"Mahmundi"

Ano: 2016
Selo: StereoMono
Gênero: Pop Rock, Synthpop, R&B
Para quem gosta de: Silva, Céu e Duda Beat
Ouça: Azul, Quase Sempre e Calor do Amor
Nota: 8.8

Crítica | Mahmundi: “Mahmundi”

Um mergulho no pop da década de 1980, um dia de sol no R&B dos anos 2010. Produto das ideias e sentimentos acumulados por Marcela Vale desde o início da carreira, o primeiro álbum de estúdio da cantora e compositora carioca como Mahmundi costura passado e presente de forma tão nostálgica quanto autoral. São melodias eletrônicas, guitarras carregadas de efeitos e reverberações empoeiradas que vão da obra de Marina Lima ao soul futurístico de estrangeiros como Jessie Ware e Toro Y Moi. Instantes de profundo esmero e evidente refinamento estético, proposta que se completam pela poesia confessional da artista. “E na sala de estar com meu violão / Pra quem vou cantar? / E no fim de tarde, um mundo de histórias / Pra quem vou contar? / Se você não estiver por lá?“, questiona em Quase Sempre, canção que sintetiza a vulnerabilidade de Vale durante toda a execução da obra.

São versos apaixonados, como na crescente Azul (“Quando tudo terminar / Essa noite acontecer / Na verdade é pra dizer / Que meu coração te chama“) e em Eterno Verão (“É tão fácil / É tão mágico / Se perder no coração“); o romantismo angustiado, na derradeira Sentimento (“O amor é um mar difícil / Tão fácil de se ver e admirar“); ou mesmo poemas tratados como pequenos refúgios sentimentais, caso de Leve (“Seus olhos riam pra mim / Seus olhos riam pra me mostrar /A sua beleza / E assim me encantar“) e da pegajosa Calor do Amor (“Esse é o calor do amor / Como num sonho bom“). Canções que partem de desilusões amorosas, medos e vivências da própria artista, porém, tratadas de forma sempre acessível, proposta que faz da estreia de Mahmundi uma obra capaz de dialogar com todo e qualquer indivíduo.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.


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