Disco: “This Is All Yours”, Alt-J

Alt-J
British/Indie/Alternative
http://www.altjband.com/

Por: Cleber Facchi

Em um sentido oposto ao da homogenia ressaltada no começo dos anos 2000, durante a expansão do Revival Pós-Punk, nítida é a transformação imposta por todo um novo cercado de artistas que ocupam a cena inglesa. Coletivos como Everything Everything, Egyptian Hip Hop e Django Django; grupos motivados pelo mesmo “pop complexo” assinado por Foals, Wild Beasts e outros responsáveis pela transição de conceitos ainda na segunda metade da última década, mas que parecem em busca de um som cada vez mais particular.

Fruto explícito desse novo “movimento”, o grupo de Leeds Alt-J talvez seja o mais querido do público dentro de toda a nova safra de artistas britânicos. Com uma massa de ouvintes fiéis (e em expansão) desde a chegada do debut An Awesome Wave (2012) – verdadeira coletânea pop embalada de forma “experimental” -, o (hoje) trio resume no lançamento do segundo álbum de estúdio uma obra centrada na autoafirmação e, ao mesmo tempo, carregada de novas experiências.

Esculpido de forma menos “comercial” que o antecessor, This Is All Yours (2014, Infectious) é um trabalho que pode até escapar de faixas imediatas, como Breezeblocks e Tessellate, mas que surpreende pela delicadeza de seus (extensos) atos. Exemplo expressivo disso está em Hunger of the Pine. Escolhida para apresentar o disco, a lenta composição cresce como um ressaltar harmônico das nuances do Art Rock – de grupos como These New Puritans -, mas sem deixar de flertar com desconstrução do pop recente – vide a inclusão de trechos da música 4X4 de Miley Cyrus, “I’m a Female Rebel“. Todavia, assim como o álbum de 2012, o grande erro do Alt-J não está no acumulo e uso amplo de referências, mas na forma como grande parte desses elementos são encaixados de maneira “inexata” ao longo da obra.

Por mais comovente que seja o material apresentado em Hunger Of The Pine, mesmo que a música de Left Hand Free pareça comercialmente viável ou que o som de The Gospel of John Hurt ecoe de forma curiosa, falta coerência ou uma possível linha temática capaz de amarrar o imenso material do disco. É nítida a tentativa do grupo em iniciar um planejamento conceitual com a “trilogia Nara” – Arrival in Nara, Nara e Leaving Nara -, entretanto, a hiperatividade sobrepõe o controle, levando o trio a tropeçar no mesmo catálogo de sons avulsos de An Awesome Wave. Ideias, colagens, referências que tornam a experiência de apreciar o álbum confusa – vide o corte brusco que separa Every Other Freckle de Left Hand Free, esta última, música que parece incluída apenas por pressão da gravadora. Continue reading

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Indieoteque Miojo Indie

É hora de mais uma Indieoteque ao som e tempero do Miojo Indie! Durante toda a noite, clássicos antigos e recentes do Indie rock, eletrônica, rock alternativo e Hip-Hop comandam a festa. Para a nova edição da festa, Cleber Facchi (Miojo Indie) recebe os amigos Thiago Araújo (Brasil Post), Nani Rodrigues e Gustavo Assumpção (CineClick) para uma noite abastecida por clássicos antigos e recentes. Abaixo, a mixtape de aquecimento da festa:

Você vai ouvir: Vampire Weekend, Arcade Fire, HAIM, Disclosure, Blood Orange, Phoenix, Queens Of The Stone Age, Daft Punk, Arctic Monkeys, Lykke Li, Chromatics, Icona Pop, Hot Chip, CHVRCHES, Young Galaxy, The Strokes, Charli XCX, Tame Impala, Friendly Fires, Silva, Pixies, Grimes, The XX, Silva, Jessie Ware, Animal Collective, Talking Heads, Radiohead, Dirty Projectors, Björk, The Rapture, Interpol, Kanye West, Deerhunter, Alt-J, Baths, Amy Winehouse, Savages, Yeah Yeah Yeahs, Janelle Monáe, She & Him, !!!, Purity Ring, Real Estate, Toro Y Moi, Crystal Castles, The Killers, The Kinfe, Tyler The Creator, Best Coast, Chairlift, Foals, Everything Everything, Frank Ocean, Holy Ghost!, Justin Timberlake, Mac DeMarco, La Roux, Kendrick Lamar, MGMT, Lily Allen, Twin Shadow, Solange, Passion Pit, Spoon, The New Pornographers, Wavves, Chloe Howl, Ducktails, Unknown Mortal Orchestra, Franz Ferdinand, Azealia Banks, Japandroids, Two Door Cinema Club, e mais. ♩♬♪♩♫

:::: LINE UP ::::

Cleber Facchi (Miojo Indie)
Thiago Araújo (Brasil Post)
Nani Rodrigues
Gustavo Assumpção (CineClick)

:::: QUANTO ::::

Entrada gratuita até as 22h!
Confirme presença no Facebook AQUI.
Preço após as 22h: Com nome na lista -> R$40 consuma ou R$20 de entrada
Sem nome na lista -> R$60 consuma ou R$30 de entrada
Lista de desconto no site: http://bit.ly/SetembroMiojoIndie 

::: ANIVERSÁRIOS :::

Quer comemorar seu aniversário na Funhouse? Você ganha VIPs, pode girar a nossa roleta e mais! Confira as vantagens no site: http://bit.ly/HVkjYO

:::: ESQUENTA ::::

Novidade na Funhouse! Abrimos nossas portas às 20h para happy hour e esquenta! A entrada não é cobrada e ainda tem promo de cerveja: compre 4, leve 5! +infos: http://bit.ly/17dbmUk

ATENÇÃO: Só é permitida a entrada de maiores de 18 anos na casa e todos devem portar um documento oficial com foto recente.

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SBTRKT: “Look Away” (ft. Caroline Polachek)

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Cada novo lançamento de Aaron Jerome nas últimas semanas tem sido uma verdadeira surpresa para o público que acompanha o trabalho do SBTRKT. Entre composições ao lado de Ezra Koenig (New Dorp, New York) e faixas desenvolvidas em parceria com rappers como Raury (Higher) e A$AP Ferg (Voices in My Head), todos os elementos apontam que Wonder Where We Land (2014), novo álbum do produtor britânico, tem tudo para se transformar em um dos trabalhos mais amplos e convincentes do ano.

Há poucos dias da estreia do disco – prevista para 23 de setembro -, SBTRKT lança o primeiro clipe oficial do registro e, ao mesmo tempo, mais uma assertiva parceria. Trata-se de Look Away, faixa mais experimental do novo disco (até agora) e uma assertiva parceria com Caroline Polachek, do Chairlift. Para o estranho vídeo interativo da canção – projeto desenvolvido pelo estúdio Resn -, a webcam do computador é utilizada para que a figura soturna do clipe desvie o olhar do próprio espectador. Ouça a faixa abaixo ou assista ao vídeo aqui.

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SBTRKT – Look Away (ft. Caroline Polachek)

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Tinashe: “Feels Like Vegas”

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Se Pretend, parceria de Tinashe com A$AP Rocky apresentada no final de agosto, parecia refletir parte expressiva da sonoridade reservada para o aguardado álbum de estreia da cantora/rapper, bastam os minutos iniciais de Feels Like Vegas para perceber uma carga de novas nuances dentro do trabalho da artista de Los Angeles. Delicada e acessível, a nova música é a pista segura do lado pop que preenche Aquarius (2014), disco que chega no dia sete de outubro pelo selo RCA.

Meio termo entre o último álbum de Ciara e o mais recente álbum de Beyoncé, a canção parece ser a passagem direta para que Tinashe alcance o grande público, efeito das vocalizações melódicas e versos fáceis que acompanham o ouvinte até o último segundo. Com a presença confirmada de Devonté Hynes (Blood Orange), Future e Schoolboy Q, Aquarius (capa acima) tem tudo para se transformar em um dos grandes lançamentos do ano.

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Tinashe – Feels Like Vegas

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Medicine: “Move Along – Down The Road”

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Um dos grandes medos em se tratando da volta do Medicine – banda que permaneceu em hiato durante 10 anos -, não estava na possibilidade de Brad Laner ser incapaz de repetir o acerto dos primeiros discos do grupo, mas que passado o lançamento de To the Happy Few (2013) a banda californiana entrasse em um novo (e extenso) hiato. Para a felicidade do público, o quinto álbum do grupo de Los Angeles não apenas surpreende, como ainda serve de estímulo para o próximo disco da banda: Home Everywhere (2014).

Ainda mais intenso do que no último ano, Laner e os parceiros de banda abraçam de vez o Noise Pop para apresentar a inédita Move Along – Down The Road, o primeiro exemplar do novo disco. Soando como uma típica criação do grupo no começo da década de 1990, a faixa ainda estreita a relação com a presente geração de bandas, dividindo o mesmo campo experimental do grupo A Sunny Day In Glasgow no ótimo Sea When Absent (2014). Com lançamento previsto para 28 de outubro, o novo disco estreia pelo selo Captured Tracks, o mesmo do trabalho anterior.

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Medicine – Move Along – Down The Road

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Cozinhando Discografias: The National

A seção Cozinhando Discografias consiste basicamente em falar de todos os álbuns de um artista, ignorando a ordem cronológica dos lançamentos. E qual o critério usado então? A resposta é simples, mas o método não: a qualidade. Dentro desse parâmetro temos uma série de fatores determinantes envolvidos, que vão da recepção crítica do disco no mercado fonográfico, além, claro, dentro da própria trajetória do grupo e seus anteriores projetos. Além da equipe do Miojo Indie, outros blogs parceiros foram convidados para suas específicas opiniões sobre cada um dos trabalhos, tornando o resultado muito mais democrático.

Das bandas norte-americanas que surgiram no começo dos anos 2000, poucas cresceram tanto e ainda foram capazes de manter a própria essência quanto o The National. Nascido no final dos anos 1990 na cidade de Cincinnati, Ohio, o quinteto formado por Matt Berninger, Aaron e Bryce Dessner e Bryan e Scott Devendorf carrega na própria discografia um dos acervos mais dolorosos e honestos da música recente. São versos embebidos em álcool, declarações de amor e tormentos claustrofóbicos, temas fundamentais para a construção de obras tão íntimas da banda, quanto do próprio ouvinte. Continue reading

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Alice Caymmi: “Rainha dos Raios”

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Em um ano de grandes lançamentos nacionais assumidos por vozes femininas – como Caravana Sereia Bloom de Céu e Tudo Tanto de Tulipa Ruiz -, Alice Caymmi conquistou o próprio espaço ao investir em uma obra complexa, carregada de referências autorais e pequenas adaptações. Conduzido pela voz forte da cantora, neta de Dorival Caymmi, o álbum é casa de faixas imponentes como Água Marinha e Sargaço Mar, referências distorcidas dentro do novo trabalho em estúdio da artista, Rainha dos Raios (2014).

Livre do ambiente “litorâneo” retratado no disco de estreia, Caymmi passeia agora por entre diferentes gêneros musicais e adaptações particulares de músicas assinadas por outros artistas – caso de Homem de Caetano Veloso e Como Vês do grupo Tono. São nove regravações, algumas delas já conhecidas do público da cantora, como Iansã, parceria de Alice com o músico/produtor Strausz. Com lançamento pelo selo Joia Moderna e distribuição pela Tratore, Rainha dos Raios pode ser apreciado na íntegra logo abaixo.

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Alice Caymmi – Rainha dos Raios

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Panda Bear: “Mix Ticks”

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Passados três anos desde o lançamento de Tomboy (2011), último registro em estúdio do Panda Bear, Noah Lennox continua a criar expectativa em relação ao próximo disco do projeto: Panda Bear Meets the Grim Reaper. Ainda sem previsão de lançamento, o álbum co-produzido em parceria com Peter “Sonic Boom” Kember (ex-integrante do Spaceman 3) parece manter a linda psicodélica dos registros que o antecedem, porém, dentro de um novo conceito instrumental.

Em exercício de forte comunicação com música eletrônica, Lennox apresenta agora mais uma inédita mixtape: Mix Ticks. Trata-se de um curioso exercício criativo em visitar a House Music dos anos 1990, material já testado na mixtape Green Ray Mix, lançada no último ano, porém, melhor delineado agora. Com 40 minutos de duração e fragmentado em diferentes atos/variações, o trabalho pode ser apreciado na íntegra logo abaixo, ou no site de Panda Bear, onde você encontra uma perturbadora animação psicodélica.

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Panda Bear – Mix Ticks

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Karen O: “Ooo”

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A raiva incontida em grande parte das canções do Yeah Yeah Yeahs, muitas vezes parece ocultar a poesia doce costurada por Karen O. Seja na melancolia escancarada em Maps – uma das mais belas e honestas canções de amor dos anos 2000 -, passando por Little Shadow em It’s Blitz! (2009) e Wedding Song no ainda recente Mosquito (2013), o amor sempre encontra uma brecha para sobreviver na voz da artista, completamente entregue ao sentimento no interior do primeiro disco solo, Crush Songs (2014, Cult).

Confessional em toda a extensão, o “debut” se movimenta entre emanações brandas e sons prestes a se esfarelar. Uma obra de versos sussurrados, captações caseiras e toda uma ambientação dividida apenas entre a cantora e o ouvinte. Livre de um possível acabamento detalhista em estúdio, o álbum de 15 curtas composições é um bloco que não esconde a própria singeleza, carregando nos versos a principal ferramenta da cantora. Leia a resenha completa aqui.

Abaixo, o clipe de Ooo, trabalho dirigido por Spike Jonze e estrelado por Elle Fanning.

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Karen O – Ooo

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Caribou: “Our Love” (Daphni Remix)

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Manitoba, Caribou e Daphni. Em mais de uma década de atuação foram os diferentes projetos de Dan Snaith que mantiveram a obra do produtor canadense sempre dinâmica e atrativa a cada novo projeto de estúdio. Ainda que parta de uma mesma concepção estética, cada projeto assinado pelo artista revela uma identidade própria, percepção reforçada na nova e detalhista versão de Our Love, mais recente single do Caribou, porém, remodelado dentro dos conceitos do Daphni.

Com exceção do verso cíclico – “Our Love” -, pouco se manteve da estrutura original da canção, uma das dez faixas do ainda inédito álbum de Snaith. Recheado com batidas secas e elementos voltados às pistas da década de 1990, grande parte do remix soa como uma adaptação do material lançado em Jialong (2012), último trabalho do canadense à frente do Daphni. Para quem já havia ficado surpreso com o material anterior, eis uma nova forma de se encantar pela obra de Daniel Snaith.

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Caribou – Our Love (Daphni Remix)

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