"Cine Privê"

Ano: 2011
Selo: Coqueiro Verde
Gênero: Rock, MPB, Samba
Para quem gosta de: Moreno Veloso e Gui Amabis
Ouça: Cine Privê e Os Pinguinhos
Nota: 8.5

Crítica | Domenico Lancellotti: “Cine Privê”

Cine Privê (2011) é um trabalho que parece dançar pelo tempo. Do momento em que tem início, nas guitarras psicodélicas da autointitulada faixa de abertura, passando pelo pop italiano de Su Di Te, música que parece resgatada da década de 1960, até alcançar a derradeira Hugo Carvana, um sambinha empoeirado que cheira a anos 1980, cada composição do primeiro álbum de Domenico Lancellotti em carreira solo parece apontar para uma direção completamente distinta. São ideias que se entrelaçam de maneira sempre imprevisível, torta, estrutura que ora faz lembrar do som produzido pelo artista no colaborativo Sincerely Hot (2004), encontro com Moreno Veloso e Kassin, ora mergulha em ambientações delirantes, ruídos e instantes de doce improviso.

Perfeita representação desse resultado ecoa com naturalidade logo nos primeiros minutos do registro, em Os Pinguinhos. Entre versos descritivos (“Você vem sorrindo / Na minha direção / Seus pés tão mansinhos / Vem tocando o chão“), paisagens atmosféricas se revelam ao público em pequenas doses, sempre guiadas pela linha de baixo suculenta, elemento que se destaca durante toda a execução da obra. Mesmo quando acelera, como em Receita e Pedra e Areia, são esses mesmo detalhes que capturam a atenção do ouvinte. Guitarras e sintetizadores ocasionais, a voz pontual de Adriana Calcanhotto e pequenas interferências criativas que ressaltam a participação de nomes como Pedro Sá, Stephane San Juan e Jorge Mautner, indicativo da completa versatilidade e força criativa que orienta a formação do disco.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.