"Deus e o Diabo no Liquidificador"

Ano: 2020
Selo: Independente
Gênero: Rock, Rock Psicodélico, MPB
Para quem gosta de: Garotas Suecas e Supercordas
Ouça: Decência, Sóbrio e Só e Cama
Nota: 9.0

Crítica | Cérebro Eletrônico: “Deus e o Diabo no Liquidificador”

Os versos lançados por Tatá Aeroplano logo nos primeiros minutos de Deus e o Diabo no Liquidificador (2010), terceiro álbum de estúdio do Cérebro Eletrônico, funcionam como um indicativo torto do universo de pequenos excessos desbravado pelo grupo paulistano durante toda a execução da obra. “Perdi a decência / Ontem eu perdi a noção / Perdi a compostura, a cabeça / Eu perdi a razão“, canta o vocalista da banda enquanto guitarras e sintetizadores complementares vão da jovem guarda ao rock dos anos 2000, do pop psicodélico ao experimentalismo eletrônico em uma criativa colagem de referências. Canções embriagadas por declarações de amor (Cama), viagens lisérgicas pelo centro de São Paulo (O Fabuloso Destino do Chapeleiro Louco), ou mesmo letras que refletem o completo isolamento do eu lírico (Sóbrio e Só).

Sequência ao material entregue no também delirante Pareço Moderno (2008), Deus e o Diabo no Liquidificador, como o próprio título indica, nasce da criativa colisão de ideias e referências extraídas de diferentes campos da música e cultura pop. Não por acaso, o trabalho produzido em parceria pelo experiente Alfredo Bello (DJ Tudo) e Fernando Maranho, guitarrista da banda, se abre para a chegada de nomes como Helio Flanders (Vanguart), Tulipa Ruiz, Leo Cavalcanti, Gustavo Galo (Trupe Chá de Boldo) e Dudu Tsuda (teclado). Um time seleto de instrumentistas e vozes que auxiliam o grupo paulistano, completo pela presença de Fernando TRZ (teclados, sintetizadores), Renato Cortez (baixo) e Gustavo Souza (bateria, percussão), naquele que permanece como um dos registros mais inventivos (e loucos) da música brasileira em sua fase mais recente.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.