Disco: “All Things Bright and Beautiful “, Owl City

Owl City
Electronic/Synthpop/Indie
http://www.myspace.com/owlcity

Por: Cleber Facchi

Você pode até considerar o trabalho do norte-americano Adam Young, o homem no controle do Owl City, como algo muito “semelhante” ao que foi construído pelo The Postal Service no começo dos anos 2000, mas não pode descartar a beleza das melodias e das letras em seus trabalhos. Com seu quarto disco, All Things Bright and Beautiful (2011), o músico de Minnesota pouco inova, embora traga um brilhantismo pop às suas faixas melancólicas e produza um disco delicioso, dividindo-se entre o dançante, o doce e o introspectivo.

Em seus quatro anos de atuação como produtor, lançando quase um disco por ano, Young tem em seu quarto trabalho uma convergência maior de sons e uma maior resolução de suas produções. Enquanto em Ocean Eyes de 2009 (seu primeiro registro lançado através de uma grande gravadora) o músico parecia redundante, construtor de faixas inexpressivas e que envergavam por uma temática ligada à ambient music, em seu mais recente trabalho o cantor não apenas se afasta dos erros do passado, como se apresenta de forma mais acessível, radiofônica, mas sem que para isso precise parecer descartável.

Para começar, Young foi atrás do rapper californiano Shawn Chrystopher, para que juntos dessem origem à Alligator Sky, primeiro single do disco (lançado no começo de abril) e que apresenta um Owl City diferenciado, ausente da melancolia sintomática de outrora e de fácil absorção. A faixa tem tudo para substituir o pequeno fenômeno lançado por Fireflies, faixa do trabalho anterior e que trouxe o produtor para próximo do mainstream, servindo de porta de entrada para quem ainda desconhecia o som do artista.

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Se ao dar vida aos trabalhos anteriores do Owl City o norte-americano situava-se no reducionismo, transparecendo a imagem de um músico solitário, munido apenas de seu notebook e alguns parcos teclados, graças a faixas como Galaxies o novo álbum soa grande. Os sons comportados e as batidas diminutas dão lugar a um corpo de sintetizadores expansivos, tragando o produtor para dentro da IDM dos anos 90, sem nunca se desvincular dos toques fáceis da música pop. Parecendo como algum grande figurão do pop contemporâneo, Young deixa seu gênio sorumbático de lado, dando formas a um som poderoso, dançante e ainda assim qualidoso.

Claro que as pendências ao ritmo melancólico, uma marca registrada de seus trabalhos, ainda se faz presente, cobrindo boa parte das faixas que movimentam o disco. Em Honey and The Bee, canção em parceria com a conterrânea Breanne Düren, o produtor cruza o eletrônico com samplers de elementos acústicos, em uma faixa que embora soe similar ao produzido pela dupla Ben Gibbard e Jimmy Tamborello, se transforma em um reduto de suavidades e parcos toques de tristeza. O mesmo vale para The Real World e Hospital Flowers (a melhor do disco), com o músico trazendo as mesmas referências que o tornaram reconhecido.

Talvez por exigência da gravadora ou por um Adam Young visivelmente mais maduro, mas o fato é que All Things Bright and Beautiful se apresenta como um trabalho melhor resolvido, rumando para várias direções e acertando em todas. Não é um desses discos que ganham o rótulo de “clássico”, servindo muito mais como um encaixe para determinados momentos românticos ou melancólicos de nossas vidas (um prato cheio para as séries dramáticas norte-americanas). Dentro de suas limitações é um álbum assertivo e que faz com que Young seja de fato reconhecido por sua obra.

All Things Bright and Beautiful  (2011)

Nota: 7.0
Para quem gosta de: The Postal Service, Dntel e Slow Runner
Ouca: Galaxies