É difícil não se deixar conduzir pelas experiências psicodélicas lançadas pelo coletivo gaúcho Catavento. Poucos meses após achada do segundo álbum de estúdio do sexteto, o excelente CHA (2016), a produtora Antro Filmes convida o ouvinte a mergulhar em um mundo de imagens e cores saturadas que abastecem o clipe de Red Lagoa. Um lisérgico dia no parque ao lado de um visitante e um coelho de pelúcia gigante.

Enquanto a dupla se diverte, o coro de vozes se espalha durante toda a construção da faixa, conduzindo a sequência de melodias eletrônicas e guitarras marcadas pela distorção. Segunda composição do disco, Red Lagoa nasce como uma coleção de ideias e referências distintas, soando como um improvável encontro entre a psicodelia de Ronnie Von e as texturas que escapam das guitarras de Kevin Shields no My Bloody Valentine.

 

Catavento – Red Lagoa

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Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (2016, Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas

Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas. Leia o texto completo.

Uma das canções mais pegajosas da primeira mixtape de Kamaiyah, A Good Night In The Ghetto (2016), I’m On foi a escolhida para se transformar no mais novo clipe da rapper, trabalho que parece saído do começo dos anos 1990.

 

Kamaiyah – I’m On

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De todas as canções apresentadas por Emicida em Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2015 –, Mandume talvez seja a mais significativa. Distante da “MPB-Rap” incorporada pelo paulistano em grande parte do trabalho – vide faixas como Casa e Passarinho –, a faixa que conta com mais de oito minutos de duração cresce em meio ao uso preciso das rimas lançadas por um time de artistas convidados.

Junto de Emicida, os novatos Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, responsáveis pela construção das rimas que movimentam a canção e convidados a participar do extenso clipe da Mandume. Dirigido por Gabi Jacob, o trabalho apresenta um elenco completo apenas com modelos, atrizes e atores negros. Fragmentos visuais que escancaram diferentes aspectos do racismo, aceitação, derrotas e conquistas.

 

Emicida – Mandume (ft. Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike, Raphão Alaafin)

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Em Utopia, canção escolhida para anunciar o terceiro álbum de estúdio do Austra, Future Politics (2017), Katie Stelmanis assumiu a busca por um som cada vez mais pop, preferência explícita no som levemente dançante e versos fáceis que se espalham pelo interior da composição. Uma extensão (ainda mais) acessível dos iniciais Feel It Breaks (2011) e Olympia (2013), obras pontualmente relembradas dentro da faixa-título do novo álbum.

Movida pelo uso de batidas eletrônicas e sintetizadores contidos, a canção se espalha sem pressa, detalhando fragmentos vocais de Stelmanis. Na letra cíclica, uma espécie de complemento aos arranjos, fazendo da canção uma espécie de remix de algum clássico produzido por Kate Bush no começo dos anos 1980. Para o clipe da composição, trabalho dirigido por Allie Avital, imagens de um futuro próprio em um cenário urbano, caótico.

Future Politics (2017) será lançado no dia 20/01 via Domino.

 

Austra – Future Politics

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Antony Hegarty sempre manteve um forte interesse pela música eletrônica. Ainda que a cantora e compositora norte-americana tenha passado a última década mergulhada em elementos do folk e chamber pop, sobrevive na sequência de faixas assinadas de forma colaborativa o real fascínio da musicista pelo gênero. Experimentos como o som dançante de Blind, clássico em parceria com o grupo nova-iorquino Hercules and Love Affair, e até canções “menores”, como Tears for Animals, ao lado da dupla Cocorosie, além da série de faixas divididas com a islandesa Björk – vide Dull Flame Of Desire eAtom Dance.

Em Hopelessness (2016, Secretly Canadian / Rough Trade), primeiro trabalho de Hegarty sob o título de ANOHNI, é onde essa relação com os temas eletrônicos se intensifica e cresce. Primeiro registro de inéditas desde o delicado Swanlights, de 2010, o novo álbum altera não apenas a paisagem sonora que cerca a musicista, mas a própria figura de Hegarty, violenta e fortemente influenciada por temas políticos a cada novo movimento do trabalho. Uma versão angustiada da mesma personagem que subiu ao palco para gravar o disco ao vivo Cut the World, em 2012. Leia o texto completo.

Drone Bomb Me, Hopelessness e I Don’t Love You Anymore. Não faltam canções e clipes impactantes dentro do novo álbum da cantora e compositora norte-americana ANOHNI. O mesmo acontece em Obama, um ataque direto ao atual presidente dos Estados Unidos, mas que se transforma em um pedido pela libertação da militar transgênero Chelsea Manning, presa por divulgar um vídeo com ataques de dronas no Oriente Médio.

 

ANOHNI – Obama

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Os últimos meses foram bastante corridos para os integrantes do Carne Doce. Além de finalizar e lançar o segundo álbum de estúdio, o elogiado Princesa (2016), a banda goiana se desdobrou em uma série de apresentações por diferentes cidades brasileiras, deu vida ao delicado clipe de Artemísia – uma das canções mais sensíveis do novo disco – e, no meio de tudo isso, ainda teve tempo para registrar parte dessa agitação dentro do recém-lançado clipe de Açaí.

Produzido no intervalo das gravações e shows produzidos pela banda nos últimos meses, o trabalho que conta com imagens de Larry Sullivan, Lucas Santos e trechos gravadas pelo próprio quinteto reflete o bom humor que ronda o universo do Carne Doce. Entre as imagens, o grupo contratou atores para espalhar mensagens cômicas/reflexivas pelo centro da cidade de Goiânia; trechos como “Mais Açaí por Favor“,”Arroz, Feijão e Cama” e “Fora Trampo“.

 



Carne Doce – Açaí

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Sintetizadores caricatos, sempre pegajosos, melodias sutis e versos intimistas, marcados pelo forte uso de referências pessoais. Com o lançamento de Way We Won’tClear Your History, em setembro deste ano, Jason Lytle e os parceiros de banda conseguiram transportar o público para mesmo universo montado pelo Grandaddy no meio da década passada, quando o grupo de Modesto, Califórnia, apresentou ao público o derradeiro Just Like the Fambly Cat (2006).

Em A Lost Machine, mais recente single da banda norte-americana, Lytle vai além, esbarrando de forma sensível na atmosfera melancólica montada pelo grupo para o clássico The Sophtware Slump (2000). Entre pianos e efeitos eletrônicos, a voz entristecida do cantor, íntimo do ouvinte durante toda a construção da música. A canção é parte do aguardado Last Place (2017), primeiro registro de inéditas do Grandaddy em mais de uma década.

Last Place (2017) será lançado no dia 03/03 via 30th Century.

 



Grandaddy – A Lost Machine

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Com o lançamento de Ladies Don’t Play Guitar, em agosto deste ano, Alaina Moore e o parceiro Patrick Riley indicaram o conceito sensível que deve orientar as canções do novo álbum de inéditas do Tennis. Intitulado Yours Conditionally (2017), o sucessor do bom Ritual in Repeat (2014) parece reforçar o conceito sentimental há tempos presente nas canções da dupla norte-americana, proposta que volta a se repetir da inédita In The Morning I’ll Be Better.

Marcada pela temática da devoção e completa entrega dentro de qualquer relacionamento, a canção de batidas e arranjos lentos se espalha de forma lenta e sufocante. Pouco mais de três minutos em que guitarras, teclados e vozes se espalham em meio a versos intimistas, românticos e dolorosos. No clipe da canção, uma nova viagem em direção ao passado. Paisagens e roupas que parecem ter saído de algum catálogo de roupas da década de 1970.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – In The Morning I’ll Be Better

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A voz limpa que se projeta em um precioso dueto entre Romy Madley Croft e Oliver Sim. Uma base minimalista que se abre para a precisa interferência do clássico I Can’t Go For That (No Can Do), canção assinada pela dupla Hall & Oates. Batidas e guitarras crescentes, íntimas das pistas. Em um intervalo de poucos minutos, a inédita On Hold não apenas anuncia o terceiro álbum de estúdio do The XX, I See You (2017), como aproxima o trio britânico de um novo universo de possibilidades.

Quase uma sobra de estúdio do material apresentado por Jamie XX no excelente In Colour (2015), primeiro álbum em carreira solo, a nova faixa encanta pela flexibilidade dos elementos – vozes, batidas e samples. Experimentos contidos que indicam a direção assumida pelo trio passado o lançamento do delicado Coexist (2012), último registro de inéditas da banda. No clipe da canção, trabalho dirigido por Alasdair McLellan, as histórias de diferentes personagens em uma cidade no interior dos Estados Unidos.

I See You (2017) será lançado no dia 13/01 via Young Turks.

The XX – On Hold

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Original da cidade de Oakland, Califórnia, Kamaiyah havia acabado de nascer quando o Hip-Hop/R&B tomou conta das principais paradas de sucesso em meados da década de 1990. Todavia, curioso perceber em cada uma das canções que marcam a mixtape A Good Night In The Ghetto (2016, Independente), primeiro registro de inéditas da jovem estadunidense, a base para um trabalhos que melhor reflete conceitos, batidas e arranjos exploradas há duas décadas

Em uma linguagem atual, capaz de dialogar com o presente cenário, Kamaiyah e um time imenso de colaboradores visita de forma criativa diferentes aspectos da poesia e sonoridade que marca o rap norte-americano. Rimas e bases que mergulham na obra veteranos como o conterrâneo Too $hort, incorporam as vozes de personagens icônicos como Aaliyah e TLC, além de todo um vasto universo de referências por vezes nostálgicas. Leia o texto completo.

Parte do ótimo A Good Night In The Ghetto (2016), um dos melhores discos de Hip-Hop do ano, Mo Money Mo Problems foi a canção escolhida para se transformar no mais novo e divertido clipe da rapper Kamaiyah.

Kamaiyah – Mo Money Mo Problems

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