"De Verdade"

Ano: 2011
Selo: Sombrero
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Garotas Suecas e Maglore
Ouça: Bolo Espacial e Tempos de Maracujá
Nota: 8.5

Crítica | Nevilton: “De Verdade”

Difícil ouvir as canções apresentadas no enérgico De Verdade (2011), primeiro álbum de estúdio de estúdio do cantor e compositor paranaense Nevilton, e não perceber no registro uma das mais belas (e honestas) homenagens ao rock nacional. Misto de coletânea e registro de inéditas, o trabalho não apenas resgata uma série de músicas previamente apresentadas pelo artista de Umuarama, caso de Pressuposto e Vitorioso Adormecido, como utiliza do fino catálogo de novas composições para dialogar com diferentes fases da produção brasileira. Frações poéticas e instrumentais que vão da Jovem Guarda, como em Paz e Amores, ao som dos anos 1980, caso de Delicadeza e A Máscara, sem necessariamente perverter a identidade criativa de seu realizador, sempre guiado pela urgência de veteranos como Pavement e Pixies.

Exemplo disso está na entrega de músicas como Tempos de Maracujá (“Tempos de maracujá / Era isso que restava pra acalmar / Difícil não se apegar / A uma vida confortável a um sofá“) e Bolo Espacial (“Não te agrada a idéia de um bom papo? / Ou que tal aquela velha receita do bolo espacial?“), canções que partem de relações humanas, conflitos existencialistas e experiências mundanas como um estímulo para a composição dos versos. São histórias de amor, medos e cenas típicas do cotidiano, direcionamento que se reflete em outros momentos ao longo da obra, como em Ballet da Vida Irônica e Cala e Forma, conceito que viria a orientar toda a sequência de obras entregues pelo músico paranaense no restante da década.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.