"Happy To Be Here"

Ano: 2019
Selo: Winspear
Gênero: Indie Pop, Dream Pop
Para quem gosta de: TOPS e Mr. Twin Sister
Ouça: Clovers, Teenager e Hutch
Nota: 7.5

Crítica | “Happy To Be Here”, Barrie

Comandado por Barrie Lindsay e completo pela presença dos músicos Dominic Apa, Spurge Carter, Sabine Holler e Noah Prebish, o Barrie é um coletivo nova-iorquino formado por membros de diferentes etnias e experiências que apontam para os mais variados campos criativos. Uma colorida colagem de ideias e fórmulas instrumentais que se reflete no primeiro álbum de estúdio da banda, Happy To Be Here (2019, Winspear), obra que parece dançar pelo tempo, costurando décadas de referências de forma sempre delicada, estrutura que orienta a experiência do ouvinte até o último instante da obra.

Inaugurado em meio a guitarras cíclicas e sintetizadores que parecem saídos do clássico Tango in the Night (1987), uma das principais obras do Fleetwood Mac, o trabalho de dez faixas diz a que veio logo nos primeiros minutos. São versos sensíveis, intimistas e descritivos, como um produto direto das experiências de Lindsay. Exemplo disso está em Dark Tropical, um melancólico passeio pelas ruas de Nova York, personagens mundanos e suas pequenas desilusões.

Esse mesmo direcionamento climático na composição dos versos acaba se refletindo em Clovers, música que flutua em meio a paisagens e cenas descritivas, porém, de forma deliciosamente acessível, como se pensada para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição. São guitarras e vozes que se entrelaçam de forma doce, cuidado evidente em toda a série de faixas que vem sendo apresentadas pelo grupo desde o último ano. Um som minucioso, leve, proposta que se reflete no toque nostálgico de Habits e Saturated, dobradinha ancorada no pop dos anos 1980.

Em Chinatown, sexta composição do disco, a clara tentativa do grupo em se reinventar criativamente, porém, preservando a própria identidade melódica. São guitarras e sintetizadores tortos que se espalham em meio a camadas atmosféricas, como um complemento direto à poesia de Lindsay. A mesma fuga do óbvio acaba se refletindo em Teenager, música que encolhe e cresce a todo instante, detalhando camadas de ruídos eletrônicos, melodias psicodélicas e pequenas sobreposições instrumentais que sintetizam a completa versatilidade do quinteto dentro de estúdio.

Na mesma medida em que se permite avançar conceitualmente, músicas como Geology estabelecem uma evidente sensação de conforto e recolhimento criativo. São melodias e vozes diminutas, sonoridade que naturalmente aponta para o trabalho de contemporâneos como TOPS, Mr. Twin Sister e outros artistas interessados em revisitar o passado de forma particular. A própria Casino Run, com seus sintetizadores e vozes contidas, traduz de maneira precisa parte da estrutura incorporada pela banda no decorrer do trabalho.

Coeso até o último instante, Happy To Be Here sustenta na derradeira Hutch uma criativa reciclagem de elementos detalhados pela banda desde os primeiros minutos do disco. Do uso da voz, passando pela composição das guitarras, sintetizadores e batidas, difícil não se deixar conduzir pela leveza da atmosfera proposta pelo quinteto. Delicadas camadas instrumentais que se revelam ao público em pequenas doses, estrutura que não apenas sintetiza o trabalho da banda, como prepara o terreno para os futuros lançamentos do grupo.