"Letrux em Noite de Climão"

Ano: 2017
Selo: Joia Moderna
Gênero: Pop, Synthpop, Pop Rock
Para quem gosta de: Marina Lima, Mahmundi e Jaloo
Ouça: Flerte Revival e Que Estrago
Nota: 8.5

Crítica | Letrux: “Letrux em Noite de Climão”

Letícia Novaes havia atravessado os anos 2000 e início da década seguinte em uma seleção de obras que fizeram do Letuce, projeto assinado em parceria com o então marido, o multi-instrumentista Lucas Vasconcellos, um dos mais originais da cena carioca. Entretanto, foi com o fim das atividades da banda, de onde vieram os ótimos Plano de Fuga pra Cima dos Outros e de Mim (2009), Manja Perene (2012) e Estilhaça (2015), que a cantora e compositora fluminense estabeleceu o alicerce criativo para o primeiro álbum em carreira solo: Letrux em Noite de Climão (2017). Marcado pela forte comicidade dos versos, o trabalho de essência dramática, por vezes cênica, encontra na temática da separação a base para grande parte dos versos que orientam a experiência do ouvinte até a faixa de encerramento da obra, 5 Years Old.

Ninguém perguntou por você / Eu ri, te citei mesmo assim / Como quem não quer nada“, canta logo nos primeiros minutos do disco, apontando a direção seguida no restante do álbum. São histórias curtas, sempre regidas pela leveza dos versos, proposta que vai de um romance lésbico, em Que Estrago (“Maluca, quero repeteco / Maluca, eu tô na tua porta / Suas pernas cruzadas / Suas pernas abertas / Boca lacrada / Boca aberta“), à busca por um novo amor, estímulo para a dançante Flerte Revival (“Eu fico na pista o set inteiro / Dançando como se / Seu corpo estivesse junto do meu / Marinheiro“). Completo pela presença de Marina Lima, em Puro Disfarce, e um time de instrumentistas guiados pela produção de Arthur Braganti e Natália Carrera, Letrux em Noite de Climão não custaria a atrair a atenção do público, transformando Novaes em um nome de destaque em diferentes festivais e eventos de música espalhados pelo Brasil. Dois anos mais tarde, a cantora ainda lançaria o complementar Letrux em Noite De Pistinha (2019), com diferentes interpretações para o bem-sucedido registro.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.