"Serviço"

Ano: 2013
Selo: Independente
Gênero: MPB, Indie Folk, Pop Rock
Para quem gosta de: Marcelo Jeneci e Marcelo Camelo
Ouça: Crer-scendo, Kdq e Nacessidade
Nota: 8.7

Crítica | Castello Branco: “Serviço”

Para os dias tristes, Serviço (2013). Primeiro álbum em carreira solo do cantor e compositor fluminense Lucas Castello Branco, o trabalho marcado pelo lirismo sorridente, vozes em coro e arranjos ensolarados nasce como um refúgio para os momentos de maior melancolia. Composições que parecem pensadas para acolher o ouvinte, como uma fuga da crueza impressa nos antigos trabalhos do artista, ex-integrante do grupo carioca R. Sigma. Exemplo disso está na introdutória Cre-Sendo, canção inspirada nas vivências do músico no monastério ecumênico onde foi criado, e um indicativo claro da sonoridade detalhista que orienta a experiência do público até a faixa de encerramento do registro, a bucólica Anu.

São paisagens instrumentais que se revelam ao público em pequenas doses, sem pressa, efeito direto da minúcia de Castello Branco e seus principais colaboradores, entre eles, antigos parceiros de banda, como os músicos Diogo Strausz e Tomás Tróia. Melodias acústicas que parecem saídas de algum disco de Milton Nascimento, vozes compartilhadas por nomes como Marcela Vale (Mahmundi), Cícero Rosa Lins e Ana Lomelino, ou mesmo instantes de forte contemplação. É o caso de As Minhas Mães, faixa que se abre para a chegada de Alice Caymmi e reflete a profunda entrega emocional do artista. Canções que vão da celebração (Necessidade) ao parcial recolhimento (Entreaberta), estrutura que viria a orientar toda a sequência de obras apresentadas pelo artista ao longo da década, caso dos complementares Sintoma (2017) e Sermão (2019).



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.