"Tasmania"

Ano: 2019
Selo: Interscope
Gênero: Rock, Rock Psicodélico
Para quem gosta de: Tame Impala e Unknown Mortal Orchestra
Ouça: Daisy e Hand Mouth Dancer
Nota: 7.5

Crítica | “Tasmania”, Pond

Os últimos anos foram bastante produtivos para quem acompanha o trabalho do Pond. Perto e ao mesmo tempo distante de sua banda irmã, a Tame Impala, o grupo comandado por Nick Allbrook, Jay Watson Shiny, Joe Ryan e Jamie Terry vem revelando ao público uma sequência de obras marcadas pelo profundo refinamento estético e busca declarada por um som tão lisérgico quanto inventivo. Um permanente amadurecer criativo que se reflete na formação de obras ainda recentes como Man It Feels Like Space Again (2015) e The Wheater (2017).

Sem tempo para descanso, o grupo australiano está de volta com um novo registro de inéditas. Em Tasmania (2019, Interscope), obra que conta com co-produção de Kevin Parker, cada composição do disco convida o ouvinte a se perder em um universo completamente novo, mágico. São diferentes variações instrumentais e rítmicas, conceito reforçado logo na imagem de capa do disco, com variações particulares de cores, direcionamento que se reflete até o último instante do álbum, em Doctor’s In.

Com base nessa estrutura, Allbrook e seus parceiros de banda revelam desde composições deliciosamente acessíveis, até faixas marcadas pela profunda experimentação. Desse primeiro grupo, vem justamente a inaugural Daisy, um pop psicodélico que aponta para a estrutura melódica de veteranos como The Beatles, porém, em uma linguagem atual, efeito direto da criativa sobreposição de sintetizadores e guitarras eletrônicas. Pouco mais de seis minutos em que camadas instrumentais encolhem e crescem a todo instante, revelando o esmero do quarteto.

O mesmo frescor na composição dos arranjos e versos ecoa com naturalidade em Sixteen Days, música que lembra a boa fase de Beck, na segunda metade dos anos 1990. Em Hand Mouth Dancer, quinta faixa do disco, uma clara tentativa do grupo em explorar uma sonoridade eletrônica, efeito reforçado pelo uso de sequenciadores e abstrações sintéticas, conceito que muito se assemelha ao material explorado por contemporâneos como Unknown Mortal Orchestra e demais nomes da presente cena psicodélica.

No restante da obra, a clara tentativa do grupo australiano em perverter a própria identidade. São faixas como a atmosférica Goodnight, P.C.C, um ato de pura experimentação que traduz de forma delirante tudo aquilo que o grupo vem produzindo desde a música de abertura do álbum. Nada que se compare à colisão de ideias e formas instrumentais de Burnt Out Star. São pouco mais de oito minutos em harmonias de vozes, guitarras e sintetizadores parecem flutuar sem ordem aparente, confessando algumas das principais inspirações do Pond, como Pink Floyd e Can.

Conceitualmente diverso, Tasmania equilibra o que há de mais estranho e acessível na obra do Pond. É como se o grupo australiano fosse capaz de sintetizar o que existe de melhor em toda a sequência de músicas produzidas desde o início da presente década. Uma estrutura que não apenas distancia o grupo de possíveis comparações ao trabalho do Tame Impala, como consolida uma evidente identidade criativa, proposta que se reflete nos momentos de maior experimentação, caso de Shame, ou mesmo em faixas feitas para grudar na cabeça do ouvinte, vide a nostálgica Selené.



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