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Disco: “Another Eternity”, Purity Ring

Purity Ring
Pop/Electronic/Indie Pop
http://purityringthing.com/

 

Uma medida exata, dividida de forma (quase) matemática entre vocalizações e versos grudentos, típicos do pop, sobreposto pelas batidas, experimentos e arranjos focados no Hip-Hop “alternativo”. Esta parece ser a fórmula do trabalho assinado pela dupla Corin Roddick e Megan James, do Purity Ring. Uma divisão precisa, 50% para cada lado, a base para o acervo de canções complexas, porém, ainda melódicas apresentadas em Shrines (2012), primeiro álbum de estúdio do casal. Mas e como seria o resultado final de qualquer projeto do duo canadense se alguém modificasse essa “ordem”?

A resposta está no interior de Another Eternity (2015, 4AD), segundo e mais recente álbum de inéditas da dupla. Em uma alteração na medida temática proposta pelo casal, o pop passa a ser componente de maior grandeza dentro da obra, ainda íntima do registro entregue em 2012, porém, reformulado, próximo de uma parcela ainda maior do público. Um caminho livre, limpo, como se a curva iniciada em faixas como Obedear e Fineshrine, ainda no trabalho anterior, fosse agora ampliada.

Assim como no último discos, as funções do casal parecem bem divididas em cada faixa. Enquanto versos e vozes espalhados pela obra permanecem sob o comando de James, cada vez mais próxima de nomes de peso da música pop, como Taylor Swift e Rihanna, toda a base musical do disco continua nas mãos do parceiro. A diferença em relação ao trabalho anterior está na forma como Roddick segue de perto a companheira, montando uma estrutura essencialmente melódica, base para a formação de hits como Push Pull, Repetition e Begin Again.

Do momento em que Heartsigh tem início, todos os holofotes apontam a vocalista, o rosto por trás dos catálogo de versos tristes e sentimentos exageradamente detalhados no interior das canções. Como um instrumento, a voz de James se transforma na matéria-prima de todo o disco, preenchendo as lacunas e bases frias, inicialmente testadas em Shrines. Como complemento, a utilização constante de sintetizadores, colagens eletrônicas e ruídos – pequenos acréscimos harmônicos, presentes até o encerramento do trabalho.

Tamanho detalhamento oculta as pequenas quebras rítmicas geradas no interior do álbum passado. As batidas, antes responsáveis pelo movimento das faixas, agora surgem amarradas por um conjunto de novos elementos, resultando na formação de um registro dinâmico, naturalmente pop e dançante. A repetição propositada dos versos parece outro componente significativo para que o ouvinte continue “preso” ao disco. Uma colagem de vozes hipnóticas, exaustivamente redundantes, porém, dificilmente ignoradas.

Possivelmente “irritante” para aqueles que foram seduzidos pela manipulação nada óbvia do pop no trabalho anterior, Another Eternity afasta a dupla canadense de uma sonoridade pouco complexa, mas não menos estimulante. Impossível atravessar o território provocativo de faixas como Flood On The Floor, Push Pull e Begin Again e não cair nas garras do casal, hoje, em um processo de plena expansão e redescoberta da própria sonoridade.

 

Another Eternity (2015, 4AD)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Grimes, Phantogram e Braids
Ouça: Push Pull, Repetition e Flood On The Floor