É hora de completar a trilogia iniciada em Beta EP (2014). Dois anos após o lançamento do último registro de inéditas, Malverde EP (2015), os integrantes da Alternadores estão de volta com um novo trabalho de estúdio. Em Wanderlust EP (2017), Carlos Eduardo Batista (Bidu), Igor Gadelha (Pepeu Guzman) e Gustavo Pozzobon se revezam na construção de um som propositadamente instável, produzido a partir da sobreposição de ruídos eletrônicos, samples e melodias detalhadas de forma cuidadosa.

Como indicado durante o lançamento das ótimas Glitched GamelevelPra onde corre o rio, dobradinha entregue ao público nas últimas semanas, cada faixa produzida pelo trio paraibano se abre de forma a revelar um mundo de pequenas possibilidades. São temas psicodélicos, fragmentos de vozes e melodias típicas da trilha sonora de jogos dos anos 1980. Na lista de referências da banda, nomes como Kraftwerk, Prodigy, Animal Collective e Battles. Ouça o disco completo:

 

Alternadores – Wanderlust EP

Continue Reading "Alternadores: “Wanderlust EP”"

 

Responsável por alguns dos principais lançamentos do último ano, como Songs of Wood & Fire, do M O O N S, e Submarine Dreams, do do cantor e compositor JP Cardoso, o selo belga-brasileiro La Femme Qui Roule anuncia a chegada de um novo trabalho de inéditas. Trata-se de Agosto (2017), registro de seis faixas composto e tocado inteiramente pelo músico Arthur Melo, artista que flutua entre o minimalismo do folk e instantes breves de pura psicodelia.

Com produção de Leonardo Marques (Transmissor, Congo Congo), o trabalho se divide com naturalidade entre reflexões intimistas, relacionamentos confusos e problemas típicos de qualquer jovem adulto. Músicas como a semi-descritiva Coração ou mesmo a inaugural faixa-título, representações perfeitas do som produzido por Melo. Distribuído em diferentes plataformas digitais, o álbum também pode ser baixado no Bandcamp do músico.

 

Arthur Melo – Agosto

Continue Reading "Arthur Melo: “Agosto”"

 

O último ano foi bastante movimentado para Charli XCX. Além de anunciar a criação do próprio selo, por onde lançou o EP Vroom Vroom (2016), a cantora e produtora inglesa acabou se concentrando na produção de trabalhos em parceria com outros artistas, o que não impediu o aparecimento de faixas como a inédita After The Afterparty ou mesmo Deadstream, parceria com o músico nova-iorquino ROSTAM (ex-Vampire Weekend).

De volta com uma nova mixtape, Number 1 Angel (2017), a cantora se cerca de um time de produtores ingleses, como SOPHIE, EasyFun, John Hill, Life Sim e Danny L Harle, e nomes de destaque do pop atual, como MØ, Uffie, Abra e CupcakKe para despejar uma verdadeira avalanche de músicas pegajosas. São dez composições em que a cantora parece brincar com diferentes gêneros e fórmulas, conceito anteriormente testado na mixtape Super Ultra, de 2012.

 

Charli XCX – Number 1 Angel 

Continue Reading "Charli XCX: “Number 1 Angel”"

 

Poucas coisas são tão relaxantes quanto a música produzida por Mark Barrott. Responsável pela série Sketches From An Island, seleção de obras que deu vida a um dos principais trabalhos lançados em 2016, o produtor inglês está de volta com um novo registro de inéditas. Intitulado Music For Presence (2017), o álbum de apenas quatro faixas – Schopenhauer’s Garden, Emilé, Mokushō? e Lysander – se distancia do clima litorâneo de outras obras do artista para detalhar um som cósmico, etéreo.

No lugar do tradicional canto dos pássaros e elementos tropicais da série Sketches From An Island, são sintetizadores vindo de algum lugar da década de 1970 que acabam alimentando o trabalho do artista. Difícil não lembrar de nomes como Cluster, Brian Eno, Tangerine Dream e até do som produzido por representantes da famigerada New Age, principalmente Vangelis. Quatro músicas que se completam de forma sensível, efeito do minimalismo que marca o trabalho de Barrott.

 

Mark Barrott – Music For Presence

Continue Reading "Mark Barrott: “Music For Presence”"

 

Formado na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, o Congo Congo é um coletivo de rock alternativo/psicodélico que reúne alguns dos nomes mais importantes da cena local. Uma parceria entre os músicos André Travassos (Câmera, Invisível, M O O N S), Leonardo Marques e Pedro Hamdan (Transmissor), Yannick Falisse (Teach Me tiger), Victor Magalhães e Gustavo Cunha (Iconili) que resultou no primeiro álbum de estúdio do grupo.

São oito faixas inéditas, entre elas, a já conhecida Into The Breeze, música entregue ao público em janeiro deste ano. Surgem ainda composições como as delicadas Moon Moon, King Congo e Tomorrow is a Long Way, além de outras canções enérgicas, caso de The Original Congo, Tom Tom. Uma verdadeira colagem de diferentes ideias e referências que passa pelos trabalhos paralelos de cada colaborador de forma sempre curiosa, inventiva.

 

Congo Congo – Congo Congo

Continue Reading "Congo Congo: “Congo Congo”"

 

Depois de muita expectativa e quatro composições excelentes – Keep Your Name, Little Bubble, Up in Hudson e Cool Your Heart, parceria com Dawn Richard –, o novo álbum de estúdio do Dirty Projectors está disponível para audição. Sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o registro conta com nove composições inéditas e uma série de referências que passam por diversos aspectos da carreira do grupo.

Produzido ao longo de 2016 pelo próprio vocalista e líder da banda, Dave Longstreth, o autointitulado lançamento reflete o distanciamento entre o músico e Amber Coffman, ex-integrante do Dirty Projectors e antiga parceira de Longstreth. Repleto de curvas, manipulações vocais e flertes com o R&B, o novo disco talvez seja o registro mais revolucionário da banda desde o elogiado Bitte Orca (2009), obra responsável por catapultar o trabalho do coletivo nova-iorquino.

 



Dirty Projectors – Dirty Projectors

Continue Reading "Dirty Projectors: “Dirty Projetors”"

 

No começo da semana, os integrantes do Animal Collective anunciaram a chegada de um novo EP. Intitulado The Painters (2017), o registro que conta com distribuição pelo selo Domino segue exatamente de onde a banda parou no último ano, durante o lançamento do fraco Painting With. Como indicado durante o lançamento de Kinda Bonkers, parte expressiva do trabalho flutua entre a eletrônica e o pop psicodélico, base de grande parte dos álbuns recentes da banda.

São três composições inéditas – Kinda Bonkers, Peacemaker e Goalkeeper –, além de uma versão para a faixa Jimmy Mack, composição eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Conceitualmente, o trabalho mantém firme a essência do disco lançado em 2016, apresentando ao público um som 9inspirado pelos principais movimentos artísticos de vanguarda no começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo.

 

Animal Collective – The Painters

Continue Reading "Animal Collective: “The Painters”"

 

Seis anos se passaram desde o lançamento de Bandarra (2011), primeiro álbum de Tibério Azul (Mula Manca & a Fabulosa Figura) em carreira solo. De lá para cá, o cantor e compositor pernambucano vem se revezando em uma série de apresentações do disco, além, claro, na composição do segundo registro de inéditas. O resultado desse longo período de gestação está nas nove músicas de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017).

Com produção de Yuri Queiroga, o trabalho se abre para a chegada de um imenso time de instrumentistas da cena pernambucana. Na composição dos versos, músicas assinadas em parceria com artistas como Zé Manoel, Vinícius Sarmento e Vítor Araújo, este último, responsável pelo belíssimo Levaguiã Terê, de 2016. O disco ainda conta com a participação de Clarice Falcão, responsável pela voz em Chover, e Pedro Luis, convidado a ocupar os versos de Nem a pedra é dura.

 

Tibério Azul – Líquido

Continue Reading "Tibério Azul: “Líquido”"

 

Poucos meses após o lançamento de MM3 (2016), terceiro e mais recente álbum de estúdio do Metá Metá, Kiko Dinucci, guitarrista e um dos integrantes do grupo paulistano anuncia a chegada do primeiro trabalho em carreira solo. Intitulado Cortes Curtos (2017), o registro, produzido e gravado pelo músico em setembro do último ano no Red Bull Station, em São Paulo, conta com 14 composições inéditas, uma regravação e download gratuito pelo site do cantor.

Depois de seis anos de gestação, chegou o Cortes Curtos. Ele é mais filme do que disco, ouça numa tacada só, ouça em volume alto se for possível“, escreveu Danucci no Facebook. No time de colaboradores da obra, parceiros de longa data. Tulipa Ruiz, em O Inferno Tem Sede, Ná Ozzetti em Inferno Particular, Juçara Marçal em Chorei, composição que leva a assinatura de Beto Villares. Cortes Curtos ainda se abre para a participação dos músicos Marcelo Cabral no baixo e Sérgio Machado na bateria. Ouça:

 

Kiko Dinucci – Cortes Curtos

Continue Reading "Kiko Dinucci: “Cortes Curtos”"

 

Depois de duas composições inéditas – Elogio à Instituição do Cinismo e Olhos –, os integrantes da banda goiana Boogarins estão de volta com um novo lançamento. Intitulado Desvio Onírico (2017), o trabalho de apenas quatro faixas – todas com mais de nove minutos de duração –, resume parte parte da extensa turnê produzida pela banda para a divulgação do elogiado Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos (2015), segundo álbum de estúdio da banda.

São pouco mais de 40 minutos em que o grupo detalha pequenos experimentos e variações instrumentais de faixas já conhecidas do público, caso de Tempo, originalmente gravada no disco de 2015, porém, reformulada na apresentação do grupo no Rock In Rio Lisboa. Em recente entrevista à Rolling Stone Brasil, os integrantes explicaram que esse é apenas o primeiro dos dois discos que a Boogarins deve apresentar pelos próximos meses.

 

Boogarins – Desvio Onírico

Continue Reading "Boogarins: “Desvio Onírico”"