Com mais de uma década de carreira, o rapper carioca Thiago Elñino apresenta ao público o primeiro grande álbum de estúdio. Intitulado A Rotina do Pombo (2017), o registro que conta com produção de Guga Valiante, Martche e Tolen joga com as palavras, fazendo uma espécie de analogia entre os jovens negros do Brasil e os agrupamentos de pombos em qualquer grande centro urbano. Um debate racial que há muito alimenta o trabalho do artista.

Junto de Elñino, um time de convidados vindos de diferentes campos do rap nacional. São nomes como Rincon Sapiência, Tamara Franklin, Sant, Flávio SantoRua, Douglas Din e os irmãos Raony e Keops, integrantes da banda Medulla. Produzido em um intervalo de quase cinco anos, o trabalho que pode ser baixado gratuitamente ainda conta com um rico acervo de ritmos e sonoridades, passeando pela música brasileira e até gêneros típicos da cultura africana.

 

Thiago Elñino – A Rotina do Pombo

Continue Reading "Thiago Elñino: “A Rotina do Pombo”"

 

De um lado, a voz inebriante da cantora Geanine Marques (Stop Play Moon), no outro, um jogo de arranjos minimalistas e encaixes certeiros que conduzem o ouvinte para dentro do primeiro álbum do G T’aime. Parceria entre a artista curitibana e o músico Rodrigo Bellotto, o trabalho de dez faixas passeia por diferentes sonoridades, épocas e estilos diferentes, indo do Trip-Hop dos anos 1990 ao mesmo som referencial de novatos como Lower Dens e outos apaixonados pela década de 1980.

Com distribuição pelo selo Joia Moderna – Alice Caymmmi, Felipe S., César Lacerda –, o trabalho ainda conta com a produção do veterano Maurício Takara, um dos nomes no comando do Hurtmold e artista que já trabalhou com diferentes representantes da cena paulistana. No repertório, um catálogo de temas intimistas, declarações de amor e temas melancólicos, conceitos explorado pelo casal durante todo o processo de construção do disco.

 

G T’Aime – G T’Aime

Continue Reading "G T’aime: “G T’aime”"

 

Um pop romântico, leve e marcado em essência pelos detalhes. Assim é o trabalho do músico paraense Leonardo Pratagy em Búfalo (2017). Produzido de forma independente, cercado de artistas e colaboradores da cena de Belém, o cantor e produtor parece brincar com as referências em cada uma das sete faixas que abastecem o registro. Melodias que poderiam ser encontradas em alguma obra do Toro Y Moi, Phoenix e Air, mas que se transformam dentro do presente álbum.

Sucessor do ainda recente Pictures, de 2016, o novo álbum brinca com diferentes tendências, flertando com a eletrônica local na própria faixa-título ou mesmo com todo o universo dos anos 1980 no romantismo pop de Tramas Sutis. Gravado de forma caseira, no quarto de Pratagy, o trabalho emana sensibilidade em cada uma das canções. Como indicado no texto de apresentação da obra, um disco que “imprime amor e boas relações humanas”.

 

Pratagy – Búfalo

Continue Reading "Pratagy: “Búfalo”"

 

Depois de mais uma década como vocalista do Mombojó, o cantor e compositor Felipe S. apresenta ao público o primeiro trabalho em carreira solo. Intitulado Cabeça de Felipe (2017), o registro de dez faixas e que conta com distribuição pelo selo Joia Moderna mostra a busca do músico por um som tão experimental (e curioso) quanto o material entregue ao público durante o lançamento do último disco de inéditas de sua principal banda, o ótimo Alexandre (2014).

De essência intimista, repleto de passagens que dialogam diretamente com o cotidiano do cantor, Cabeça de Felipe se espalha em meio a sambas (Santo Forte), canções que poderiam facilmente ser encontradas em algum disco da Mombojó (Vão) e faixas movidas pela completa serenidade dos arranjos e vozes (Trovador). Com capa produzida pelo artista plástico Maurício Silva, pai do cantor, o trabalho ainda conta com a participação de artistas como a atriz Juliana Didone e Ana Maria Maia, mulher de Felipe.

 

Felipe S. – Cabeça de Felipe

Continue Reading "Felipe S.: “Cabeça de Felipe”"

 

Desde o último ano, os integrantes da Luziluzia vem trabalhando em uma série de três EPs marcados pela experimentação. Intitulado EP 1​/​3 (concerto pra caixas pequenas), o registro de quatro faixas – uma delas com mais de 11 minutos –, se espalha em meio a ruídos, vozes desconexas e ambientações caseiras, sujas, proposta que volta a se repetir dentro do segundo e mais recente trabalho da banda: EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa) (2017).

Em um intervalo de apenas cinco faixas – Caverninha, Provador, Temporada 2014, Love co n5 e Rufião, à espera da festa boa –, a banda forma por integrantes do Boogarins e Carne Doce parece jogar com o uso de fragmentos musicais vindos de diferentes sessões. Retalhos musicais que se completam com o uso de temas eletrônicos. Assim como o trabalho lançado pela banda em 2016, o novo EP pode ser baixado gratuitamente no perfil da Luziluzia no Bandcamp.

 

Luziluzia – EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa)

Continue Reading "Luziluzia: “EP 2​/​3 (autofarra – trilha pra uma festa boa)”"

 

Um dos nomes no atual comando da DFA Records – casa de projetos como LCD Soundsystem, Hot Chip e The Rapture –, Kris Peterson é quem assume a curadoria da recém-lançada coletânea Lives Through Magic (2017). Trata-se de um registro produzido para arrecadar dinheiro às vítimas do incêndio ocorrido em dezembro do último ano na casa de shows Ghost Ship, em Oakland, nos Estados Unidos. Uma seleção com mais de 40 nomes da música eletrônica/alternativa mundial.

Entre os nomes convidados a integrar o projeto, artistas como a cantora Róisín Murphy, a dupla de música eletrônica YACHT, o músico Helado Negro e outros representantes de peso da produção norte-americana. Com distribuição em formato físico e digital, o trabalho acaba de ter algumas de suas canções apresentadas ao público no bandcamp. É o caso de Julia, uma curiosa parceria entre os produtores Owen Pallet e Daphni, um dos projetos paralelos de Dan Snaith do Caribou.

 

Daphni & Owen Pallett – Julia

Continue Reading "Vários Artistas: “Lives Through Magic”"

 

Originalmente concebidas durante as sessões que resultaram no derradeiro Blackstar – 6º lugar na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2016 –, as inéditas No Plan, Killing A Little TimeWhen I Met You acabam de ser agrupadas em um novo trabalho de David Bowie: No Plan EP (2017). Com produção de Tony Visconti, parceiro de longa data do músico britânico, o registro ainda chega acompanhado de Lazarus, uma das principais canções do último álbum do camaleão do rock.

Como indicado durante o lançamento de Killing a Little Time, em outubro do último ano, as três “novas” composições seguem de perto a trilha deixada por Bowie e seus parceiros de estúdio. Um som essencialmente melancólico, intimista e recheado por ambientações típicas do jazz. Para a divulgação do trabalho, o diretor Tom Hingston, artista que já trabalhou com nomes como Massive Attack, foi convidado a produzir um lyric video para No Plan.

 

David Bowie – No Plan EP

Continue Reading "David Bowie: “No Plan EP”"

 

Original da cidade de Porto Alegre, De Repente, Vivo é um projeto de música instrumental comandado pelo músico Juliano Lacerda. Com um EP homônimo entregue ao público em 2015, o artista gaúcho acaba de finalizar o inédito Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música (2017). Uma delicada seleção com oito faixas capazes de dialogar com o que há de mais sutil no rock instrumental/pós-rock, esbarrando no mesmo universo de artistas como Explosions in the Sky.

Entre as referências apontadas por Lacerda, nomes como Brian Eno, Trent Reznor (Nine Inch Nails) e David Lynch. Nomes e referências que surgem com naturalidade em músicas como a minimalista Se o Sol Não Nos DeixarAté o Outono Aparecer. Disponível para download gratuito pelo Bandacamp, o trabalho ainda pode ser apreciado em outras plataformas, como no souncloud do músico. Para mais novidades sobre o artista, basta seguir o perfil no Facebook.

 

De Repente, Vivo – Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música

Continue Reading "De Repente, Vivo: “Idealizações e Contratempos Que Resultam Em Música”"

 

Casa de alguns dos projetos mais interessantes (e barulhentos) da cena nacional, o selo paulistano Sinewave acaba de anunciar a chegada de mais uma edição da clássica coletânea Sinewave Essentials. Trata-se de um resumo caótico de tudo aquilo que os produtores, músicos e artistas relacionados ao coletivo produziram entre janeiro e dezembro deste ano. Uma extensa seleção com 25 composições já conhecidas do público.

Entre as canções que abastecem o álbum, experimentos como Music For Airports (Airplanes, Hope And Sadness), do carioca Cadu Tenório, e Baião de Stoner, parte do último disco da Macaco Bong. Ambos os trabalhos fazem parte da nossa lista dos 50 Melhores Discos Nacionais de 2016. A seleção ainda conta com outros destaques, caso da hipnótica Peixe Voador, criação recente do grupo pernambucano Kalouv e faixa que chegada acompanhada com um dos melhores clipes do ano.

 

Vários Artistas – Sinewave Essentials – The Best of 2016

Continue Reading "Vários Artistas: “Sinewave Essentials – The Best of 2016”"

 

Pouco mais de um ano após o lançamento do segundo álbum em carreira solo, Inverno (2015), o cantor e compositor Marcelo Perdido está de volta com um novo registro de inéditas. Reflexo da mudança do artista para Portugal, Bicho (2016) entrega ao público uma sequência de faixas marcadas pela transformação, despedida e saudade. Um repertório econômico, apenas dez composições que rapidamente transportam o ouvinte para dentro do universo particular de Perdido.

Além da psicodélica Muda, composição entregue ao público há poucas semanas, o trabalho ainda conta com uma sequência de faixas como a delicada (e descritiva) Passarinha, música que flutua entre o romantismo e fragmentos do cotidiano. Sobram ainda canções aos moldes de Primavera em Mim, parceria com João Erbetta, e a caseira Empate, música assinada em parceria com o lusitano Filipe Sambado, também produtor do álbum.

 

Marcelo Perdido – Bicho

Continue Reading "Marcelo Perdido: “Bicho”"