Artista: Pratagy
Gênero: Indie, Pop, Alternativo
Acesse: https://pratagy.bandcamp.com/

 

Da mistura de ritmos (e cores) que marca o primeiro álbum de Jaloo, passando pela poesia política que se espalha entre as canções de Em cada verso um contra-ataque (2016), último registro de inéditas da cantora Aila, não faltam grandes exemplares da música pop paraense. Parte desse mesmo universo de artistas, o músico Leonardo Pratagy parece brincar com o uso de boas melodias, sentimentos e vozes, fazendo do recente Búfalo (2017, Independente) uma coleção de temas tão intimistas quanto ensolarados, sempre crescentes.

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor paraense desde o inaugural Pictures, trabalho de sete faixas entregue ao público em junho do último ano, Búfalo se projeta como uma obra essencialmente precisa, segura. São composições montadas a partir da lenta sobreposição de sintetizadores, guitarras e vozes, aproximando Pratagy de outros representantes da cena nacional, caso da carioca Mahmundi e do produtor capixaba Silva.

Assim como o trabalho lançado no último ano, o novo álbum se revela por completo logo nos primeiros minutos. Basta um rápido passeio pela ambientação serena de Tramas Sutis, faixa de abertura do disco, para perceber todo o cuidado no processo de composição da obra. Um precioso diálogo entre Pratagy e time de instrumentistas convidados para o trabalho. Instantes em que a voz do cantor flutua em meio a arranjos contidos e pequenos encaixes instrumentais, sempre delicados.

De essência colorida, tal qual a imagem de capa do disco, Búfalo faz de cada composição um improvável experimento com a música pop. Enquanto De Repente, segunda faixa do disco, mantém os dois pés bem firmes na década de 1980, são as batidas e temas eletrônicas que apontam a direção assumida pelo músico paraense na composição seguinte, faixa-título do álbum. Uma mudança de direção que delicadamente amplia a base instrumental do trabalho.

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Artista: Felipe S.
Gênero: Indie, Alternativo, Experimental
Acesse: http://www.joiamoderna.com.br/

 

Mais conhecido pelo trabalho como vocalista da banda pernambucana Mombojó, Felipe S. passou os últimos dez anos pulando de um projeto para outro, sempre de forma curiosa, inventiva. O resultado desse permanente processo de mudança está na construção de coletivos como o Del Rey, centrado em reinterpretar a obra de Roberto Carlos, além de trabalhos assinados em parceria com artistas como Vitor Araújo, A Banda de Joseph Tourton e a francesa Lætitia Sadier (Stereolab).

Em Cabeça de Felipe (2017, Joia Moderna), primeiro registro em carreira solo do músico pernambucano, um espaço aberto à novidade. Produzido de forma caseira, em um estúdio montado pelo músico dentro do próprio apartamento, o trabalho de dez faixas se espalha em meio a experimentos controlados (Anedota Yanomami), sambas explorados de forma introspectiva (Santo Forte) e composições sufocadas pelo amor (Sabe Quando). Um passagem direta para a mente do próprio compositor.

Com título inspirado em uma pintura produzida em 1987 pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, Cabeça de Felipe joga diretamente com a colorida imagem assinada pelo pintor pernambucano. Longe de parecer um registro hermético, cada composição se articula de forma independente, transportando o ouvinte para dentro de um cenário marcado pela incerteza. A mesma ruptura assumida pelo artista no último álbum de inéditas das Mombojó, o explosivo Alexandre (2014).

Montado a partir de diversas colagens minimalistas, ritmos brasileiros e vozes picotadas que indicam a interferência de diferentes artistas, a estreia de Felipe S. segue em um ritmo próprio. Instantes em que o músico pernambucano convida o ouvinte a dançar (Santo Forte), para logo em seguida mergulhar em um cenário dominado pela leveza das melodias (Da Capoeira Pro Samba) ou mesmo ruídos eletrônicos (Nova Bandeira) que poderiam facilmente ser encontrados em qualquer trabalho da Mombojó.

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Artista: Kehlani
Gênero: R&B, Pop, Soul
Acesse: http://kehlanimusic.com/sweetsexysavage/

 

SweetSexySavage. Kehlani não poderia ter pensado em um título melhor para o primeiro álbum de estúdio. Produzido em um intervalo de quase dois anos, o sucessor da mixtape You Should Be Here, de 2015, indica um claro amadurecimento em relação ao trabalho produzido pela cantora norte-americana. Batidas e versos que se dividem entre a sexualidade, o romantismo doentio e instantes de profunda melancolia, fazendo do disco um curioso passeio pela mente e conflitos da própria artista.

Claramente influenciado pelo período de recuperação da cantora — em meados de 2016, Kehlani foi internada após uma tentativa de suicídio —, SweetSexySavage abre em meio a um pedido de desculpas da cantora (“Meus pêsames a quem me perdeu”) e até citações religiosas (“Sinto muito por você ter perdido o Deus em mim”). Fragmentos da alma atormentada da artista, sempre honesta e sensível em cada uma das 17 composições que preenchem o disco.

Longe de parecer um registro sufocado pelo caos que tomou conta da vida de Kehlani nos últimos meses, a estreia da cantora encanta pelo cuidado na produção e força dos versos. O romantismo exagerado em Undercover (“De um jeito ou de outro eu vou amar você”), conflitos amorosos em Distraction (“Eu preciso que você não queira pertencer a mim”), a força dos próprios sentimentos exaltados em CRZY (“Tudo o que faço, faço com paixão”).

Assim como nas canções de You Should Be Here, Kehlani é a grande protagonista da própria obra. Entre poemas marcados por temas intimistas, a cantora acaba estreitando a relação com o ouvinte, convidado a reviver musicalmente diversas experiências sentimentais da artista. Um bom exemplo disso está em Do U Dirty, composição que se perde em meio a delírios e conflitos recentes da cantora, ou mesmo In My Feelings, música que explode em meio a versos marcados por um relacionamento obsessivo.

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Artista: Cloud Nothings
Gênero: Rock, Alternativo, Indie Rock
Acesse: http://www.cloudnothings.com/

 

O som melancólico, sujo e crescente que escapa da inaugural Up to The Surface mostra que a viagem musical de Dylan Baldi ao passado está longe de chegar ao fim. Faixa de abertura do quarto e mais recente álbum de inéditas da banda norte-americana, Life Without Sound (2017, Carpark / Wichita), a canção segue exatamente de onde o Cloud Nothings parou em Here and Nowhere Else (2014), fazendo do presente disco uma nova de coletânea de músicas resgatadas da década de 1990.

Entre ruídos, batidas fortes e versos que poderiam facilmente ser encontrados em algum clássico do rock alternativo, Baldi e os parceiros de banda parecem brincar com os contrastes, produzindo um som áspero, mas que se completa com a constante interferência de boas melodias e letras pegajosas. Um bom exemplo disso está na dobradinha Things Are Right with You e Internal World, canções que parecem replicar a mesma energia e sonoridade explorada pelo Weezer no debut de 1994.

Em Darkened Rings, quarta faixa do disco, uma passagem direta para o primeiro álbum de estúdio da banda, lançado em 2011. Instantes em que a voz berrada de Baldi se choca contra paredões de ruídos, fazendo da canção um ato completamente insano, silenciado apenas com a chegada de Enter Entirely. Composição mais “pop” do trabalho, a faixa de quase cinco minutos joga com o uso de pequenas quebras rítmicas e mudanças de direção, transportando o ouvinte para diferentes cenários.

Explosiva, Modern Act talvez seja a composição em que os integrantes do Cloud Nothings se completam dentro de estúdio. Batidas e distorções controladas que dançam em torno dos versos angustiados de Baldi. “Eu quero uma vida, isso é tudo que eu preciso ultimamente / Estou vivo, porém sozinho”, detalha a letra da canção, um som atormentado, reflexo de um indivíduo solitário, base de grande parte das canções produzidas pela banda desde o álbum Attack on Memory, de 2012.

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Artista: Japandroids
Gênero: Rock, Alternativo, Indie Rock
Acesse: http://japandroids.com/

 

Celebration Rock (2012) garantiu ao duo canadense Japandroids a possibilidade de amadurecer em estúdio. Entre guitarras ensurdecedoras e versos pegajosos, vide faixas como Fire’s Highway e The House That Heaven Built, o segundo registro de inéditas da dupla formada por Brian King e David Prowse passeia por diferentes fases do rock norte-americano, costurando ruídos, batidas e vozes sempre intensas, proposta que custa a se repetir em Near to the Wild Heart of Life (2017, ANTI-).

Terceiro e mais recente álbum de estúdio da dupla de Vancouver, o registro abastecido por oito canções inéditas — uma tradição dentro da discografia do Japandroids —, se apresenta ao público de forma explosiva logo nos primeiros minutos, fazendo da autointitulada música de abertura um estímulo para o restante da obra. A mesma energia e jovialidade explícita no trabalho lançado há cinco anos, mas que acaba se perdendo à medida que o duo avança pelo disco.

Caminhando em sentido oposto ao registro de 2012, em que parte expressiva das canções pareciam se completar, cada composição do novo disco se projeta como um ato isolado, independente. Instantes em que o duo canadense mergulha no noise-rock, como em I’m Sorry (For Not Finding You Sooner), para logo em seguida flertar com temas eletrônicos e sintetizadores, marca da extensa Arc Of Bar, com pouco mais de sete minutos de duração. Uma colagem de ideias e referências que torna a audição do registro confusa em diversos momentos.

Trabalho mais “experimental” de toda a curta discografia do Japandroids, Near to the Wild Heart of Life parece costurar diferentes sonoridades de forma propositadamente instável, bagunçando a essência da dupla canadense. Um bom exemplo disso está em North East South West, música que soa como algum clássico de Bruce Springsteen no começo dos anos 1980 ou mesmo True Love And A Free Life Of Free Will, composição que quebra parte expressiva do som incorporado pela banda durante o lançamento de Celebration Rock.

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Artista: CEP
Gênero: Ambient, Eletrônica, Experimental
Acesse: https://thecreativeindependent.com/

 

A voz sempre foi encarada como um componente fundamental dentro da carreira de Caroline Polachek. Seja no pop nostálgico do Chairlift, projeto em parceria com o músico Aaron Pfenning, em canções produzidas para artistas como Beyoncé, caso de No Angel, e até no curioso Arcadia (2014), primeiro registro da cantora sob o título de Ramona Lisa, grande parte do material assinado pela artista norte-americana fez dos versos e vozes um estímulo para seduzir e conquistar o ouvinte.

Curioso perceber em Drawing The Target Around The Arrow (2017, Independente), novo registro solo de Polachek, a passagem para um ambiente dominado pela completa ausência dos vocais. Em entrevista ao site The Creative Independent, por onde lançou o trabalho de temas minimalistas  gratuitamente, a artista comentou a decisão: “Naturalmente eu queria experimentar, inserir a voz, afinal, é isso o que eu faço. Gravei [os vocais] e percebi que a coisa toda parecia desmoronar”.

De essência atmosférica, o registro de 18 composições inéditas se espalha sem pressa, sempre de forma contida, tímida. São sintetizadores, ruídos e colagens eletrônicos que funcionam como uma fina tapeçaria instrumental. Músicas detalhadas em um curto espaço de tempo – dois ou três minutos –, conduzindo o ouvinte para dentro de um cenário livre de possíveis excessos, como se Polachek evitasse ao máximo ultrapassar uma possível linha conceitual.

Na contramão de qualquer trabalho recente produzido por Polachek, Drawing The Target Around The Arrow é um registro que investe no completo isolamento das canções. Trata-se de uma obra hermética, por vezes difícil de ser absorvido, efeito da forte similaridade entre as canções. Melodias tímidas e loops simples, despidos do mesmo universo de texturas e sobreposições complexas que alimentam grande parte dos trabalhos protegidos sob o rótulo de “ambient music”.

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Artista: William Basinski
Gênero: Experimental, Ambient, Drone
Acesse: https://williambasinski.bandcamp.com/

 

Mesmo sem dizer uma só palavra, os trabalhos de William Basinski sempre foram marcados pela emoção e força dos sentimentos. Basta uma rápida passagem pela série The Disintegration Loops (2003) ou mesmo obras recentes, caso de Cascade / The Deluge (2015), para perceber como os ruídos e ambientações assinadas pelo músico nova-iorquino se dobram de forma a reproduzir um som melancólico, tocante. Experimentos capazes de exaltar o que há de mais amargo no universo de qualquer indivíduo.

Em A Shadow In Time (2017, Temporary Residence), mais recente invento autoral de Basinski, cada fragmento, ruído ou mínima distorção assinada pelo produtor norte-americano se projeta como uma delicada homenagem ao músico britânico David Bowie (1947 – 2016). Em produção desde o começo do último ano, semanas após a morte do camaleão do rock, o álbum de apenas duas faixas encanta pela ambientação melancólica que sutilmente arrasta o ouvinte para dentro do registro.

Composição de abertura do trabalho, a extensa For David Robert Jones mostra a capacidade de Basinski em manter a atenção do ouvinte em alta durante mais de 20 minutos de duração. Orquestrada com sutileza, a faixa ocupa grande parte dos cinco minutos iniciais com a lenta sobreposição de ruídos e sintetizadores em loop, como se o nova-iorquino provasse da mesma temática experimental de artistas como Keith Fullerton Whitman e outros veteranos da música ambiental.

Sem pressa, Basinski detalha pequenas quebras, interferências angustiadas e ambientações que tocam de leve na obra do canadense Tim Hecker. Como um sinal, a partir de 6:05, uma espécie de sirene atravessa a massa de sons atmosféricos criados pelo músico. Instantes de breve ruptura, como se o artista provasse da mesma quebra conceitual assumida por Bowie durante o período criativo que resultou na famigerada “Era Berlim” – Low (1977), “Heroes” (1977) e Lodger (1979).

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Artista: Austra
Gênero: Eletrônica, Synthpop, Darkwave
Acesse: http://www.austramusic.com/

 

Katie Stelmanis e os parceiros Maya Postepski, Dorian Wolf e Ryan Wonsiak sabem exatamente que tipo de som eles querem alcançar com o Austra. Em Future Politics (2017, Domino), terceiro e mais recente álbum de inéditas do coletivo canadense, toda a ambientação eletrônica originalmente testada nos iniciais Feel It Break (2011) e Olympia (2013) serve de base para a construção de um som ainda mais complexo, maduro, efeito da poesia política que orienta o registro.

Inspirado em conceitos abordados nos livros Inventando o futuro: Pós-capitalismo e um mundo sem trabalho e Manifesto Aceleracionista, de Nick Srnicek e Alex Williams, Future Politics detalha um cenário que mesmo futurístico, acaba se aproximando da nossa realidade. Um universo urbano, caótico, produto da forte interferência humana e dos excessos causados pela sociedade de consumo. Canções marcadas pelo isolamento, angústia e melancolia de diferentes indivíduos.

Tamanha complexidade nas composição dos versos em nenhum momento faz do registro um trabalho arrastado, difícil de ser absorvido pelo ouvinte. Pelo contrário, ao mesmo tempo em que Stelmanis pinta um futuro sombrio, pessimista, musicalmente, grande parte das canções servem de passagem para as pistas. Sintetizadores, batidas e temas eletrônicos que ampliam parte expressiva do som produzido pela banda desde o primeiro álbum de estúdio.

Assim como em qualquer registro de inéditas do Austra, o grande destaque de Future Politics se concentra na voz forte, sempre presente, de Stelmanis. Influenciada pelo pop operístico da Kate Bush e outras veteranas dos anos 1980, a cantora canadense faz de cada composição um objeto de destaque. Faixa de abertura do álbum, We Were Alive reflete com naturalidade o verdadeiro esmero do quarteto, costurando melodias e temas eletrônicos em torno dos versos que movimentam a canção.

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Artista: Julie Byrne
Gênero: Folk, Dream Pop, Indie
Acesse: https://juliembyrne.bandcamp.com/

 

 

“Siga minha voz
Estou bem aqui
Além dessa luz
Além de todo o medo”

Como um precioso convite, a inaugural Follow My Voice conduz o ouvinte para dentro do ambiente acolhedor que se espalha entre as canções de Not Even Happiness (2017, Ba Da Bing). Segundo e mais recente álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Julie Byrne, o registro de apenas nove faixas amplia o conceito intimista apresentado no antecessor Rooms With Walls and Windows, de 2014, reforçando o folk sentimental e atmosférico que alimenta a obra da musicista.

Em ambiente enevoado, por vezes etéreo, efeito da voz marcada pelo som ecoado da captação e arranjos sutilmente espalhados ao longo do disco, Byrne convida o ouvinte a se perder. Como indicado durante o lançamento de Natural Blue, grande parte do registro flutua entre o folk melancólico da década de 1970 e o Dream Pop produzido nos anos 1990 e 2000. Instantes em que a obra da cantora nova-iorquina toca de forma referencial no trabalho de Joni Mitchell, Nico, Cat Power e Grouper, esta última, influência declarada na experimental Interlude.

De essência agridoce, Not Even Happiness se divide com naturalidade entre a melancolia dos versos e instantes de puro romantismo que crescem na voz de Byrne. “Caminhe em direção à ferida aberta / Viva em sonhos / Eu vou ficar para sempre / Dentro das cores que você mostrou”, canta em Natural Blue, uma canção que olha para o passado de forma honesta, resgatando fragmentos de um relacionamento que não deu certo, mas que continua a povoar a mente do eu lírico.

Posicionada no encerramento do disco, I Live Now As A Singer brinca de forma particular com a mesma temática. Enquanto os versos resgatam memórias recentes de Byrne (“E sim, eu fui ao chão, pedindo perdão / Quando eu não estava nem perto de me perdoar”), musicalmente, o ouvinte é conduzido para dentro de uma nuvem de sons inebriantes. Arranjos acústicos que se espalham em meio a sintetizadores densos, por vezes íntimos do som produzido por Angelo Badelamenti para a trilha sonora de Twin Peaks.

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Artista: Foxygen
Gênero: Psicodélico, Rock, Alternativo
Acesse: http://www.foxygentheband.com/

 

Em meio a conflitos declarados entre os membros da banda e uma suposta turnê de despedida, Sam France e Jonathan Rado conseguiram encontrar força para a produção de um novo registro de inéditas do Foxygen. Em Hang (2017, Jagjaguwar), quarto e mais recente álbum de estúdio da dupla californiana, todos os elementos testados no antecessor …And Star Power, de 2014, assumem um novo e delicado enquadramento, reforçando a psicodelia nostálgica que há tempos orienta os trabalhos do grupo.

Como indicado durante o lançamento de America, composição entregue ao público em outubro do último ano, grande parte do presente registro parece ancorada nos anos 1970. Melodias, vozes e arranjos que espelham o trabalho de artistas como The Rolling Stones, Lou Reed e, principalmente, David Bowie na fase Young Americans (1975), referência explícita no coro de vozes e toda a dramaticidade presente em músicas como Follow The Leader.

Distante da atmosfera “hippie” que apresentou o trabalho da banda em We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (2013), Hang se projeta como um registro sóbrio, maduro pela forma como os arranjos são explorados ao longo do disco. Um bom exemplo disso está em Trauma, música que flutua em meio a arranjos orquestrais, versos entristecidos e vozes em coro que transitam com naturalidade pela música gospel – elemento presente em grande parte da obra.

Curtinha, Upon a Hill talvez seja a composição que mais se aproxima dos primeiros registros da banda. Pouco mais de um minuto em que a banda se revela por completo, criando pequenas curvas rítmicas que jogam com a percepção do ouvinte. Um fragmento isolado, independente, como uma fuga do detalhamento complexo explícito em músicas como Rise Up, faixa de encerramento do disco e um imenso quebra-cabeça instrumental que transporta o ouvinte para diferentes cenários.

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