"Cavalo"

Ano: 2019
Selo: Som Livre
Gênero: Indie, MPB
Para quem gosta de: Marcelo Camelo e Little Joy
Ouça: Irene, Maná e Hourglass
Nota: 9.0

Crítica | Rodrigo Amarante: “Cavalo”

Quem foi com sede ao pote durante as primeiras audições de Cavalo (2013. Som Livre), talvez em busca de um novo disco do Los Hermanos, possivelmente deixou escapar um dos exemplares mais sensíveis da nossa música. Na contramão do som festivo que marca parte expressiva da discografia do quarteto carioca, Rodrigo Amarante decidiu investir na composição de um registro minimalista, fazendo do primeiro álbum em carreira solo um trabalho regido pelos detalhes. Nascido do isolamento do músico fluminense na cidade de Los Angeles, Califórnia, a obra que conta com produção de Noah Georgeson, parceiro de nomes como Joanna Newsom e Devendra Banhart, utiliza da propositada economia dos arranjos como um estímulo natural para o ambiente particular detalhado pelo artista.

Entre versos cantados em português, inglês, francês e japonês, Amarante revela ao público uma obra consumida pela saudade, efeito direto do exílio autoimposto. Canções como a sentimental Irene, Nada Em Vão e The Ribbon, sempre atmosféricas, como se pensadas para borbulhar nos ouvidos do público, reforçando o lirismo melancólico que orienta a experiência do ouvinte até a derradeira Tardei. Claro que esse direcionamento amargo não interfere na produção do músicas como a colorida Maná, O Cometa ou a urgente Hourglass, canção que soa como uma interpretação particular do rock litorâneo detalhado no paralelo Little Joy. Um delicado conjunto de ideias e experiências sentimentais que vai dos terreiros de umbanda ao rock lo-fi, riqueza que se completa pela chegada de velhos companheiros de banda, como Rodrigo Barba, Fabrizio Moretti e Devendra Banhart.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.