20 Grandes Estreias de 2012

Por: Cleber Facchi & Fernanda Blammer

20 Grandes Estreias de 2012

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Depois de muita espera é chegada a hora de conhecer os melhores trabalhos lançados ao longo do ano. Antes, porém, uma pequena parada para registrar 20 Grandes Estreias de 2012. Uma seleção com duas dezenas dos melhores debuts que definiram o cenário musical ao longo do ano, independente de estilo, sonoridade ou país. Álbuns que passeiam pela eletrônica, hip-hop, rock, folk, R&B e o experimental, marcando a estreia de 20 novos artistas que devem ser acompanhados de forma atenta pelos próximos anos. Os discos foram classificados em ordem alfabética, logo, não há uma numeração ou ordem dos melhores. Aproveite para relembrar outras 25 grandes estreias que marcaram 2011 e preparem-se para as listas finais que começam na próxima semana.

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 Aice CaymmiAlice Caymmi
Alice Caymmi (Kuarup/Sony Music)

Ao mergulhar nos ensinamentos do avô Dorival Caymmi e emergir nos experimentos de Björk do álbum Post (1995), Alice Caymmi parece ter desbravado e firmado um espaço musical totalmente próprio. Sem qualquer tipo de relação com velhas e novas vozes femininas da música popular brasileira, a cantora deixa fluir uma emoção genuína em cada uma das faixas que recheiam o primeiro álbum de sua carreira. Dona de uma voz ainda mais singular do que a proposta sonora que a acompanha, Caymmi derrama versos sobre o mar, passa pela melancolia, percorre as vias de sentimentos existenciais até dissolver tudo em um aquário instrumental que preenche cada espaço dos ouvidos do espectador. Íntima dos esforços compartilhados da nova e da velha MPB, porém distante de tantas marcas desgastadas que ferem o “gênero”, Alice traz no primeiro álbum o mais puro frescor, alcançando uma medida tão ampla, quanto o oceano que a inspira. 

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Angel Olsen

Angel Olsen
Half Way Home (Bathetic)

Dividida entre Joanna Newsom e Bill Calahan, Angel Olsen conseguiu transformar Half Way Home em uma das obras mais dolorosas e honestas do ano. Conduzido quase totalmente em cima dos vocais e acordes simples de violão, o álbum se derrete em melancolias, sonhos e confissões, transformando a jovem Olsen em um dos nomes de maior destaque do atual folk norte-americano. Simples em estrutura, grandioso na maneira como os versos tocam os sentimentos mais profundos da cantora (e do ouvinte), o registro faz das melodias delicadas uma abertura para que The Waiting, Acrobat e demais composições espalhadas pelo álbum estabeleçam aconchego e dor de forma que nunca cessa. Por vezes lembrando a boa fase de Joni Mitchell – Blue está dissolvido em cada parte do álbum -, o disco rompe com os clichês e prováveis redundâncias do gênero, possibilitando à artista um lugar de destaque, não apenas dentro do cenário em que está inserida, mas na música estadunidense como um todo.

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Azealia Banks

Azealia Banks
1991 EP/Fantase Mixtape (Independente/Interscope)

Azealia Banks já havia tomado o mundo quando lançou no ano passado o hit boca suja 212. Dividida entre o Rap e a Eletrônica da década de 1990, a rapper nova-iorquina fez de dois “simples” registros uma confirmação de sua relevância dentro do hip-hop atual. Enquanto o EP de quatro faixas 1991 abre as portas para o que vamos encontrar no próximo ano, durante lançamento do primeiro grande álbum da cantora, a mixtape Fantasea deixa fluir o lado anárquico e, naturalmente, as fundamentais colaborações da artista. Acompanhada por nomes de peso da música eletrônica como Machinedrum, Lone, AraabMuzik, Diplo e Hudson Mohawke, Banks trouxe ao público o lado divertido do rap, sem que isso soe de maneira banal ou descartável. Dona faixas grudentas e boas apresentações ao vivo – mesmo com o curto repertório -, a nova-iorquina tem todo para se transformar em um dos maiores nomes do hip-hop desta década, competindo não apenas entre as mulheres, mas contra todos os homens.

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Cambriana

Cambriana
House Of Tolerance (Independente)

Poucas coisas são tão desagradáveis dentro da música nacional, quanto perceber a incapacidade de um artista em absorver as experiências estrangeiras, sem retribuir com algo novo em troca. A desgastada resposta de que tudo não passa de inspiração, quando na verdade ecoa como vergonhosa cópia. Um efeito que não se encontra no decorrer de House Of Tolerance, registro de estreia do coletivo goiano Cambriana e a mais coerente relação brasileira com tudo que funciona na cena norte-americana. Encontrando referências nos trabalhos de grupos como Arcade Fire, The National e, principalmente, Grizzly Bear, o grupo faz do primeiro álbum um exercício moderno de antropofagia, em que todas as experiências externas se encaminham para um resultado novo e atrativo até a última faixa. Dotado de uma beleza rara e construído em cima do mais puro esmero, em cada canto do álbum se esconde uma surpresa, ora influenciada pelos vocais (Swell), ora pela instrumentação (Face To Face) ou ainda pelo encontro exato dos dois elementos (Waitress). Um tratado que converte as preferências de cada um dos sete integrantes da banda, de forma a alcançar um produto único, raro e de pura originalidade.

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Daughn Gibson

Daughn Gibson
All Hell (White Denim)

Desde que James Blake conseguiu sensibilizar a todos com o primeiro registro solo, a busca pela melancolia instrumental tem crescido em uma variedade de outros projetos musicais. Assumindo uma proposta de fato particular e rara, o norte-americano Daughn Gibson faz do primeiro registro solo um encontro curioso entre o Country e a eletrônica recente. Contra qualquer tipo de preconceito, All Hell funciona tão bem que parece impossível imaginar os dois estilos caminhando de forma separada. Com vocais fortes que remetem a Ian Curtis – ou algum obscuro cantor de música sertaneja -, Gibson usa do coração partido para concluir os versos amargos que flutuam em cada uma das faixas do álbum. Dissolvido em pouco mais de 30 minutos de duração, o registro vem como um aquecimento para os futuros projetos do compositor, que ainda se mantém demasiado preso a uma tonalidade Lo-Fi, quando parece pronto para algo maior e ainda mais doloroso. Por enquanto a dor vem em pequenas doses, camadas tristes e amarguradas que servem para confortar ou ampliar ainda mais a tristeza em torno do ouvinte.

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DIIV

DIIV
Oshin (Captured Tracks)

O verão ganhou uma sobrevida quando o Real Estate apresentou em meados de 2011 o ensolarado Days. Segundo registro em estúdio da banda, o trabalho trouxe de volta toda a sensação calorosa firmada por bandas como The Beach Boys há mais de quatro décadas, transportando o ouvinte imediatamente para junto das ondas e da areia quente da praia. Se o trabalho representava o dia, e toda a beleza de cores em torno dele, Oshin, estreia do grupo nova-iorquino DIIV apresenta outro lado da mesma proposta. Mesmo íntimo da mesma proposta, o álbum ecoa referências “noturnas”, afastando o grupo das preferências unicamente litorâneas e pintando um toque urbano em cada nova música. Como resultado, faixa após faixa a banda se divide entre o clima soturno (típico de trabalhos relacionados ao Pós-Punk) e o garage rock em moldes rústicos, porém melódicos. Lembrando um Joy Division de sunga, o trabalho brinca com as distorções de forma entusiasmada, antecipando o que a banda pode vir a desenvolver em um futuro próximo.

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doo doo doo

doo doo doo
Casa das Macacas (Indpendente)

Não existe certeza alguma dentro de Casa das Macacas. Se por um lado o trabalho de estreia do quarteto carioca doo doo doo se entrega de forma desmedida as experimentos eletrônicos que acompanham o grupo desde o último ano, por outro doses leves de música “comercial” quebram esse resultado. Por todos os lados guitarras magras, teclados pasteurizados e vozes bizarras tingem e ditam os rumos de cada uma das faixas que definem o disco, amarrando a banda em um cenário tribal (Carnaval no Fogo) e introspectivo (Negócio) na mesma intensidade. Soando como um registro irmão dos inventos da conterrânea Dorgas e pondo um pouco de cor no que o Sobre A Máquina tinge de forma acinzentada, o álbum se manifesta como um fino exemplar da música experimental que dita o cenário carioca recente. Mesmo destinado aos ouvintes aventureiros, as métricas inexatas e o instrumental estranho que permeiam o disco parecem incentivar o ouvinte despreparado, que encontrará em músicas como Nem um caminho mais “acessível” para o restante da obra. Um disco de música pop, porém, escondido por camadas quase intransponíveis de experimento.

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Gaby Amarantos

Gaby Amarantos
Treme (Som Livre)

Ainda que o Tecnobrega e os ritmos paraenses não tenham tomado a real proporção que pareciam assumir no último ano, Treme, estreia de Gaby Amarantos cumpriu sozinho com essa função. Grandioso, pop, divertido e com direito à música em trilha sonora de novela, o álbum foi imediatamente catapultado pela imprensa nacional, que abraçou Gaby e consequentemente nomes conterrâneos como Gang do Electro, Aíla e Felipe Cordeiro. Recheado por composições comerciais do princípio ao fim do álbum, o registro traz em faixas como Mestiça e Chuva uma quebra na sonoridade popular do registro, sendo naturalmente um chamariz e talvez uma preparação para o que vamos encontrar nos próximos lançamentos da artista. Se o famigerado movimento terá força para se expandir pelos próximos anos, isso ainda se mantém como uma incógnita. Por enquanto Amarantos segue colhendo os frutos do bem concebido álbum, que da capa as versos parece feito para prender o ouvinte sem qualquer dificuldade.

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Devotion

Jessie Ware
Devotion (Universal Island/PMR)

Ao final de 2011, Lana Del Rey e Azealia Banks pareciam travar um batalha em relação a quem apresentaria a melhor estreia no ano seguinte. Ninguém previu o surgimento de Jessie Ware. Longe do território das norte-americanas, a cantora e compositora britânica conseguiu transformar o grandioso Devotion em uma das estreias mais imponentes do ano, não apenas pelo uso surpreendente dos vocais – uma versão épica de Sade e Beyoncé -, mas pela sonoridade volumosa que a acompanha em cada música. Íntima de grande parte do que foi conquistado no decorrer da década de 1990 dentro do R&B e soul music, Ware usa da trama eletrônica que a cerca para garantir complemento ao primeiro álbum da carreira. Sequência de composições comerciais, o disco entrega em cada nova faixa uma possibilidade radiofônica que parece longe de ser encontrada em outros artistas do gênero. Encabeçado pelo hit Wildest Moments, o trabalho cresce, passa por instantes mais leves (Sweet Talk), cai na melancolia (Swan Song) até encerrar de forma a transformar Ware em uma das maiores vozes da atual geração.

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1999

Joey Bada$$
1999 (Independente)

A exemplo do que aconteceu com o rock nos últimos dois ou três anos, em 2012 o hip-hop norte-americano regressou a princípios da década de 1990 em busca de inspiração. As letras antes exageradas, exaltando aos luxos no melhor estilo Rap Bling-Bling deram lugar ao formato descritivo e doloroso das histórias, compactuando de maneira coerente com a instrumentação agora climática dos trabalhos. Exemplo mais honesto de toda essa transformação não está em obras grandiosas como Good Kid, M.A.A.d City de Kendrick Lamar, mas na mixtape de estreia do jovem Joey Bada$$. Denominada 1999, a obra se relaciona diretamente com os versos de Dr. Dre na fase The Chronic, convertendo recortes cotidianos nas bases para cada faixa do disco. Soma-se a isso a sonoridade delicada do álbum, sampleando pianos e sons ambientais no melhor estilo Wu-Tang Clan. Dentro dessa estufa criativa (e nostálgica), Bada$$ apresenta composições de pura qualidade, reverberando faixas como Survival Tactics, Waves e Suspect que convertem ações simples do dia a dia na força de construção de toda a obra.

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John TalabotJohn Talabot
ƒin (Permanent Vacation)

O fim pode servir de recomeço para a obra de John Talabot. Álbum de estreia do produtor espanhol, ƒin parece continuar exatamente de onde Lindstrøm parou em 2008, com o lançamento de Where You Go I Go Too. Estabelecendo um gancho curioso entre a House Music do começo da década de 1990 e a Space Disco dos anos 2000, Talabot consegue em pouco mais de 50 minutos nos afastar de qualquer experiência terrena para embarcar o ouvinte em um cenário etéreo, mágico e novo a cada recente audição. Apostando tanto em composições climáticas (Depak Ine) como em faixas que mantém os dois pés na pista de dança (Destiny), o espanhol firma uma medida coerente ao trabalho, que mesmo atmosférico em toda a extensão, jamais barra a entrada dos desavisados ou não preparados a esse tipo de sonoridade. A cena Balearic reinventada  de forma pessoal para a nova geração.

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King Tuff

King Tuff
King Tuff (Sub Pop)

Drogas, distorções e descompromisso. Assumindo estes três elementos como referências criativas e necessárias, Kyle Thomas conseguiu transformar o primeiro disco à frente do King Tuff em uma obra de acertos pegajosos e guitarras bem arranjadas. Rápido e livre de qualquer forma de seriedade, o álbum de capa rosa traz de volta todo o espírito do rock alternativo firmado ao final da década de 1980, transformando toda a duração do álbum em uma sequência nada econômica de versos fáceis e riffs que parecem arquitetados de forma a acertar em cheio o espectador. Influenciado de maneira confessa pelo trabalho de bandas como Dinosaur Jr e outros representantes maiores da mesma época, a banda passeia ao longo do álbum por um conjunto de composições festivas, sempre capazes de exaltar ao sexo, drogas e, claro, as mulheres. Uma vida livre de qualquer sobriedade e que lentamente se apodera de qualquer um que passe despercebido pela obra.

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Laurel Halo

Laurel Halo
Quarantine (Hyperdub)

Herdeira confessa de Björk, Laurel Halo faz de Quarantine um trabalho difícil aos desavisados, porém atrativo à medida que ele se revela por completo. Minimalista na forma como se deixa conduzir inteiramente pelo uso das vozes e parcos ruídos eletrônicos, o disco assume o mesmo eixo etéreo iniciado pela islandesa em Vespertine, convertendo a música pop em épicos existencialistas. Matéria-prima de todo o trabalho, Halo usa de desajustes particulares como um reforço para construir letras invasivas e sempre dolorosas, contribuindo para o clima denso e capaz de sufocar o ouvinte em diversos pontos. Mesmo complexo, por diversos instantes a tonalidade melódica das canções – imagine Fiona Apple em um universo futurístico – permite que o espectador se aproxime sem grandes dificuldades, fazendo dessa medida agridoce do álbum uma proposta que distancia e atrai o ouvinte até o fecho do trabalho. Ainda que assertivo, Quarantine é apenas um começo, como se a cantora ainda escondesse o ouro ou apenas preparando terreno. (Resenha)

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Luneta Mágica

Luneta Mágica
Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida (Independente)

Entre a literatura, o fantástico e o onírico, o primeiro álbum da banda amazonense Luneta Mágica arrasta o ouvinte para um mundo colorido por diferentes sensações. Amanhã vai ser o melhor dia da sua vida é um encontro curioso entre o Dream Pop da dupla Beach House, a psicodelia do Animal Collective e encaixes certeiros das orquestrações de Sufjan Stevens, tudo isso dentro de uma linguagem própria do trio – formado por Pablo Araújo, Chico Só e Diego Souza. Sempre amargurado e protegido por densas camadas de teclados e distorções, o álbum converte os versos íntimos em um mecanismo de atração, como se o ouvinte se transformasse em um personagem das histórias contadas pela banda. Ora apostando em composições mais rápidas e com um fundo de eletrônica (Eu não acredito), ora centrado em versos arrastados e dolorosos (Lago São Sebastião), o disco muda as métricas em cada nova composição, conduzindo o espectador por um panorama rico e infinito, mesmo nos instantes finais do álbum. Seja bem vindo ao universo mágico da Luneta Mágica.

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Lupe de Lupe

Lupe de Lupe
Sal Grosso (Popfuzz)

Provavelmente um dos maiores erros do Shoegaze nacional – cada vez mais repetitivo e penoso – é ver como algumas bandas se acomodam em melodias desconstruídas de forma copiosa, acreditando que o simples ato de distorcer uma guitarra de maneira inaudível a torna inventiva, quiçá revolucionária. Atentos ao que reverbera no trabalho de bandas como Deerhunter e Wild Nothing, a banda mineira Lupe de Lupe traz nos versos em bom português uma dose extra de renovação e verdadeiro invento. Um suspiro ruidoso em meio ao cenário dominado por artistas quem insistem em cantar em inglês, brincando de ser My Bloody Valentine. Com o título forte de Sal Grosso, o quarteto de Belo Horizonte eleva o Noise a uma nova medida, acertando vez ou outra com o pop, sem parecer banal. Em meio ao florescer de distorções surge um conjunto harmônico de versos sólidos, construções líricas que estão longe das repetições do gênero e uma prova de que existe novidade, basta saber ao certo como aproveitar isso. E a Lupe de Lupe sabe muito bem como.

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Mahmundi

Mahmundi
Efeito das Cores EP (Independente)

“Gravado nos dias de sol de Janeiro a Março, no Rio de Janeiro”, Efeito das Cores é uma viagem nostálgica e ao mesmo tempo atual aos sons construídos na década de 1980. Mezzo Rita Lee pós-Tutti Frutti, mezzo Marina Lima brincando de Blitz, em apenas cinco faixas a carioca dança em torno de composições românticas, descompromissadas, dançantes e fáceis. Hits prontos que parecem ter viajado três ou mais décadas até chegar aos dias de hoje, conversando tanto com a Chillwave de Toro Y Moi (Felicidade) como o rock indie tupiniquim (Desaguar). Passeando pelos mesmos limites instrumentais de Silva, Marcela Valle, grande responsável pelo projeto se encontra com as batidas eletrônicas do produtor Lucas de Paiva, fortalecendo o esqueleto sonoro que dá movimento e sustentação ao disco. Dentro desse jogo de referências – antigas e recentes -, fórmulas e sons, Valle encontra um medida doce e por vezes inédita, permitindo que faixas aos moldes de Calor do Amor – uma das melhores músicas de 2012 junto de Desaguar -, Fotografe e todas as demais composições do curto álbum grudem feito chiclete nos ouvidos. A década de 1980 ainda não teve fim, ela acaba de começar.

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Purity Ring

Purity Ring
Shrines (4AD)

Desde as primeiras composições Megan James e Corin Roddick já sabiam exatamente qual seria a proposta do Purity Ring. Donos de um pop sintético que passeia pelo hip-hop e o experimentalismo eletrônico em excesso, a casal faz do complexo Shrines um fino exemplar do que há de mais criativo na nova música canadense. Misto de Grimes, Animal Collective e Clams Casino, o disco usa de melodias sombrias e batidas não convencionais para que os vocais açucarados da vocalista simplesmente se derretam, resultando em um disco misterioso e atrativo na mesma intensidade. Pop nos versos, experimental no som, o álbum ocupa um espaço totalmente próprio dentro do que atualmente conduz a música independente em suas mais variadas formas, resultando em músicas de apelo radiofônico como Lofticries, Obedear e Fineshrine que em nenhum momento se perdem em acertos básicos ou tradicionais. Um disco capaz de fisgar logo na primeira audição, mas que vai parecer ainda melhor passadas algumas audições.

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Sexy Fi

Sexy Fi
Nunca Te Vi De Boa (Far Out)

É difícil aceitar Nunca Te Vi De Boa como um registro de estreia. Primeiro pela presença ativa dos ex-integrantes da falecida banda Nancy, depois pela grandiosidade lírico-instrumental que recheia todo o álbum. Jazzístico, pop, experimental e pegajoso, o álbum discute referências típicas da cidade de Brasília de forma curiosa, como se os integrantes cantassem em uma língua própria sobre um universo conhecido apenas pelo grupo. A relação particular com o local vai além da cidade da banda, firmando um relação curiosa com a música experimental de Chicago, resultado da presença de John McEntire (membro do Tortoise e The Sea and Cake) como produtor do disco. Com toques de Dirty Projectos, acertos com o Jazz de Miles Davis e um pouco da mesma climatização que define a trajetória do Hurtmold (principalmente nos primeiros discos), cada passo dado no interior do registro puxa a banda para um novo cenário. Ao mesmo tempo em que tudo funciona de maneira experimental e quase inexata, uma linha condutora é posta de forma cuidadosa na abertura do trabalho, garantindo sentido e mantendo as atenções do ouvinte até a última música. Os experimentos do Sexy Fi estão só começando.

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Tereza

Tereza
Vem Ser Artista Aqui Fora (Independente)

Contra todas as prováveis críticas e desentendimentos, Vem Ser Artista Aqui Fora, álbum de estreia do grupo carioca Tereza é um genuíno disco de música pop. Apenas isso. Partindo dessa proposta, o quinteto que um dia foi apaixonado pela mesma garota – a Tereza que dá título à banda – usa de toda a extensão do álbum para brincar com os versos, os ritmos e o encaixe doce das composições. Assumindo a mesma repetição de acordes e versos que tanto encanta na obra de bandas como Phoenix e Pasion Pit, o coletivo apresenta um trabalho leve e radiofônico, temática por vezes esquecida em trabalhos de apelo demasiado conceitual. Não espere passear pelo álbum em busca de composições que vão mudar a música brasileira. Do pop eletrônico de Sandau, passando pela melancolia nostálgica da litorânea Máquina Registradora, tudo no interior do disco é pensado de forma a divertir o público, sem compromissos. Dessa forma, não prezando pela seriedade o grupo alcança um tratado de fácil associação, radiante e capaz de prender o ouvinte até o último instante sem grandes dificuldades. Ouça, mas não se esqueça do filtro solar.

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TNGHT

TNGHT
TNGHT EP (Warp)

Apenas cinco faixas são suficientes para que Hudson Mohawke e Lunce antecipem o que deve definir o hip-hop instrumental e o dubstep nos próximos anos. Quente, o trabalho de estreia da dupla TNGHT amarra tudo que há de mais explosivo dentro da música eletrônica britânica e norte-americana, formalizando um álbum que mesmo rápido e curto, parece muito maior do que qualquer outro registro similar lançado previamente. Sintetizadores acelerados, sirenes, batidas estonteantes, palmas, vocais expansivos e até uma dose extra de funk carioca (!) podem ser encontrado pelo disco. Se Top Floor e Goooo brincam de maneira consciente com um resultado climático, Higher Ground vai além, batendo forte nos ouvidos do espectador em uma medida que une Baauer e Flying Lotus dentro da mesma proposta instrumental. Sempre acelerado, o registro praticamente fez dos produtores nomes de peso do atual panorama, visto a série de convites para produzir o trabalho de outros artistas vindos das mais diversas frentes instrumentais.

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