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Disco: “Amulet”, Teeel

Teeel
Electronic/IDM/Synthpop
http://www.myspace.com/teeelmusic

 

Se nos primeiros anos a Chillwave acabou marcada pelo fluxo de trabalhos com um pé no lo-fi e o outro na praia, em 2011 é o tom urbano e a polidez das criações que surgem para exigir seu espaço. Nada de sons repletos de chiados, loopings viajados e um ritmo perfeito para um fim de tarde à beira mar, se depender do produtor Jim Smith, que atua sob a alcunha de Teeel é a sobriedade e faixas mais “concretas” o que vai acabar predominando. Vindo de New Jersey o produtor faz um tipo de som que passeia pelo Synthpop e a Ítalo Disco dos anos 80, além de um Dream Pop mais limpo, se é que isso é possível.

Amulet (2011) seu trabalho de estreia se compõem de nove faixas, que mesmo pendendo levemente para uma sonoridade mais relaxada aos moldes de gente como Toro Y Moi, Com Truise e Washed Out apresenta como foco uma sonoridade mais concisa. A abertura do álbum se dá com a faixa Triangle Waves, um amontoado de elementos eletrônicos que fluem através de um ritmo lesado, mas que casa muito mais com um ambiente cinza de uma cidade grande do que com um final de tarde ensolarado andando sobre a areia. Os sintetizadores chegam de maneira ponderada, excluindo qualquer teor excessivo.

Um pouco mais dançante entra Dark Passenger, uma baldinha com jeito de final de festa que se firma sobre bases relaxantes de sintetizadores e vocais esvoaçados. Há também uma guitarra ponderada, que tenta lentamente se sobressair em meio ao concentrado de formas e colagens sonoras. Embora conte com alguns picos radiantes a canção pouco se modifica, seguindo uma linha praticamente imutável. Alguns toques quase etéreos acompanham a canção, elemento que se intensifica no começo de Corduroy Swell, faixa que logo se transforma em alguma canção menos enérgica do New Order. Os vocais de Smith surgem mais uma vez mergulhados em uma densa camada de efeitos eletrônicos, porém dessa vez um pouco mais audíveis.

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Aos irritados com o fluxo quase etéreo das canções Ojai Valley dá uma sacolejada no disco, e pela primeira vez entrega uma faceta levemente tocada pelos elementos mais praieiros. Nesse ponto há uma similaridade grande com o segundo disco do Toro Y Moi, Underneath The Pine (2011), principalmente se comparado a faixas como Go With You.

Depois de uma leve transição por esse campo mais relaxado, Smith retorna com Sweet Camaro e Galilean Moons, ambas trabalhadas fortemente dentro do clima oitentista, porém nada muito dançante ou fluindo de maneira monumental. Se não fossem os vocais quase escondidos do produtor talvez as composições tivessem uma maior naturalidade. Principalmente a segunda faixa traz um pouco desse lado “dream pop limpo”. Tanto as batidas como os demais elementos que circundam a faixa chegam de maneira clara. O que acaba criando as distorções e o clima obscuro típico do dream pop são os vocais, que são intensamente reconfigurados.

Contudo a falta de elementos que se sobressaiam dentro das faixas, como solos de teclados mais detalhados ou refrões empolgantes acabam em alguns momentos comprometendo o funcionar do trabalho. Os melhores momentos desse álbum estão justamente nas três últimas criações de Smith, momento em que o produtor se envolve com ritmos mais abertos e toques que possam ampliar a energia das músicas, até os vocais surgem de maneira mais límpida. Um bom disco para se ouvir em meio às andanças pela cidade.

 

Amulet (2011)

 

Nota: 7.2
Para quem gosta de: Minks, Toro Y Moi e Com Truise
Ouça: Black Diamonds

Por: Cleber Facchi