Category Archives: Singles

Radiohead: “Burn The Witch” (VÍDEO)

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Em dezembro do último ano, os integrantes do Radiohead apresentaram ao público a inédita Spectre. Feita sob encomenda para a película 007 Contra Spectre (2015), do diretor Sam Mendes, a canção marcada pelo uso de arranjos de cordas acabou descartada pela produção do filme, porém, serviu como um poderoso indicativo para a mudança de direção assumida pelo quinteto britânico. Em Burn The Witch, primeira grande composição da banda em cinco anos, uma quebra explícita do som produzido pelo grupo em The King Of Limbs (2011) e a passagem para um novo registro de inéditas.

Estão lá os mesmos arranjos de cordas, ainda mais frenéticos, loucos, batidas crescentes e os versos políticos de Thom Yorke, como em grande parte da discografia da banda, marcados pela utilização de falsetes. Junto da canção, claramente explorada como um ato inédito dentro ambientação eletrônica que se estende desde Kid A (2000), a perturbadora animação produzida pelo diretor Chris Hopewell. Uma reinterpretação lúdica do clássico The Wicker Man, filme de 1973 dirigido pelo britânico Robin Hardy.

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Radiohead – Burn The Witch

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Mitski: “Happy”

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Com o lançamento de Your Best American Girl, há poucas semanas, a cantora e compositor nova-iorquina Mitski Miyawaki parecia indicar a mudança de direção dentro do próprio trabalho. Ao mesmo tempo em que parece seguir a trilha deixada em obras como Lush (2012) e Bury Me At Makeout Creek (2014), vozes, versos e principalmente os arranjos apontam para um cenário completamente novo, estranho, mudança talvez percebida com maior naturalidade na recém-lançada Happy.

Uma das canções que abastecem o novo registro de inéditas da musicista, o aguardado Puberty 2 (2016), Happy transporta a mesma poesia descritiva e pessimista da cantora para um cenário musicalmente transformado. Da batida eletrônica que cresce ao fundo da canção, passando pela lenta inserção das guitarras, sempre acolhedoras e quentes, Miyawaki mais uma vez perverte a própria obra, esbarrando em aspectos curiosos da recente fase de artistas como St. Vincent e Tune-Yards.

Puberty 2 (2016) será lançado no dia 17/06 pelo selo Dead Oceans.

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Mitski – Happy

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LUH: “$ORO”

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A cada nova composição do LUH, Ellery James Roberts e Ebony Hoorn dão um passo além em relação ao trabalho produzido com o WU LYF, antiga banda de Roberts. Beneath the Concrete, I&I e Unites, composições que serviram para reforçar a essência eletrônica do projeto, indicando o caminho a ser seguido em Spiritual Songs For Lovers To Sing (2016), primeiro álbum de inéditas da dupla. Com a chegada de $ORO, um reforço a essa busca por novas possibilidades.

São quase sete minutos em que vozes carregadas de efeito, sintetizadores explosivos e batidas eletrônicas transportam o som do casal para um cenário completamente novo, inusitado. Não seria um erro interpretar a canção como o ato em que Roberts e Hoorn mais se aproximam da música pop. Perceba como a voz da cantora ecoa de forma melódica ao fundo da canção, sedutora, lembrando uma versão desconstruída de alguma parceria entre Rihanna e Kanye West.

Spiritual Songs For Lovers To Sing (2016) será lançado no dia 06/05 pelo selo Mute.

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LUH – $ORO

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Marissa Nadler: “Katie I Know”

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Anunciado em fevereiro deste ano, Strangers (2015) é o nome do novo álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Marissa Nadler. Sucessor do excelente July – um dos 50 melhores discos internacionais de 2014 –, o registro deve seguir a trilha melancólica explorada pela artista desde o começo de carreira, percepção reforçada durante o lançamento de Janie in Love All the Colors of the Dark, além da recém-lançada Katie I Know.

Em um fino exercício de exposição vocal, Nadler detalha uma coleção melancólicos, sempre intimistas, centrados no próprio cotidiano da artista. Ao fundo da canção, os arranjos de Eyvind Kang, parceiro de longa data da musicista e também colaborador em obras como Feels (2005), do Animal Collective, The Crane Wife (2006), do coletivo The Decemberists, além de outros artistas como Sun O))) e Six Organs Of Admittance.

Strangers (2016) será lançado no dia 20/05 pelo selo Sacred Bones.

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Marissa Nadler – Katie I Know

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Adult Jazz: “Earrings Off!”

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É inútil buscar por uma possível zona de conforto dentro do trabalho do Adult Jazz. Se há dois anos o grupo britânico fez do primeiro álbum de estúdio, Gist Is (2014), um claro exercício de experimento, em Earrings Off! (2016), a banda parece ir ainda mais longe. Depois da colisão de ideias que sustenta a inicial Eggshell, composição escolhida para apresentar o ainda inédito registro, chega a vez do quarteto presentear o público com a estranha canção que garante título ao trabalho.

Assim como no registro de 2014, em Earrings Off! o grande acerto do Adult Jazz está no uso desimpedido e “instrumental” da voz. Um canto louco, propositadamente instável. Instantes em que a banda flutua com leveza e logo em sequência explode. Ainda que seja fácil encontrar uma série de pontes para o trabalho do Dirty Projectos, vide o coro de vozes que corre ao fundo da faixa, talvez a maior inspiração da banda da boa fase do Animal Collective, principalmente em obras como Strawberry Jam (2007).

Earrings Off! (2016) será lançado no dia 20/05 pelo selo Tri Angle.

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Adult Jazz – Earrings Off!

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Não Ao Futebol Moderno: “Janeiro”

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Poucas semanas após o lançamento de Cansado de Trampar, o grupo gaúcho Não Ao Futebol Moderno está de volta com uma nova e delicada canção. Em Janeiro, segunda e mais recente composição do ainda inédito registro de estreia da banda de Porto Alegre, vozes s e guitarras flutuam delicadamente, quase ao fundo da faixa. Uma coleção de melodias brandas e distorções semi-psicodélicas, conceito que se aproxima com naturalidade do trabalho de artistas como Mac Demarco e Real Estate.

No segundo ato da canção, um instante breve de silêncio, e a completa mudança de direção. Vozes e guitarras essencialmente aceleradas, reforçando a relação da banda com o material apresentado no EP Onde Anda Chico Flores?, de 2014. Como anunciado durante a apresentação de Cansado de Trampar, há poucos dias, o primeiro álbum de estúdio da banda conta com lançamento previsto para junho deste ano e distribuição pelo selo Umbaduba Records.

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Não Ao Futebol Moderno – Janeiro

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London O’Connor: “Time To Go”

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Responsável por uma das melhores estreias de 2015, o cantor, compositor e rapper London O’Connor está de volta com mais uma criação inédita. Em Time To Go, mais recente single do artista nova-iorquino, vozes e rimas dialogam suavemente, transportando o ouvinte para o mesmo cenário apresentado pelo artista em O∆, álbum de 10 faixas lançado de forma independente e que serviu para apresentar o trabalho de O’Connor a grande parte da imprensa.

Assim como em Nobody Hangs Out Anymore, OATMEAL e parte das canções apresentadas no último ano, O’Connor caminha em um cenário dominado por sintetizadores tímidos, detalhando versos que exploram o próprio cotidiano. Em Time To Go, a diferença está na forma como as batidas ganham ainda mais destaque, posicionando as melodias em um segundo plano, como uma base complementar, melancólica em grande parte do tempo.

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London O’Connor – Time To Go

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Broen: “No, My God” (VÍDEO)

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Sintetizadores loucos, vozes que se transformam de maneira brusca em rimas, a instrumentação serena que subitamente explode. Não é fácil traduzir o som produzido pelo quinteto Broen. Original da cidade de Oslo, capital da Noruega, o grupo formado por Anja Lauvdal (sintetizadores), Lars Ove Fossheim (guitarras), Hans Hulbækmo (bateria), Heida Karine Johannesdottir Mobeck (tuba) e Marianna S. A. Røe (voz) parece ter encontrado na constante transformação a base para o próprio trabalho.

Em No, My God, mais recente single/clipe da banda, é possível ter uma noção do som produzido pelos noruegueses. Da sonoridade inicialmente pueril, lembrando uma versão menos lisérgica dos trabalhos de Ariel Pink, passando pelo uso de bases instáveis, batidas e rimas, cada ato da canção aponta para uma direção completamente distinta. Parte do novo EP do quinteto, a faixa conta com um clipe tão estranho quanto a própria sonoridade, trabalho assinado pelo diretor Bjørn Ante Roe.

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Broen – No, My God

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Braids: “Companion” (VÍDEO)

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Poucos grupos evoluíram tanto e, ainda assim, mantiveram a própria essência nos últimos anos quanto o Braids. Do começo de carreira com o psicodélico Native Speaker (2011), passando pela transição eletrônica de Flourish // Perish (2013), até o flerte com o R&B no ainda recente Deep in the Iris (2015), cada trabalho apresentado pela banda de Calgary, no Canadá, parece transportar o ouvinte para um cenário completamente distinto.

Em Companion EP (2016), mais recente projeto do grupo formado por Raphaelle Standell-Preston, Austin Tufts e Taylor Smith, um ambiente musicalmente renovado. Sintetizadores e manobras instrumentais essencialmente sutis, como um diálogo declarado com a ambient music. Difícil não lembrar do trabalho de Björk em obras como Vespertine (2003) e Vulnicura (2015), relação reforçada na delicada exposição dos vocais e toda a base instrumental que cerca e conforta a voz de Standell-Preston.

Companion EP (2016) será lançado no dia 20/05 pelos selos Arbutus Records/Flemish Eye.

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Braids – Companion

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Local Natives: “Past Lives”

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São apenas dois álbuns de estúdio – Gorilla Manor (2009), Hummingbird (2013) –, e algumas das composições mais delicadas que abasteceram a recente cena norte-americana – Airplanes, You & I, Wide Eyes e Breakers. Em pouco mais de uma década de atuação, o grupo californiano Local Natives conseguiu conquistar um espaço próprio, autoral, competindo com outros gigantes como Grizzly Bear, Fleet Foxes e demais coletivos conceitualmente próximos.

Após um hiato de quase três anos, o grupo de Los Angeles está de volta com a crescente Past Lives. Trata-se de uma típica canção da banda, com seus atos melódicos que servem de apoio para o refrão grandioso, ainda mais impactante na segunda metade da canção. Lançada de forma independente, nas redes sociais da banda, a nova faixa parece indicar a chegada de um novo registro de estúdio do grupo, parcialmente distante dos palcos nos últimos anos.

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Local Natives – Past Lives

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