"O Mesmo Mar que Nega a Terra Cede à sua Calma"

Ano: 2016
Selo: Independente
Gênero: Indie, Rock Alternativo, MPB
Para quem gosta de: Tuyo e Jennifer Souza
Ouça: Calor, Sol e Sal, Sorte e Meu Bem
Nota: 8.8

Crítica | Bruna Mendez: “O Mesmo Mar que Nega a Terra Cede à sua Calma”

Versos descritivos que se espalham em uma cama de melodias detalhistas, vozes fortes e instante de doce romantismo sufocados por momentos de evidente melancolia. Feito para ser apreciado aos poucos, sem pressa, O Mesmo Mar que Nega a Terra Cede à sua Calma (2016), estreia de Bruna Mendez, é o típico caso de uma obra que convida o ouvinte a se perder dentro dela. Entre movimentos calculados, sempre contidos, a cantora e compositora goiana transforma as próprias experiências sentimentais na base para cada uma das onze canções que recheiam o registro. Do momento em que tem início, na poesia agridoce de Calor, Sol e Sal (“Tudo que é muito aqui / Parece ser bem mais / O sol irrita a pele / Mas me interessa o seu calor / E o suor que vem“), até alcançar a derradeira Meu Bem (“Sorri que traz o bem / Esquece a dor / Que agora já não toca mais / Confia em mim / Que o céu há de abrir pra nós“), tudo soa como uma delicada continuação do material entregue dois anos antes, no introdutório Pra Ela EP (2014).

São poemas atmosféricos que confessam desejos (“Acho que o meu sofá merece você / E aquela sorriso / Meu espelho quer ver / A gente se enroscar bonito“), cenas simples do cotidiano (“Sei que tá difícil / Mas se a gente tiver grudadinho, tudo fica bem / Sei que é complicado disfarçar / E o que me move é ver você vivendo“), e momentos de forte vulnerabilidade (“Meu mar ficou quietinho / Olhando manso o seu / Onda boa essa vontade de entregar tudo que é meu / Onda boa essa coragem de ser seu“), estrutura que se completa pela produção coesa de Adriano Cintra (Cansei de Ser Sexy, Marcelo Jeneci), parceiro da cantora durante toda a execução do trabalho. Um lento desvendar de ideias e experiências pessoais que se entrelaçam em uma medida própria de tempo, estrutura que se reflete com naturalidade até o último instante do disco.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.