Depois de muita expectativa e quatro composições excelentes – Keep Your Name, Little Bubble, Up in Hudson e Cool Your Heart, parceria com Dawn Richard –, o novo álbum de estúdio do Dirty Projectors está disponível para audição. Sucessor de Swing Lo Magellan – 22º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2012 –, o registro conta com nove composições inéditas e uma série de referências que passam por diversos aspectos da carreira do grupo.

Produzido ao longo de 2016 pelo próprio vocalista e líder da banda, Dave Longstreth, o autointitulado lançamento reflete o distanciamento entre o músico e Amber Coffman, ex-integrante do Dirty Projectors e antiga parceira de Longstreth. Repleto de curvas, manipulações vocais e flertes com o R&B, o novo disco talvez seja o registro mais revolucionário da banda desde o elogiado Bitte Orca (2009), obra responsável por catapultar o trabalho do coletivo nova-iorquino.

 



Dirty Projectors – Dirty Projectors

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No começo da semana, os integrantes do Animal Collective anunciaram a chegada de um novo EP. Intitulado The Painters (2017), o registro que conta com distribuição pelo selo Domino segue exatamente de onde a banda parou no último ano, durante o lançamento do fraco Painting With. Como indicado durante o lançamento de Kinda Bonkers, parte expressiva do trabalho flutua entre a eletrônica e o pop psicodélico, base de grande parte dos álbuns recentes da banda.

São três composições inéditas – Kinda Bonkers, Peacemaker e Goalkeeper –, além de uma versão para a faixa Jimmy Mack, composição eternizada pelo grupo de R&B/Soul Martha & The Vandellas. Conceitualmente, o trabalho mantém firme a essência do disco lançado em 2016, apresentando ao público um som 9inspirado pelos principais movimentos artísticos de vanguarda no começo do século XX – como dadaísmo e surrealismo.

 

Animal Collective – The Painters

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Seis anos se passaram desde o lançamento de Bandarra (2011), primeiro álbum de Tibério Azul (Mula Manca & a Fabulosa Figura) em carreira solo. De lá para cá, o cantor e compositor pernambucano vem se revezando em uma série de apresentações do disco, além, claro, na composição do segundo registro de inéditas. O resultado desse longo período de gestação está nas nove músicas de Líquido ou a vida pede mais abraço que razão (2017).

Com produção de Yuri Queiroga, o trabalho se abre para a chegada de um imenso time de instrumentistas da cena pernambucana. Na composição dos versos, músicas assinadas em parceria com artistas como Zé Manoel, Vinícius Sarmento e Vítor Araújo, este último, responsável pelo belíssimo Levaguiã Terê, de 2016. O disco ainda conta com a participação de Clarice Falcão, responsável pela voz em Chover, e Pedro Luis, convidado a ocupar os versos de Nem a pedra é dura.

 

Tibério Azul – Líquido

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Poucos meses após o lançamento de MM3 (2016), terceiro e mais recente álbum de estúdio do Metá Metá, Kiko Dinucci, guitarrista e um dos integrantes do grupo paulistano anuncia a chegada do primeiro trabalho em carreira solo. Intitulado Cortes Curtos (2017), o registro, produzido e gravado pelo músico em setembro do último ano no Red Bull Station, em São Paulo, conta com 14 composições inéditas, uma regravação e download gratuito pelo site do cantor.

Depois de seis anos de gestação, chegou o Cortes Curtos. Ele é mais filme do que disco, ouça numa tacada só, ouça em volume alto se for possível“, escreveu Danucci no Facebook. No time de colaboradores da obra, parceiros de longa data. Tulipa Ruiz, em O Inferno Tem Sede, Ná Ozzetti em Inferno Particular, Juçara Marçal em Chorei, composição que leva a assinatura de Beto Villares. Cortes Curtos ainda se abre para a participação dos músicos Marcelo Cabral no baixo e Sérgio Machado na bateria. Ouça:

 

Kiko Dinucci – Cortes Curtos

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Depois de duas composições inéditas – Elogio à Instituição do Cinismo e Olhos –, os integrantes da banda goiana Boogarins estão de volta com um novo lançamento. Intitulado Desvio Onírico (2017), o trabalho de apenas quatro faixas – todas com mais de nove minutos de duração –, resume parte parte da extensa turnê produzida pela banda para a divulgação do elogiado Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos (2015), segundo álbum de estúdio da banda.

São pouco mais de 40 minutos em que o grupo detalha pequenos experimentos e variações instrumentais de faixas já conhecidas do público, caso de Tempo, originalmente gravada no disco de 2015, porém, reformulada na apresentação do grupo no Rock In Rio Lisboa. Em recente entrevista à Rolling Stone Brasil, os integrantes explicaram que esse é apenas o primeiro dos dois discos que a Boogarins deve apresentar pelos próximos meses.

 

Boogarins – Desvio Onírico

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Com mais de uma década de carreira, o rapper carioca Thiago Elñino apresenta ao público o primeiro grande álbum de estúdio. Intitulado A Rotina do Pombo (2017), o registro que conta com produção de Guga Valiante, Martche e Tolen joga com as palavras, fazendo uma espécie de analogia entre os jovens negros do Brasil e os agrupamentos de pombos em qualquer grande centro urbano. Um debate racial que há muito alimenta o trabalho do artista.

Junto de Elñino, um time de convidados vindos de diferentes campos do rap nacional. São nomes como Rincon Sapiência, Tamara Franklin, Sant, Flávio SantoRua, Douglas Din e os irmãos Raony e Keops, integrantes da banda Medulla. Produzido em um intervalo de quase cinco anos, o trabalho que pode ser baixado gratuitamente ainda conta com um rico acervo de ritmos e sonoridades, passeando pela música brasileira e até gêneros típicos da cultura africana.

 

Thiago Elñino – A Rotina do Pombo

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De um lado, a voz inebriante da cantora Geanine Marques (Stop Play Moon), no outro, um jogo de arranjos minimalistas e encaixes certeiros que conduzem o ouvinte para dentro do primeiro álbum do G T’aime. Parceria entre a artista curitibana e o músico Rodrigo Bellotto, o trabalho de dez faixas passeia por diferentes sonoridades, épocas e estilos diferentes, indo do Trip-Hop dos anos 1990 ao mesmo som referencial de novatos como Lower Dens e outos apaixonados pela década de 1980.

Com distribuição pelo selo Joia Moderna – Alice Caymmmi, Felipe S., César Lacerda –, o trabalho ainda conta com a produção do veterano Maurício Takara, um dos nomes no comando do Hurtmold e artista que já trabalhou com diferentes representantes da cena paulistana. No repertório, um catálogo de temas intimistas, declarações de amor e temas melancólicos, conceitos explorado pelo casal durante todo o processo de construção do disco.

 

G T’Aime – G T’Aime

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Um pop romântico, leve e marcado em essência pelos detalhes. Assim é o trabalho do músico paraense Leonardo Pratagy em Búfalo (2017). Produzido de forma independente, cercado de artistas e colaboradores da cena de Belém, o cantor e produtor parece brincar com as referências em cada uma das sete faixas que abastecem o registro. Melodias que poderiam ser encontradas em alguma obra do Toro Y Moi, Phoenix e Air, mas que se transformam dentro do presente álbum.

Sucessor do ainda recente Pictures, de 2016, o novo álbum brinca com diferentes tendências, flertando com a eletrônica local na própria faixa-título ou mesmo com todo o universo dos anos 1980 no romantismo pop de Tramas Sutis. Gravado de forma caseira, no quarto de Pratagy, o trabalho emana sensibilidade em cada uma das canções. Como indicado no texto de apresentação da obra, um disco que “imprime amor e boas relações humanas”.

 

Pratagy – Búfalo

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Depois de mais uma década como vocalista do Mombojó, o cantor e compositor Felipe S. apresenta ao público o primeiro trabalho em carreira solo. Intitulado Cabeça de Felipe (2017), o registro de dez faixas e que conta com distribuição pelo selo Joia Moderna mostra a busca do músico por um som tão experimental (e curioso) quanto o material entregue ao público durante o lançamento do último disco de inéditas de sua principal banda, o ótimo Alexandre (2014).

De essência intimista, repleto de passagens que dialogam diretamente com o cotidiano do cantor, Cabeça de Felipe se espalha em meio a sambas (Santo Forte), canções que poderiam facilmente ser encontradas em algum disco da Mombojó (Vão) e faixas movidas pela completa serenidade dos arranjos e vozes (Trovador). Com capa produzida pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, o trabalho ainda conta com a participação de artistas como a atriz Juliana Didone e Ana Maria Maia, mulher de Felipe.

 

Felipe S. – Cabeça de Felipe

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Desde o último ano, os integrantes da Luziluzia vem trabalhando em uma série de três EPs marcados pela experimentação. Intitulado EP 1​/​3 (concerto pra caixas pequenas), o registro de quatro faixas – uma delas com mais de 11 minutos –, se espalha em meio a ruídos, vozes desconexas e ambientações caseiras, sujas, proposta que volta a se repetir dentro do segundo e mais recente trabalho da banda: EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa) (2017).

Em um intervalo de apenas cinco faixas – Caverninha, Provador, Temporada 2014, Love co n5 e Rufião, à espera da festa boa –, a banda forma por integrantes do Boogarins e Carne Doce parece jogar com o uso de fragmentos musicais vindos de diferentes sessões. Retalhos musicais que se completam com o uso de temas eletrônicos. Assim como o trabalho lançado pela banda em 2016, o novo EP pode ser baixado gratuitamente no perfil da Luziluzia no Bandcamp.

 

Luziluzia – EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa)

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