David Longstreth nunca seguiu uma trilha confortável como integrante do Dirty Projectors. Basta voltar os ouvidos para trabalhos como Slaves’ Graves and Ballads (2004), The Getty Address (2005) e Bitte Orca (2009) para perceber os instantes de experimento que costuram toda a discografia do cantor e compositor nova-iorquino. Entretanto, ao esbarrar na inédita Keep Your Name, Longstreth distorce grande parte da própria obra, brincando com as batidas, temas eletrônicos e vozes de forma particular.

Enquanto a base da canção dá voltas em torno da melodia e versos de Impregnable Question, um delicado fragmento romântico do álbum Swing Lo Magellan (2012), Longstreth detalha a própria melancolia, revelando uma sequência de versos centrados na temática da separação. Ponto de partida para o novo álbum do Dirty Projectors, o clipe de Keep Your Name ainda conta com a presença do diretor Elon Rutberg, colaborador de longa data do rapper Kanye West.

 

Dirty Projectors – Keep Your Name

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Mais conhecida pelo trabalho em parceria com David Roback no Mazzy Star, no começo dos anos 200, Hope Sandoval decidiu partir em busca de um novo projeto em carreira solo. Intitulado Hope Sandoval and The Warm Inventions, a projeto que mantém a cantora como centro das atenções deu vida a dois ótimos discos. O primeiro, Bavarian Fruit Bread, lançado em meados de 2001, enquanto Through the Devil Softly, segundo álbum da banda, foi entregue ao público em idos de 2009.

De volta ao projeto, Sandoval anuncia a chegada de um novo álbum de inéditas. Intitulado Until The Hunter, o registro encanta logo no primeiro single: Let Me Get There. Trata-se de uma delicada parceria entre a cantora e o músico norte-americano Kurt Vile. Em um dueto sutil, o casal se esparrama lentamente no interior da composição. Sussurros românticos que ainda esbarram nos pequenos solos de guitarra produzidos por Vile.

Until The Hunter (2016) será lançado no dia 04/11 via Tendril Tales.

 

Hope Sandoval and The Warm Inventions – Let Me Get There (ft. Kurt Vile)

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Dois anos após o lançamento de Vigília (2014, Balaclava Records) – 27º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2014 –, os integrantes da banda paulistana Terno Rei anunciam a chegada de um novo álbum de inéditas. Sucessor do single Trem Leva Minhas Pernas, de 2015 o novo álbum mostra que desilusões, memórias da infância, medos e reflexões intimistas continuam a servir de base para o trabalho do grupo formado por Ale Sater (voz e baixo), Bruno Paschoal (guitarra), Greg Vinha (guitarra), Luis Cardoso (bateria) e Victor Souza (percussão).

Composição escolhida para apresentar o trabalho, Sinais delicadamente incorpora parte da sonoridade que caracteriza a presente fase da banda. Entre versos marcados pela solidão – “Conheço bem a madrugada / Ela é minha sina” – e sussurros angustiados – “Outro dia me encontrei sentado / na esquina do tempo“–, guitarras, vozes e batidas lentas não apenas cercam, como parecem confortar o ouvinte. Instantes que traduzem com naturalidade a melancolia e isolamento que sufoca de qualquer indivíduo.

 

Terno Rei – Sinais

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Poucos meses após o lançamento de Beauty Behind the Madness – 43º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2015 –, Abel Tesfaye está de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Starboy (2016), o sexto álbum de inéditas do cantor e produtor canadense parece seguir exatamente de onde o artista parou há poucos meses em músicas como Can’t Feel My Face, The Hills e Often, ou pelo menos é isso que a faixa-título do trabalho acaba reforçando.

Produzida em parceria com a dupla francesa Daft Punk, a canção flutua em meio a batidas e pianos limpos, detalhando a voz e os versos melancólicos de Tesfaye. De forma sutil e naturalmente intimista, a mesma atmosfera eletrônica que marca o trabalho de Kanye West em Yeezus (2013), obra que contou com a participação do duo robótico em parte das composições. Além da presente faixa, o novo álbum ainda conta com outras 17 faixas inéditas.

Starboy (2016) será lançado no dia 25/11 via XO/Republic.

 

The Weeknd – Starboy

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Aos 83 anos, Leonard Cohen se prepara para apresentar ao público o 14º registro de inéditas da carreira. Intitulado You Want It Darker (2016), o sucessor dos ótimos Old Ideas (2012) e Popular Problems (2014), mostra que o cantor e compositor canadense continua tão intimista, sedutor e provocativo quanto no início da carreira, sensação reforçada com a chegada da faixa-título do trabalho, uma canção tão intensa, quanto sutil, minimalista.

Em um ambiente enevoado, cercado pelo uso contido de vozes em coro, Cohen detalha uma letra quase narrativa, detalhando um universo sombrio, referências religiosas e diferentes personagens. Difícil não lembrar do mesmo som produzido pelo músico em Nevermind, um blues levemente orquestrado pelo uso de temas eletrônicos, composição escolhida como música de abertura da segunda temporada de True Detective.

You Want It Darker (2016) será lançado no dia 21/10 via Columbia.

 

Leonard Cohen – You Want It Darker

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Uma das vantagens de acompanhar as novidades do Secret Songs no soundcloud – selo comandado pelo produtor canadense Ryan Hemsworth –, está na beleza de se deparar com uma série de novos artistas e projetos que acabaram de nascer. Produtores, rappers e músicos responsáveis por um acervo limitadíssimo de composições. É o caso da recém-lançada Betcha, segundo e mais novo lançamento da misteriosa cantora Zoee.

Com poucas informações reveladas ao público – a artista de origem britânica conta apenas com uma conta no Twitter e outra no Instagram –, Zoee faz do presente lançamento uma faixa marcada pelo frescor das batidas, arranjos etéreos e vozes. Entre versos essencialmente melancólicos, a construção de uma faixa que dialoga com o pop, porém de forma particular, intimista, explorando arranjos e melodias que parecem ter escapado dos instantes finais de Art Angels (2015), da canadense Grimes.

 

Zoee – Betcha

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HYMNS (2016) ainda nem esfriou e o Bloc Party já reserva ao público algumas composições inéditas. É o caso da recém-lançada Stunt Queen. Mais recente lançamento do quarteto britânico – agora completo com Kele Okereke, Russell Lissack, Justin Harris e Louise Bartle –, a faixa dominada pelo uso de guitarras dançantes e melodias íntimas do pop nasce como um perfeito resumo do material apresentado há poucos meses no quinto álbum de estúdio do grupo.

A letra pegajosa de Okereke, guitarras marcadas e batidas sob controle. A mesma fórmula exploradfa pelo quarteto em uma série de músicas recentes como Different Drugs, Only He Can Heal Me e The Love Within. Sucessor do mediano Four (2012), HYMNS é o primeiro registro de inéditas da banda em quatro anos, e o primeiro trabalho do vocalista da banda desde Trick (2014), último álbum de Okereke em carreira solo.

 

Bloc Party – Stunt Queen

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Welcome To Sideways (2016), esse foi o título escolhido para o quinto e mais novo álbum de inéditas da dupla britânica Simian Mobile Disco. Sucessor do mediano Whorl, trabalho entregue pelo duo em setembro de 2014, o registro parece seguir um caminho menos “comercial” em relação aos primeiros discos dos produtores, mergulhando em uma ambientação típica da música Techno produzida no começo dos anos 1990.

Um bom exemplo disso está em Far Away From A Distance. Primeiro single do novo álbum da dupla, a faixa de seis minutos se espalha precisa, firme, detalhando uma sequência de batidas e sintetizadores atmosféricos que crescem e diminuem do primeiro ao último instante da faixa. Formado no começo dos anos 2000, o Simian Mobile Disco é um projeto da dupla Jas Shaw e James Ford, este último, responsável pela produção dos últimos discos de Foals (What Went Down), Florence and the Machine (How Big, How Blue, How Beautiful), entre outros.

Welcome To Sideways (2016) será lançado no dia 11/11 via Delicacies.

 

Simian Mobile Disco – Far Away From A Distance

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Danny Brown não tem economizado nos últimos lançamentos. Primeiro, o rapper norte-americano apresentou ao público a caótica When It Rain, composição escolhida para anunciar o novo álbum de estúdio, Atrocity Exhibition (2016), o primeiro grande lançamento desde o elogiado Old – 8º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2013. Meses depois, foi a vez de Pneumonia, composição produzida pelo britânico Evian Christ e uma das principais composições do rapper. Pelo menos até agora.

Em Really Doe, mais recente criação de Brown, a passagem para um time de colaboradores. Junto do rapper, os parceiros Kendrick Lamar, Ab-Soul e Earl Sweatshirt. Inspirado pelo trabalho de veteranos do pós-punk – como Joy Division e Talking Heads –, Atrocity Exhibition ainda conta com um time de colaboradores. Entre os nomes confirmados para o novo álbum, artistas como a cantora Kelela e o músico sul-africano Petite Noir.

Atrocity Exhibition (2016) será lançado no dia 30/09 via Warp.

Danny Brown – Really Doe (Feat. Kendrick Lamar, Earl Sweatshirt & Ab-Soul)

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Quem ficou “desconfiado” pelo trabalho de Tom Krell em Lost Youth / Lost You, primeiro single do álbum Care (2016), quarto registro de inéditas do artista, acabou encontrando nos versos e melodias de What’s Up um porto seguro. Menos contida e marcada pelos detalhes, a canção não apenas parecia dialogar com o antigo trabalho do produtor, “What Is This Heart?” – 3º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 –, como parece servir de base para a recém lançada Can’t You Tell.

Fina representação do lado pop do músico, a canção que passeia pela obra de Michael Jackson e chega até o presente álbum de Blood Orange, soa como uma clara adaptação de diferentes conceitos da música pop/R&B. Fragmentos da educação musical de Krell, cada vez mais distante dos experimentos e sons atmosféricos que deram vida aos dois primeiros registros como How To Dress Well, Love Remains (2010) e Total Loss (2012).

Care (2016) será lançado no dia 23/09 pelo selo Domino.

How To Dress Well – Can’t You Tell

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