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Disco: “1”, Mordida

Mordida
Brazilian/Indie Rock/Alternative
http://www.myspace.com/mordidarock

 

Por: Cleber Facchi

É muito provável que se você adentrou ao fabuloso mundo do rock alternativo recentemente, ouvir falar ou conhecer de fato a banda curitibana Mordida talvez seja algo raro. Embora venha de uma sequência de bons singles e EPs desde sua estreia em 2004 -, somente agora, passados sete depois de seu lançamento oficial que o grupo formado na capital paranaense apresenta seu primeiro registro em estúdio, uma espera que inegavelmente valeu muito à pena. Esqueça as festas jovens, que eles amam vocês e esqueça até de Tóquio, em seu tão aguardado debut o grupo paranaense nos presenteia com mais uma bela dose de seus delírios nonsenses e incrivelmente pegajosos.

Aos que nunca ouviram o trabalho do agora quarteto – Paulo de Nadal (voz, guitarra, violão), Ivan Rodrigues (bateria), Zé Ivan (baixo, voz, backing vocal) e Luiz Bodachne (guitarra) – Free Conection, faixa que inaugura o disco se materializa como um grande acerto e uma bela introdução ao variado jogo de referências que se apoderam do trabalho da banda. Do indie rock da década de 1990 aos teclados da New Wave, de incursões pela Surf Music aos mais quentes sons da Jovem Guarda, incontáveis são os elementos que vão dando formas ao trabalho do quarteto, que não se cansa de bater tudo em um liquidificador imaginário, entregando ao público apenas seu som já excentricamente diluído.

Gravado entre 2009 e 2010, o álbum simplesmente denominado 1 parece dar exata continuidade daquilo que o grupo vinha desenvolvendo em seus anteriores pequenos registros, mantendo o mesmo aspecto caseiro que tomava conta das antigas criações do grupo, bem como seus inúmeros e esquizofrênicos rumos. Cada faixa se organiza de maneira distinta das demais, fazendo com que o álbum seja uma grande viajem musical sem qualquer roteiro pré-definido, 11 composições que em cada curvam mudam seus rumos, suas temáticas, seus sons e principalmente suas histórias.

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Se na música de abertura somos recepcionados por uma avalanche de jogos de palavras comicamente traçadas, logo na faixa seguinte, Borboletas da Estação, a banda manda pra cima do ouvinte sua dose de romantismo, se afundando no rock dos anos 80, mas mantendo constante a ligação com o que é produzido na música contemporânea. Na sequência mais uma inversão, dessa vez com o quarteto tratando da despedida de maneira bem humorada, mesclando doses de música country, que logo se transforma em um indie rock dançante e descompromissado. Instável do momento em que começa até seus últimos segundos, o disco parece lentamente materializar todos os delírios e fantasias (talvez reais) de Paulo de Nadal, que assume praticamente todas as letras do álbum.

Embora acertem ao investir em distintos gêneros musicais – Previsível e seu romantismo jazzístico comprovam isso -, ao se encontrarem com os sons, ritmos e temáticas vindas diretamente da década de 1980 é que a banda alcança seus melhores resultados. Em Wokaholic, por exemplo, os sintetizadores policromáticos lançados ao fundo da composição dão o complemento exato ao trabalho da banda, algo que também se repete em Dia Comum, faixa que se fosse lançada em idos dos anos 80 se transformaria em um clássico imediato nas mãos de grupos como Blitz ou qualquer outro artista da época que fizesse uso de tão impactantes versos.

A “estreia” do Mordida é inegavelmente um disco fácil, não descartável. Um registro arquitetado para agradar o ouvinte em apenas uma audição, sem qualquer intenção de mudar os rumos da música ou estabelecer pequenas revoluções. Apenas um álbum bem humorado, divertido e que parece se encaixar nos mais distintos momentos – dos românticos e sofridos aos de pura e sincera  celebração. O tipo de música ou um estilo de condução que por vezes acaba esquecido por alguns registros, excessivamente conceituais ou programados para soar enfadonhos.

 

1 (2011, Independente)

 

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Sabonetes, Bidê ou Balde e Nevilton
Ouça: Cosmopolita, Previsível e Workaholic

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