"Superbloom"

Ano: 2019
Selo: Rob the Rich Recordings / Caroline
Gênero: Indie Pop, Pop Rock
Para quem gosta de: Vampire Weekend e Passion Pit
Ouça: Bad To Worse e War & Famine
Nota: 6.5

Crítica | “Superbloom”, Ra Ra Riot

Mesmo inclinada ao lento desvendar de ideias e novas possibilidades, o Ra Ra Riot sempre foi encarada como uma banda equilibrada. Seja na produção do primeiro álbum de estúdio da carreira, The Rhumb Line (2008), ou na tentativa de provar de um som conceitualmente dançante, como em Beta Love (2013) e Need Your Light (2016), interessante notar como o grupo nova-iorquino em nenhum momento se distanciou de estrutura rítmica, melódica e lírica bastante específica, proposta que alcança novo resultado nas canções de Superbloom (2019, Rob the Rich Recordings / Caroline).

Quinto álbum de estúdio da banda formada por Wes Miles, Mathieu Santos, Milo Bonacci, Rebecca Zeller e Kenny Bernard, o registro de 12 faixas e pouco menos de 50 minutos de duração sustenta na interferência direta do produtor Rostam Batmanglij (Vampire Weekend, Carly Rae Jepsen) o princípio de uma nova fase para o quinteto. Variações instrumentais e pequenos resgates criativos que apontam para o pop empoeirado dos anos 1960 e 1970, resultando em um colorido cardápio de ideias que vai da imagem de capa à base melódica de cada canção.

Parceiros de longa data e colaboradores no temporariamente extinto Discovery, Miles e Rostam seguem exatamente de onde pararam há três anos, durante o lançamento de Water. Faixa de abertura de Need Your Light, a canção parece apontar a direção seguida em parte expressiva do material entregue em Superbloom. Da batida seca que corre ao fundo do trabalho, passando pelo uso atmosférico dos sintetizadores e vozes tratadas como instrumentos, evidente é o esforço do time de artistas em jogar com as ideias em uma base tão diversa quanto lógica.

Não por acaso, o grupo nova-iorquino vem trabalhando Bad To Worse como primeiro single do disco. Do minucioso uso dos falsetes, passando pela lenta inserção das guitarras, batidas e sintetizadores, tudo se projeta de forma delicadamente sensível, como um resgate de tudo aquilo que Rostam vem aprimorando desde Modern Vampires of The City (2013), obra-prima do Vampire Weekend, ou mesmo no primeiro álbum em carreira solo, Half-Light (2017). Uma fina tapeçaria melódica que cobre toda a superfície dos versos existencialistas lançados por Miles.

Dentro desse cenário marcado pelo frescor dos elementos, interessante perceber em músicas como Endless Pain/Endless Joy uma tentativa clara do grupo em perverter parte desse resultado. Batidas e guitarras fortes que se projetam em uma estrutura enérgica, como uma fuga de tudo aquilo que a banda vem produzindo desde o início da carreira. Mesmo quando prova de um som atmosférico, como na sensível War & Famine, evidente é o esforço do quinteto em fugir de um resultado previsível, tornando a experiência de ouvir o disco sempre gratificante.

Claro que esse novo direcionamento estético não interfere na produção de músicas como a descartável Belladonna, composição que parece seguir o mesmo pop festivo de coletivos como The Lumineers e Bastille, resultando em uma propositada fuga do restante da obra. O próprio aspecto caricatural de músicas como Gimme Time, com sua atmosfera de abertura de série dos anos 1980, distancia o ouvinte do refinamento evidente nos minutos iniciais do trabalho. Instantes de breve desequilíbrio que naturalmente inviabilizam o surgimento de uma obra maior.