Cozinhando Discografias: ABBA


Formado em 1972 por Agnetha Fältskog, Benny Andersson, Björn Ulvaeus e Anni-Frid Lyngstad, o ABBA rapidamente se transformou em um dos maiores fenômenos da música pop de todos os tempos. Com a boa repercussão do quarteto durante o Eurovision Song Contest de 1974, o grupo mergulhou em estúdio para a produção de uma sequência de obras que inspiraram diferentes gerações de ouvintes ao longo das últimas décadas. São clássicos como Arrival (1976), The Album (1977), Super Trouper (1980), além, claro, de toda uma sequência de músicas, como Dancing Queen, The Winner Takes It All, Mamma Mia e outros tantos clássicos que embalam mais uma edição do Cozinhando Discografias. Nos comentários, compartilhe com a gente: qual é o seu disco favorito da banda?


#8. Waterloo
(1974, Polar / Epic / Atlantic)

Com a boa repercussão em torno do primeiro álbum de estúdio da carreira, os integrantes do ABBA decidiram não esperar para investir em um novo registro de inéditas. O resultado dessa maior urgência está na entrega de Waterloo (1974), trabalho que mais uma vez contou com a colaboração do engenheiro de som Michael B. Tretow e indicou a busca do quarteto sueco por novas possibilidades e ritmos. Do uso de elementos do glam rock, como em Watch Out, passando pelo tempero latino de Hasta Mañana, cada composição do disco parece apontar para uma direção específica, como se o grupo, mesmo que de forma confusa, testasse os próprios limites dentro de estúdio. Surgem ainda músicas como Honey, Honey, canção que parece saída do disco anterior, além de faixas como What About Livingstone? e My Mama Said. Nada que se compare ao sucesso em torno da faixa-título do trabalho. Grande vencedora no Eurovision de 1974, a canção rapidamente alcançaria o topo das paradas de sucesso na Inglaterra e uma posição de destaque no Hot 100 da Billboard nos Estados Unidos, sendo responsável por apresentar mundialmente o trabalho da banda.

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#7. Ring Ring
(1973, Polar)

Em 1972, quando Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad entraram em estúdio para as gravações de People Need Love, o ABBA como conhecemos hoje parecia muito diferente. Com carreiras independentes, o projeto apresentado pelo estranho nome de Björn Benny & Agnetha Frida não passava de um encontro temporário entre quatro representantes vindos de diferentes campos da cena sueca. Entretanto, por conta da insistência do empresário Stig Anderson, além, claro, da boa repercussão em torno da música Ring Ring, no Eurovision de 1973, o quarteto decidiu seguir em frente, lançando em março do mesmo o ano o primeiro álbum de estúdio da carreira. Com maior participação de Fältskog e Lyngstad nos vocais, o álbum nasce como um produto de seu tempo, revelando ao público um delicado coros de vozes e incontáveis camadas instrumentais, efeito direto da influência de nomes como Phil Spector no processo de produção da época. Casa de músicas como a colorida Love Isn’t Easy (But It Sure Is Hard Enough) e Rock’n Roll Band, o trabalho serviria de ensaio para toda a sequência de obras entregues pelo grupo na primeira metade da década de 1970.

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#6. Voulez-Vous
(1978, Polar)

Se em 1976, durante o lançamento de Dancing Queen, o ABBA parecia flertar com o uso de ritmos dançantes, dois anos mais tarde, com a chegada de Voulez-Vous (1978), os integrantes do quarteto sueco se jogaram de vez nas pistas. Fortemente influenciado pelo trabalho de nomes como Bee Gees, Donna Summer e outros personagens de destaque do período, o registro parece pensado para fazer o ouvinte dançar. E isso se reflete logo nos primeiros minutos do disco, em As Good As New, canção que prepara o terreno para toda uma sequência de faixas marcadas pela linha de baixo destacada, arranjos de cordas e guitarras quentes. São músicas como If It Wasn’t for the Nights, Angel Eyes e a própria faixa-título que talvez não tenham funcionado tão bem no continente europeu, porém, acertaram em cheio o público dos Estados Unidos. Mesmo marcado pelo forte aspecto dançante, Voulez-Vous em nenhum momento se distancia do pop melódico da banda, conceito evidente em I Have a Dream e na crescente Chiquitita, ainda hoje, uma das composições mais tocadas do quarteto.

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#5. ABBA
(1975, Polar)

Do momento em que tem início, em Mamma Mia, passando pelos teclados de S.O.S, o flerte com o raggae, em Tropical Loveland, até alcançar a derradeira So Long, cada fragmento do terceiro álbum de estúdio do ABBA parece pensado para capturar a atenção do ouvinte. E não poderia ser diferente. Com a boa repercussão em torno do antecessor Waterloo (1974), obra que transportou o quarteto para o topo das principais paradas de sucesso, a banda de Estocolmo decidiu investir na composição de um trabalho ainda mais acessível. O resultado desse maior refinamento melódico, minucia na composição dos arranjos e uso quase instrumental das vozes está na produção de um trabalho que garantiria ao grupo uma série de apresentações lotadas, além, claro, do altíssimo número de vendas de cada um dos compactos relacionados ao disco. Comercialmente bem recebido pelo público, o autointitulado registro ainda serviria de estímulo para a primeira coletânea de sucessos da banda, Greatest Hits (1975), obra que viria a alavancar outro clássico do quarteto, Fernando.

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#4. The Album
(1977, Polar)

Mesmo em um ano de importantes transformações, como a ascensão do movimento punk, e grandes lançamentos no mundo da música, caso de Rumours, do Fleetwood Mac, e Low, de David Bowie, The Album (1977), quinto álbum de estúdio do ABBA, parecia confirmar a relevância e permanente amadurecimento artístico do quarteto sueco. Assim como em Arrival, Benny Andersson e Björn Ulvaeus decidiram investir na composição de temas ainda mais sensíveis, revelando desde faixas marcadas pelo medo da partida, como na delicada I Wonder (Departure), até músicas em que o grupo discute o peso da fama e a ausência de controle sobre as próprias vidas, marca da derradeira I’m a Marionette. Mesmo a base instrumental do disco parece aportar em novos territórios, conceito que se reflete no uso de pequenas orquestrações e faixas mais extensas, como uma fuga do pop jovial detalhado nos discos anteriores. Claro que isso não interfere na entrega de músicas como The Name of the Game e Take a Chance on Me, duas das principais composições do disco.

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#3. Super Trouper
(1980, Polar)

Quem esperava por uma possível continuação do som dançante testado em Voulez-Vous (1979), sexto álbum de estúdio do ABBA, acabou encontrando Super Trouper uma obra completamente diferente. Concebido em meio a atritos gerados pela separação de Agnetha Fältskog e Björn Ulvaeus, o trabalho de essência melancólica amplia de forma ainda mais sensível tudo aquilo que o quarteto sueco havia testado durante o lançamento do também maduro Arrival (1976). Exemplo disso está na entrega de faixas como Andante Andante, Me And I, Our Last Summer e todo o fino repertório que parece corromper o pop ensolarado que marca os primeiros trabalhos de estúdio da banda. Entretanto, para além de uma obra exageradamente contemplativa, músicas como The Winner Takes It All e Lay All Your Love on Me, com seus sintetizadores caricatos, serviram para, mais uma vez, catapultar o grupo para o topo das paradas de sucesso, garantindo ao público um delicado respiro criativo que antecede o inevitável desfecho da banda.

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#2. The Visitors
(1981, Polar)

O fim do ABBA era inevitável. Passada a separação de Agnetha Fältskog e Björn Ulvaeus, bem documentada em parte das canções de Super Trouper (1980), além, claro, da dificuldade cada vez maior em alcançar o topo das paradas de sucesso, foi a vez de Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad assinarem os papéis do divórcio. Mesmo nesse cenário turbulento, o quarteto sueco decidiu colaborar em estúdio para a produção de um novo e derradeiro registro de inéditas: The Visitors (1981). Inspirado pelo medo da ameaça soviética, conceito reforçado logo no título da obra, o trabalho utiliza desse pano de fundo político como um estímulo para a guerra sentimental que vinha sendo travada entre os próprios integrantes da banda. E isso se reflete com naturalidade em algumas das principais faixas do disco, como When All Is Said and Done, Slipping Through My Fingers e One of Us. Canções que não apenas sintetizam a melancolia do quarteto em suas últimas colaborações, como pontuam de forma sensível a carreira de uma das bandas mais importantes da história da música pop.

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#1. Arrival
(1976, Polar)

Melodias sorridentes, versos consumidos pela dor. Contraponto melancólico ao direcionamento festivo dado aos três primeiros álbuns de estúdio da banda — Ring Ring (1973), Waterloo (1974) e ABBA (1975) —, Arrival (1976) marca o início do amadurecimento criativo, poético e, principalmente, sentimental do quarteto sueco. Entre versos consumidos por frustrações sexuais (Dum Dum Diddle), personagens auto-depreciativos (That’s Me) e relacionamentos fracassados (Knowing Me, Knowing You), o grupo pinta um retrato particular de uma série de conflitos internos que vinham tumultuando as relações entre os próprios integrantes, como Fältskog e Ulvaeus, juntos desde o início da década. Entretanto, para além de uma obra essencialmente soturna, conceito que se reflete de maneira sutil durante toda a execução do trabalho, Arrival cresce como uma obra marcada pelo esmero na composição dos arranjos e versos feitos para grudar na cabeça do ouvinte. Exemplo disso está no grande sucesso e clássico imediato do disco: Dancing Queen. São pouco menos de quatro minutos em que o grupo passeia em meio a sintetizadores, vozes e batidas deliciosamente dançantes, fazendo da canção uma síntese preciosa de tudo aquilo que orienta a experiência do ouvinte até o pop celestial que pontua o disco na derradeira faixa-título.