"Roupa Linda, Figura Fantasmagórica"

Ano: 2014
Selo: Balaclava Records
Gênero: Rock Alternativo, Dream Pop, Synthpop
Para quem gosta de: Boogarins e Dorgas
Ouça: Um Totem do Amor Impossível e Peixe Peixão
Nota: 8.8

Crítica | Séculos Apaixonados: “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica”

Romântico, brega e deliciosamente nostálgico. Em Roupa Linda, Figura Fantasmagórica (2014), primeiro álbum de estúdio do coletivo formado por Gabriel Guerra (voz e guitarra), Lucas de Paiva (teclado e saxofone), Felipe Vellozo (baixo), Arthur Braganti (Teclado e Voz) e João Pessanha (bateria), poemas de amor, delírios e ambientações noturnas se revelam ao público de forma inexata, torta, como uma extensão do som produzido por cada integrante em seus principais projetos paralelos, na época, bandas como Baleia, Mahmundi e Letuce. São camadas de sintetizadores (Peixe Peixão), guitarras (Ralenti As Baterias do Coração) e o saxofone empoeirado (Um Totem do Amor Impossível) que atravessa o pop dos anos 1980 para mergulhar em um ambiente próximo do onírico, como uma trilha sonora para um filme de David Lynch – ou uma pornochanchada barata.

Alô? Você já deve saber que sou eu. Eu estou te ligando aqui da barca Rio-Niterói. Enquanto eu fumo meu cigarro de cowboy. Eu quero contar que o meu coração ainda dói. Dói de recordar o seu texto de vilã…”, cresce a voz do radialista Róbson Monteiro, em Peixe Peixão, música que sintetiza de forma cômica a essência do disco. São canções embriagadas pela saudade, instantes de doce experimentação ou mesmo faixas que parecem jogar com a experiência do ouvinte, proposta que se reflete não apenas em algumas das principais músicas do disco, como Só no Masoquismo e Campeonato de Recordações, mas em toda a sequência de obras que seriam apresentadas pela banda pelos próximos anos, caso de O Ministério da Colocação (2016) e Suspenso Graças Ao Princípio da Insignificância (2018)



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.