Category Archives: Clipes

Mahmed: “AaaaAAAaAaAaA” (VÍDEO)

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Maturidade”, “crescimento” e “grandeza”. Palavras de significado forte, expressivas quando voltamos os ouvidos para o acervo sóbrio lançado pela potiguar Mahmed em Domínio das Águas e dos Céus EP (2013), porém, pequenas, quase insignificantes frente à grandeza de Sobre a Vida em Comunidade (2015, Balaclava). Em um assombroso traço de evolução, ao finalizar o primeiro álbum de estúdio, o quarteto do Rio Grande do Norte não apenas alcança um novo estágio dentro da própria sonoridade, como ainda prende o ouvinte em um labirinto de formas mutáveis; um álbum sedutor e provocativo a cada fragmento instrumental.

Montado em uma estrutura não-linear, pontuada por arranjos e texturas propositadamente instáveis, logo nos primeiros segundos dentro disco, a pergunta: estou sonhando? Como uma noite longa de sono embriagado, costurada por diferentes sonhos, passagens rápidas por pesadelos e até a tontura leve típica de exageros alcoólicos, SAVEC brinca com as interpretações do ouvinte. É difícil saber onde começa e acaba o álbum. Ondas leves de distorção arremessam, acolhem e mudam a direção das composições a todo o momento. Um constante cruzamento entre o onírico, o experimental e até o nonsense que corta em pedaços rótulos imediatos como “Jazz”, “Dream Pop” ou o inevitável “Post-Rock”. Todavia, mesmo a completa ausência de direção (ou previsibilidade) em nenhum momento distorce a sutileza e coerência da banda. Leia o texto completo.

Melancólico, AaaaAAAaAaAaA é o mais novo clipe apresentado pela banda potiguar Mahmed. Com direção e roteiro de Pedro Galiza e ilustrações de Flavio Grão, o vídeo observa o isolamento de um grupo de idosos do Lar Vila Vicentina Júlia Freire, em João Pessoa, na Paraíba.

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Mahmed – AaaaAAAaAaAaA

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Kendrick Lamar: “Alright” (VÍDEO)

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Kunta Kinte, Wesley Snipes, escravidão, capitalismo, apropriação de cultura, preconceito racial e morte. Antes mesmo que a quarta faixa de To Pimp a Butterfly (2015, Interscope / Aftermath / Top Dawg) chegue ao final, Kendrick Lamar assume com o novo álbum de estúdio – o segundo sob o aval de uma grande gravadora, a Interscope -, um dos retratos mais honestos sobre o conceito de “dois pesos, duas medidas” que sufoca a comunidade negra dos Estados Unidos. Uma interpretação amarga, ainda que irônica, capaz de ultrapassar o território autoral do rapper de forma a colidir com o universo de Tupac Shakur, Michael Jackson, Alex Haley e outros “personagens” negros da cultura norte-americana.

Como explícito desde o último trabalho do rapper, o bem-sucedido good kid, m.A.A.d city (2012),To Pimp a Butterfly está longe de ser absorvido de forma imediata, em uma rápida audição. Trata-se de uma obra feita para ser degustada lentamente, talvez explorada, como um imenso jogo de referências e interpretações abertas ao ouvinte. Da inicial citação ao ator Wesley Snipes – preso entre 2010 e 2013 por conta de uma denúncia de fraude fiscal -, passando por referências ao cantor Michael Jackson, Malcom X, Nelson Mandela, exaltações à comunidade negra, além de trechos da obra do escritor Alex Haley –  Negras Raízes (1976) -, cada faixa se espalha em um acervo (quase) ilimitado de pistas, costurando décadas de segregação racial dentro e fora dos Estados Unidos. Leia o texto completo.

Dirigido por Colin Tilley e filmado em preto e branco, Alright é o mais novo clipe de Kendrick Lamar a ser extraído do álbum To Pimp a Butterfly (2015). Assista:

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Kendrick Lamar – Alright

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Shura: “White Light” (VÍDEO)

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De toda a nova safra de artistas, Shura parece ser a que mais brinca com as referências. De um lado, o confesso fascínio pelo R&B de Mariah Carey, Whitney Houston e Janet Jackson. No outro oposto, a relação com o som experimental e empoeirado que se estende de novatos como Ariel Pink e Blood Orange, até veteranos como Portishead e Massive Attack. Fragmentos expostos com naturalidade no interior de White Light, mais recente single apresentado pela cantora britânica.

Fuga da sonoridade contida exposta por Shura em faixas como Touch, Just Once e 2Shy, a composição lentamente abre passagem para que a cantora/produtora de Manchester se aproxime das pistas. Difícil não lembrar do trabalho de Blood Orange em Cupid Deluxe (2013) ou mesmo dos primeiros trabalhos de Sky Ferreira. Agora transformada em clipe, a faixa entrega na direção de Noel Paul o encontro de duas criaturas místicas.

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Shura – White Light

 

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Tinashe: “Cold Sweat” (VÍDEO)

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“Inexperiência” é uma palavra que não se aplica ao trabalho de Tinashe. Mesmo que Aquarius(2014, RCA) seja vendido ao público como o primeiro disco da cantora, bastam os minutos iniciais da própria faixa-título para sentir a plenitude da obra. Álbum de estreia dentro de uma grande gravadora – a RCA -, o coeso arsenal de estúdio se divide entre o passado ainda recente da artista e um futuro em plena construção. Uma síntese declarada de cada faixa ou mixtape assinada individualmente na última meia década e, ao mesmo tempo, um princípio de renovação autoral.

Nascida no Zimbabwe, porém, criada em Los Angeles, Califórnia, Tinashe é uma figura ativa no meio artístico há bastante tempo. Atuando como modelo e atriz desde o começo da adolescência, em idos de 2000, a artista apaixonada por Michael Jackson e Christina Aguilera logo encontrou na música um refúgio natural. Em 2007, com o The Stunners, hoje extinto coletivo de Pop/R&B, a cantora deu os primeiros passos oficiais. Todavia, foi ao mergulhar em fase solo e investir em obras independentes que a relação com a música de fato amadureceu. Leia o texto completo.

Dirigido por Stephen Garnett, abaixo você encontra o clipe de Cold Sweat.

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Tinashe – Cold Sweat

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Beirut: “No No No”

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Já estava na hora de Zach Condon aparecer com alguma novidade do Beirut. Passados seis anos desde as transições eletrônicas iniciadas nos EPs March of the Zapotec/Holland (2009) e seguidas dentro do terceiro registro de inéditas do compositor, The Rip Tide (2011), a inédita No No No não apenas garante passagem para o quarto álbum de estúdio da banda do Novo México, como ainda reforça as preferências “sintéticas” em torno do projeto.

Enquanto a inicial programação eletrônica aponta a direção da faixa, a sequência de sintetizadores e metais logo transporta o ouvinte para o mesmo “cenário de Leste Europeu” explorado com detalhismo nos dois primeiros discos da banda – Gulag Orkestar (2006) e The Flying Club Cup(2007). Escolhida para apresentar o novo álbum, No No No é a primeira das nove canções que recheiam o trabalho. A sutileza da faixa também se repete na imagem escolhida como capa para o disco (imagem acima).

No No No (2015) conta com lançamento previsto para o dia 11/09 pelo selo 4AD.

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Beirut – No No No

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Foals: “Whay When Down” (VÍDEO)

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Com o lançamento de Holy Fire, em 2013, os integrantes do Foals finalmente conseguiram atingir o ápice comercial. Responsável por um acervo de boas composições, a banda original de Oxford não custou a seduzir público e crítica com faixas como My Number e Ihaler, hits de peso e ferramentas que garantiram passagem ao grupo para circular por diferentes festivais e palcos pelos quatro cantos do globo, proposta que deve se manter com o quarto e ainda inédito disco da banda: What Went Down (2015).

Produzido pelo conterrâneo britânico James Ford, uma das metades do Simian Mobile Disco e responsável por alguns clássicos recentes como Myths of the Near Future (2007) do Klaxons e AM (2013) do Arctic Monkeys, o novo álbum parece reforçar o som pesado que há tempos abastece as canções do Foals. Prova disso está dissolvida nos quase seis minutos do single que garante título ao novo álbum. Uma sequência de acordes rápidos, batidas semi-dançantes e a voz forte de Yannis Philippakis, ainda mais raivoso do que nos últimos três discos da banda.

What Went Down (2015) será lançado no dia 28/08 pelo selo Warner Music.

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Foals – What When Down

 

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RATATAT: “Abrasive” (VÍDEO)

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Se você passou a adolescência nos anos 2000, em algum momento da sua vida tropeço na discografia do RATATAT. Comandado pela dupla Evan Mast e Mike Stroud, o projeto de “Experimental Rock” serviu de base para o nascimento de quatro bons registros em estúdio – Ratatat (2004), Classics (2006), LP3 (2008) e LP4 (2010) -, além de uma sequência de remixes e colaborações que se estendem da cena alternativa ao Hip-Hop. Depois disso? Um longo hiato de cinco anos, mas que será rompido em breve com o lançamento de Magnifique (2015).

Quinto registro de inéditas da dupla norte-americana, o trabalho parece repetir os mesmos conceitos “eletrônicos” dos últimos projetos da banda, sonoridade reforçada com o lançamento do single Abrasive. De um lado, as batidas eletrônicas, no outro, as guitarras que parecem ditar os versos fictícios da faixa. Originalmente entregue ao público há poucas semanas, a canção aparece agora transformada em clipe, revelando uma animação que acompanha o ritmo das guitarras. Assista:

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RATATAT – Abrasive

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Miguel: “Coffee” (VÍDEO)

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Quem seria capaz de compor uma música sobre o ato de fazer sexo pela manhã sem necessariamente parecer brega ou exageradamente tosco? Ora, Miguel. Passados três anos desde que apresentou seu melhor trabalho em estúdio, Kaleidoscope Dream (2012), o rapper/cantor norte-americano abre passagem para o terceiro registro de inéditas Wild Heart (2015). Antes, uma passagem pela cozinha, uma café e, claro, uma boa dose de sexo em Coffee (Fucking), parceria com o rapper Wale.

Próxima do mesmo acervo de referências provocativas do cantor, a nova faixa se estende por mais de cinco minutos, estabilizando versos lascivos, sintetizadores resgatados da década de 1980, além da rápida interferência do convidado. Sem necessariamente parecer uma repetição de conceitos,Coffee (Fucking) cresce com liberdade dentro do mesmo ambiente soturno do disco anterior, dosando sensualidade, melancolia e certa dose de humor em uma medida controlada.

Wild Heart (2015) será lançado no dia 30 de junho pelo selo RCA.

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Miguel – Coffee

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Jessy Lanza: “You Never Show Your Love” (ft. DJ Spinn & Taso) (VÍDEO)

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Batidas exploradas de forma lenta, vocal sutil, limpo, e o uso sempre controlado de sintetizadores e ambientações eletrônicas. Dois anos após o lançamento do debut Pull My Hair Back (2013), a canadense Jessy Lanza continua a investir na formação de composições marcadas pela leveza dos temas instrumentais e o completo romantismo nos versos, conceito naturalmente reforçado com a entrega de You Never Show Your Love.

Faixa-título do novo EP de Lanza, a canção assinada em parceria com DJ Spinn e Taso confirma o breve deslocamento da cantora/produtora em relação aos temas eletrônicos incorporados nos últimos singles, estreitando ainda mais a relação com o (neo) R&B. Além da nova composição, a artista canadense entrega o clipe da faixa, trabalho que converte em imagens a mesma suavidade explorada nos arranjos e beats da canção.

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Jessy Lanza – You Never Show Your Love (ft. DJ Spinn & Taso)

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Father John Misty: “I Love You Honeybear” (VÍDEO)

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Não existe espaço para o amor no mundo da música. Exagero? Faça o teste: quantos discos clássicos ou álbuns recentes, de nítida exaltação ao amor, você consegue listar? Projetos radiantes, marcados pelo mesmo sentimento de plenitude que domina um indivíduo apaixonado. Pronto. Agora, pense apenas em discos marcados pela dor. Álbuns inspirados pela separação, mágoas e relacionamentos fracassados. Não vá muito longe: apenas discos lançados nos últimos meses, há poucas semanas ou do acervo “proibido” que você visitou há poucas horas. Notou alguma diferença entre as listas?

Contrário ao ensinamento de filmes e séries românticas, em se tratando da música, a dor convence, marca e até “canta” mais alto do que o amor. O que explica essa (sádica) preferência? Um elemento bastante simples: a honestidade. De Adele a Bob Dylan, Sharon Van Etten a Lionel Richie, não existem segredos e relatos intimistas que permaneçam ocultos ao final de um relacionamento. Traições, brigas ou antigos sussurros românticos: tudo acaba exposto. Leia a resenha completa.

Dirigido por Grant James, abaixo você encontra o clipe da faixa-título do novo álbum de Father John Misty, I Love You Honeybear (2015).

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Father John Misty – I Love You Honeybear

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