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Disco: “A Year With 13 Moons”, Jefre Cantu-Ledesma

Jefre Cantu-Ledesma
Experimental/Ambient/Drone
https://jefrecantu-ledesma.bandcamp.com/
https://soundcloud.com/jefre-cantu-ledesma

A delicada ilustração que estampa a capa de A Year With 13 Moons (2015, Mexican Summer) traduz com acerto o trabalho do multi-instrumentista Jefre Cantu-Ledesma. Formas e arranjos coloridos, flutuando sem direção, passagem para um cenário marcado pela montagem abstrata dos temas. Pequenas pinceladas de ruídos que mesmo entregues em um contexto torto, sujo e experimental, aos poucos parece confortar o ouvinte, costurando temas como amor, separação e isolamento sem necessariamente fazer uso das palavras.

Original da cidade de São Francisco, Califórnia, Cantu-Ledesma passou as últimas duas décadas flertando e se envolvendo com diferentes projetos espalhados por todo o território norte-americano. Coletivos como a banda de Pós-Rock Tarentel – em atuação desde 1995 -, ou mesmo trabalhos assinados em parceria com diversos nomes da cena experimental – caso de Liz Harris (Grouper), Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Keith Fullerton Whitman. Nada que sintetize tamanha beleza e melancolia quanto o presente registro do músico.

Inspirado pelo divórcio do artista, A Year With 13 Moons é uma coleção de faixas alimentadas pela tristeza. Ainda que a faixa de abertura, The Last Time I Saw Your Face, brinque com a colagem de ruídos de forma irregular, arremessando o ouvinte para diferentes direções, quanto mais passeamos pelo disco, mais Cantu-Ledesma detalha ao público o próprio sofrimento. Confissões que surgem como pequenas pistas no título de cada faixa – Love After Love, At the End of Spring, Dissapear – e crescem na manipulação amargurada das melodias.

Autor de uma coleção de contos sentimentais, Cantu-Ledesma assume um caminho isolado em relação ao trabalho de outros representantes da Ambient Music. Nada de atos extensos ou composições penosas, excessivamente longas. Salve a extensa canção de abertura – com mais de oito minutos de duração – A Year With 13 Moons mantém firme a busca do multi-instrumentista pela construção de faixas rápidas. Composições aos moldes de Interiors e Remembering, incapazes de ultrapassar os dois minutos de duração.

Embora fragmentado em canções curtas, difícil encarar o registro como uma obra irregular, quebrada. Cada faixa serve de alimento para a canção seguinte, como pequenos atos complementares, conceito já explorado em outros trabalhos do compositor – como Blood (2012) e Love Is a Stream (2010) -, porém, nunca antes de forma tão graciosa e honesta. É fácil perceber o sofrimento do músico a cada nova curva do álbum, como relatos musicados da nova fase (sentimental) de Cantu-Ledesma.

Produzido durante um longo período de isolamento do músico, A Year With 13 Moons sobrevive como um imenso acervo de texturas instrumentais e melodias sujas marcadas pela completa distorção. Para a construção do disco, apenas uma bateria eletrônica, uso preciso de sintetizadores, pedais e uma guitarra, ferramentas versáteis, base para o imenso labirinto sonoro (e sentimental) que se espalha com naturalidade até o encerramento da obra.

A Year With 13 Moons (2015, Mexican Summer)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Oneohtrix Point Never, Mark McGuire e Fennesz
Ouça: Love After Love, At the End of Spring e The Last Time I Saw Your Face