Quem acompanha o CocoRosie desde o começo da carreira sabe da forte relação da dupla norte-americana com a cantora e compositora britânica ANOHNI. Parceiras desde o single Beautiful Boyz, parte do álbum Noah’s Ark, de 2005, o grupo se reencontra agora dentro da inédita Smoke’m Out. Composta por Bianca Casady, a canção que debate a opressão sofrida diariamente pelas mulheres nasce como um ataque direto ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e toda a série de discursos machistas/racistas proferidos pelo “político”.

Além da presente faixa, em 2012 o trio assumiu o mesmo teor político na colaborativa Tearz of Animals, composição lançada posteriormente como parte do álbum Tales of a GrassWidow, de 2013. Lançado em 2015, Heartache City é o último registro de inéditas do CocoRosie. ANOHNI (antes conhecida como Antony Hegarty) por sua vez apresentou ao público o excelente HOPELESSNESS, 7º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016.

 

CocoRosie – Smoke’em Out (feat. ANOHNI)

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Em novembro do último ano, os integrantes do coletivo britânico Los Campesinos! apresentaram ao público a intensa I Broke Up In Amarante. Canção escolhida para anunciar a chegada do novo registro de inéditas da banda, Sick Scenes (2017), a faixa dominada pelo uso de boas melodias e versos marcados pela profundidade indica um claro amadurecimento por parte do grupo, dando um passo além em relação ao som pop testado nas canções do ótimo No Blues (2013).

Parte do mesmo registro, 5 Flucloxacillin mantém firme o mesmo cuidado instrumental e, principalmente, poético. Enquanto as guitarras e vozes parecem saídas de algum disco do Belle and Sebastian no começo dos anos 1990, nos versos, temas como mentira e corrupção ditam os rumos da canção. “Eles dizem que se tivessem conseguido a vitória / Teriam agido com mais humildade“, entrega a letra da faixa enquanto um coro de vozes dançam na cabeça do ouvinte.

Sick Scenes (2017) será lançado no dia 24/02 via Wichita.

 

Los Campesinos! – 5 Flucloxacillin

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Original da cidade de Oslo, capital da Noruega, Hajk é um projeto de indie pop comandado pelos músicos Preben Andersen (guitarra, voz), Sigrid Aase (voz, percussão), Knut Olav Sandvik (baixo, voz), Einar Næss Haugseth (teclados) e  Johan Nord (bateria). Com boas composições em mãos, caso das pegajosas Medicine e Magazine, o quinteto anuncia para o começo de fevereiro a chegada do primeiro álbum de estúdio.

Mais recente single do grupo, Best Friend sintetiza todo o cuidado que emana do som produzido pela banda norueguesa. São melodias ensolaradas, vozes em coro e guitarras marcadas pela versatilidade, como um curioso encontro entre o Phoenix do álbum It’s Never Been Like That (2006) e toda a sequência de obras produzidas por Mac DeMarco nos últimos anos. No soundcloud da banda, um precioso acervo de faixas inéditas e remixes.

 

Hajk – Best Friend

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As últimas semanas têm sido bastante corridas para Kehlani. Próxima de lançar o primeiro álbum de estúdio da carreira, SweetSexySavage (2017), a cantora e produtora norte-americana segue com a divulgação de uma sequência de ótimos singles. Na recente seleção apresentada pela artista, músicas como a pegajosa Undercover, além de outras como CRZY, Distraction e Advice, músicas sempre íntimas do R&B dos anos 1990/2000.

Na trilha romântica dos últimos singles, Do U Dirty reflete todo o cuidado de Kehlani na construção dos versos e batidas. De forma lenta, porém, sedutora, Kehlani abre o próprio coração, esbarra em temas intimistas e clama pelo amor. Nos arranjos da canção, o uso contido de sintetizadores e samples atmosféricos, como se a rapper bebesse do mesmo som produzido por artistas como Tinashe, Ciara e outros nomes de peso do gênero.

SweetSexySavage (2017) será lançado no dia 27/01 via Atlantic.

 

Kehlani – Do U Dirty

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De todas as canções apresentadas nas últimas semanas, JJPink White House continuam como as mais intensas e interessantes. Parte do primeiro álbum de estúdio do Priests, Nothing Feels Natural (2017), as duas faixas replicam o mesmo cuidado e energia que marca toda a sequência de músicas produzidas pela banda nos primeiros registros caseiros. Vozes, guitarras e batidas que se encontram de forma sempre caótica, explosiva.

Curioso perceber na recém-lançada faixa-título do disco uma fuga dessa mesma sonoridade. Composta durante um período de depressão da vocalista e líder Katie Alice Greer, Nothing Feels Natural fala sobre o desejo de mudança em um estágio onde todas as coisas parecem não funcionar direito. Uma poesia entristecida, ainda que esperançosa, conceito que acaba se refletindo com naturalidade na construção dos arranjos que marcam a canção.

Nothing Feels Natural (2017) será lançado no dia 27/01 via Sister Polygon.

 



Priests – Nothing Feels Natural

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Com previsão de lançamento para o começo de março, Last Place (2017), novo registro de inéditas do Grandaddy é um dos trabalhos mais esperados deste ano. Primeiro álbum do grupo norte-americano em mais de dez anos, o disco segue uma trilha particular em relação ao som produzido para o derradeiro Just Like the Fambly Cat (2006), colidindo sintetizadores e temas eletrônicos, ponto de partida para as recentes Way We Won’tA Lost Machine.

Com Evermore, mais recente single do Grandaddy, não é diferente. Trata-se de uma composição que poderia ter saído dos primeiros discos da banda, Under the Western Freeway (1997) e The Sophtware Slump (2000), efeito do uso descomplicado das melodias, vozes e batidas que preenchem grande parte da canção. Além das três canções já apresentadas ao público, Last Place reserva outras nove músicas inéditas, todas produzidas pelo vocalista e líder Jason Lytle.

Last Place (2017) será lançado no dia 03/03 via 30th Century.

Grandaddy – Evermore

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Três anos após o lançamento do primeiro álbum de estúdio, Z (2014), Solana Rowe está de volta com um novo trabalho como SZA. Intitulado CTRL (2017), o registro chega em meio a conflitos com a Top Dawg Entertainment, gravadora da artista e casa de rappers como Kendrick Lamar, SchoolBoy Q e Jay Rock. Primeira composição do registro a ser apresentada ao público, a inédita Drew Barrymore traz de volta toda a leveza que marca os registros da cantora.

Entre vozes sobrepostas e melodias que passeiam sutilmente pelo soul produzido nos anos 1970, a cantora finaliza uma de suas composições mais acessíveis em tempos. Difícil não lembrar dos instantes de maior melancolia em ANTI (2016), último registro de inéditas de Rihanna e obra que conta com a participação de SZA. Além da nova faixa, nos últimos meses a artista se revezou em uma série de obras colaborativas, incluindo parcerias com Schoolboy Q e Isaiah Rashad.

SZA – Drew Barrymore

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Para onde seguir depois de um trabalho como Bestial Burden (2014)? Depois de brincar com o próprio corpo no segundo álbum de inéditas como Pharmakon, Margaret Chardiet parece decidida a resgatar o mesmo som experimental (e intenso) originalmente apresentado ao público nas canções do experimental Abandon (2013). Em Transmission, primeiro single do novo álbum de inéditas da artistas, vozes e ruídos eletrônicos crescem e se espalham de forma densa, sufocante.

São pouco mais de cinco minutos em que batidas crescentes, gritos e sintetizadores vão ocupando todos os limites da canção, fazendo de Transmission uma espécie de continuação instável do material lançado pela artista em 2013. Além da presente composição, Chardiet aproveitou para apresentar a capa do disco (imagem acima). Lançado há três anos, Bestil Burden é o 46º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014.

Contact (2017) será lançado no dia 31/03 via Sacred Bones.

 

Contact

01 Nakedness of Need
02 Sentient
03 Transmission
04 Sleepwalking Form
05 Somatic
06 No Natural Order

 

Pharmakon – Transmission

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Desde o lançamento de America, em outubro do último ano, que cada nova composição do Foxygen se revela como um verdadeiro acerto. Em boa fase, a dupla californiana prepara o terreno para a chegada de um novo álbum de estúdio, Hang (2017), primeiro registro de inéditas da banda formada por Sam France e Jonathan Rado desde o duplo …And Star Power (2014). Em On Lankershim, novo single do grupo, um novo achado musical.

Claramente inspirada pelo rock da década de 1970, principalmente David Bowie no clássico Young Americans (1975), a canção segue exatamente de onde o Foxygen parou em novembro do último ano, brincando com os mesmos conceitos apresentados na excelente Follow The Leader. Junto da composição, a banda aproveita para apresentar um clipe caseiro de Danny Lacy. Nas imagens, um passeio pelo centro de Los Angeles em um Mustang conversível.

Hang (2017) será lançado no dia 20/01 via Jagjaguwar.

 

Foxygen – On Lankershim

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Jamie Stewart sempre fez do uso de temas experimentais a base para cada novo registro do Xiu Xiu. Depois de brincar com a obra de David Lynch e Angelo Badalamenti no álbum Plays the Music of Twin Peaks (2016), o cantor e compositor californiano está de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado FORGET (2017), o registro que já conta com a boa Wondering, ganha um poderoso reforço com o lançamento da inédita Jenny GoGo.

Menos acessível em relação ao material entregue no último ano, a nova faixa encanta pela forma como Stewart lida com o caos. Entre ruídos e batidas que parecem saídas de algum trabalho do Suicide, o músico detalha melodias sutis, como pequenos (e improváveis) respiros. A mesma estrutura explorada em Wondering, porém, orientada de forma ainda mais intensa dentro da presente canção. Jenny GoGo ainda conta com um clipe dirigido por Emp.Bikutoru.

 

Xiu Xiu – Jenny GoGo

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