"Little Electric Chicken Heart"

Ano: 2019
Selo: Risco
Gênero: Indie Rock, Pop Rock, Art Pop
Para quem gosta de: O Terno e Sara Não Tem Nome
Ouça: Se No Cinema, Tem Certeza? e Saudade
Nota: 9.0

Crítica | Ana Frango Elétrico: “Little Electric Chicken Heart”

Em Little Electric Chicken Heart (2019), segundo álbum de estúdio de Ana Frango Elétrico, tudo é música. Da escolha das palavras à composição dos arranjos, do movimento calculado das guitarras aos instantes de breve silenciamento, evidente é o esforço da cantora e compositora carioca em tratar de cada componente do disco como um importante elemento estético para o desenvolvimento da obra. São delicadas paisagens instrumentais que se espalham em meio a fórmulas inexatas, diálogos nostálgicos com a obra de Rita Lee e Jorge Ben Jor, ou mesmo instantes em que Ana Fainguelernt, verdadeiro nome da artista, parece mudar de direção sem ordem aparente, brincando com a interpretação do ouvinte.

Perfeita representação desse resultado ecoa com naturalidade em músicas como Se No Cinema, Chocolate, Tem Certeza? e Saudade. Instantes em que Fainguelernt e seus parceiros de banda, Guilherme Lírio (guitarra), Marcelo Callado (bateria), Vovô Bebê (baixo), Antônio Neves (trombone), Eduardo Santana (trompete) e Marcelo Cebukin (saxofone), vão do colorido tropicalista de Gilberto Gil ao experimentalismo torto de nomes como Yoko Ono. Uma permanente fuga do óbvio que se revela ao público logo nos primeiros minutos do trabalho, mas que segue de forma inspirada até o último instante da obra, indicativo do completo domínio e força criativa que embala as canções da artista carioca.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.