"Goes West"

Ano: 2019
Selo: Marge Records
Gênero: Folk, Instrumental, Alt.Country
Para quem gosta de: Jack White e Mutual Benefit
Ouça: Call Me When I’m Breathing Again e Our Lady of the Desert
Nota: 8.0

Crítica: “Goes West”, William Tyler

Se existe uma coisa que William Tyler tem nos ensinado ao longo dos anos é que nenhum de seus trabalhos devem ser apreciados com pressa. Da estreia com Behold the Spirit (2010), passando pelo amadurecimento criativo em obras como Impossible Truth (2013) e Modern Country (2016), cada novo registro de inéditas entregue pelo violonista norte-americano exige tempo até que suas formas instrumentais se revelem ao público por completo. Um lento desvendar de ideias e experiências que ganham forma aos poucos, sem pressa, estímulo para a construção de delicadas paisagens sonoras.

Exemplo desse refinamento ecoa com naturalidade nas canções de Goes West (2019, Marge Records). Quarto e mais recente álbum de estúdio do músico de Nashville, Tenessee, o registro de apenas dez faixas e poucos menos de 40 minutos de duração exige uma audição atenta mesmo na curta execução de suas composições. São inserções minuciosas, sempre precisas, como se cada movimento lançado pelo violão de Tyler servisse de passagem para um universo completamente novo, por vezes mágico.

De fato, basta a inaugural Alpine Star para perceber o cuidado de Tyler na construção da obra. Perceba como os elementos da canção se revelam ao público em pequenas doses, valorizando cada nota sutilmente lançada pelo músico. Pouco menos de seis minutos em que uma fina tapeçaria acústica parece assentar ao fundo da composição, ansiando a chegada de versos imaginários que nunca se materializam. Frações instrumentais que apontam para o folk dos anos 1960 e 1970, porém, preservando a essência dos últimos trabalhos do músico do Tenessee.

A principal diferença entre Goes West e toda a sequência de obras produzidas por Tyler nos últimos anos está na propositada busca do músico por uma obra menos homogênea. É como se cada composição do disco provasse de uma identidade criativa completamente diferente. Do folk rock que ganha forma na enérgica Fail Safe, passando pelas guitarras elétricas de Call Me When I’m Breathing Again, canção assinada em parceria com a guitarrista Meg Duff, poucas vezes antes o violonista norte-americano pareceu tão aventureiro dentro de estúdio.

Não por acaso, Tyler escolheu a complexa Our Lady of The Desert como faixa de encerramento do disco. Enquanto a abertura da canção faz lembrar High and Dry, do Radiohead, frações de guitarras e a linha de baixo carregada delicadamente transportam o som produzido pelo músico para um universo típico do pós-rock britânico. Pequenas curvas instrumentais que jogam com a experiência do ouvinte durante toda a execução da faixa, como um indicativo dos futuros projetos do violonista.

Ponto de partida para uma nova fase na carreira de William Tyler, Goes West brinca com a experiência do ouvinte durante toda sua execução. Enquanto o álbum anterior parecia resgatar uma série de elementos típicos do cancioneiro dos Estados Unidos, curioso perceber no presente álbum uma natural corrupção desse conceito. Prova disso se reflete na imagem de capa do disco, uma delirante colagem de ideias que reflete o esforço de Robert Beatty (Tame Impala, Real Estate) em perverter a velha identidade visual adotada pelo músico.



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