"Passar Mal"

Ano: 2019
Selo: Pug Records
Gênero: Indie Rock, Dream Pop, Lo-Fi
Para quem gosta de: Filipe Alvim e Séculos Apaixonados
Ouça: Cêdiz, Amyr Klink e Milkshake
Nota: 7.6

Crítica | “Passar Mal”, Grogues

Pouco menos de um ano após o lançamento do segundo álbum de estúdio da carreira, Tudo Pode Acontecer (2018), o cantor e compositor mineiro Filipe Alvim está de volta com um novo registro de inéditas. Em Passar Mal (2019, Pug Records), o músico de Juiz de Fora estreita a relação com outros representantes da cena local para dar vida ao divertido Grogues, um projeto de dream pop psicodélico que amplia parte do universo criativo que vem sendo explorado por Alvim desde o primeiro registro autoral, o romântico Beijos (2016).

Completo pela presença dos músicos Everton Surerus, Vini Fonseca, Márcio Reis e Leo Fazio, o grupo resume na sequência de abertura do álbum parte da sonoridade que orienta a experiência do ouvinte até o último instante da obra. De um lado, as guitarras e vozes rápidas de Cêdiz, um rock leve e descompromissado que indica o completo refinamento melódico do quinteto. No outro, a doce lisergia que invade Amyr Klink, um pop psicodélico e viajado que sutilmente flutua em meio a guitarras e vozes carregadas de efeito.

São variações instrumentais e poéticas que parecem dialogar com o trabalho de outros representantes do rock nacional, como Boogarins e Terno Rei, porém, em uma linguagem própria do grupo mineiro. Exemplo disso está na criativa colagem de ideias que embala a terceira faixa do disco, Lucidez. Da composição ruidosa das guitarras ao uso da voz submersa, cada segundo dentro da canção parece transportar o ouvinte para um território completamente novo, mágico. Instantes de parcial delírio e criativa reinvenção.

O mesmo cuidado na composição de cada elemento se reflete com naturalidade na nostálgica Milkshake. Com um pé na década de 1980, a faixa não apenas resgata a essência de veteranos do período, como dialoga com o trabalho de Alvim em carreira solo. São arranjos dissolvidos em uma estrutura levemente dançante, conceito que acaba se repetindo na divertida Quero, um rock laricado que poderia facilmente ser encontrado em algum disco do Mac DeMarco ou Homeshake.

Interessante notar que mesmo quando desacelera, Passar Mal mantém firme a pluralidade de elementos e ritmos detalhados pelo grupo mineiro desde os primeiros segundos da obra. É o caso da instrumental Mamãe. São pouco mais de dois minutos em que guitarras coloridas se espalham em meio a variações atmosféricas, convidando o ouvinte a, mais uma vez, mergulhar no rock concebido há três ou mais décadas. Um divertido cruzamento de ideias que segue até o fechamento do disco, na sequência formada por Vvander e Depressão.

Concebido em um intervalo de apenas 30 dias, Passar Mal segue exatamente de onde Filipe Alvim parou no último ano, presenteando o público com uma seleção de músicas deliciosamente pegajosas, feitas para grudar na cabeça do ouvinte. Da abertura do disco, em Cêdiz, passando pelo completo delírio que invade Lucidez e Amyr Klink, ou mesmo a atmosfera nostálgica de Milkshake e Quero, difícil não se deixar guiar pelo som, energia e bom humor que enriquece o trabalho do grupo mineiro.



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