Cada novo clipe de Sevdaliza se transforma em um objeto de destaque. Foi assim com o provocante vídeo de Human – um dos Melhores Clipes de 2016 –, That Other Girl e qualquer outro registro produzido pela artista iraniana/alemã. Em Amandine Insensible, mais recente criação da cantora e produtora, um novo e delicado exercício criativo. Flutuando em um fundo branco, a artista se transforma nas diferentes mulheres ao redor do globo.

São executivas, modelos, atendentes de telemarketing, sedutoras ou apenas interessadas em malhar o próprio corpo. Personagens reais, retratadas em diversos bancos de imagens, mas que surgem à medida que Sevdaliza amplia o discurso da canção, detalhando o cotidiano de diferentes personagens diariamente subjugadas em uma sociedade machista. A canção faz parte do aguardado ISON (2017), primeiro álbum de estúdio da cantora.

 

Sevdaliza – Amandine Insensible

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Em 2016, David Longstreth foi convidado a participar da produção do excelente A Seat at The Table, terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Solange Knowles. Dessa parceria veio Cool Your Heart, música co-escrita por Knowles uma das nove composições que abastecem o novo (e aguardado) álbum do Dirty Projectors. Recém-lançada, a canção chega acompanhada de um precioso clipe dirigido pela dupla Noel Paul e Stefan Moore e com a parceria da cantora Dawn Richard.

Penúltima composição do autointitulado sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, Cool Your Heart joga com o uso de batidas, samples e temas eletrônicos durante toda sua execucão, costurando pequenos loops instrumentais e de voz que se comunicam diretamente com as imagens do trabalho. Um conceito levemente dançante, quase pop, como uma parcial fuga do som originalmente testado em Keep Your Name, Little Bubble e Up in Hudson.

Dirty Projectors (2017) será lançado no dia 24/02 via Domino.

 

Dirty Projectors – Cool Your Heart

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O conceito eletrônico assumido em The Road parece ser a base do novo álbum da cantora e produtora canadense Lydia Ainsworth. Lançada em janeiro deste ano, a faixa de abertura de Darling Of The Afterglow (2017) mostra a busca da artista de Toronto por um som marcado por ambientações atmosféricas e pequenos diálogos com o R&B, sonoridade reforçada nas batidas e vozes da provocativa Afterglow.

Sem necessariamente perder a própria identidade, Ainsworth abraça diversos conceitos originalmente incorporados por artistas como Björk, The Knife e, mais recentemente, FKA Twigs. São bases eletrônicas que se completam com a lenta inserção de um coro de vozes e outros elementos complementares, como batidas, sintetizadores e pequenas pinceladas instrumentais. Uma fuga do som anteriormente testado pela artista em Right from Real, de 2014.

Darling Of The Afterglow (2017) será lançado no dia 31/03 via Arbutus/Bella Union.

 

Lydia Ainsworth – Afterglow

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Em 2014, com o lançamento de Despertador, o cantor e compositor paulistano Leo Cavalcanti abraçou de vez a música pop. O resultado dessa transformação está na montagem de faixas levemente dançantes como Só Digo Sim, Leve, além, claro, da própria faixa-título do disco. Curioso perceber na recém-lançada O Mundo Que Se Deseja, música que ainda conta com um clipe de Cecília Lucchesi, um som tão acessível quanto material apresentado há três anos, porém, orientado de forma sutil, contida.

Adaptação para o português da música El Mundo Que Quisiera, de Juanito el Cantor, a composição de temas acústicos, arranjos de cordas e voz doce lentamente invade a cabeça do ouvinte, lembrando alguma canção perdida de Caetano Veloso. “O mundo, sempre esse mundo, sempre uma desculpa certeira / Transpassa a vida inteira como se nada / Um pássaro abre suas asas, e ensaia um voo sem certezas / E mesmo assim, tenta esse mundo que deseja“, canta Cavalcanti em um misto de descrença e necessidade de mudança.

 

Leo Cavalcanti – O Mundo Que Se Deseja

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A grande beleza no trabalho de Chance The Rapper sempre esteve na proximidade entre o artista e o coletivo de vozes, produtores e instrumentistas convidados a atuar dentro de cada registro de estúdio. Da bem-sucedida apresentação em Acid Rap, de 2013, passando pelo colaborativo Surf, álbum lançado em parceria com o grupo Donnie Trumpet & The Social Experiment, em 2015, cada projeto assumido pelo rapper de Chicago, Illinois parte da criativa interferência de ideias e nomes vindos de diferentes campos da música negra.

Em Coloring Book (Independente), terceira e mais recente mixtape de Chance, uma detalhada continuação desse mesmo conceito colaborativo explorado nos últimos trabalhos do rapper. Mais do que um registro assinado individualmente, um espaço que se abre para a completa interferência, canto e colagem de rimas assinadas por diferentes artistas. São 14 composições que autorizam a passagem de nomes como Kanye West, Lil Wayne, Future, Justin Bieber, Young Thug e Ty Dolla $ign. Leia o texto completo.

Versão alternativa de Same Drugs – faixa que conta com as vozes de John Legend, Eryn Allen Kane, Yebba, Francis Starlite e Macie Stewart –, o vídeo dirigido por Jake Schreier mostra Chance The Rapper acompanhado de um boneco gigante. A canção é parte do último álbum do rapper, Coloring Book – 10º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

 

Chance The Rapper – Same Drugs

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Quem acompanha o trabalho da banda norte-americana Tennis já deve ter percebido a mudança de direção por parte das letras da vocalista Alaina Moore. Longe do universo de sonhos e declarações de amor que apresentaram o grupo no debut Cape Dory, de 2011, são versos sóbrios, por vezes ácidos, que orientam o som produzido pela artista em parceria com o marido, o músico Patrick Riley. Um bom exemplo disso está na recém-lançada Modern Woman.

Parte do novo álbum de inéditas da dupla, Yours Conditionally (2017), a canção segue a trilha de outro lançamento recente da banda, Ladies Don’t Play Guitar, música que fala sobre libertação das mulheres dentro de uma sociedade machista e opressora. Assim como os últimos lançamentos do Tennis, Modern Woman chega acompanhada de um precioso clipe dirigido por Luca Venter e Kelia Anne. A imagem de Moore em um cenário do final dos anos 1960.

Yours Conditionally (2017) será lançado no dia 10/03 via Mutually Detrimental.

 

Tennis – Modern Woman

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Como um presente de ano novo, os integrantes do London Grammar abriram 2017 com a inédita Rooting For You. Primeiro composição do trio formado por Dominic ‘Dot’ Major, Hannah Reid e Dan Rothman em quase três anos, a faixa de arranjos e vozes tímidas nasce como um fragmento do novo registro de inéditas do grupo. Sucessor do bem-recebido debut If You Wait, de 2013, o trabalho previsto para os próximos meses conta agora com um novo acréscimo: Big Picture.

Típica composição da banda londrina, a faixa de quase cinco minutos vai conquistando terreno lentamente, detalhando guitarras, batidas tímidas e a voz de Reid. A diferença em relação ao último lançamento do trio está na força (e beleza) da composição durante os últimos minutos. São melodias etéreas e vozes ecoadas que se espalham em meio a guitarras típicas de bandas como U2. Um som grandioso, crescente, como um novo passo dentro da carreira do trio inglês.

 

London Grammar – Big Picture

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Parceiro de longa data da cantora e compositora Lulina, o pernambucano Léo Monstro anuncia para o começo de fevereiro a chegada do primeiro álbum em carreira solo. Intitulado Solar (2017), o registro conta com diversas faixas produzidas desde o melancólico Pantim (2013), último e mais recente trabalho de Lulina. São canções que refletem o cotidiano do artista, em parceria com Pedro Penna, responsável pela produção do disco.

Delicada e crescente, a faixa dominada pelo uso de versos esperançosos se espalha em meio ao uso de vozes doces, sintetizadores e guitarras sempre pontuais, como um complemento ao som produzido pelo músico. O mesmo cuidado que se reflete na composição dos versos e arranjos marca o clipe da canção. Um registro de diferentes cenários, pessoas e cores que conta com a direção e edição do próprio artista. Em entrevista ao site Trabalho Sujo, Monstro detalhou o processo de construção do disco.

 

Monstro – Analog Days

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Em novembro de 2015, uma surpresa. Depois de um longo período de hiato, Missy Elliott se juntou ao cantor e produtor Pharrell Williams para a inédita WTF (Where They From). Entre boatos de que um novo álbum de inéditas estava por vir – o aguardado Block Party –, a rapper decidiu romper com qualquer expectativa, passando grande parte do último ano em silêncio, livre de qualquer nova composição relacionada ao novo disco.

Mantendo firme a estética explorada no último lançamento, Elliott está de volta com outra composição inédita: I’m Better. Uma parceria com o rapper Lamb, mas que acaba seduzindo pela força dos versos e bases minimalistas que orientam o trabalho da artista durante toda a construção da faixa. Em parceria com o diretor Dave Meyers, a rapper aproveita para apresentar ao público o clipe da canção. Um jogo de luzes e coreografias exploradas cuidadosamente.

 

Missy Elliott – I’m Better ft. Lamb

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Passado o lançamento do elogiado Atlas – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, os integrantes do Real Estate decidiram provar de novas experiências. Enquanto o vocalista Martin Courtney deu vida ao primeiro trabalho em carreira solo, Many Moons (2015), outros como o guitarrista Matt Mondanile, decidiram se afastar de vez da banda. No lugar do músico, a chegada de um novo colaborador, Julian Lynch, artista responsável por uma sequência de obras experimentais.

Em nova fase (e nova formação), o grupo de Nova Jersey se encontra para a produção de um novo álbum de estúdio: In Mind (2017). São 11 composições inéditas em que o grupo norte-americano mantém firme a busca pelo mesmo som ensolarado que orienta obras como Days (2011). Para anunciar a chegada do registro, Darling, música que flutua em meio a versos confessionais e melodias que parecem saídas de algum clássico da década de 1980. O vídeo da canção conta com a assinatura do trio Weird Days – Drew Blatman, Alex Goldberg e Ben Schechter.

 

In Mind

01 Darling
02 Serve the Song
03 Stained Glass
04 After the Moon
05 Two Arrows
06 White Light
07 Holding Pattern
08 Time
09 Diamond Eyes
10 Same Sun
11 Saturday

In Mind (2017) será lançado no dia 17/03 via Domino.

 

Real Estate – Darling

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