"Duas Cidades"

Ano: 2016
Selo: Máquina de Louco
Gênero: Dub, Reggae, Eletrônica
Para quem gosta de: Russo Passapusso e Curumin
Ouça: Luco (Descomprimindo) e Playsom
Nota: 9.0

Crítica | BaianaSystem: “Duas Cidades”

Difícil pensar em Duas Cidades (2016) como um disco puro e simples. Para além do bem-sucedido encontro entre Russo Passapusso, Roberto Barreto e Marcelo Seco, sobrevive na fina identidade visual do trabalho, criação de Filipe Cartaxo, e toda uma série de articulações políticas/culturais relacionadas ao carnaval de Salvador, um importante componente estrutural para o fortalecimento do segundo álbum de estúdio do BaianaSystem. Sequência ao material que tem sido produzido pelo coletivo baiano desde a estreia com o autointitulado debute, lançado em 2010, o registro de 12 faixas utiliza desse criativo cruzamento de ideias como um estímulo natural para a composição dos arranjos, batidas e versos que orientam a experiência do público até a derradeira Azul.

Inaugurado pela atmosférica Jah Jah Revolta, Pt. 2, o trabalho lentamente se espalha em meio a fórmulas dançantes que vão do reggae ao axé, do rap ao dub em uma linguagem tão orgânica quanto futurística, estrutura que se completa pela presença do experiente Daniel Ganjaman (Criolo, Sabotage), produtor do disco. Uma vez imerso nesse cenário marcado pela criativa base melódica e rítmica das canções, versos guiados pelo forte discurso político refletem o completo amadurecimento do grupo, como um avanço claro em relação ao material entregue no disco anterior. Canções como Lucro (Descomprimindo) e Bala na Agulha que naturalmente convidaram o ouvinte a dançar, porém, pervertendo o lirismo óbvio em prol de um resultado sempre provocativo.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década.