"The Destroyer – Part 1"

Ano: 2019
Selo: Grouch
Gênero: Eletrônica, Synthpop, Darkwave
Para quem gosta de: Austra e Cold Cave
Ouça: Bicep e Gone
Nota: 7.8

Crítica | “The Destroyer – Part 1”, TR/ST

É impressionante a capacidade de Robert Alfons em replicar a atmosfera dos principais registros lançados na década de 1980, porém, preservando a própria identidade artística. São diálogos com a obra de veteranos como Depeche Mode, New Order e Orchestral Manoeuvres In The Dark, estrutura que rapidamente tinge com nostalgia cada nova composição entregue pelo artista canadense. Um misto de reverência e renovação, proposta que volta a se repetir de forma autoral no terceiro e mais recente álbum do produtor canadense, The Destroyer – Part 1 (2019, Grouch).

Sequência ao elogiado Joyland (2014), obra em que se permitiu dialogar com uma parcela maior do público, a primeira parte de The Destroyer mostra o esforço de Alfons em estreitar ainda mais a relação com as pistas. Do momento em que tem início, em Colossal, sintetizadores cíclicos, batidas e a sobreposição precisa dos versos rapidamente convidam o ouvinte a dançar. É como se o produtor canadense regressasse ao mesmo território criativo detalhado no primeiro álbum de estúdio como TR/ST.

A principal diferença em relação aos antigos trabalhos de Alfons está no evidente desejo do artista em provar de um universo de novas referências ainda mais voltadas para a música pop. Do uso descomplicado dos versos, passando pela estrutura melódica adotada nos sintetizadores, poucas vezes antes um registro entregue pelo produtor canadense pareceu tão acessível. Exemplo disso está em Gone, música que parte da melancolia detalhada nos versos para rapidamente capturar a atenção do ouvinte, convidado a provar das mesmas emoções do eu lírico.

Em Bicep, uma das primeiras composições a serem apresentadas ao público, o mesmo cuidado na inserção dos sintetizadores e versos. “Me mostre um sinal / Estou perdendo a fé todas as noites / Você pode vê-los com foco em um estilo? / E você nem pode pagá-lo / Você está triste por dentro“, canta em um melancólico exercício criativo que entrega os desejos do próprio artista. Pouco menos de cinco minutos em que o produtor estabelece pequenas variações rítmicas, abrindo passagem para a letra intimista da canção.

Embora parta de uma sonoridade acessível, em nenhum momento Alfons se distancia do aspecto provocativo evidente nos últimos registros autorais. Perfeita representação desse resultado está na base industrial de Unbleached, música que aponta de forma particular para o mesmo universo criativo do Nine Inch Nails, em Pretty Hate Machine (1989). Em músicas como Grouch e Control Me, melodias aprazíveis, mas que acabam mergulhando em universo de pequenas sobreposições estéticas e ruídos.

Ponto de partida para o material que será finalizado pelo artista nos próximos meses, The Destroyer – Part 1 costura passado e presente não apenas dentro do conceito estético adotado pelo artista canadense, mas, principalmente, pela forma como o produtor passeia por diferentes aspectos da própria discografia. Do momento em que tem início, em Colossal, até alcançar a derradeira Wake With, cada elemento do registro preserva e amplia tudo aquilo que Alfons e seus parceiros, como a conterrânea Maya Postepski, vêm explorando desde o início da carreira.



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