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5 DISCOS: Para entender o Rap Nacional


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Enquanto o Rap vivia seu apogeu nas periferias norte-americanas em idos da década de 1980, no Brasil o estilo (como qualquer outra influência estrangeira) custou certo tempo a se anunciar. Embora traços do gênero fossem visíveis desde a explosão da Black Music em meados dos anos 70, foi só no final da década seguinte que o hip-hop começou a borbulhar pelas periferias paulistanas e depois escorrendo por todo o território nacional. Em mais de 20 anos desde que o primeiro trabalho voltado ao estilo foi gravado em solo tupiniquim, muitos artistas já percorreram as vias muitas vezes tortuosas do rap, e foi pensando justamente nisso que separamos cinco trabalhos que de uma forma ou outra contribuíram para a proliferação e uma maior aceitação do gênero no país. Com vocês: cinco discos para entender o rap nacional.

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Vários
Hip-Hop Cultura de Rua (1988, Eldorado)

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Considerado como o primeiro registro inteiramente voltado ao gênero no Brasil, Hip-Hop Cultura de Rua concentra alguns dos primeiros representantes do rap nacional, amarrando o trabalho de nomes como Thaíde, DJ Hum, MC Jack e Código 13. Inicialmente composto de oito canções e posteriormente sendo acrescido de novas faixas, o álbum é fruto do esforço coletivo entre diversos personagens do rap paulistano, os produtores Akira S e Dudu Marote, além da dupla formada por Nasi e André Jung (ex-integrantes do Ira!) que contra a falta de esforço das gravadoras resolveram eles próprios alavancar o gênero no país. Entre pérolas como Corpo Fechado e Centro da Cidade, o registro transparece a forte influência do Funk norte-americano, além de uma instrumentação ainda limitada, porém visivelmente esforçada em relação às suas limitações.

Racionais MC’s
Sobrevivendo No Inferno (1997, Cosa Nostra)

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Obra máxima do rap nacional e um dos mais importantes álbuns da música brasileira, Sobrevivendo No Inferno é de forma incontestável o mais influente registro do gênero em solo nacional. Lançado aos últimos minutos de 1997, o registro é um retrato cru e honesto sobre a periferia paulistana – embora dialogue de maneira universal com qualquer outro subúrbio. Costurando 12 composições que passeiam de forma obscura pela temática da violência, drogas, racismo, crimes e incontáveis adversidades (e glórias) do povo da periferia, o quarteto formado por Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay não poupa esforços na hora de desenvolver cada uma de suas crias, fazendo do álbum uma sequência de incontáveis acertos. Das bases instrumentais diminutas (no melhor estilo Wu-Tang Clan) ao uso de trechos do diário de um ex-detento do Presídio do Carandiru, todos os espaços do álbum são ocupados de forma ímpar, com o coletivo promovendo um dos trabalhos mais essenciais da nossa música.

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Sabotage
Rap é Compromisso! (2000, Cosa Nostra)

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Discípulo assumido dos ensinamentos aplicados pelos conterrâneos do Racionais MC’s, Mauro Mateus dos Santos ou simplesmente Sabotage fez de sua curta passagem pela Terra um período de tempo mais do que aproveitado. Dono de um único registro em estúdio – Rap é Compromisso! De 2000 –, o paulistano soube como poucos a maneira como retratar o cenário ao seu redor, transformando cada uma de suas composições em uma visão única das pessoas, da cidade e de todos os infortúnios que o cercavam. Da ode à região do Brooklyn onde cresceu e morreu (Um Bom Lugar e No Brooklin) aos problemas com drogas e adversidades com o tráfico (Cocaína e Na Zona Sul), Sabotage transformou seu único álbum em uma coleção de versos memoráveis, faixas que mesmo lançadas há mais de dez anos parecem estranhamente capazes de dialogar com diversos acontecimentos atuais.

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Marcelo D2
A Procura da Batida Perfeita (2003, Sony)

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Você pode até não se sentir confortável em relação ao trabalho de Marcelo D2, entretanto, negar a contribuição do carioca ao rap nacional é um erro de proporções imensuráveis. Se ao lado dos companheiros de sua antiga banda, o Planet Hemp, D2 experimentou a mistura entre o rap e hardcore e discutiu a legalização da maconha de forma direta e crítica, em carreira solo o rapper abriu mão de seus limites e resolveu apostar na mistura de estilos. Foi através do encontro entre hip-hop e o samba que em meados de 2003 o carioca apresentou seu segundo álbum de estúdio, o híbrido A Procura da Batida Perfeita, um trabalho que não apenas posicionou D2 como um dos grandes nomes do rap nacional, como apresentou de vez o gênero ao grande público, rompendo os limites que anteriores trabalhos haviam enfrentado. Entre faixas como A Maldição do Samba e o hit Qual É, o rapper entrega uma seleção de faixas tomadas pela malemolência e versos cantaroláveis que ecoaram por todos os cantos do país.

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Emicida
Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida… (2009, Independente)

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Lançado de forma independente e longe de qualquer expectativa, Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe foi aos poucos conquistando territórios, se transformando em um dos mais intensos discos de 2009 e posicionando o “desconhecido” Emicida como um dos grandes representantes do rap nacional. Extenso – são 25 faixas dissolvidas em mais de uma hora de duração –, o trabalho surge como uma alvorada do novo rap paulistano, abrindo as portas para uma sequência de lançamentos encabeçados por Rashid, Projota e tantos outros enunciadores do hip-hop que surgiriam logo em sequência. Mesclando crítica social com um jogo de versos que exploram o cotidiano de seu idealizador, o trabalho é um bem explorado cruzamento de rimas e bases instrumentais versáteis, um condensado de elementos que acabaram garantindo tanto os elogios da grande crítica como o louvor do público, não apenas os já iniciados nesse tipo de som.

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