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Disco: “Amigos Imaginários”, Anelis Assumpção

Anelis Assumpção
Brazilian/Alternative/Female Vocalists
http://www.anelisassumpcao.com/

Por: Cleber Facchi

A julgar pela estrutura dos temas e ritmos explorados em Amigos Imaginários (2014, Independente), pouco se modificou na proposta lançada por Anelis Assumpção em Sou suspeita, estou sujeita, não sou santa (2011). De fato, mesmo o time de instrumentistas que cercam a cantora no novo álbum – Bruno Buarque, Cris Scabello, MAU e Zé Nigro – ainda o mesmo do registro anterior. Surpresa que desse cenário tão estável floresça uma obra ao mesmo tempo cômoda e irrestrita, encharcada pela novidades.

Parcialmente livre de comparações ao trabalho do falecido pai – o também cantor e compositor Itamar Assumpção -, Anelis trava na leveza das próprias canções um mecanismo de fuga desse suposto cenário próximo. Mesmo apoiada pela lírica e arranjos de Rodrigo Campos, Russo Passapusso e Kiko Dinucci – “discípulos” de Itamar -, a cantora se entrega com naturalidade ao oposto, resumindo a atmosfera do disco em um “pop” sutil, expressão segura da própria identidade.

Como uma versão “adaptada” do mesmo plano complexo de Metá Metá, Passo Toro e outros coletivos próximos – sempre distantes do “grande público” – Anelis abraço com acerto o “descompromisso”. Não por acaso o álbum derruba todas as barreiras levantadas no disco anterior, premissa para a fluidez de boas melodias em Eu Gosto Assim e demais faixas acessíveis que recheiam o álbum. Contudo, não espere tropeçar no mesmo palco de Tulipa Ruiz, Bárbara Eugênia e outras “divas” da atual cena paulistana. O propósito de Assumpção aqui é outro.

Da relação com outras cantoras próximas, apenas o diálogo com Iara Renó e Céu prevalece. De Renó, antiga parceira na já extinta Dona Zica, é de onde parece vir a inspiração para a enérgica de Minutinho, faixa mais intensa de todo o álbum e ponte para ainda quente cenário de Iara, lançado em 2013. Por sua vez, Céu aparece não apenas nos versos mutáveis de Song To Rosa, mas no explícito domínio do reggae que preenche e serve de estímulo para todo o trabalho. Já evidente no álbum de 2011, o gênero serve agora como liga para as canções, refletindo de forma autoral os mesmos conceitos incorporados em Vagarosa (2009).  

Esquivo da morosidade ocasional do antecessor, o presente álbum é encarado por Anelis e os parceiros de banda de forma expressiva e dinâmica durante todo o tempo. Seja no romantismo de Por Quê? ou no Hip-Hop versátil de Desvaneios, o planejamento atento reflete uma obra de continua atenção para o ouvinte. Não há gordura ou faixas descartáveis, como se cada composição tivesse um “propósito”. O mesmo cuidado se faz evidente na (hoje) voz ilimitada cantora. Livre de qualquer traço de timidez, Anelis passeia autêntica em faixas como Declaração e Song To Rosa – exemplares também assertivos da polidez arquitetada pela mixagem de Victor Rice.

Em Amigos Imaginários, Anelis Assumpção consegue além da temática “paulistana” que limita grande parte do primeiro disco. Como os diferentes personagens e até mesmo a variedade de ritmos – rock, reggae, pop, rap – em cada faixa resumem, a cantora passeia agora por um cenário renovado, ainda urbano e autoral, porém, feito para ser desvendado – por ela ou pelo ouvinte. Anelis não imaginou apenas os amigos que preenchem e dão título ao disco, mas um universo inteiro.

Amigos Imaginários (2014, Independente)

Nota: 8.3
Para quem gosta de: Céu, Iara Renó e Karina Buhr
Ouça: Declaração, Desvaneios e Minutinho


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