Disco: “Hyperdub 10.2″, Vários Artistas

Vários Artistas
Electronic/R&B/Experimental
http://www.hyperdub.net/

Por: Cleber Facchi

Durante grande parte dos anos 2000, a maioria dos trabalhos lançados pela Hyperdub Records partiram de uma mesma base musical: o dubstep. Sob o comando de Steve Goodman (Kode9), o selo britânico entregou ao público desde clássicos como Untrue (2007), do Burial, até singles e EPs assinados por nomes de peso da época, caso de Zomby, The Bug e Mark Pritchard. Não por acaso Hyperdub 10.1 (2014), coletânea comemorativa de dez anos do selo lançada há poucas semanas, trouxe um conjunto de faixas alimentadas pelo gênero.

Em um sentido oposto aos primeiros anos do selo e centrado no recente casting da gravadora, Hyperdub 10.2 (2014) apresenta ao público o lado mais “estranho” e, ainda assim, comercial do coletivo. Com um pé no R&B e outro nas ambientações eletrônicas que circulam pelo ainda quente novo acervo do selo, nomes como Dean Blunt, Inga Copeland, Jessy Lanza e Cooly G dividem espaço com veteranos como Burial e Kode9 em meio a faixas marcadas em essência pela melancolia.

Livre da euforia, batidas instáveis e toda a atmosfera construída da primeira (e extensa) parte da coletânea, 10.2 carrega na sobreposição dos temas uma atmosfera envolvente. Mesmo os parceiros Dean Blunt e Inga Copeland, tradicionalmente marcados pela construção de faixas sujas e complexas, usam da inaugural Signal 2012 de forma a confortar o ouvinte. Dentro desse propósito, vocalizações lentas e arranjos típicos do Soul/R&B dos anos 1990, servem de base para o surgimento de faixas inéditas – como Obsessed, de Cooly G -, ou mesmo o resgate de criações já conhecidas – caso de 5785021, da cantora Jessy Lanza.

Tal qual a coletânea lançada em maio, o presente compilado se divide em dois blocos de composições quase aproximadas. Para a primeira metade do trabalho, músicas como Shell Of Light e Solid tentam amarrar as pontas com a seleção de 10.1, emulando referências do 2-Step, ou mesmo reformulando o R&B dentro da fase inicial da Hyperdub. Uma espécie de continuação do último álbum e ao mesmo tempo um aquecimento para o restante da obra, delineada pela grandiosidade dos temas e faixas que esbarram no pop. Continue reading

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Rustie: “Attak” (ft. Danny Brown)

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Em 2013, quando apresentou ao público o terceiro (e intenso) trabalho de estúdio, Old, Danny Brown apareceu cercado por um time de jovens produtores ao longo do toda a obra. Entre os destaques do trabalho, o britânico Rustie, responsável pelas bases de Side B (Dope Song), Break It (Go) e Way Up Here, algumas das melhores faixas do segundo lado do registro. Partindo do mesmo conceito, rapper e produtor se encontram mais uma vez para solucionar as bases e versos da inédita Attak.

Uma das composições que abastecem o ainda inédito Green Language (2014), segundo trabalho de estúdio do artista inglês, Attak é uma faixa que pode ser traduzida em uma só palavra: intensa. Carregada de sintetizadores pegajosos e tomada por uma atmosfera “veranil”, a faixa estende tudo aquilo que Rustie já havia testado no debut Glass Swords (2011), aproximando o produtor de uma sonoridade visivelmente comercial, próxima do ouvinte médio. Com lançamento pelo selo Warp, Green Language estreia no dia 26 de agosto.

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Rustie – Attak (ft. Danny Brown)

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Jessie Ware: “Share It All”

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Diga com quem andas…

Poucas semanas após anunciar o segundo registro em carreira solo e apresentar a faixa-título do trabalho, Tough Love (2014), Jessie Ware aparece com mais uma comovente criação. Menos pulsante e sombreada por boas melodias, Share It All flutua como uma doce representação do Lado B de Devotion (2012), registro de estreia da britânica. Uma simples colisão de temas e referências que saltam da eletrônica/R&B dos anos 1990 diretamente para o presente.

Sutil e abastecida por pequenos suspiros, a faixa reforça a precisão de Julio Bashmore, velho parceiro de Ware, quanto produtor da música. Entretanto, foi a notícia de que Romy Madley-Croft (The XX) seria a co-autora do single que realmente chamou a atenção. Não por acaso Bashmore entrega uma composição limpa, costurando batidas e sintetizadores de forma a reforçar a voz de Ware. Mesmo sem data de lançamento, Tough Love está previsto para estrear ainda em 2014, contando com distribuição pelos selos Island e Cherrytree.

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Jessie Ware – Share It All

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How To Dress Well: “Let U Know”

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Na lista dos principais discos de 2014, “What Is This Heart?”, terceiro e mais recente álbum do How To Dress Well é um verdadeiro catálogo de hits melancólicos. Registro mais completo apresentado por Tom Krell até aqui, o álbum deixa a poluição acústica e os experimentos dos dois primeiros exemplares do músico/produtor para se aproximar de uma sonoridade ainda mais pop. Mesmo carregado de boas composições, o disco teve uma de suas principais faixas deixadas de fora.

Trata-se Let U Know, um resumo melancólico de toda a sonoridade entalhada por Krell ao longo da obra. Alimentada apenas pela voz e pianos do músico – pelo menos na primeira metade -, a inédita criação bem poderia ser encaixada em alguma edição especial do disco ou EP tamanha delicadeza que ela concentra. Mais de quatro minutos de vocalizações límpidas – ouça com fones de ouvido – e suspiros que não custam a fazer o ouvinte soluçar.

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How To Dress Well – Let U Know

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Iceage: “The Lord’s Favorite”

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Três anos desde a estreia com New Brigade (2011), e o Iceage continua a surpreender. Depois de mergulhar no mesmo punk sujo do debut em You’re Nothing, segundo disco de estúdio e um dos 50 Melhores Discos de 2013, a banda dinamarquesa apresenta agora sua composição mais curiosa e distinta. Intitulada The Lord’s Favorite, a nova faixa não apenas foge dos dois últimos registros do grupo de Copenhagen, como ainda se entrega ao Country.

Enquanto a voz de Johan Wieth desacelera um pouco, guitarras e batidas características surgem ao fundo da composição, ainda recheada por versos irônicos e a tradicional crueza que acompanha o grupo desde os primeiros inventos. Além da nova faixa, o grupo aproveitou para soltar o perturbador clipe da canção, trabalho dirigido por Cali Thornhill DeWitt e que surge carregado de simbolismos envolvendo os integrantes da banda.

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Iceage – The Lord’s Favorite

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M.I.A. & Partysquad: “Gold”

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Matangi (2013) ainda nem esfriou, mas para quem já está com sede de alguma composição nova da rapper M.I.A., o jeito é correr atrás das pequenas colaborações da artista. A mais recente delas é a curtinha Gold, faixa de de míseros um minuto e 47 segundos, mas que já serve para dançar. Lembrando alguma criação antiga da rapper, a faixa ainda flerta com o clima do último disco, principalmente nas batidas.

Curtinha, a inédita criação é parte da nova mixtape de verão lançada pela dupla Partysquad. Além de M.I.A., a dupla holandesa aparece bem servida de convidados, afinal, nomes como Wiz Khalifa, Duke Dumont e Vic Mensa integram o time de parcerias do registro. Abaixo, além da versão isolada de Gold, você pode ouvir e baixar a mixtape completa.

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M.I.A. & Partysquad – Gold

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Partysquad – Summer Mixtape

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The Drums: “Magic Mountain”

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Quando o The Drums apareceu com o EP Summertime!, em 2009, o clima litorâneo parecia ser a chave para entender o trabalho da banda comandada por Jonathan Pierce. Passados dois registros em estúdio – The Drums (2010) e Portamento (2011) – e uma busca por novas experiências musicais – entre elas o Pós-Punk -, hoje o “grupo” nova-iorquino tenta se (re)encontrar. Melhor exemplo disso está em Magic Mountain, o primeiro single de Encyclopedia (2014), o terceiro álbum da banda atualmente sustentada por Pierce e Jacob Graham.

Carregada de misticismo, sintetizadores psicodélicos e uma estranha relação com a New Wave, a nova música apaga de vez o passado da banda, como se indicasse os novos rumos da dupla. Vozes, batidas e arranjos: nada aqui soa de forma ensolarada, como em Let’s Go Surfing. A faixa, que já foi lançada há poucos dias, aparece agora como clipe, soando ainda mais perturbadora nas imagens assinadas por Gorjan Lauseger. Encyclopedia estreia no dia 24 de setembro pelo selo Minor Records.

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The Drums – Magic Mountain

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Disco: “The Voyager”, Jenny Lewis

Jenny Lewis
Indie/Folk/Female Vocalists
http://www.jennylewis.com/

Por: Cleber Facchi

Durante os primeiros anos em carreira solo, tudo o que Jenny Lewis parecia interessada era em se distanciar musicalmente do Rilo Kiley, sua outra banda. Não por acaso em Rabbit Fur Coat (2006), estreia solo da cantora, Lewis abandonou a energia das guitarras para abraçar a acústica leve do Country Folk. Curiosamente depois de reciclar a mesma sonoridade em Acid Tongue (2008), a artista regressa agora ao território musical do antigo grupo, transformando o recém-lançado The Voyager (2014, Warner Bros.) em um inevitável regresso aos primeiros anos em estúdio.

Espécie de comunicação com os memoráveis The Execution of All Things (2002) e More Adventurous (2004), trabalhos mais comerciais do Rilo Kiley até aqui, o presente registro solo de Lewis é uma obra de reposicionamento. Longe da atmosfera empoeirada dos dois últimos trabalhos, a cantora investe em melodias acessíveis, acordes bem executados de guitarras e uma doce comunicação com o pop que há tempos parecia abandonada.

Basta perceber a energia que escapa de músicas como Love U Forever para que todo o “novo” universo da cantora seja desvendado. Por trás de uma linha de baixo consistente, guitarras firmes, crescentes e encaixadas de forma precisa servem de base para as confissões românticas da artista. Doses consideráveis de referências dos anos 1980 e 1970, batidas econômicas e a voz limpa: nada tende ao excesso. É dentro construção que Lewis planeja a arquitetura do álbum, um trabalho que aposta no descompromisso, mas soluciona de forma assertiva todas suas imposições.

Mesmo que tropece aqui e ali em elementos conquistados ao lado do parceiro Johnathan Rice – namorado e uma das metades do Jenny and Johnny -, todas as experiências da obra são típicas de sua autora. Nada mais inteligente da parte de Jenny do que convidar o amigo de longa data (e inspiração confessa) Ryan Adams para assumir a produção do registro. Conhecedor do trabalho de Lewis, o músico mantém o registro dentro de uma formatação homogênea, pinçando tanto elementos dos últimos discos da cantora, como referências da música Country que abasteceram toda a década de 1970. Continue reading

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Absolutely Free: “Beneath The Air”

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Dona de uma das melhores faixas lançadas em 2012 – UFO -, a banda canadense Absolutely Free finalmente reserva para o dia 14 de outubro a chegada do primeiro álbum de estúdio. Autointitulado, o trabalho que conta com lançamento pelo selo Lefse e produção de Mike Haliechuk, da banda Fucked Up, parece estender os inventos psicodélicos do grupo. Na trilha do que o grupo apresentou há dois anos, é hora de ouvir ser hipnotizado por Beneath The Air, novo single da banda e passagem para o esperado debut.

Lembrando (mais do que nunca) o trabalho da veterana Flaming Lips, a canção desacelera na mesma proporção que algumas das faixas do Tame Impala em Lonerism (2012). Guitarras levemente distorcidas, vozes subaquáticas e pequenas porções de sintetizadores, tudo aquilo que o primeiro grande single da banda já havia revelado de forma assertiva, porém, dentro de um estágio quase místico. Para quem ainda desconhece o trabalho do grupo, não há melhor forma de ser surpreendido.

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Absolutely Free – Beneath The Air

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The Range: “Rayman”

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Não é difícil se perder pelo trabalho de James Hinton. Produtor responsável por um dos grandes lançamentos de 2013, Nonfication, o álbum de estreia como The Range, Hinton aparece agora com mais uma criação marcada pela versatilidade das batidas e bases que definem o trabalho por ele assinado. Intitulada Rayman, a faixa só precisa de poucos minutos para transportar o ouvinte para dentro do trabalho do artista, capaz de pescar elementos do Hip-Hop, IDM 90′s, House e toda uma série de colagens.

Ainda que seja inédita, a composição não faz parte de um novo trabalho do produtor. Trata-se de um dos exemplares da coletânea anual lançada pelo selo Dropping Gems, Gems Drops. Além de Hinton, um grupo de 20 outros jovens produtores integram a seleção 2014 do projeto, que já pode ser apreciado (ou comprado) no bandcamp do selo.

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The Range – Rayman

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