ainda conta com nomes como Kelela e B-Real – é o primeiro registro de inéditas de Brown desde o elogiado Old – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013. Entre os produtores do disco, nomes como The Alchemist e Petite Noir, também responsável pelo canto em Rolling Stone.

 

Danny Brown – Atrocity Exhibition

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Em quase duas décadas de atuação, Svein Berge e Torbjørn Brundtland sempre encararam o Röyksopp como um projeto de puro experimento, proposta que em nenhum momento impediu a dupla norueguesa de testar novas sonoridades e temas dançantes. Em Never Ever, mais recente lançamento dos produtores, uma perfeita representação do lado “pop” da dupla, capaz de mergulhar nas pistas de forma essencialmente leve e, ao mesmo tempo, criativa.

Produzido em parceria com a cantora Susanne Sundfør, artista que colaborou com a dupla durante o lançamento do álbum The Inevitable End (2014), último registro em estúdio do Röyksopp, a nova faixa mostra toda a capacidade da dupla em produzir uma canção movida pela leveza dos sintetizadores e vozes. São pouco mais de três minutos em que uma avalanche de sintetizadores e a voz limpa de Sundfør, no melhor estilo La Roux, parecem convidar o ouvinte para dançar. A direção do colorido clipe da faixa é da própria dupla.

Röyksopp – Never Ever (ft. Susanne Sundfør)

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Artista: How To Dress Well
Gênero: R&B, Alternativo, Indie
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Tom Krell há muito deixou de ser o mesmo artista que foi apresentado ao público durante o lançamento de Love Remains, em 2010. Distante dos ruídos, experimentos e temas atmosféricos que serviram de base para todo o primeiro registro de inéditas como How To Dress Well, o cantor e produtor norte-americano decidiu seguir em busca de um som cada vez mais íntimo do R&B/pop, proposta que volta a se repetir nas canções do quarto álbum de estúdio, Care (2016, Domino).

Primeiro registro de Krell desde o elogiado “What Is This Heart?” (2014), obra-prima do artista, o disco de 12 faixas mostra a busca do produtor por um som cada vez menos complexo, acessível, por vezes íntimo de uma parcela ainda maior do público. Da abertura do trabalho, em Can’t You Tell, passando pela construção de músicas como The Ruins e I Was Terrible, fragmentos e versos essencialmente radiofônicos, como uma versão “simplificada” do material entregue há dois anos.

Claramente inspirado pela música de Janet Jackson e Mariah Carey no começo dos anos 1990, Krell faz do presente disco uma coleção de temas e fragmentos essencialmente românticos. “Eu digo que eu sei o que é amor agora … Mas, em seguida, o segundo que eu abrir a minha boca / Meu coração vai mudar novamente”, canta em Lost Youth/Lost You, música que sintetiza a poesia atormentada e parte das confissões sentimentais do artista, delicado a cada novo fragmento de voz.

Encantador, certo? O problema é que Krell vem explorando esse mesmo conceito desde o segundo álbum de estúdio, o romântico Total Loss (2012). Da limpidez das batidas ao delicado uso de sintetizadores, pouco do material produzido dentro do presente disco se distancia do som pensado para os dois últimos registros do cantor. Falta novidade, como se o músico fosse incapaz de ir além do mesmo som arquitetado para músicas como Cold Nites e Repeat Pleasure.

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Justin Vernon passou as últimas semanas preparando o terreno para o lançamento de 22, A Million (2016). Terceiro registro em estúdio do artista como Bon Iver, o álbum de apenas 10 faixas mostra a busca do cantor e compositor norte-americano por um som parcialmente transformado, íntimo de uma série de conceitos da música eletrônica, como uma fuga do material produzido há cinco anos durante o lançamento do elogiado segundo registro em estúdio.

Com três grandes composições já apresentadas ao público – 22 (OVER S∞∞N), 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ (Extended Versions) e 33 God –, Vernon escolheu o programa da britânica Annie Mac para revelar mais uma das canções presentes no novo disco. Intitulada 8 (Circle), a canção que conta com pouco mais de cinco minutos talvez seja a faixa que mais se aproxima do antigo trabalho do cantor, efeito do uso contido dos vocais e temas eletrônicos que cercam a faixa.

22, A Million (2016) será lançado no dia 30/09 via Jagjaguwar.

 

Bon Iver – 8 (Circle)

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Dias após o lançamento da pegajosa Graduation, canção escolhida para anunciar o primeiro álbum oficial do trio inglês Kero Kero Bonito, Sarah Midori Perry, Gus Lobban e Jamie Bulled já estão de volta com uma nova composição. Intitulada Trampoline, a nova faixa mostra o lado (ainda mais) pop do grupo, fugindo de maneira explicita dos instantes de maior experimento, colagens eletrônicas, rimas e outros elementos característicos do projeto.

Enquanto a música apresentada há poucas semanas parece manter certa estabilidade, crescendo em cima de uma base quase imutável, Trampoline mostra a versatilidade do trio. Da abertura ao fechamento da canção, voz de Perry passeia com liberdade, lembrando e muito o trabalho da cantora norueguesa Annie dentro do clássico Anniemal (2004). O mesmo cuidado se revela na construção das batidas, levemente dançantes e fragmentadas em pequenos blocos durante os instantes finais da faixa.

Bonito Generation (2016) será lançado no dia 21/10 via Double Denim Records.

 

Kero Kero Bonito – Trampoline

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Vozes sussurradas, batidas e sintetizadores minimalistas, arranjos sempre contidos, tímidos. Em Saturday Night, mais recente lançamento do cantor e compositor Devendra Banhart, todos os elementos da canção chegam até o ouvinte com extrema delicadeza. O olhar melancólico do cantor sobre o isolamento de um personagem – talvez ele mesmo – em um sábado à noite. Versos que flutuam em uma atmosfera simples, porém, essencialmente acolhedora.

Íntima da essência “oitentista” de nomes como Ariel Pink e Twin Shadow – principalmente no álbum Forget (2010) –, Saturday Night é parte do nono e mais recente disco de inéditas de Banhart: Ape In Pink Marble (2016). Para o clipe da composição, trabalho dirigido por Jon Beasley e Isabelle Albuquerque, o cantor aparece dançando com bebês e até um cachorro no cenário parcialmente iluminado de uma pista de dança.

 

Devendra Banhart – Saturday Night

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Com músicas como The Golden Throne, A Question Isn’t Answered e Fragment’s Light em mãos, foi difícil não se encantar pelo primeiro álbum do grupo britânico Temples, Sun Stuctures (2014). Com produção assinada pelo próprio vocalista da banda, James Bagshaw, o registro de 12 faixas deu ao quarteto britânico a possibilidade de testar melodias, brincar com diferentes épocas da música psicodélica e, consequentemente, conquistar uma boa parcela do público.

Dois anos após o lançamento do bem-sucedido registro, o grupo inglês começa a preparar o terreno para um novo álbum de inéditas. Em Certainty, primeiro fragmento desse novo disco, vozes, guitarras, sintetizadores e batidas crescem lentamente, sempre coloridas, detalhando nuances psicodélicas, melodias cósmicas e diferentes variações instrumentais que atravessam a década de 1960 e chegam até o final dos anos 1970.

 

Temples – Certainty

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