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Disco: “Além da Razão”, Xará

Xará
Brazilian/Rap/Hip-Hop
http://www.myspace.com/xarizzo

 

Por: Pedro Ferreira

O Hip Hop carioca, especialmente o underground, geralmente se denotou pelos coletivos: Planet Hemp, outrora, se mostrou um potente veículo de críticas e de adoração à erva, arrastando um verdadeiro séquito com sua música potente. Marcelo D2, BNegão e Black Alien, após a dissolução do grupo, seguiram carreira solo, cada um ao seu estilo, e cada um obtendo notável sucesso, guardadas as devidas proporções e o público alvo de cada um deles.

Outro grupo de rap carioca que construiu um certo legado, demarcando seu estilo, foi o Quinto Andar. Com letras mais humoradas, no entanto, com muito sarcasmo e ironia, o coletivo abordava de maneira estrondosamente jocosa os problemas – sérios – cotidianos, além de preocupações inúteis, também, claro. O grupo também se findou, e seus membros seguiram carreira solo. Com mais destaque, Shaw, De Leve e Marechal.

Xará é um dos ex-membros do extinto grupo que menos apareceu nos últimos tempos. A explicação parece ter sido dada em Além da Razão, lançado esse ano. O álbum em nada se assemelha ao estilo de seu ex-grupo. Muito mais sério, com uma maturidade arraigada de forma a não se deixar um traço sequer do Quinto Andar, o MC mostrou que há muito talento em seu repertório, que não se resume às numerosas piadas – que não deixam de ser inteligentes, de fato – gravadas por De Leve.

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Há finas participações no disco: Emicida aparece com maestria na faixa de abertura, que também é a melhor do trabalho, Olha Pros Neguinho; Highway é abrilhantada por Rashid e Márcio Local; Dia de Chuva, talvez a mais soturna do álbum, traz André Ramiro e Polly Marinho numa intervenção teatral, relatando uma conturbada relação entre ex-companheiros. Isso sem contar com os ex-colegas de Quinto Andar, Marechal e Shaw. São artistas cujas características foram milimetricamente alocadas em faixas condizentes com tais qualidades.

A produção, muito bem executada, é assinada por Damien Seth, figurinha carimbada no Hip Hop nacional, não só no carioca, mas também nos beats paulistas. Experiente, o produtor soube contribuir para o sucesso do disco, entrelaçando perfeitamente a parte que lhe coube às potentes rimas apresentadas.

Apesar de não ter sido alvo de um hype tão grande quanto outras mixtapes do Hip Hop nacional, Além da Razão pode figurar, sim, entre os melhores discos de rap do ano. É um grito de libertação de alguém que não está há pouco tempo na caminhada, e que precisava comprovar que toda a batalha já vivida não foiem vão. E que ainda há muito fôlego pra enfrentar o que vem por aí. Como diria Criolo, artista independente leva no peito a responsa, tiozão. Xará, a muito custo, levou.

 

Além da Razão (2011, Independente)

 

Nota: 8.0
Pra quem gosta de: Rashid, Projota, Emicida
Ouça: Olha Pros Neguinho, Estação Quinze


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