Disco: “Sendeiro”, Amplexos

Amplexos
Nacional/Reggae/Dub
http://www.amplexos.com/

O caminho assumido pela banda fluminense Amplexos em Música da Alma, álbum de 2012, está longe de parecer o mesmo do recém-lançado Sendeiro (2015, Independente). Oposto ao som marcado pela leveza e certa dose de romantismo da obra apresentada há três anos, com o novo registro de inéditas, o grupo original da cidade de Volta Redonda, Rio de Janeiro não apenas reforça o próprio discurso político e social, como encontra na temática da espiritualidade e autodescoberta um novo (e imenso) universo a ser explorado.

Se até pouco tempo o grupo formado por Eduardo Valiante (voz, guitarra), Leandro Vilela (guitarra, vocais), Martché (teclados, vocais), Leandro Tolentino (percussão), Flávio Polito (baixo) e Mestre André (bateria) exaltava o amor e relações pessoais em faixas como Making Love, hoje é o discurso sóbrio, quase pessimista, que estimula parte da construção do disco. Basta a inaugural e extensa faixa de abertura, A Tecnologia, para se ter um resumo consistente de todo o trabalho.

A saga cega por progresso / Assassinou nossa essência / A ambição cresceu na massa / E faltou luz na consciência”, despeja o vocalista em uma provocativa discussão sobre a evolução do homem e lenta corrupção da nossa sociedade. O mesmo discurso provocativo também sobrevive nos versos de Miragem (“Meus inimigos são os mesmos que os seus, nêgo / As ilusões do mundo o mesmo apego”), um fragmento da expressiva maturidade que orquestra toda a construção do álbum – uma obra atual e conceitualmente ampla em relação aos últimos registros em estúdio do grupo.

Observado de forma atenta, é fácil perceber como o mesmo tom acinzentado de determinadas canções serve de ponte para a porção mais esperançosa do disco. Longe de buscar conforto em uma religião ou crença específica, Sendeiro é um álbum que estimula a busca pela fé nos próprios indivíduos. Exemplo expressivo disso está nos versos de Cai Pra Dentro: “Vários irmãos / Ignoram seus milagres / Ao desacreditar / Que as nossas mãos são revolucionárias / E que podem curar”. Mesmo o encontro com Deus em O Presente – “Foi quando viu Deus / Em sua face / Era ele, sim, numa aparição” soa como uma passagem para o lado reflexivo da obra. Continue reading

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Foals: “Mountain At My Gates” (VÍDEO)

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Aos poucos o novo álbum de inéditas do Foals começa a tomar forma. Depois das rajadas de guitarras que apresentaram What When Down (2015) ao público, em Mountain At My Gates, a banda de Oxford “desacelera”, entretanto, ainda mantém firme a mesma composição melódica testada nos antecessores Holy Fire (2013) e Total Life Forever (2010). Pouco mais de quatro minutos de guitarras ascendentes e vocal invasivo do vocalista e líder Yannis Philippakis.

Com uma guitarra suingada que muito lembra o Red Hot Chili Peppers do álbum Blood Sugar Sex Magik (1991), a canção vai do pós-punk ao math rock em segundos, resgatando momentaneamente elementos incorporados no debut Antidotes, de 2008 – caso da guitarra cíclica que cresce ao fundo da música. Assim como o single anterior, nítida é a variação de ritmos no interior de Mountain At My Gates, como uma pequena colcha de retalhos costurada de forma precisa, pop nos instante sem que o refrão explode com total naturalidade.

No clipe dirigido por Nabil Elderkin, parceiro da banda desde Holy Fire, o uso de uma câmera GoPro Spherical acaba ditando o rumos das imagens. What Went Down (2015) estreia no dia 28/08 pelo selo Warner Bros.

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Foals – Mountain At My Gates

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Unknown Mortal Orchestra: “Ur Life One Night” (VÍDEO)

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Com o lançamento do segundo trabalho em estúdio, II (2013), Ruban Nielson e os parceiros do Unknown Mortal Orchestra partiram em busca de um novo universo de referências musicais. Da sonoridade suja e naturalmente esquizofrênica lançada por gigantes como Captain Beefheart e toda a geração de artistas pós-1967, base do primeiro disco, pouco sobreviveu. Para ocupar essa “lacuna”, um diálogo aproximado com o mesmo R&B de Prince e outros veteranos da década de 1970, preferência que também conduz os arranjos e versos do terceiro álbum do grupo, Multi-Love (2015, Jagjaguwar).

Passo além em relação ao último lançamento da banda, com o presente registro, o coletivo original de Auckland, Nova Zelândia continua a investir no uso descomplicado das melodias, entretanto, encontra no experimento um mecanismo de transformação. São peças como a inaugural faixa-título, canção que mesmo sustentada pelo uso de arranjos e temas radiofônicos, jamais tende ao óbvio, brincando com a interpretação do ouvinte a cada novo ruído distorcido. Leia o texto completo.

Dirigido por Manoj Leonel Jahson, Ur Life One Night é o novo clipe da banda. Nas imagens, uma coleção de temas orientais e referências extraídas da cultura indiana.

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Unknown Mortal Orchestra – Ur Life One Night

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Ought: “Men For Miles”

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Quem chegou a ouvir Beautiful Blue Sky, último single do Ought, já deve ter percebido a urgência (e certa dose de raiva) que abastece a recente fase do grupo canadense. Além da habitual colagem de referências extraídas do final da década de 1970 – como Joy Division, Gang Of Four e Talking Heads -, vozes e arranjos típicos do quarteto de Montreal indicam a composição de um som ainda mais enérgico, por vezes cru, assumido pelo grupo.

Em Men For Miles, segundo single do álbum Sun Coming Down (2015), uma expansão desse resultado. Um pouco mais curta que a média de composições da banda, a faixa de quase seis minutos continua a investir no Punk e Post-Punk de 1977, colidindo de forma involuntária uma série de arranjos e vozes tão próximos de grupos como Cap’n Jazz, como do garage rock que apresentou os nova-iorquinos do Strokes no começo dos anos 2000. Os mesmos ingredientes do álbum More Than Any Other Day (2014), porém, em uma estrutura ainda mais explosiva.

Sun Coming Down (2015) será lançado no dia 18/09 pelo selo Constellation Records.

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Ought – Men For Miles

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Miguel: “NWA” (VÍDEO)

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Com o lançamento do single Coffee, no começo de maio, Miguel dava fortes indicativos de que as mesmas experiências musicais testadas em Kaleidoscope Dream (2012) serviriam de base para o terceiro registro de inéditas do cantor. Batidas lentas, solos de guitarras provocantes e o vocal sempre limpo, quente, estímulo para a poesia erótica que orienta a sonoridade do músico norte-americano. Elementos talvez previsíveis, também base natural para o recém-lançado Wildheart(2015, ByStorm / RCA), porém, encaixados em uma estrutura completamente torta dentro de cada faixa do trabalho.

Pulsante, o novo álbum segue a mesma trilha iniciada pelo cantor desde o debut All I Want Is You(2010): um compilado de faixas marcadas pela obsessão sexual, loucura e agressividade. Um catálogo de 12 composições que lentamente escapam do domínio lírico de Migual, visitam a intimidade de qualquer casal e convertem em melodias íntimas do R&B alguns dos tormentos mais sujos de qualquer indivíduo – “pervertido” ou “puritano” – embaixo dos lençóis. Leia o texto completo.

Assista abaixo ao clipe da canção, trabalho filmado em diferentes locações na Califórnia.

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Miguel – NWA

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Disco: “Another One”, Mac DeMarco

Mac Demarco
Indie/Alternative/Jangle Pop
https://www.facebook.com/Mac-DeMarco/

É o no mínimo curioso o sucesso em torno da obra de Mac DeMarco. Sem necessariamente romper com a mesma sonoridade testada desde a estreia, em 2012, com o álbum Rock and Roll Night Club, o cantor e compositor canadense conseguiu abraçar um número expressivo de fãs, excursionar em diferentes países – incluindo o Brasil – e ainda se transformar no novo queridinho da imprensa musical. Tudo isso em um intervalo de apenas três anos. Não se trata de um novo astro do rock, longe disso, entretanto, difícil encarar o jovem músico como um mero coadjuvante.

O segredo do sucesso? Letras descompromissadas, uma boa dose de romantismo escancarado e, claro, a contínua busca por um som tão íntimo da presente safra do rock estadunidense, como de clássicos da década de 1960 (The Beach Boys, The Beatles) e começo dos anos 1980 (R.E.M., Dire Straits). Perfeita representação desse resultado está gravada no curto acervo de Another One (2015, Captured Tracks), novo mini-LP apresentado pelo cantor e quarto registro de uma (boa) leva de composições inéditas.

Na trilha do antecessor, Salad Days (2014), o presente álbum é um trabalho para ser apreciada sem grandes expectativas. Da confissão romântica que inaugura o disco, com The Way You’d Love Her, passando pelos arranjos melancólicos de A Heart Like Hers – no melhor estilo Chamber of Reflection -, tudo gira em torno do universo particular do cantor. Um catálogo breve de sussurros apaixonados, delírios alcoólicos e pequenos desajustes pessoais.

A diferença em relação aos últimos discos do cantor está no completo estado de leveza e naturalidade que impulsiona o crescimento dos versos. É fácil se identificar com o mesmo sofrimento do compositor em faixas como Without Me ou se sentir representado nas declarações que marcam The Way You’d Love Her e I’ve Been Waiting For Her. DeMarco, longe de parecer um personagem fictício, utiliza da própria humanidade e tormentos cotidianos como um estímulo lírico, base e amarra para todo o acervo do presente disco. Continue reading

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MUNA: “Promise”

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Imagine se alguém conseguisse juntar o mesmo pop nostálgico de Caroline Polachek (Chairlift) com os sintetizadores quebrados do CHVRCHES e a voz forte de Florence Welch? A resposta talvez esteja nas mãos (e vozes) do trio norte-americano MUNA. Projeto de Dark Pop da cidade de Los Angeles, Califórnia, a banda formada por Katie Gavin (Voz, produção), Josette Maskin (Guitarras) e Naomi Mcpherson (Guitarras) resume na recém-lançada Promise um catálogo de acertos e referências que fazem do trio uma das grandes apostas de 2015.

Com referências como Robyn, R&B dos anos 1990, Björk e, claro nomes importantes da década de 1980, caso de Kate Bush e Cyndi Lauper, o grupo mantém firme a relação com a música pop, ao mesmo tempo em que aprece longe de possíveis tropeços e exageros típicos de outras cantoras do gênero. Uma interpretação talvez obscura do mesmo som leve de conterrâneas como Haim e Sky Ferreira, conceito também evidente em músicas como The Grave e So Special, no curto catálogo da banda publicado no Soundcloud. Experimente:

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MUNA – Promise

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Kane West: “Mexicans”

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Muita gente se assustou quando Western Beats (2014) foi apresentado ao público pelo misterioso Kane West no último ano. “Disco novo do Kanye West assinado com fonte Comic Sans? Que merda é essa?!“. Melhor ler (e ouvir) direito. Trata-se do projeto em carreira solo do produtor londrino Gus Lobban, um dos integrantes do versátil coletivo britânico PC Music e responsável por boa parte das composições assinadas pelo trio Kero Kero Bonito.

Meses após o lançamento da última (mini-)mixtape, além da série de remixes para artistas como Tiga e o próprio Kero Kero Bonito, Lobban está de volta com mais um lançamento inédito sob o título de Kane West. Em Mexicans, a relação do artista com a década de 1990 parece ainda mais estreita. Sintetizadores caricatos, adaptações “pop” da música e todos os clichês da época são amarrados em quase cinco minutos de batidas prontas para as pistas.

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Kane West – Mexicans

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Kate Boy: “Midnight Sun” (VÍDEO)

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Kate Akhurst passou os últimos três anos atiçando a curiosidade do público. Voz aos comandos do projeto Kate Boy, a artista australiana, hoje residente na cidade de Estocolmo, Suécia, transformou músicas como The Way You Are e In Your Eyes em exemplares interessantes da nova safra do Synthpop europeu. Pequenos ensaios para o que deve ser apresentado em completude com o lançamento do álbum ONE (2015), primeiro registro oficial da cantora/produtora.

Escolhida para representar o trabalho, Midnight Sun mantém firme as principais referências e temas que apresentaram a jovem. Uma colagem atenta que conceitos que se estende do final da década de 1990, passa pela obra de diferentes artistas locais, principalmente Robyn e The Knife, mas em nenhum momento se desprende de uma interpretação em “preto e branco” da música pop, sempre sombria, amargurada. Lançada há poucos dias, junto do anúncio da estreia de ONE, a canção reaparece agora acompanhada de um clipe dirigido pela própria Kate Boy.

ONE (2015) será lançado pelos selos Fiction, Island e Iamsound.

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Kate Boy – Midnight Sun

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LIZ: “When I Rule The World” (VÍDEO)

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Após um longo período de “isolamento”, LIZ finalmente está de volta com uma nova composição inédita. Ainda adepta do mesmo Future Pop/R&B robótico testado no excelente Just Like You EP,  de 2014, a jovem artista encontra no som pegajoso do produtor britânico SOPHIE um novo catálogo de experiências pop a serem exploradas. Basta apenas uma simples audição para que When I Rule the World não apenas grude na cabeça do ouvinte, como se transforme em um novo vício para o antigo público da cantora.

Em uma estrutura de versos cíclicos, montada de forma propositadamente redundante, a faixa de apenas três minutos de duração soa como um produto típico dos integrantes do selo PC Music. Sintetizadores, samples e pequenos encaixes pueris, como uma possível sobra do trabalho de Hanna Diamond, mas sem necessariamente esquecer de composições assinadas por SOPHIE em fase solo – Lemonade, Bipp – ou mesmo como parte do projeto QT – Hey QT.

Assista abaixo ao colorido clipe da canção, trabalho dirigido por Justin Faces.

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LIZ – When I Rule The World

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