"Ventre"

Ano: 2015
Selo: Independente
Gênero: Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Lupe de Lupe e Cícero
Ouça: Quente e Pernas
Nota: 8.8

Crítica | Ventre: “Ventre”

O autointitulado debute da Ventre é um desses trabalhos capazes de causar sensações físicas. Regido pela bateria firme de Larissa Conforto, guitarras de Gabriel Ventura e baixo suculento de Hugo Noguchi, o registro de 11 faixas parece mudar de direção a todo instantes, sempre jogando com a interpretação do público. “É que gosto quando tudo fica quente / Gosto de quando me falta o ar“, confessa Ventura enquanto melodias densas encolhem e crescem a todo instante, indicativo da força criativa que orienta a experiência do ouvinte até o último instante da obra, em Aperto e Um Beijo. São camadas de guitarras, ruídos e vozes que ora apontam para o trabalho de veteranos como Queens of The Stone Age e PJ Harvey, ora refletem a herança criativa de cada integrante da banda em seus antigos projetos paralelos, entre eles, Posada e o Clã e Tipo Uísque.

Feito para ser ouvido da primeira à última música, sem pausas, o registro encontra na ferocidade dos arranjos e força dos versos um elemento de imediato diálogo com o ouvinte. São memórias e sentimentos conflitantes, declarações de amor consumidas pela saudade e o medo inevitável da vida adulta, combustível para algumas das principais faixas do disco, como a delirante Carnaval, Pernas, De Perto e a introdutória Bailarina. Canções tão intimistas quanto avassaladoras, estrutura que viria a orientar o trabalho da banda até o derradeiro Saudade (O Corte 切り) (2018), registro de apenas quatro faixas que marca o encerramento das atividades do trio.



Este texto faz parte da nossa lista com Os 100 Melhores Discos Brasileiros dos Anos 2010 que será publicada ao longo das próximas semanas. São revisões mais curtas ou críticas reescritas de alguns dos trabalhos apresentados ao público na última década. Leia a publicação original.