"Inside The Rose"

Ano: 2019
Selo: BMG
Gênero: Art Rock, Pós-Punk, Pós-Rock
Para quem gosta de: Wild Beasts e The Horrors
Ouça: Where The Trees Are On Fire e Inside The Rose
Nota: 8.0

Crítica | “Inside the Rose”, These New Puritans

Desde o início da carreira, os irmãos Jack e George Barnett pareciam seguir um caminho diferente em relação a outros representantes da cena inglesa que surgiram na segunda metade dos anos 2000. Na contramão da sonoridade festiva incorporada por nomes como Late of the Pier e Klaxons, o grupo de Southend-on-Sea parecia mergulhar em um ambiente de emanações soturnas, direcionamento explícito no material entregue em Beat Pyramid (2008), primeiro álbum de estúdio da banda, porém, aprimorado ao longo dos anos, alcançando seu ápice criativo no maduro Field of Reeds (2013).

Hoje reformulado – membros fundadores, Thomas Hein e Sophie Sleigh-Johnson decidiram deixar o grupo –, centrado apenas na imagem e nas imposições dos irmãos Barnett, interessante perceber como o These New Puritans continua a explorar esse mesmo território sombrio com o mesmo caráter inventivo, único. Síntese desse profundo comprometimento estético ecoa com naturalidade nas canções de Inside the Rose (2019, BMG), quarto álbum de estúdio e primeiro registro de inéditas da banda após um longo intervalo de seis anos.

Claramente pensado para o novo formato da banda, o trabalho de nove faixas abraça um conceito econômico, porém, em nenhum momento se organiza de forma minimalista. Exemplo disso está na base eletrônica montada para Into The Fire, primeiro single do disco. Da construção das batidas, ao uso de sintetizadores e ambientações sintéticas, perceba como a dupla preserva a essência do material entregue em Field of Reeds, porém, partindo de uma nova estrutura. São vozes e inserções fantasmagóricas, como um improvável diálogo da banda inglesa com a obra de veteranos como Nine Inch Nails.

A mesma veste eletrônica parece cobrir toda a superfície do registro. Em A-R-P, oitava faixa do disco, são sintetizadores e temas atmosféricos que parecem saídos da trilha sonora de Stranger Things; concebida em meio a camadas soturnas e batidas destacadas, Anti-Gravity reflete o completo esmero da dupla, emanando reverberações góticas, como um evidente diálogo dos irmãos Barnett com a cena inglesa dos anos 1980; logo na abertura do disco, em Infinity Vibraphones, uma base cíclica e claustrofóbica, estrutura que lembra o Tears for Fears em seus instantes de maior melancolia.

Na sequência formada entre Where the Trees Are on Fire e a própria faixa-título do disco, um curioso ponto de equilíbrio entre o passado e o presente da banda. São arranjos orquestrais e vozes complementares que se chocam em uma parede de emanações sintéticas, resultando em uma sequência de pequenos contrastes, como se a dupla encaixasse uma série de elementos e referências acumuladas ao longo de toda a carreira. Um curioso senso de nostalgia e permanente busca por novas possibilidades.

Marcado pelo forte caráter existencialista, estrutura que orienta parte expressiva dos versos e há tempos embala os trabalhos do These New Puritans, Inside The Rose concentra nesse mesmo conceito temático a base para a aproximação entre faixas musicalmente tão diversas. O resultado dessa experiência está na produção de uma obra que claramente preserva a essência dos antigos registros da banda britânica, mas que a todo momento se permite provar de novas possibilidades e ritmos, avançando criativamente.