"Seeking Thrills"

Ano: 2020
Selo: Domino
Gênero: Synthpop, Dance, Pop
Para quem gosta de: CHVRCHES, Shura e Metronomy
Ouça: Never Let You Go e Started Out
Nota: 7.0

Crítica | Georgia: “Seeking Thrills”

Quando você inaugura um disco com uma música como Started Out, é difícil não criar expectativa para o que vem pela frente. Canção escolhida para apresentar o segundo e mais recente álbum de estúdio da produtora inglesa Georgia Barnes, o recém-lançado Seeking Thrills (2020, Domino), a faixa de quase quatro minutos convida o ouvinte a mergulhar em um território marcado pelo uso de sintetizadores e temas dançantes, como uma passagem frenética para as pistas. Frações instrumentais e poéticas que passeiam por entre décadas de forma sempre curiosa, como se a artista brincasse com a construção da própria identidade criativa.

É partindo justamente desse direcionamento acessível que Barnes orienta a produção de todo o primeiro bloco do disco. São faixas como About Work the Dancefloor e 24 Hours, todas já conhecidas do público fiel de artista, que rapidamente capturam a atenção do público. Canções marcadas pelo uso destacado das batidas, vozes sobrepostas e pequenas inserções conceituais que vão do pop produzido na década de 1980 à produção eletrônica dos anos 1990, conceito que tem sido aprimorado pela cantor a compositora inglesa desde o primeiro álbum de estúdio, lançado há cinco anos.

A diferença em relação ao disco anterior está na forma como Barnes entrega ao público uma obra esquiva de possíveis bloqueios, onde cada fragmento de voz ou inserção eletrônica parece pensada para grudar na cabeça do ouvinte. “E os céus nunca deixarão você ir / É tudo o que você está procurando / E no minuto em que você tiver que partir / Eles lembrarão você“, canta na pegajosa Never Let You Go, canção que ora aponta para diferentes clássicos do pós-punk inglês, ora mergulha no pop nostálgico de CHVRCHES, Shura e outros nomes recentes que têm encontrado no passado um importante alicerce criativo.

O problema é que a partir de Mellow, quinta faixa do disco, Seeking Thrills se divide entre instantes de breve acerto e composições puramente irregulares. É como se Barnes deixasse de lado a proposta dançante que marca o primeiro bloco do álbum, investindo na formação de músicas puramente intimistas. É o caso de Till I Own It, canção que ganha forma em meio a batidas e vozes diminutas, quase econômicas. Um lento desvendar de ideias e sentimentos, proposta que se reflete no lirismo sensível da artista. “Não me diga para não reclamar, porque eu sinto / Já é difícil o suficiente perceber quando cruzamos a linha“, canta em um ato de pura confissão romântica, direcionamento evidente em outros momentos ao longo da obra.

Claro que essa busca por um material propositadamente contido não interfere na entrega de faixas como as enérgicas Feel It e Ray Gun. Do uso da voz ao tratamento dado às batidas, tudo faz lembrar do trabalho entregue pela cantora há meia década. A própria faixa de encerramento do disco, The Thrill, colaboração com Maurice, traz de volta a atmosfera dançante que abastece os instante iniciais do disco. Inserções melódicas que costuram passado a presente de forma sempre nostálgica, estrutura que faz lembrar de nomes como The Knife e Robyn, efeito direto do uso quase caricato dos sintetizadores.

Produto da completa versatilidade de Barnes, Seeking Thrills avança de maneira sutil em relação ao material entregue no álbum anterior, porém, parece incapaz de manter a força evidente nos minutos iniciais do trabalho. Trata-se de uma clara tentativa da produtora inglesa em se reinventar dentro de estúdio e preservar parte da identidade criativa conquistada durante a produção do homônimo debute. Canções que atravessam as pistas de dança (About Work the Dancefloor, Never Let You Go), para mergulhar no que há de mais tocante nas experiências vividas pela artista (Till I Own It, Honey Dripping Sky).