Deerhunter: “Monomania”

Deerhunter

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Halcyon Digest (201) parecia confirmar o que talvez já fosse óbvio para quem acompanhava Bradford Cox e os parceiros de banda: o Deerhunter havia chego a um limite. Depois de três registros carregados pelo uso coeso das distorções – Cryptograms (2007), Microcastle (2008) e Weird Era Cont. (2008) -, o quinto registro em estúdio da banda de Atlanta, Georgia parecia acalmar intencionalmente o grupo em um universo de composições densas e hipnóticas. Praticamente um espaço cercado para que as letras de Don’t Cry, Memory Boy e Helicopter pudessem ser absorvidas de maneira cuidadosa, revelando uma face talvez inexistente nos primeiros anos do grupo e ao mesmo tempo firmando Cox como um dos grandes letristas de sua geração. Apenas um plano de fundo para a explosão que deve acontecer com Monomania.

Sexto registro em estúdio da banda, o novo álbum deixa a atmosfera comportada e quase mística do Dream Pop para arremessar o grupo diretamente para o Garage Rock, marca que alimenta a raivosa e quase inaudível faixa título. Enquanto a voz do vocalista se esconde em meio a camadas Lo-Fi, as guitarras crescem ensurdecedoras, como se no meio da calmaria (ou quase overdose de remédios) alcançada no disco passado alguém te acertasse em cheio com um soco na cara. São quase cinco minutos de ruídos incessantes que tiram a banda da zona de conforto habitual, mergulhando o quinteto em um oceano de desespero, gritos e a comprovação de que o Deerhunter está apenas começando. Prepare-se para ficar surdo.

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Deerhunter – Monomania

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