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Disco: “#1”, Jaloo

Jaloo
Nacional/Pop/Electronic
https://www.facebook.com/JalooMusic

 

Como escapar de um álbum cuja faixa de abertura já nasce como um convite? Impossível. “Ah! Vem pra cá / Balançar / Se acabar / Sente o som / Tudo é bom”, entrega o cantor e produtor paraense Jaloo na inaugural Vem. Escolhida para apresentar o primeiro registro de inéditas do artista original da cidade de Castanhal, região metropolitana de Belém, a faixa adornada por sintetizadores e vozes crescentes, mais do que um eficiente cartão de visita, indica a direção festiva, lisérgica e sempre colorida que orienta cada uma das 12 composições do debut #1 (2015, MonoStereo).

Björk, tumblr, anime, GIFs e tecnobrega. Nascido da reciclagem de temas e referências que cercam o cotidiano do artista, a obra que conta com direção artística de Carlos Eduardo Miranda (Raimundos, Nevilton) cresce como um assertivo jogo de exageros. Da imagem plastificada que estampa a capa do disco – similar ao trabalho de Jesse Kanda ao lado de artistas como FKA Twigs e Arca -, passando pelo encaixe cíclico dos versos, sempre pegajosos, Jaloo finaliza um disco que resume as últimas três décadas da música pop sem necessariamente perder a própria identidade.

Da década de 1980 chegam os sintetizadores e toda a manipulações pop que preenche as lacunas da obra. Extraído dos anos 1990, a influência confessa de veteranas como Björk, além, claro, as batidas e bases densas que ocupam o eixo final do disco, típicas do R&B. Ainda assim, vem da década de 2000 a principal fonte de inspirações do artista. Sia, Robyn, Vive La Fete, Crystal Castles e Grimes – esta última, satisfeita com a versão do cantor para Oblivion. Sobra até para uma rápida homenagem ao som da dupla The Knife nos sintetizadores de Chuva, praticamente uma adaptação de Silent Shout.

Curioso perceber como esse rico catálogo de referências em nenhum momento interfere na essência originalmente brega de Jaloo. “Ah! Dor! Ah! Dor! / Não me deixe, eu te imploro, fica / Me envolve, me conforta, fixa”, desaba o artista na melancólica  Ah! Dor!, composição que mesmo maquiada pelo uso de batidas e melodias “sofisticadas”, mantém firme a relação do produtor com a música paraense. Uma espécie de ponte conceitual entre os sentimentos que tanto sufocam o trabalho da islandesa Björk, mas que ao mesmo tempo servem para dançar na voz da conterrânea Joelma.

Oposto ao trabalho de Bonde do Rolê, Banda Uó e outros artistas que encontram no uso de sons periféricos o estímulo para um material cômico, escrachado, Jaloo mantém firme a sobriedade durante toda a construção da obra. Prova disso está no interior da terceira faixa do álbum, A Cidade. Enquanto batidas e sintetizadores crescem em um ambiente pronto para a dança, nos versos, o cantor discute problemas sociais (“É fácil se emocionar com o mundo internacional / Mas na esquina de casa mendigo mora em jornal”) e o isolamento dos indivíduos com maturidade, mergulhando pelo mesmo cenário descritivo proposto por Caetano Veloso no clássico Alegria, Alegria.

A seriedade de Jaloo, entretanto, em nenhum momento parece prejudicar a som despretensioso, leve, que define as canções de #1 vide as pegajosas Tanto Faz e Insight.  De fato, desde a estreia do Cansei de Ser Sexy, em 2005, que um registro pop (brasileiro) não parecia tão divertido, descomplicado e aberto aos mais variados públicos quanto a estreia do músico paraense. Livre de barreiras e possíveis bloqueios, cada música do disco sobrevive como um verdadeiro achado radiofônico, basta apenas seguir a trilha deixada na faixa de abertura – “entra nessa e vem pra cá”.

 

#1 (2015, MonoStereo)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Mahmundi, Grimes e Silva
Ouça: A Cidade, Insight e Ah! Dor!


4 thoughts on “Disco: “#1”, Jaloo

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