Disco: “AM”, Arctic Monkeys

Categories Resenhas

Arctic Monkeys
British/Rock/Alternative
http://www.arcticmonkeys.com/

Por: Cleber Facchi

Arctic Monkeys ai que roqueiros esses meninos!

The Strokes e Comedown Machine, Yeah Yeah Yeahs e Mosquito, Franz Ferdinand com Right Thoughts, Right Words, Right Action, e até o Bloc Party com o EP The Nextwave Sessions. Alinhamento dos planetas ou não, mas o fato é que 2013 foi o ano escolhido para que “jovens veteranos” do panorama “alternativo” apresentados na última década voltassem à cena. Alguns de forma assertiva, como revelou o quarteto escocês, outros de maneira torta, vide o mais novo exagero de Kele Okereke e seus parceiros. O restante, para o bem ou para o mal, parece posicionado em um meio termo, iluminado por um holofote baixo e que até chama as atenções, mas está longe de convencer realmente.

Mas e o Arctic Monkeys, onde fica nesse cenário? Dois anos após requentar as ideias no quase caricato Suck It and See (2011), obra que praticamente cresce à sombra do psicodélico Humbug (2009), Alex Turner e os parceiros de banda regressam ao mesmo território “agressivo” de outrora, posicionando as guitarras e vozes dentro de um ambiente temático bastante similar para abastecer AM (2013, Domino). Quinto e mais novo disco do grupo, o álbum é praticamente um autoplágio tamanho o conforto estratégico do quarteto. Um misto bem equilibrado de “mais” com “mesmo” do qual a banda parece pouco interessada em se mover.

Estaria eu passeando pelas mesmas distorções firmadas em Humbug ou é apenas impressão minha? Essa agressividade arrastada de Arabella ou a balada mezzo épica  que cresce em No. 1 Party Anthem, isso já não estava nos discos anteriores? Até R U Mine? está de volta, mais de um ano depois dela ter sido lançada como single. Vocês têm certeza de que eu não estou ouvindo o mesmo disco de antes? O Mesmo Suck It and See? Pois é exatamente isso que parece. Riffs posicionados com a mesma precisão e letras perfumadas por amor e álcool que repetem ideias bastante similares. Parece até que a banda resolveu correr na mesma esteira de conceitos de outrora, agora com a velocidade reduzida.

Quem se encantou com as linhas de baixo volumosas e as guitarras quase suculentas de Do I Wanna Know? vai ter de se contentar apenas com ela, afinal, nada parece preparado com o mesmo entusiasmo no restante da obra. A banda até parece inclinada repetir o mesmo esforço em One For the Road e I Want It All, faixas que devem ter deixado o “tutor” Josh Homme com uma coceirinha atrás da orelha: “Essas músicas não são minhas, não?”. E todas essas guitarras que parecem ter escapado do novo disco do Black Sabbath? Tudo muito suspeito.

Passear por AM é como esbarrar em uma sequência de obras clássicas da década de 1970, com a diferença de que aqui tudo parece emulado. Um exercício constante de “querer ser quem não é” com “deixar pra trás a própria identidade”. Ainda que Humbug fosse uma representação quase exata desse mesmo propósito, fosse pela presença de Josh Homme ou pelo simples desejo da banda em fazer algo diferente  (em relação ao que ocupava a cena britânica na época), cada faixa entalhada no registro surge em um esforço de grandeza e presença autoral. Um oposto do que é revelado agora. Até os tradicionais hits que a banda sempre pareceu confortável em fabricar ficaram para trás, ou simplesmente parecem dissolvidos no Déjà Vu estético que reforça constantemente a sensação: Eu já não ouvi isso antes?

Antes que as pedras cheguem, logo assumo: AM é sim um trabalho de produção, vozes e sons bem estabelecidos. Um jogo de arranjos que sobrepõem a simplicidade do disco passado em prol de faixas instrumentalmente bem resolvidas e recheadas por vocais polidos – caso de Knee Socks e Fireside. Porém, nada além do que a banda, ou melhor, outros artistas já não tenham feito e o Arctic Monkeys tenha apenas revivido. No atual pódio dos “novos veteranos”, o quarteto britânico não parece estar nem acima e nem abaixo dos demais, apenas parado, exatamente onde estava em 2009 e onde deve permanecer por um bom tempo.

AM

AM (2013, Domino)

Nota: 6.0
Para quem gosta de: Queens Of The Stone Age, Alex Tuner e The Strokes
Ouça: Knee Socks, Fireside e Do I Wanna Know?

Veja também:

Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post e hoje é editor de conteúdo no Itaú. Apaixonado por GIFs de gatinhos, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil como presente.

27 thoughts on “Disco: “AM”, Arctic Monkeys

  1. Pontos muito bem colocados. AM tinha a faca e o queijo na mão para criar algo novo, mas caiu na comodidade. Por mais “novas” que sejam as atuais referências, o “mais” do novo e o “mesmo” do de sempre levaram a banda para uma incômoda crise de identidade. Veja bem, é um ótimo álbum, mas não é Arctic Monkeys.

  2. Acho que pelo norte que eles estão seguindo, eles estão querendo ser “classudos”, que nem o The Killers no ultimo álbum. Espero que eles não ultrapassem o nível do classic rock e comece a ser “brega-rock”. rs

  3. Bom, creio eu que a resenha não foi correta nos pontos que ela destacou, o álbum pode não ser de agrado a todos ouvidos, e isso é compreensível. na verdade ele é tudo menos uma acomodação da banda, ou uma mesmice, na verdade é um álbum bem experimental, que vai na contra-mão de tudo que sai das bandas mais famosinhas do mundo “indie” que vocês citaram, ele não apela para o uso incansável de synth e nota-se desde elementos de Soul/Hip Hop até Psych e que tentativa fail de trolar alá Pitchfork.

  4. Mas todo mundo sabe que Arctic Monkeys nunca foram eles, a identidade do grupo ta espalhada nesses cinco CDs que são muito diferentes, a separar dos dois primeiros que tem a proposta similar, não acredito que a resenha tenha sido feita de forma objetiva e parece vinda de alguém que simplismente não gosta do trabalho deles que obviamente mudou muito de tempos pra ca, mas enfim apenas a minha opinião de merda.

  5. Concordo plenamente: esse caminho que eles estão seguindo não vai levar a banda a lugar algum. Se as coisas continuarem assim Arctic Monkeys vai se tornar pastelão e fim. Desde Humbug que eu não me animo com nada feito pelos Macacos Árticos. Onde estão músicas como Crying Lightning? Músicas como Dance Little Liar? Em suma: AM deixou a desejar.

  6. Não compreendi essa receptividade negativa em torno do álbum. Pra mim, o AM é uma amadurecimento claro do clima de Humbug (melhor álbum da banda pra mim) com o pop de Suck and See. Há uma referência óbvia ao trabalho de Josh Homme, mas comparar o disco do Monkeys com o do Queens of Stone Age é um equívoco, o som de ambas as bandas é bem distinto. Acho que eles melhoraram muito, consigo enxergar AM como um álbum dos Monkeys msm. E ainda destaco a boa mão de Alex para baladas, Nº 1 Party Anthem e Mad Sounds são ótimas.

  7. Concordo com seu comentário. Acredito que a resenha não foi produzido com objetividade e o principal, ouvidos imparciais.

  8. Filipe Marçal e Mattheus Macedo, só me expliquem uma coisa: onde está escrito que texto de OPINIÃO (crítica/resenha) deve ser imparcial?

  9. “Veja bem, é um ótimo álbum, mas não é Arctic Monkeys.”

    Será? “O que quer que digam que eu sou…”

  10. Pessoal, façam um favor a vocês mesmos. Leiam a resenha sobre o AM feita pela NME (mais conceituada revista de música alternativa desse planetinha). Aposto que teve gente que nem ouviu o album direito, leu esse resenha (que diga-se de passagem, estão cada vez piores) e estão só repetindo, igual papagaios. Acho que a NME não publicaria que começa com “Arctic Monkeys’ fifth record is absolutely and unarguably the most incredible album of their career.” a toa né?

  11. poxa cara, eu n dou mt bola pra NME não. ela puxa mt saco de bandas q eu não acho mt boa. E axei q ela exagerou quando deu 10 pra esse álbum. Acho o AM mt bom, ainda mais dentro da discografia dos Monkeys. Mas quando vc ver q esse ano teve álbuns como o The Knife e o do Youth Lagoon (discos bem mais importantes pro mundo da música) e não ganharam 10, é pq tem alguma coisa errada por aí.

  12. Não entendi sua resenha, muito mal escrita cara. Uma hora você diz que eles fazem “mais do mesmo” e outra hora diz que eles perderam a identidade. Só me explica como isso é possível.

  13. Concordo com o resenhista. Sou fã dos Monkeys, mas não é por isso que vou defender tudo o que produzem. Achei ridículo a Revista NME arrancar elogios de AM do começo ao fim. Chegaram a afirmar que este é o álbum mais incrível da carreira deles. Menos, né? Quero ver sair daí um hit tão bom como “I bet you look good”. Ou uma “Fluorescent adolescent”. Duvido! A verdade é essa mesmo: eles querem ser o que não são. Eu curto R&B e acho algumas batidas de hip-hop interessantes, mas o grupo conseguiu deixar tudo isso tosco em AM. Já diz o ditado: em time que tá ganhando não se mexe. Dede Humbug eles vem com essa de que estão experimentando coisas novas, com influências dessa e daquele. Eu, como fã de quem eles eram quando os conheci, espero que um dia eles pensem em se inspirar em “Whatever people say” ou no “FWN”.

  14. ah, é! Só pra reforçar:
    O AM pode ser msm encarado como um resumo dos dois últimos álbuns. Talvez até pra não dizerem por aí que a banda está sem identidade, que eles fizeram mais um álbum de “Rock Clássico”.
    A diferença desse para outros dois, é que além da pegada clássica. Tem a pegada R&B e Soul.
    Então não é problema, se vc ouvi-lo e lembrar do Humbug. Seria estranho se vc ouvisse e não lembrar mais uma vez de Arctic Monkeys, aí sim, poderia dizer que a banda está sem identidade.
    Não sei se consegui explicar, Bjuuus!!!

  15. Acho que desde Favourite Worst Nightmare a banda deixa uma “mensagem” de que aí iria começar um processo de amadurecimento por ela. Humbug fez com que isso fosse provado, porque realmente supreendeu muito pelas novas experiencias novas que usaram… Bem, não deveriam ter usado. Em Suck It And See começa a confusão mesmo. Agora com AM eu infelizmente declaro que espero tudo da banda (Embora tenham canções que eu já gosto há tempos como R U Mine). Se fosse pra ser assim, acho que deveriam ter começado a banda mais tarde, ficaria muito mais fácil e claro de identificar eles.

  16. A revista NME claramente puxa o saco de bandas britânicas… PRA ELES ARTIC MONKEYS são os BEATLES, EOS BEATLES SÃO DEUS….

    essa crítica imunda da NME…. só demonstra isso….

  17. Também acho que cada álbum tem sua cara e sua fase. Arctic Monkeys tem muito isso de fase, e essa fase atual é muito boa. Acho que eles cresceram muito.

  18. Ouvi muitos comentarios.. e resolvi parar com essa descussão postando o o meu.. pra começar o site é muito bom adoro o miojo indie.. mas foi infeliz nessa resenha..está claro o que Josh e Turner e todo o monkeys esta pretendendo..é uma nova cena indie que ta acontecendo e nao demorará a explodir o som da banda nao tem nada a vez com os albuns anteriores e isso nao quer dizer que eles mudaram de estilo, está tudo dentro do contexto valido..a produçao das musicas nao vai ser a mesma de 5 anos atras.. o AM ( 2013 ) é muito bom sim. fãs antigos é que devem se atualizar..algo novo e que vai ser consumido abraçem a esse novo movimento indie..existirão muitos hits que ficaram marcado na historia da musica.. Arctic Monkeys chegou no Ápice da sua carreira

  19. Eu já achei que os Arctic se encontraram nesse álbum, como senti que se encontraram no Humbug e se perderam no Suck it and See.
    Mas o próximo álbum poderia sair um pouco mais dessa zona de conforto de classic que eles resolveram (re) resgatar.

  20. questi termini condivido praticamente tutto senza bisogno di puntualizzare niente.@Corvo:"Quindi non vi é nessun motivo lecito che potrebbe impedirmi di tornare a pubblicare articoli su questo diario."Questa frase mi inquieta: suvvia, un po' di ottimismo!

  21. Caro Pinho Cardão,Essa da “responsabilidade individual” alivia-nos a consciência mas não nos resolve o problema, até porque o problema do abandono escolar não será só de quem abandona o ensino, será de todos nós.E há casos em que o aluno não abandona os estudos por sua livre iniciativa. Creio que também aqui o meu caro tem um estereótipo em mente que não corresponderá à completa verdade dos factos.

  22. lasciamo che pallombella va in sistina, cosi assisteremo al requiem della scuola romana,non vedo l ora di ascoltare la sua prima messa !don pallombella non sa dirirgere non sa scrivere musica, e piena di errori,mi domando ma se è cosi bravo come mai non insegna più al pontificio di musica sacra?conosco qualche composizione del maestro pallombella forse un allievo del 1 anno di conservatorio fa meglio

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