"Conference of Trees"

Ano: 2020
Selo: Modern Recordings
Gênero: Eletrônica, Experimental, Techno
Para quem gosta de: The Field e DJ Koze
Ouça: Supernova Space Time Drift e Pius In Tacet
Nota: 7.6

Crítica | Pantha Du Prince: “Conference of Trees”

Um refúgio. Assim é o trabalho de Hendrik Weber, o Pantha Du Prince, em Conference of Trees (2020, Modern Recordings). Primeiro registro de inéditas do produtor germânico desde o experimental The Triad (2016), obra que resultou em uma série de variações e diferentes interpretações temáticas, o novo álbum encontra na vida secreta das árvores um estímulo para a composição de melodias atmosféricas, vozes e, principalmente, das batidas. São camadas instrumentais e ambientações eletrônicas sempre marcadas pelo detalhismo dos elementos, precisão que se reflete mesmo nos momentos de maior economia do disco.

Concebido com o auxílio de um seleto time de percussionistas, caso de Håkon Stene, Bendik Hovik Kjeldsberg, Manuel Chittka e o jazzista Friedrich Paravicini, esse último, artista que trabalhou ao lado de nomes como Lou Reed e Robert Wilson, Conference of Trees, como o próprio título indica, utiliza de instrumentos confeccionados em madeira como estímulo para a composição das faixas. São inserções minimalistas, batidas e captações de campo, estrutura que se completa pela lenta sobreposição de sintetizadores e fórmulas eletrônicas, como uma extensão de tudo aquilo que Weber tem produzido desde a estreia com Diamond Daze (2004).

Exemplo disso está na extensa Supernova Space Time Drift. São pouco mais de 11 minutos em que o produtor alemão parte de uma base atmosférica para revelar ao público um intrincado jogo de batidas e temas instrumentais que tendem à dança. Frações que vão da microhouse ao completo experimentalismo, proposta que naturalmente faz lembrar do trabalho do artista em sua maior obra, Black Noise (2010). O mesmo cuidado acaba se refletindo na já conhecida Pius In Tacet, composição que destaca o uso da percussão, porém, a todo momento regressa ao mesmo território sintético que tradicionalmente define a obra de Pantha Du Prince.

De fato, difícil não pensar em Conference of Trees como uma reinterpretação conceitual de tudo aquilo que o artista germânico tem produzido desde o início da carreira. São faixas trabalhadas em uma estrutura crescente, sempre extensas, utilizando de pequenas repetições e bases cíclicas como estímulo para a inserção de elementos percussivos. É o caso de Silentium Larix, canção que abraça o minimalismo eletrônico, porém, utiliza de inserções orgânicas como um importante componente de transformação criativa. Instantes em que Weber transporta para dentro de estúdio a mesma atmosfera detalhada nas apresentações ao vivo com os integrantes do coletivo The Bell Laboratory.

O grande problema de Conference of Trees acontece justamente entre os intervalos dessas canções. Como tentativa de garantir pequenos respiros à obra, Weber entrega ao público uma seleção de faixas marcadas pelo aspecto atmosférico dos elementos. São canções como a introdutória Approach in a Breeze, Holding the Oak e Lichtung que funcionam quando observadas isoladamente, porém, pouco contribuem para o desenvolvimento do disco, tornando a experiência do ouvinte arrastada. Criações que pervertem a estrutura ritmada em alguns dos principais trabalhos do artista, como This Bliss (2007) e o já citado Black Noise.

Claramente pensado para as apresentações ao vivo de Pantha Du Prince, direcionamento reforçado a cada novo álbum apresentado pelo produtor na última década, Conference of Trees surpreende pela minúcia de seus elementos, batidas e fórmulas pouco usuais, porém, peca pelo excesso. É como se Weber tivesse em mãos duas obras conceitualmente distintas, incapazes de dialogar musicalmente. Instantes de evidente calmaria que se entrelaçam em meio a faixas marcadas pela forte agitação criativa, proposta que acaba prejudicando o rendimento do álbum.