"Caravana Sereia Bloom"

Ano: 2012
Selo: Urban Jungle / Universal Music
Gênero: Rock, MPB, Reggae
Para quem gosta de: Tulipa Ruiz e Karina Buhr
Ouça: Retrovisor e Contravento
Nota: 9.0

Crítica | Céu: “Caravana Sereia Bloom”

Do ambiente enevoado que embala as canções de Vagarosa (2009) para o som empoeirado que rege o estradeiro Caravana Sereia Bloom (2012). Longe da lisergia explícita nos dois primeiros trabalhos de estúdio, Céu fez do terceiro álbum em carreira solo a passagem para um cenário regido pela saudade, melodias nostálgicas e temáticas que vão do doloroso reencontro à inevitável despedida. São versos entristecidos, como em Retrovisor (“Pode vir / Me contar das coisas que pensei conhecer em ti / Não sei bem / Se foi eu que me enganei ou foi você que me iludiu“), e inusitadas releituras, caso de Palhaço, música originalmente composta por Nelson Cavaquinho e Oswaldo Martins, que contribuem para o conceito melancólico da obra. Criações de essência intimista, por vezes cênicas, como fragmentos de um precioso road movie.

Claro que esse direcionamento amargo não interfere na produção de músicas ainda íntimas dos primeiros trabalhos de Céu. É o caso da ensolarada You Won’t Regret it, um reggae despretensioso, leve, como um necessário respiro temático no interior do álbum. A própria Amor de Antigos, logo na abertura do disco, reflete a capacidade da artista em transformar as próprias confissões sentimentais em um importante componente lírico para o fortalecimento da obra (“E nosso amor foi todo à prova de ebó / Não teve um só que separou eu de Nhô Nhô“). Canções que preservam a identidade da artista paulistana, porém, se permitem provar de novas possibilidades, como a passagem para um novo e delicado território criativo.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.


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