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Disco: “Apar”, Delorean

Delorean
Electronic/Indie/Alternative
https://www.facebook.com/dlrean

Por: Cleber Facchi

Poucas bandas parecem ter o mesmo conceito de melodia quanto o Delorean. Do princípio tímido, influenciado pela cena Balearic na década de 1990, ao aprimoramento pós-Ayrton Senna EP (2009), cada obra assinada pelo grupo basco dá um salto em relação a música pop e ao emprego de boas harmonias. São vocalizações que mais parecem tratadas como instrumentos, sons arquitetados de forma confessa para as pistas e todo um impulso entusiasmado que ao alcançar Subiza, em 2010, revelou o ponto de maior acerto na trajetória do grupo. Um princípio para o que volta a alimentar a composição da banda no recém-lançado Apar (2013, True Panther).

Com uma divisão constante entre a eletrônica e a instrumentação orgânica, o novo disco é praticamente uma oposição ao território deixado pelo grupo há três anos. Tão logo Spirit inaugura o álbum com seu ondulado de sintetizadores e vozes plásticas, a manifestação climática de outrora dá lugar a um registro impulsionado pelo canto, pela acessibilidade e pela dança. Como se fugisse de qualquer esforço experimental, o disco arrasta o ouvinte para junto de um corpo de cores e sons entalhados pelo pop. Um meio termo entre a Chillwave empoeirada de diversos nomes recentes, e toda a manifestação radiofônica entregue ao público desde a chegada da New Wave.

Enquanto Subiza era a representação etérea dos sons acumulados pelo grupo, Apar é a exposição quase tátil desse mesmo resultado sonoro. O que antes era desenvolvido em cima de uma massa de sons amortecidos, vocais enevoados e batidas alimentadas pela essência da House 90’s, com o novo disco a banda encontra uma inversão, quase nostálgica em alguns aspectos. A julgar pela exposição de faixas como Destitute Time e Unhold (parceria com Caroline Polachek, do Chairlift), cada canção presente no trabalho se alimenta timidamente da década de 1980, um esforço que, na contramão de outros projetos, se esquiva com beleza dos clichês do gênero.

De composição pop como princípio básico, Apar soluciona musicalmente uma série de faixas até então tratadas em regime de distanciamento do público médio. Espécie de regresso e ao mesmo tempo ruptura com os primeiros discos – principalmente Into The Plateu, de 2006 -, o trabalho se distancia a todo o instante do que parecia ambientado de forma climática em canções como Real love e Warmer Places. Falta o delineamento não convencional estável no registro passado, mas é praticamente impossível levantar qualquer crítica quando se tem em mãos uma coleção de faixas tão versáteis quanto as do presente disco.

Apar

Sustentado em marcas específicas do que reverbera no trabalho de Chairlift, Frankie Rose, Blouse e outros interessados em resgatar as experiências músicas do passado, Apar revela o acerto do Delorean ao fugir da estética noturna e aportar em sons de beleza vespertina. Ainda que faixas como Your Face e Walk High arrastem melancolicamente a proposta da banda, canções a exemplo de Dominion, Spirit reforçam as cores e a festividade da obra. Uma divisão constante entre as pistas e a trilha sonora para uma tarde de domingo.

Talvez cientes da própria limitação ou incapacidade em ultrapassar o território sonoro exposto em Subiza, com Apar o grupo basco ao menos finaliza uma obra de efeito radiofônico, atraente até o último segundo. Mesmo o detalhamento óbvio não exclui o grupo da capacidade em brincar com canções de enfoque torto, acabamento exposto com acerto nas guitarras sujas de Dominion e até da eletrônica soturna de Still You, no fecho do disco. Apar, em um sentido de autocontrole, priva o ouvinte da mesma invenção anunciada em 2010, mas em nenhum momento distancia o público da avalanche criativa de sons que há mais de uma década guiam o caminho do Delorean.

 

Apar

Apar (2013, True Panther)

Nota: 7.7
Para quem gosta de: Cut Copy, Chairlift e Washed Out
Ouça: Destitute Time, Unhold e Spirit

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