"Regina"

Ano: 2017
Selo: Sound Food Gang
Gênero: Rap, Trap, Vaporwave
Para quem gosta de: Young Buda e Rodrigo Ogi
Ouça: Jovens Telas Trincadas, Minha Mulher... e Wifi
Nota: 8.8

Crítica | Nill: “Regina”

O som de um video game sendo ligado, fragmentos de áudios enviados pelo WhatsApp, amores passageiros e relações alimentadas pela tela do celular. Em Regina (2017), segundo álbum de estúdio do rapper Nill, cada elemento do trabalho parece tratado de forma melancólica e intimista, como um convite a se perder em um universo próprio do produtor paulista. “Jovens telas trincadas como suas relações / Um milhão de planos pra preencher seus corações … Me veja pela tela do iPhone, senão é difícil / Viver sem te ver é difícil / Mesmo os nossos assuntos não passando do início“, rima em Jovens Telas Trincadas, composição que não apenas sintetiza o isolamento do eu lírico, como tinge de forma nostálgica a base instrumental do disco. Canções ancorada em melodias enevoadas, típicas de exemplares recentes da vaporwave, ruídos e trechos de animes, caso de Dragon Ball, estímulo para a montagem de faixas como Nego Drama Pt. II.

Parte dessa melancolia que rege o disco vem da forma como o próprio trabalho foi concebido. Trata-se de uma obra de essência familiar, inspirada pela mãe do rapper, falecida anos antes da finalização do registro, além, claro, de pequenos interlúdios gerados pela interferência de parentes próximos, como a voz da irmã de Nill, presentes durante toda a execução da obra. A própria imagem de capa do disco, assumida pela sobrinha do artista, serve de estímulo para esse ambiente caseiro, sempre convidativo. Nada que prejudique a chegada de diferentes colaboradores. São nomes como Makalister (Summer Nights), Victor Xamã (De Novo e De Novo), veteranos como De Leve e Rodrigo Ogi (Loopers) e o parceiro do Sound Food Gang, o rapper Yung Buda, na já citada Nego Drama Pt. II. Mesmo David Bowie surge de forma pontual, no sample de Ashes To Ashes, base para a divertida Minha Mulher Acha Que Eu Sou o Brad Pitt. Um ziguezaguear de ideias, sentimentos e experiências particulares que fazem de Regina um dos exemplares mais sensíveis e inventivos da recente fase do rap nacional.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década.


Deixe uma resposta