"O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui"

Ano: 2013
Selo: Laboratório Fantasma
Gênero: Hip-Hop, Rap, R&B
Para quem gosta de: Rashid, Kamau e Criolo
Ouça: Levanta e Anda, Crisântemo e Hoje Cedo
Nota: 9.5

Crítica | Emicida: “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”

Gigante, Emicida já havia demonstrado a grandeza do próprio trabalho com o lançamento dos introdutórios Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe (2009) e Emicídio (2010). Nada que se compare ao material entregue nas canções de O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013). Primeiro álbum de estúdio do rapper, o trabalho estabelece na força das rimas um novo capítulo no lirismo autobiográfico que orienta as criações do artista. São canções que celebram conquistas pessoais, como na iluminada Levanta e Nada (“Irmão, você não percebeu / Que você é o único representante / Do seu sonho na face da terra / Se isso não fizer você correr, chapa / Eu não sei o que vai“), ou mesmo momentos de doce melancolia, marca de Crisântemo, música completa pela presença de Dona Jacira, mãe do paulistano.

Entretanto, para além das próprias experiências compartilhadas até a derradeira Ubuntu Fristaili, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui estabelece no encontro com diferentes colaboradores um importante elemento de transformação criativa. São nomes como Pitty, na turbulenta Hoje Cedo; a leveza de Tulipa Ruiz, em Sol de Giz de Cera; o flerte com o samba, em Hino Vira-Lata, parceria com o Quinteto em Branco e Preto, e a apocalíptica Samba do Fim do Mundo, faixa completa pela presença de Fabiana Cozza e Juçara Marçal. Instantes em que o rapper preserva parte da essência detalhada nos primeiros registros autorais, porém, aponta a direção que viria a ser explorada nos próximos trabalhos de estúdio, vide a força de obras como Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa… (2015) e AmarElo (2019).



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.