O bom humor sempre fez parte dos trabalhos de Father John Misty, porém, nunca de forma tão explícita (e ácida) quanto na recém-lançada Pure Comedy. Mais recente composição inédita do cantor e compositor norte-americano, a faixa de quase sete minutos de duração detalha uma poesia sarcástica, por vezes amarga, pintando uma espécie de reflexão irônica de diferentes aspectos políticos e culturais da nossa sociedade.

Ponto de partida para o primeiro álbum de inéditas do cantor desde o elogiado I Love You, Honeybear – 18º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, a canção chega acompanhada de um curioso clipe produzido por Matthew Daniel Siskin e “todo mundo na América”, como indica a descrição do vídeo. São ilustrações em preto e branco, cenas de catástrofes, programas de TV e principalmente memes, resultando em um trabalho cômico e perturbador.

 

Father John Misty – Pure Comedy

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Há tempos o Goldfrapp não parecia tão interessante quanto em Anymore. Primeiro registro da parceria entre Alison Goldfrapp e Will Gregory em quase quatro anos, a canção dominada pelo uso de sintetizadores e batidas firmes aponta a direção seguida pela dupla em Silver Eye (2017). Sucessor do obscuro Tales of Us, lançado em 2013, o novo disco parece apontar para o passado, incorporando uma série de elementos que jogam com o som produzido pelo casal no final dos anos 1990.

Além da presente composição, uma versão sóbria do material dançante lançado em obras como Black Cherry (2003) e Supernature (2005), o novo álbum ainda conta com outras nove músicas inéditas. Além da dupla, Silver Eye se abre para a chegada de um time de novos colaboradores. Entre os nomes apontados pelo Goldfrapp, Bobby Krlic, parceiro de Björk em Vulnicura (2015) e artistas responsável pelo The Haxan Cloak, além de John Congleton, produtor que já trabalhou com nomes como St. Vincent e Angel Olsen.

 

Silver Eye

01 Anymore
02 Systemagic
03 Tigerman
04 Become The One
05 Faux Suede Drifter
06 Zodiac Black
07 Beast That Never Was
08 Everything Is Never Enough
09 Moon in Your Mouth
10 Ocean

Silver Eye (2017) será lançado no dia 31/01 via Mute.

 

Goldfrapp – Anymore

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Formado pelo casal Chuck Blazevic e Alice Hansen, o You’ll Never Get To Heaven é um projeto de Dream Pop com brinca com as referências e temas instrumentais vindos de diferentes épocas. Com um bom EP entregue ao público em 2014, Adorn, o duo canadense anuncia para o final de março a chegada do primeiro grande álbum da carreira. Intitulado Images (2017), o registro de 11 faixas deve expandir o som atmosférico e doce que a dupla vem produzindo desde os primeiros anos de carreira.

Faixa-título do trabalho, a nova canção revela um claro amadurecimento no processo de composição do casal. Enquanto os versos passeiam em meio a recordações, temas intimistas e versos sussurrados, sintetizadores e guitarras se espalham sem pressa, esbarrando na mesma ambientação assumida por artistas como Chromatics. São pequenos atos e curvas sutis que conduzem o ouvinte para dentro de um território marcado pela incerteza.

 

You’ll Never Get To Heaven – Images

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No último ano, os integrantes do Bike foram convidados a participar da coletânea No Abismo da Alma (2016), uma homenagem ao movimento Udigrudi e artistas como Zé Ramalho, Lula Cortês e Ave Sangria. Canção escolhida pela banda, a psicodélica Não Existe Molhado Igual ao Pranto, música originalmente gravada no clássico Paêbirú, de 1975, mostra a busca do grupo por um som cada vez mais complexo e experimental, como uma extensão madura do material apresentado no debut 1943, de 2015.

Mais recente criação do grupo paulista, A Montanha Sagrada reforça com naturalidade esse mesmo conceito, se espalhando em meio ambientações lisérgicas, ruídos e camadas de efeitos. Com versos orquestrados como um mantra – “Subi a montanha para ficar mais perto do céu” –, e mais de sete minutos de duração, a nova faixa indica a direção seguida pela banda para o segundo álbum de estúdio, o aguardado Em Busca da Viagem Eterna (2017). Em entrevista à Revista Rolling Stone Brasil, o grupo comentou o processo de composição do novo disco, previsto para o primeiro semestre.

 

Bike – A Montanha Sagrada

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Originalmente previsto para 2015, Joyride, segundo álbum de estúdio da cantora/rapper Tinashe segue sem data de lançamento. Barrado pela gravadora, sucessor do excelente Aquarius – 30º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, acabou fragmentado em diferentes lançamentos independentes, servindo de base para a mixtape Nightride, trabalho entregue ao público em novembro do último ano.

Convidada a participar do mais novo álbum do rapper britânico Tinie Tempah, Tinashe não apenas assume os versos da pegajosa Text From Your Ex, como faz da canção uma espécie de registro autoral. Difícil passear pelas batidas, sintetizadores e rimas da composição e não lembrar do som produzido pela cantora em músicas como Company. Um R&B levemente dançante, pronto para as mesmas coreografias de Slumber Party, parceria com Britney Spears.

 



Tinie Tempah – Text From Your Ex (ft. Tinashe)

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Angel Olsen, How To Dress Well, Toro Y Moi, The Range e Avey Tare (Animal Collective), esses são alguns dos artistas que integram a coletânea Our First 100 Days. Trata-se de um projeto de enfrentamento ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em que toda a renda captada com a venda do trabalho será revertida a diferentes organizações não governamentais, entidades de proteção às mulheres, grupos LGBTQIA+ e imigrantes.

Com um custo de 30 dólares – aproximadamente 95 reais –, o usuário pode baixar todas as 100 composições produzidas por diferentes artistas para o projeto. Diariamente, uma nova composição será publicada e apresentada ao público para audição gratuita no Bandcamp. Pelo Facebook do coletivo, você acompanha os anúncios e lançamentos diários. Para conhecer todas as entidades que serão beneficiadas pelo projeto, basta uma visita ao site Our First 100 Days.

 

Vários Artistas – Our First 100 Days

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A viagem ao passado iniciada pelo Arcade Fire em Reflektor – 2º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013 –, parece longe de chegar ao fim. Primeira composição inédita da banda em três anos, I Give You Power indica a busca do coletivo canadense por um material cada vez mais empoeirado, repleto de referências ao som produzido entre o final da década de 1970 e começo dos anos 1980. Um estímulo para a recém-lançada canção em parceria com a cantora e ativista norte-americana Mavis Staples.

Naturalmente íntima do mesmo incorporado pela banda em faixas como Porno, I Give You Power se espalha em meio a sintetizadores, vozes e batidas sujas, como uma canção abandonada em estúdio por algum grupo esquecido de pós-punk. Uma linha de baixo funkeada, ruídos, melodias crescentes e versos que poderiam facilmente ser encontrado em algum clássico do Hip-Hop – acertou quem lembrou de Fight The Power, do grupo Public Enemy.

 

Arcade Fire – I Give You Power (ft. Mavis Staples)

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Quem esperava por um novo arrasa-quarteirões como Feel Good Inc. ou o pop melódico de On Melancholy Hill acabou encontrando algo mais em Hallelujah Money. Primeira composição inédita do Gorillaz em seis anos, a faixa que prepara o terreno para o novo álbum de estúdio do coletivo criado por Damon Albarn e Jamie Hewlett reforça o fino conceito sarcástico que há mais de uma década orienta grande parte das canções da banda.

Com versos assumidos pelo cantor e compositor inglês Benjamin Clementine, também personagem central do estranho vídeo que acompanha a canção, Hallelujah Money debate o culto e toda a adoração (quase) religiosa em torno do dinheiro. Repleto de referências políticas, o vídeo dirigido por Giorgio Testi ainda serve como um ataque ao novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Há poucas semanas, Noodle, uma das integrantes da banda, apresentou uma mixtape repleta de músicas compostas por mulheres fortes.

 

Gorillaz – Hallelujah Money (feat. Benjamin Clementine)

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Prisoner (2017), novo álbum de inéditas de Ryan Adams, tem tudo para se transformar em um dos grandes lançamentos do ano. Com um pé no rock brega dos anos 1980 – o famigerado Dad Rock –, Adams presenteou o público com duas composições de peso nas últimas semanas. A primeira delas, Do You Still Love Me?, uma canção essencialmente romântica, dramática, completa com a chegada do folk To Be Without You, entregue dias depois.

Terceiro e mais recente single de Prisioner, a inédita Doomsday parece flutuar entre o som empoeirado da primeira canção e o folk melancólico da segunda. Um ato de puro romantismo, típico dos principais trabalhos de Adams, porém, encorpado pelo uso de melodias pegajosas que parecem saídas do último álbum de estúdio do cantor, 1989 (2015), uma interpretação do trabalho de mesmo nome lançado pela cantora Taylor Swift.

Prisoner (2017) será lançado dia 17/02 via Pax Am/Blue Note/Capitol.

 

Ryan Adams – Doomsday

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Depois de muita expectativa e boas composições em mãos – caso de Keep Your Name e Little Bubble –, David Longstreth anuncia a chegada de um novo álbum do Dirty Projectors. Autointitulado, o trabalho previsto para o final de fevereiro conta com nove músicas e é o primeiro grande registro de inéditas do grupo nova-iorquino desde o elogiado Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012.

Além de apresentar ao público a capa do trabalho (imagem acima), Longstreth revela a inédita Up In Hudson. Terceira faixa do disco, a canção de quase oito minutos reforça o conceito eletrônico/experimental assumido pelo artista desde o primeiro single. Metais, arranjos quebrados e vozes sobrepostas que mudam de direção a cada nova batida. Retalhos instrumentais que se completam com a poesia intimista da canção.

 

Dirty Projectors

01 Keep Your Name
02 Death Spiral
03 Up in Hudson
04 Work Together
05 Little Bubble
06 Winner Take Nothing
07 Ascent Through Clouds
08 Cool Your Heart
09 I See You

Dirty Projectors (2017) será lançado no dia 24/02 via Domino.

Dirty Projectors – Up In Hudson

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