10 Discos Essenciais da Música Pop (2010 – 2015)

Body Talk (2010) da sueca Robyn ou 1989 (2014) da norte-americana Taylor Swift? E•MO•TION (2015) de Carly Rae Jepsen ou Teenage Dream (2010) de Katy Perry? Qual é o melhor exemplar da música pop lançado na presente década? Nas últimas semanas perguntei a diversos amigos, blogueiros, jornalistas e até mesmo para os leitores pelo Twitter quais são os trabalhos mais importantes da música pop entregues ao público nos últimos seis anos. Obras lançadas entre 2010 e 2015 e que foram compiladas em uma lista de 10 discos essenciais – abaixo. Menções honrosasBorn This Way (2011) de Lady Gaga, 4 (2011) de Beyoncé, Days Are Gone (2013) do Haim, True Romance (2013) de Charli XCX e #1 (2015) do paraense Jaloo.

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Katy Perry
Teenage Dream (2010, Capitol)

A imagem estampada na capa de Teenage Dream diz muito sobre o universo criado para o terceiro álbum de estúdio de Katy Perry. Como uma pin-up dos anos 1940/1950, flutuando em nuvens de algodão doce e sonhos, a cantora norte-americana e o produtor Dr. Luke fazem chover uma sequência de hits que posicionariam o trabalho no topo das principais paradas de sucesso. Alavancado pelo single California Gurls, uma parceria entre Perry e o rapper Snoop Dogg, o disco passeia por entre faixas como E.T. – posteriormente acrescida pela presença de Kanye West -, e as dançantes Peacock e Last Friday Night (T.G.I.F.). Nada que se compare ao arrasa-quarteirões Firework. Com uma letra marcada pela transformação e grandeza dos versos – “Ignite the light / And let it shine” -, a música nasce como uma evolução em relação ao trabalho produzido por Perry no antecessor One of the Boys (2008) – casa de músicas como I Kissed a Girl e Hot n Cold. Sobram ainda faixas como The One That Got Away e Hummingbird Heartbeat, além, claro da variedade de composições e remixes que integram as diferentes versões do registro.

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Robyn
Body Talk (2010, Konichiwa)

Robyn havia atravessado a década de 1990 e começo dos anos 2000 com uma seleção de obras íntimas do R&B (My Truth), pop (Don’t Stop the Music) e música eletrônica (Robyn). Registros explorados de forma sempre criativa, autoral, próxima e ao mesmo tempo distante dos grandes representantes da indústria da música. Nada que possa ser comparado ao material apresentado pela cantora em Body Talk. Originalmente fatiado em dois EPs, o registro entregue ao público em novembro de 2010 mostra a artista sueca em sua melhor forma. Posicionada em um cenário futurístico, cercada por sintetizadores, batidas pulsantes e vocais limpos, Robyn e um time de produtores formado por Diplo, Röyksopp e Shellback criam uma espécie de livro de regras que viria a orientar grande parte das novas representantes da música pop ao longo da década. De Taylor Swift à Carly Rae Japsen, Body Talk se projeta como uma fonte inesgotável de possibilidades. Um catálogo de acertos que tem início na crescente Fembot, passa pela melancólica (e dançante) Dancing On My On e segue em uma sequência de clássicos como Hang with Me, Call Your Girlfriend e U Should Know Better. Essencial.

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Adele
21 (XL, 2011)

Um coração partido e Adele conseguiu dar vida a um dos registros mais dolorosos e bem-sucedidos da música recente. Da melancólica abertura com Rolling in the Deep, passando pela embriagada Turning Tables e hinos como Set Fire to the Rain, Lovesong e Someone like You, a cantora e compositora britânica faz do segundo álbum de estúdio, 21, uma coleção de versos entristecidos que dialogam com o universo de qualquer indivíduo sofredor. São quase 50 minutos em que a artista britânica e um grupo de produtores formado por Paul Epworth (Coldplay, Bloc Party), Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Metallica) e Dan Wilson (Taylor Swift, Birdy) passeiam pelo que há de mais amargo na música pop. Medo, isolamento, abandono e confissão. Componentes fundamentais para o nascimento de faixas como Take It All, I’ll Be Waiting e Don’t You Remember, músicas que confortam Adele em um cenário dominado por pianos entristecidos, arranjos de cordas e brechas silenciosas que abrem espaço para o canto desesperado da artista.

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Lana del Rey
Born To Die (2012, Interscope / Polydor)

Elevis Presley encontra o Trip-Hop; James Dean e Britney Spears dançam juntos em um cenário em preto e branco, versos de amor e temas que reforçam o (decadente) estilo de vida norte-americano se espalham delicadamente. Em Born To Die, segundo registro de estúdio de Lana del Rey, um ambiente que flutua entre a década de 1950 e o final dos anos anos 2000 estabelece um curioso plano de fundo para a música intimista assinada pela cantora. Oficialmente apresentada ao público durante o lançamento do single Video Games, em 2011, Lana interpreta o álbum como uma extensão do material apresentado em 2010, durante o lançamento do primeiro registro de inéditas. Uma coleção de vozes letárgicas, arranjos de cordas e batidas lentas que distorcem de forma curiosa a fluidez do Hip-Hop. São faixas como Off To The Races, National Anthem, Summertime Sadness, além da própria faixa-título, que distanciam del Rey do mesmo universo de Lady Gaga, Katy Perry e outros artistas em destaque no mesmo período. Uma fuga romântica e essencialmente nostálgica que só chega ao fim no último sussurro da derradeira This Is What Makes Us Girls.

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Justin Timberlake
The 20/20 Experience (2013, RCA)

Sete anos após o lançamento do quente FutureSex/LoveSounds (2006), Justin Timberlake estava de volta com um novo álbum de estúdio. Em The 20/20 Experience, terceiro registro de inéditas do ex-NSYNC, arranjos de cordas, versos extensos e canções que ultrapassam os oito minutos de duração transportam o público para um ambiente totalmente nostálgico e referencial. Inspirado pelo trabalho de Michael Jackson em obras como Off the Wall (1979) e Dangerous (1991), além, claro, de clássicos do rock progressivo apresentados na década de 1970, Timberlake cria uma obra que precisa de tempo até ser absorvida em totalidade pelo ouvinte. São mais de 70 minutos de duração em que o cantor e produtores como Timbaland e J-Roc passeiam por um cenário de articulações luxuosas (Suit & Tie), confissões amorosas (Mirrors) e detalhes melancólicos (Blue Ocean Floor). Uma lenta e criativa desconstrução do fluxo acelerado imposto pelo cantor no disco anterior – casa de faixas como SexyBack e What Goes Around… Comes Around. O álbum ainda renderia uma “continuação” lançada poucos meses depois, o mediano The 20/20 Experience – 2 of 2.

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Lorde
Pure Heroine (2013, Lava / Republic)

Batidas densas, versos maquiados pelo uso inteligente de metáforas, a voz límpida, minimalista e sempre precisa. Difícil ouvir as canções de Pure Heroine e acreditar que os versos do álbum foram assinados por uma garota de apenas 16 anos. Primeiro registro em estúdio da neo-zelandesa Lorde, o álbum que conta com produção assumida pelo conterrâneo Joel Little (Kids of 88) assume um novo percurso em relação ao vasto acervo de obras lançado durante o mesmo período. Longe de temas grandiosos e de todo o exagero da música pop, Lorde cria uma obra econômica, capaz de sufocar o ouvinte em composições como Buzzcut Season e Team. Catapultado pelo hit Royals, faixa originalmente apresentada ao público como parte do EP The Love Club (2013), a jovem cantora faz do registro um exercício de busca pela própria identidade. Influenciada pelo trabalho de gigantes como Kanye West, Radiohead e Grimes, Lorde cria uma espécie de abrigo, uma fuga criativa que serve de estímulo para o som hipnótico montado no interior de faixas como White Teeth Teens, Ribs e 400 Lux.

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Beyoncé
BEYONCÉ (2013, Parkwood/Columbia)

Em março de 2013 Beyoncé rompeu o hiato para apresentar ao público a dobradinha Bow Down / I Been On. Uma prévia curiosa e musicalmente atípica do que viria a ser explorado no novo disco da cantora. Depois disso, silêncio. Em 13 de dezembro do mesmo ano, uma surpresa. Sem anúncio prévio ou divulgação por parte da gravadora, a cantora apresentou ao público o autointitulado quinto álbum de estúdio. Uma sequência de 14 faixas inéditas, 18 clipes, participações de Jay-Z, Drake, Frank Ocean e até da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Obra fechada, o registro cresce de maneira densa, sempre voltado ao Hip-Hop/R&B dos anos 1990 e parecendo “enterrar” todos os grandes lançamentos do gênero naquele ano – como The Electric Lady de Janelle Monáe e Talk A Good Game da ex-parceira de grupo Kelly Rowland. Delineado por temas feministas, faixas que exaltam o universo feminino e todo um arsenal de referências biográficas, BEYONCÉ (o disco) é uma obra de provocação. Grande parte das canções são extensas e complexas – caso de Drunk In Love, Flawless e Partition -, desarticulando qualquer interpretação antiga de “música comercial”. Ainda assim, a produção homogênea assinada pelo desconhecido BOOTS – e parceiros como Timbaland, Justin Timberlake, Carolina Polacheck e Pharrell Williams – faz com que o ouvinte seja tragado para o universo seguro de regras e melodias próprias. Uma obra tão próxima dos conceitos que ocuparam o R&B “alternativo” do período, como essencialmente volta ao uso de versos comercialmente acessíveis. O resultado não poderia ser outro: mais de 1 milhão de cópias vendidas no iTunes em todo o mundo ainda na primeira semana. [+]

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Taylor Swift
1989 (2014, Big Machine)

Desde o lançamento do álbum Red, em outubro de 2012, que Taylor Swift parecia se distanciar do Country-Pop incorporado nos primeiros registros de estúdio – Taylor Swift (2006), Fearless (2008) e Speak Now (2010). Uma transformação lenta, delicada, mas que seria assumida com maior nitidez durante o lançamento do disco 1989, em 2014. Quinto registo de inéditas da cantora, o álbum inspirado pelo ano em que Swift nasceu é um verdadeiro passeio pela música produzida no final dos anos 1980. Sintetizadores e vozes pegajosas, letras carregadas de sentimentalismo, o refrão grandioso que ecoa a cada nova curva do disco. Uma avalanche de hits que tem início em Welcome To New York, passa por Blank Space, Out Of The Woods, Shake It Off e explode nas batidas e vozes desesperadas de Bad Blood – um dos melhores exemplares do pop recente. Com vendas altíssimas, boa recepção por parte da crítica e incontáveis conquistas acumulados em diferentes premiações norte-americanas – como o VMA de 2015 -, Swift fez de 1989 sua obra mais grandiosa, criando novas exigências em diferentes serviços de streaming, como Apple Music e Spotify.

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Carly Rae Jepsen
E•MO•TION (2015, 604 / School Boy / Interscope)

Quem se deixou guiar apenas por Call Me Maybe ou, pelo mesmo motivo, torceu o nariz para o segundo álbum solo de Carly Rae Jepsen, talvez tenha deixado passar um dos grandes exemplares da música pop recente. Por trás do romantismo plástico de Kiss (2012), um time seleto de produtores e a confessa necessidade da artista em brincar com o gênero, adaptando referências espalhadas por toda a década de 1980. Exagero em torno de uma “simples cantora pop”? Então como explicar a coleção de acertos e composições também radiantes de Emotion? Terceiro registro em estúdio da artista canadense, o novo trabalho segue a cartilha de um típico registro pop: um arrasa quarteirão para as pistas de dança (I Really Like You), uma dobradinha de composições capazes de estender a permanência da jovem nas paradas de sucesso (Gimmie Love, Your Type), além, claro, de uma melancólica balada romântica (All That). Faixas de natureza radiofônica, comerciais, porém, alicerçadas em cima de um abrangente catálogo de referências. Em entrevista à revista Billboard, Jepsen apontou nomes como “Robyn, Kimbra, La Roux e Dragonette” entre as principais influências do novo álbum. Artistas de fato centradas na música pop, porém, alheias ao som fabricado em grande parte dos estúdios norte-americanos. Bastam os saxofones nostálgicos de Run Away With Me, música de abertura do presente disco, para perceber o quanto Jepsen mantém distância desse cenário, buscando em conceitos, temas instrumentais e disputados produtores da “cena alternativa” uma espécie de novo refúgio criativo. [+]

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Grimes
Art Angels (2015, 4AD)

Passada a divulgação de Visions (2012), Grimes mudou-se para Los Angeles, onde começou a trabalhar no quarto álbum de inéditas. Incomodada com o resultado das canções e o machismo da indústria – “Eu não quero ser infantilizada por que me recuso a ser sexualizada […] Estou cansada da insistência estranha de que preciso de uma banda ou que preciso para trabalhar com outros produtores” -, a cantora jogou fora todo o material produzido – incluindo a pegajosa Go, faixa originalmente composta para Rihanna -, e decidiu começar do zero. O resultado dessa ruptura se reflete em cada uma das canções de Art Angels (2015). Livre do som “etéreo” que conduz o álbum de 2012, Grimes dança em um ambiente essencialmente eufórico, comercial em determinados instantes e íntimo de diferentes fases das música pop. São fragmentos de J-Pop/K-Pop (Kill V. Maim), diferentes adaptações do trabalho de Taylor Swift (California), o rock alternativo da década de 1990 (Flesh Without Blood) e até conceitos instrumentais resgatados dos primeiros discos da cantora (Realiti). Produzido pela cantora em um período de dois anos, com Grimes aprendendo a tocar grande parte dos instrumentos, Art Angels ainda entrega ao ouvinte as participações de Janelle Monáe (Venus Fly) e da rapper taiwanesa Aristophanes (SCREAM). [+]

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Quem votou: Alex Correa (Glow Pop), Bruno Louzada, Fernando Galassi (Calibre), Gabriel Rolim (MonkeyBuzz), Guilherme Tintel (It Pop), Lucas Pasqual (Abril), Lucas Silva, Marcelo Andreguetti (Abril), Pedro Veloso (Trinta e Seis), Philip Falzer, Rodrigo Castelo Branco, Thiago Araújo (Abril), Thiago Perin (Spotify), Tuanny Honesko e Vinicius Felix (Bracin).

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