Depois de se revelar um ótimo cantor na mixtape Entrañas, de 2016, Alejandro Ghersi anuncia a chegada de um novo registro de inéditas como Arca. Sucessor dos álbuns Xen (2014) e Mutant – este último, 35º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, o trabalho de 13 faixas deve preservar a essência experimental do produtor venezuelano, conceito que alimenta a recém-lançada Piel, primeiro single do novo disco do artista.

Claramente influenciado pela parceria com Björk em Vulnicura (2015), Ghersi acaba explorando a própria voz como uma espécie de instrumento. Um ponto de partida para a lenta e delicada inserção de outros elementos da canção. Entre ruídos estridentes e ambientações soturnas, o canto melancólico do produtor venezuelano, como uma espécie de convite hipnótico a provar de toda a sequência de faixas que sustentam o trabalho.

 

Arca

01 Piel
02 Anoche
03 Saunter
04 Urchin
05 Reverie
06 Castration
07 Sin Rumbo
08 Coraje
09 Whip
10 Desafío
11 Fugaces
12 Miel
13 Child

Arca (2017) será lançado no dia 07/04 via XL Recordings.

 

Arca – Piel

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Artista: Tibério Azul
Gênero: MPB, Alternativo, Indie
Acesse: http://tiberioazul.com.br/

 

Seja como integrante do grupo Mula Manca & A Fabulosa Figura ou nas canções assinadas em parceria com diferentes nomes da cena pernambucana, Tibério Azul sempre foi um artista que acreditou na força do coletivo. Basta uma rápida passagem pelo primeiro registro de inéditas do cantor, o colorido Badarra (2011), para perceber a força das ideias, ritmos e diferentes mentes criativas que circulam pelo interior do trabalho, proposta que volta a se repetir nas canções de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017, Joinha Records), segundo álbum e mais recente álbum do músico em carreira solo.

Longe da terra, árvores altas e outros elementos esverdeados da natureza que serviram de inspiração para o trabalho lançado há seis anos, o artista recifense encontra na temática da água, chuvas, corredeiras e mares o ponto de partida para a construção de parte expressiva das canções. Em parceria com o produtor Yuri Queiroga, uma fina coleção de músicas que reflete a composição mutável dos sentimentos, relações pessoais e conflitos que invadem a mente do cantor.

E se a chuva nunca chegar / A gente vai é chover por aí / Eu molhando tu / E tu molhando eu”, detalha em Chover, bem-sucedida parceria com a cantora e compositora Clarice Falcão e um doce retrato da poesia metafórica que sustenta o disco. Em Sem Ontem e Sem Amanhã, quarta faixa do álbum, o mesmo cuidado na composição dos versos. “A chuva corre em pedaços / As gotas formam o mesmo rio / Nos braços dessa correnteza / Tudo me trouxe para tu”, canta enquanto a viola de Rodrigo Samico se espalha lentamente ao fundo da canção.

O mesmo conceito “líquido” incorporado aos versos acaba se refletindo na sonoridade versátil do trabalho. São diálogos expressivos com o jazz (Faz Favor), experimentos que bagunçam diferentes aspectos da música regional (Nem A Pedra É Dura) e até canções que brincam com o passado de forma nostálgica (Dindim). Uma verdadeira sobreposição de melodias, gêneros e tendências musicais, proposta que encanta logo nos primeiros minutos do disco, na homônima faixa de abertura, e segue até o último acorde de A vida pede mais abraço que razão.

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Depois de muita expectativa e quatro composições excelentes – Keep Your Name, Little Bubble, Up in Hudson e Cool Your Heart, parceria com Dawn Richard –, o novo álbum de estúdio do Dirty Projectors está disponível para audição. Sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o registro conta com nove composições inéditas e uma série de referências que passam por diversos aspectos da carreira do grupo.

Produzido ao longo de 2016 pelo próprio vocalista e líder da banda, Dave Longstreth, o autointitulado lançamento reflete o distanciamento entre o músico e Amber Coffman, ex-integrante do Dirty Projectors e antiga parceira de Longstreth. Repleto de curvas, manipulações vocais e flertes com o R&B, o novo disco talvez seja o registro mais revolucionário da banda desde o elogiado Bitte Orca (2009), obra responsável por catapultar o trabalho do coletivo nova-iorquino.

 



Dirty Projectors – Dirty Projectors

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Em dezembro do último ano, os membros do Ride anunciaram a chegada de um novo álbum de estúdio. Sucessor do derradeiro Tarantula, de 1996, o registro que conta com produção de Erol Alkan (Franz Ferdinand, Bloc Party) deve jogar com a mesma sonoridade explorada pela banda no começo dos anos 1990. Um meio termo entre Motörhead e William Basinski, como apontaram os próprios integrantes do grupo britânico.

Primeiro fragmento desse novo álbum, Charm Assault prova que o Ride continua tão intenso e jovial quanto em obras como Going Blank Again (1992) e Carnival of Light (1994). Trabalhada em cima de um som “limpo” quando voltamos os ouvidos para o clássico Nowhere (1990), a nova faixa segue de forma eufórica até o último segundo, detalhando uma sequência de guitarras, batidas e vozes que arrastam

 

Ride – Charm Assault

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Como indicado durante o lançamento da inédita Hot Thoughts, em janeiro deste ano, os integrantes do Spoon parecem incorporar uma nova sonoridade em relação material produzido para o antecessor They Want My Soul – 21º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014. Entre experimentos e temas eletrônicos, cada uma das dez composições do novo álbum de estúdio da banda devem aportar em um território marcado pelo parcial ineditismo dos elementos.

Um bom exemplo disso está na recém-lançada Can I Sit Next To You. Sexta faixa de Hot Thoughts (2017), a canção de quase quatro minutos se espalha em meio a mistura louca de gêneros, samples e referências. Um rock eletrônico funkeado e levemente dançante, à la The Rapture, como uma complexa desconstrução de todo o acervo de obras que o grupo norte-americano vem produzindo desde o elogiado Ga Ga Ga Ga Ga, de 2007.

Hot Thoughts (2017) será lançado no dia 17/03 via Matador.

 

Spoon – Can I Sit Next To You

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Originalmente lançada em 2015, como parte do álbum Real, obra que contou com distribuição pelos selos Balaclava Records e Midsummer Madness, Em Vão foi a canção escolhida para se transformar no mais novo single/clipe do cantor e compositor Frabin. Um dream pop psicodélico e empoeirado que se perde em meio a delírios românticos do jovem músico – “Fecho a porta e não te vejo / Tranco e logo nem percebo / Aquele sim que virou não / Tão real pra ser ilusão“.

Com imagens captadas em VHS por Rafaela Valmorbida, o vídeo transforma a própria gravação em uma espécie de complemento ao som produzido por Frabin. São cortes rápidos e closes lentos que se desenvolvem à medida que os arranjos e vozes da faixa ocupam o fundo da canção. Filmado no interior de Santa Catarina, Em Vão reflete “a vontade de construir algo mesmo que no final seja em vão ou apenas pela beleza de ter existido”, explicou o músico no texto de apresentação do clipe.

 

Frabin – Em Vão

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Artista: Ryan Adams
Gênero: Rock, Alternativo, Folk
Acesse: http://paxamrecords.com/

 

Guitarras e batidas exploradas de forma crescente e dramática. Ao fundo da canção, o uso climático dos teclados, instrumento trabalhado como um complemento aos versos românticos que explodem de forma sempre exagerada, brega: “Você ainda me ama, bebê?”. Bastam os primeiros minutos de Do You Still Love Me? para que o ouvinte seja rapidamente transportado para dentro do novo (e melancólico) álbum de Ryan Adams: Prisoner (2017, PAX AM / Blue Note).

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor norte-americano desde o homônimo álbum lançado em 2014 e também sucessor da controversa adaptação do disco 1989 (2015), de Taylor Swift, Prisoner é, como grande parte dos trabalhos de Adams, um doloroso registro de separação. Trata-se de uma coleção de memórias ainda recentes e versos sorumbáticos que refletem todo o processo de distanciamento do artista e sua ex-esposa, a cantora e atriz Mandy Moore.

A principal diferença em relação a outros trabalhos produzidos pelo músico, caso do melancólico Gold (2001) e Love Is Hell (2004), está na forma como Adams abraça de vez o rock dos anos 1970/1980 como um estímulo para a construção de toda a atmosfera do disco. Difícil não lembrar de Bruce Springsteen, Dire Straits e Fleetwood Mac à medida que o álbum avança, efeito do evidente diálogo do músico com toda uma geração de representantes do famigerado “Dad Rock”.

O som ecoado das batidas e vozes, arranjos eletroacústicos e versos que se espalham em meio a delírios românticos, angústias e pequenas confissões. “Eu poderia esperar mil anos, meu amor / Eu esperaria por você / Eu poderia ficar em um só lugar, meu amor / E nunca me mover”, canta em Doomsday, uma dolorosa síntese do som amargo que preenche o disco. Instantes em que os sentimentos mais profundos de Adams se transformam em um retrato das desilusões de qualquer ouvinte.

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Recentemente, Michael Angelakos, vocalista e líder do Passion Pit, deu vida a uma plataforma intitulada The Wishart Group. Trata-se de um projeto de incentivo a jovens artistas que prestará auxílio educacional, jurídico e até tratamento de saúde a jovens músicos. Com um fundo de 250 milhões de dólares doados por diferentes nomes de peso do cenário musical, o coletivo visa proteger e estimular projetos independentes para que os artistas tenham mais chances de sobreviver no mercado.

Enquanto segue sem um lançamento oficial, Angelakos aproveitou o canal do Youtube do projeto para apresentar uma série de músicas inéditas do Passion Pit. São faixas como Inner Dialogue, I’m Perfect, Moonbeam, a grudenta Somewhere Up There e, mais recentemente, Hey K. Uma clara continuação do mesmo pop pegajoso e eletrônico que a banda original da cidade de Cambridge, Massachusetts vem desenvolvendo desde o primeiro álbum de estúdio, Manners (2009).

 

Passion Pit – Hey K

 

Passion Pit – Somewhere Up There

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Em mais de um mês de atuação, a coletânea Our First 100 Days, projeto de enfrentamento à política retrógrada do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu vida a uma série de composições de peso. Entre os artistas que já passaram pelo trabalho, nomes como Angel Olsen, The Range, Dntel, Peter Silberman (The Antlers) e Toro Y Moi, este último, responsável por uma das melhores composições do projeto, a pop Omaha.

Convidados a integrar a série de lançamentos, o grupo norte-americano Speedy Ortiz apresenta ao público a inédita In My Way. Típica composição da banda, a faixa delineadas por versos e temas melódicos parece saída diretamente dos primeiros discos do coletivo, como o excelente Major Arcana – um dos grandes discos de rock lançados na presente década e 40º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013.

 

Speedy Ortiz – In My Way

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Formado em 2004 na cidade de Baltimore, Maryland, o Beach House é um projeto de Dream Pop comandado pela dupla Victoria Legrand e Alex Scally. Entre referências ao trabalho de gigantes como This Mortal Coil, Cocteau Twins, The Zombies e The Beach Boys, a dupla faz de cada novo álbum de inéditas uma obra marcada pelos sentimentos, ponto de partida para a formação de músicas como Master of None, Walk In The Park e Myth. Apontado como um dos principais nomes do gênero, o duo acumula uma sequência de grandes obras como Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012), trabalhos organizados do “pior” para melhor lançamento em mais uma edição da seção Cozinhando Discografias.

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