"Batuk Freak"

Ano: 2013
Selo: Independente
Gênero: Hip-Hop, Rap, Pop
Para quem gosta de: Flora Matos e Tássia Reis
Ouça: Boa Noite, Vô Lá e Gueto ao Luxo
Nota: 9.0

Crítica | Karol Conká: “Batuk Freak”

Da composição das batidas ao frescor dos versos, da escolha dos temas à criativa colagem de ritmos, poucos trabalhos lançados na última década se mostraram tão impactantes quanto Batuk Freak (2013). Com produção assinada pelo experiente NAVE Beatz (Emicida, Marcelo D2), a bem-sucedida estreia de Karol Conká costura passado e presente do hip-hop de forma propositadamente inexata, estrutura que se reflete tão logo o disco tem início, nos tambores tribais de Corre, Corre Erê, e segue até a derradeira Caxambu, canção que vai dos terreiros de umbanda ao Miami Bass. Um criativo catálogo de ideias que aponta para o trabalho de estrangeiras como Santigold, M.I.A. e Erykah Badu, porém, sempre busca refúgio em grandes obras e representantes da produção brasileira — “Salve Sabotage, MC de compromisso / Cumpre seu papel no céu / Que aqui a gente te mantém vivo“.

Completo pela presença de Rincon Sapiência, em Sandália, e Tuty, na crescente Olhe-se, Batuk Freak faz de cada composição apresentada pela artista paranaense um evidente objeto de destaque. Frações poéticas em que discute desigualdade social (“Um dia é caviar, no outro Hotdog / Num dia Boqueirão, no outro em New York“), pequenos excessos da vida noturna (“Meu rolê a lua vai clarear / Hoje o meu nome é Gandaia / “Casamiga” louca eu vou me jogar / Nessa vida louca aproveitar“) e o desejo de seguir em frente (“Tudo que já passei nunca me intimidei / Já sofri, já ganhei, aprendi, ensinei / Tentaram me sufocar, mas eu respirei“) sem necessariamente perder a leveza das rimas e tonalidade acessível das batidas. Canções como Boa Noite, Gandaia e Gueto ao Luxo que rapidamente fizeram de Karol Conká um dos nomes mais importantes do novo rap nacional.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.