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Disco: “25”, Adele

Adele
R&B/Soul/Pop
http://adele.com/

 

Nenhum artista atual é capaz de atingir tanto o grande público quanto Adele. Beyoncé, Paul McCartney, Taylor Swift, Madonna ou qualquer outro nome de peso da música pop, não importa, poucos parecem capazes de replicar o mesmo fenômeno (e euforia) causado a cada novo álbum da cantora. Do espaço garantido na trilha sonora de diferentes novelas e séries, passando pelo destaque em capas de revista, programas de TV e até em memes na timeline do Twitter, as canções e sentimentos da compositora britânica dialogam com todos, percepção que volta a se repetir com a chegada do terceiro álbum de inéditas artista, 25 (2015, XL).

Meu último disco foi sobre um rompimento e, se eu tivesse que classificar este, diria que é um álbum fala de reatar relacionamentos. Estou fazendo as pazes comigo mesma. Compensando pelo tempo perdido. Compensando por tudo o que fiz ou pelo que nunca fiz”, disse Adele em uma carta aberta publicada em outubro deste ano, onde pedia desculpas pelo atraso do novo disco. De fato, bastam os versos de Hello, pegajoso primeiro single do trabalho, para perceber o caráter “libertador” que orienta cada uma das 11 composições do presente disco.

Em um explícito distanciamento da melancolia que sufoca o antecessor 21, obra entregue ao público em 2011, Adele e um time de produtores se concentram em produzir um registro essencialmente acessível, íntimo dos mais variados públicos e emoções. São canções que observam o passado de forma nostálgica (When We Were Young), questionam a validade do amor (Water Under The Bridge), ou simplesmente detalham atos de explícito romantismo (I Miss You). O sofrimento ainda se instala em grande parte do trabalho, mas nada que pareça ocultar com a proposta de renovação do disco.

Se em 2011 Adele era a principal personagem do trabalho, mergulhando em uma série relacionamentos fracassados, tormentos e desilusões, em 25 diferentes personagens e relatos intimistas invadem o interior da obra. A própria Hello parece sintetizar isso. Ao mesmo tempo em que é possível perceber a figura de Adele ao fundo da canção, versos como “Dizem que o tempo supostamente cura / Mas eu ainda não fui completamente curada” estabelecem um imediato senso de identificação com o ouvinte, conceito que se repete em músicas como Remedy e Love In The Dark.

Ainda assim, são as canções em que Adele é de fato “protagonista” que refletem a real beleza de 25. Basta uma rápida passagem pela dançante Send My Love (To Your New Lover) – faixa que poderia ser de Amy Winehouse -, para perceber isso. O mesmo acontece na poderosa When We Were Young. Produzida por Ariel Rechtshaid (Haim, Carly Rae Jepsen), a faixa assinada em parceria com o norte-americano Tobias Jesso Jr. funciona como uma espécie de passeio pelo juventude da cantora; uma colisão de versos marcados pela saudade e conflitos da cantora britânica em relação ao próprio pai.

Próximo e ao mesmo tempo distante do material apresentado há quatro anos pela artista, 25 se projeta como uma constante sobreposição de hits, versos comerciais e arranjos detalhistas que lentamente ampliam o domínio temático de Adele. Um verdadeiro passeio por diferentes relatos sentimentais, sussurros melancólicos e até mesmo respiros aliviados que orientam com sutileza o caminho do ouvinte até o último segundo do trabalho.

 

25 (2015, XL)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Amy Winehouse, Duffy e Tobias Jesso Jr.
Ouça: When We Were Young, Send My Love (To Your New Lover) e Remedy


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