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Disco: “93 Million Mile”, Africa Hitech

Africa Hitech
Electronic/Dubstep/Experimental
http://www.myspace.com/africahitech

Em meio ao panteão dos grandes nomes do dubstep contemporâneo, ganha aquele que trouxer mais inovação ao gênero. Depois de James Blake se afundar na melancolia da soul music, do Burial se perder em minimalismos e de Katy B trazer um toque pop ao estilo, chega a vez do duo Mark Pritchard e Steve Spacek do Africa Hitech rumar para uma via ainda mais experimental e futurística. Cruzando sons tomados pelo dub, reggae e ritmos africanos, com toques do que seria uma trilha sonora imaginária para um filme de ficção científica, a dupla de produtores faz de seu disco de estreia um álbum de pura vanguarda e cruzamentos musicais distintos.

Tanto Pritchard quanto Spacek vinham se revezando em uma série de importantes projetos da cena eletrônica. Enquanto o primeiro se destacava pelo Harmonic 313, quebrando as “regras” do hip-hop e dos sons tipicamente britânicos, o segundo é membro do Spacek, reconhecido projeto inglês de música eletrônica com foco no trip-hop e no downtempo. O encontro entre os dois produtores só poderia surpreender, afinal, os quase sessenta minutos de batidas suingadas, loopings complexos e efeitos instáveis propostos em 93 Million Miles (2011) fazem com que o álbum seja uma bela prova do assertivo encontro do duo.

O bem direcionado trabalho da dupla situa-se entre um Burial da fase Untrue (2007) e um The Bug do álbum London Zoo (2008), mesclando elementos que se concentram em uma fórmula minimalista, mas que se preenchem por contornos levemente grandiosos, trazendo para dentro do disco referências visíveis das raízes jamaicanas e sons que absorvem diversas peculiaridades da sonoridade africana. Mesmo que o álbum se apresente de maneira totalmente sintética, trazendo vozes robóticas e sons totalmente artificiais (com exceção dos samplers de animais), o disco faz jus ao nome do projeto, apresentando ao ouvinte uma África totalmente futurística.

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Dentro desse cruzamento de distintos sons e ritmos é possível perceber as influências dos dois produtores se chocando ao longo do álbum. O caráter totalmente sintético, os ritmos quebrados e o minimalismo ruidoso vem claramente da presença de Pritchard, que sozinho movimenta o que seria o esqueleto do trabalho, formalizando as bases e as batidas secas. Já Spacek chega para dar complemento às faixas, preenchendo as composições com densas camadas, reverberações do dub e desenvolvendo essa conexão entre os ritmos britânicos do UK Garage com elementos que atravessam cantos distintos do globo, desenvolvendo assim os músculos e o complemento que faltava às canções do álbum.

Um dos melhores exemplares dessa conexão de sons variados vem representado por Out In The Street. Tomada por delays hipnóticos, absorções claras dos ritmos jamaicanos e certo caráter orgânico, a canção vai desenvolvendo um pilha de batidas que vão se sobrepondo, gerando por fim uma música puramente dançante e quase ritualística. Em Gangslap (uma das melhores) algo bem semelhante ocorre, embora com um foco maior no uso de programações e colagens de sons variadas. O duo se permite até reproduzir extensas viagens instrumentais, como em Our Luv, com mais de oito minutos e uma sucessão sons que se substituem em segundos.

Há quem venha nomeando o trabalho da dupla como “post-dubstep”, por conta da temática menos urbana e no apoio de ritmos mais variados durante a construção das faixas. Independente do rótulo que venha a receber, o som produzido pelo Africa Hitch se apresenta de forma intrigante, escapando de uma sonorização básica e inovando significativamente. Mais do que um concentrado de sons complexos,  93 Million Miles é um disco que se evidencia pela acessibilidade e por sua funcionalidade dançante, separando-se com primor da frieza que por vezes toma conta de tais lançamentos.

93 Million Miles (2011, Warp)

Nota: 8.1
Para quem gosta de: The Bug, Mount Kimbie e Harmonic 313
Ouça: Out In The Streets

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